segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Doutores e Engenheiros!

A nova barra da Fuzeta, no Algarve, foi destruída pelo mar em apenas um dia. A estrutura acabou de ser construída há dois meses e custou cerca de um milhão de euros.

Bastou um dia de vendaval, para destruir um investimento de 980 mil euros. A barra aberta pela Sociedade Polis da Ria Formosa, que permitia a passagem dos pescadores da Fuzeta da ria Formosa para o mar, está reduzida a poucos metros de largura e tem línguas de areia perigosas para a navegação.


Sempre que o mar está picado, a solução para os pescadores da Fuzeta é regressar a terra. Porque arriscar a vida poucos o fazem.

Não compreendem porque foi aberta esta barra a nascente. Defendem que se devia ter mantido, com a ajuda de paredões, a que o mar abriu no ano passado mesmo em frente à Fuzeta e que a Sociedade Polis da Ria Formosa decidiu fechar. A Sociedade está a monitorizar a situação.

Pescadores da Fuzeta já tinham alertado para eventual destruição

A comunidade piscatória da Fuzeta já tinha criticado em Novembro a decisão da Sociedade Polis Ria Formosa ter criado uma nova barra marítima sem um paredão fixo, alertando que, se não fosse dragada constantemente, a obra seria destruída durante o Inverno.

"Pedras é que deviam pôr. O peixe quer é pedra. A barra vai ficar areada com o inverno e vai desaparecer. É dinheiro deitado ao mar. Aquilo não é uma barra, é costa marítima", acusou Francisco Matias, 82 anos de idade e pescador desde os sete.

A nova barra da Fuzeta foi aberta na semana de 26 de Novembro ao tráfego marítimo, na sequência das obras executadas nos últimos sete meses, no âmbito do Polis Litoral Ria Formosa.

Para aquele profissional da faina, a "Fuzeta poderia ser uma terra mais rica e mais bonita se pusessem pedras na nova barra, como existe em Olhão, Tavira, Albufeira ou Quarteira, onde as barras são construídas com pedra".

Um outro pescador de 66 anos também demonstrou indignação com a nova barra.

"É tudo loucura o que estão a fazer. O inverno difícil de 2009 abriu uma barra natural, mas as autoridades preferiram gastar dinheiro a fechá-la para abrirem uma nova pela mão do homem, mas é dinheiro jogado ao mar", argumentava, num tom indignado e preocupado.

A maioria dos pescadores com que a Lusa falou a 26 de Novembro defendeu a colocação de pedras para ajudar a fixar a barra e criticaram as autoridades - Sociedade Polis - por gastarem dinheiro numa barra “que vai acabar por desaparecer” com as intempéries e as marés.

A nova barra agora destruída, localizada a cerca de 800 metros a nascente do porto de Fuzeta-Terra e que faz parte de uma empreitada cujo valor total ronda um milhão de euros, tinha o objectivo, segundo a Sociedade Polis Ria Formosa de "minimização situações de risco para pessoas e bens, por via das medidas correctivas de erosão e defesa costeira".

A presidente da Sociedade Polis, Valentina Calixto, explicou na altura que a colocação da nova barra é uma decisão que resulta de estudos do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), Administração da Região Hidrográfica do Algarve e Universidade do Algarve.

"A engenharia pesada pedida pelos pescadores não é possível do ponto de vista legal", explicou Valentina Calixto, acrescentando que é desaconselhada a fixação de barras, porque se estaria "a transferir os problemas de erosão para outros locais".

Valentina Calixto explicou que a abertura da barra era o culminar da primeira fase da "intervenção de emergência" para recuperar e consolidar o cordão dunar na ilha da Armona, garantindo condições de navegabilidade para viveiristas, pescadores e marítimo-turísticas.

A empreitada, que decorreu durante sete meses e incluiu os trabalhos de fecho da barra espontânea aberta pelas intempéries do último inverno, o reforço do cordão dunar e a abertura da nova barra, representou um investimento de 980 mil euros, informa o Polis.

O "Polis Litoral Ria Formosa" é um plano estratégico de requalificação e valorização da Ria Formosa, cujo investimento total é superior a 87 milhões de euros e que tem uma sociedade onde os municípios de Faro, Olhão, Loulé e Tavira participam com capital social.

Com Lusa
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