segunda-feira, 7 de setembro de 2020

O CONCÍLIO DOS PREDADORES OU O VÍRUS COMO “JANELA DE OPORTUNIDADE”

 

2020-09-05

José Goulão, Exclusivo O Lado Oculto/AbrilAbril

Quando a elite dos predadores que conduziram o mundo ao estado desgraçado em que se encontra se propõem agora salvá-lo tirando proveito da “janela de oportunidade” que é a pandemia de COVID-19 podemos deduzir que há nuvens ainda mais negras no horizonte.

The Great Reset, o Grande Reinício ou a Grande Restauração, como preferirem, é o tema da próxima reunião do Fórum Económico Mundial (FEM), a grande cimeira dos principais agentes globais do neoliberalismo que decorre anualmente em Davos na Suíça, a realizar em Janeiro de 2021.

“Precisamos de renovar todos os aspectos das nossas sociedades e da economia, desde a educação aos contratos sociais e condições de trabalho”, explica o presidente do FEM, o multimilionário alemão Klaus Schwab, a propósito do tema central da próxima reunião. O anúncio da agenda aconteceu em Junho passado e teve a colaboração de figuras extremamente recomendáveis para a sanidade do planeta como são o príncipe Carlos, herdeiro do trono de Inglaterra, o secretário-geral da ONU, António Guterres, a chefe em funções do FMI, Kristalina Georgieva, os presidentes da BP, da Mastercard, da Microsoft, entre outros. “Precisamos de um grande reinício do capitalismo”, resume Schwab em nome do FEM, entidade que se considera uma “organização internacional para a cooperação público-privada”; uma definição que assenta também muito bem a outras instâncias como o Grupo de Bilderberg e até o Evento 201, acontecimento com dotes de adivinhação pois conseguiu em Outubro de 2019 prever a pandemia de um “coronavírus SARS-CoV-2” que só veio a ser proclamada mais de três meses depois.

“Business as usual já não funciona”

Depois de no início de 2020 ter discutido as repercussões pandémicas do novo coronavírus quando na altura havia apenas 150 casos confirmados – revelando dotes de presciência absolutamente esmagadores – o Fórum Económico Mundial prepara agora o “grande reset” do capitalismo neoliberal.

“A pandemia”, explica Schwab, “representa uma rara mas estreita janela de oportunidade para reflectir, reimaginar e redefinir o nosso mundo de modo a criar um futuro mais saudável, mais justo, mais próspero”. E recorrendo a um relatório do FEM sobre o tema da próxima cimeira do neoliberalismo, intitulado “Futuro da Natureza e dos Negócios”, fica a saber-se que o COVID-19 é “uma oportunidade para mudar a forma como comemos, vivemos, crescemos, construímos e alimentamos as nossas vidas de modo a alcançar uma economia neutra em carbono, ‘positiva para a natureza’ e contra a perda de biodiversidade até 2030”. Óptimas intenções, sem dúvida, manifestadas por grandes responsáveis pela destruição do planeta.

O suposto combate às alterações climáticas e o aproveitamento das potencialidades da chamada “Quarta Revolução Industrial” – conceito exposto pelo próprio presidente do FEM em 2015 – são plataformas essenciais para relançamento do capitalismo para lá dos grandes negócios realizados segundo as abordagens habituais, uma vez que, de acordo com um outro relatório do mesmo Fórum, a máxima do “business as usual já não funciona”.

Pelo que depois de admitirem a falência do ultraliberalismo e consequente apodrecimento do planeta em várias frentes, incluindo a ambiental, os grandes predadores preparam-se agora para surgir como seus salvadores em pleno Inverno negro decorrente das segunda, terceira, quarta ou enésimas vagas de COVID-19 e respectiva exploração em termos de pânico social.

Os que depauperam a Terra e os seus habitantes ao mesmo tempo que enriquecem de maneira obscena – nunca as fortunas dos predadores cresceram tão rapidamente como nestes tempos de pandemia – são os mesmos que vão surgir como salvadores prometendo um futuro risonho construído por um capitalismo autorregenerado. Acredite quem quiser, quem não pensa, quem se deixa intoxicar pela comunicação corporativa.

“Bem-vindos a 2030”

Já existem visões desse futuro localizado à escassa distância de dez anos.

“Bem-vindos a 2030! Sou dono de nada, não tenho privacidade e a vida nunca foi melhor” – eis o título de um texto exposto no website oficial do Fórum Económico Mundial, bastante anterior à pandemia mas partindo do princípio de que “janelas de oportunidade” como esta iriam surgir.

Um futuro erguido através da “Quarta Revolução Industrial”, isto é, supercomputação, robotização, inteligência artificial e utilização sem entraves dos dados pessoais dos cidadãos, que assim abdicariam da sua privacidade em troca de uma “vida melhor” onde cada bem é transformado num serviço comercial tutelado, naturalmente, pelos predadores de sempre. Novos negócios, sem dúvida.

O artigo citado remete, aliás, para uma sessão da reunião do Fórum de Davos de 2017 na qual o tema em debate foi “…E se a privacidade se tornar um bem de luxo?”

Através destes caminhos não é difícil deduzir aonde irão desaguar os milhentos exercícios de caça aos dados pessoais, de identificação centralizada, de perseguição de todos nós e de que a aplicação “Stay Away COVID”, tão recomendada pelo senhor primeiro-ministro como exercício “de cidadania”, é apenas uma faixa de uma muito ampla autoestrada sem fim.

Novos negócios vão sucedendo assim aos velhos e desgastados, ao ritmo da apropriação da vertiginosa inovação tecnológica por uma rede público-privada com malha cada vez mais fina na qual os cidadãos são apanhados até deixarem de se debater, submetidos então à tal prometida “vida que nunca foi melhor”.

E o Fórum Económico Mundial é a grande feira global onde se centraliza a construção desse “novo futuro”.

Como funciona?

O FEM é uma realidade muito mais vasta do que a cimeira anual propriamente dita. A organização tem uma “inteligência estratégica” elaborada com a participação de instituições de cariz global, algumas das quais têm estado particularmente em evidência nestas eras de pandemia, o que torna obrigatório reflectir muito para lá das peripécias do vírus e respectivos aproveitamentos. Entre essas entidades figuram, por exemplo, a Universidade de Harvard, o Instituto de Tecnologia do Massachusetts (MIT), o Imperial College de Londres, o Centro John Hopkins, a Universidade de Oxford, o Conselho Europeu de Relações Externas e os plutocratas/filantropos/fundações do costume como Bill Gates, George Soros, Rockfeller, Ford, Johnson & Johnson e alguns outros – instituições que estão presentes em tudo o que mexe no mundo à escala global, desde a guerra das vacinas às “revoluções coloridas” ou mesmo até ao “damos o golpe quando e onde for preciso”. A frase, recorda-se, pertence a Elon Musk, o fundador da Tesla e, por sinal, o plutocrata cuja fortuna tem crescido a maior velocidade durante a pandemia.

O FEM tem, portanto, os seus “parceiros”, empresas e outras instituições que “moldam o futuro por meio de ampla colaboração para o desenvolvimento e implementação das propostas do Fórum e do diálogo público-privado”. Os “parceiros”, para o serem, devem “alinhar com os valores do Fórum”, leia-se as normas do ultraliberalismo estatuídas no “Consenso de Washington” nas suas versões clássica ou “regenerada”.

Os materiais e iniciativas do FEM não escondem o potencial representado pela pandemia de COVID-19 como “janela de oportunidade”. A rede de inteligência estratégica do Fórum produziu uma extensa e pormenorizada Plataforma de Acção COVID, definida como “governo global para resposta à pandemia (…) moldando o futuro no século XXI desde os media às vacinas”. Ou, por outras palavras, de como levar as pessoas pelos caminhos que interessam aos predadores transformados em salvadores enquanto refinam e ampliam a exploração e o controlo centralizado da sociedade globalizada.

O Fórum Económico Mundial não actua por sua conta e risco na definição das agendas das cimeiras, mesmo tratando-se de uma ampla rede que interliga os principais agentes do neoliberalismo global.

O anúncio do “Great Reset” do capitalismo como tema da reunião de Janeiro de 2021 em Davos, feito em 3 de Junho deste ano, foi seguido, seis dias depois, pelo lançamento de um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) intitulado “da grande quarentena à grande transformação”.

Conhecendo-se, através de vasta experiência, como actua o FMI, percebe-se de que “grande transformação” fala e do papel desempenhado pela “grande quarentena” no seu lançamento.

Quando lhe disserem, caro leitor, que as abordagens críticas da narrativa oficial da pandemia de coronavírus são frutos “de teorias de conspiração” recorde-se de que o neoliberalismo vê nela uma “janela de oportunidade” para novos e rentáveis negócios que assentam ainda mais na especulação e no controlo dos cidadãos do que na economia real.

Se ainda assim tiver dúvidas lembre-se do que o Fórum Económico Mundial e o FMI andam a tramar.

 

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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

OPERAÇÃO “MUDANÇA DE REGIME” EM CURSO NA BIELORRÚSSIA

 

Polícia bielorrussa prende alguns dos 33 mercenários da empresa de segurança russa Wagner já detidos em Minsk entre os manifestantes "pacíficos"

2020-08-17

Louise Nyman, Minsk; Exclusivo O Lado Oculto

Obviamente é uma “revolução colorida” posta em movimento pelas habitais agências norte-americanas de “mudança de regime”, com apoio activo da União Europeia. Nada do que acontece actualmente em Minsk, na Bielorrússia, é novo: já foi observado na Geórgia, no Cazaquistão, na Moldávia, nas “primaveras árabes”, durante mais de vinte anos na Venezuela, na Nicarágua e, claro, sobretudo na Praça Maidan, em Kiev. Não se trata, mais uma vez, de instaurar a “democracia”, como proclamam os manifestantes, certamente muitos na sua ingenuidade manipulada por eficazes e dispendiosos instrumentos de propaganda; pretende-se criar um regime ao serviço do Departamento de Estado de Washington, de Bruxelas e da NATO para instalar um novo posto avançado do cerco à Federação Russa nas suas próprias fronteiras. Nem que essa “democracia” seja imposta por forças militarizadas nazis, como acontece na Ucrânia e já se vislumbra em Minsk.

As eleições presidenciais na Bielorrússia realizadas em 9 de Agosto e que deram a vitória ao actual titular do cargo, Alexandre Lukachenko, foi o pretexto para o relançamento do velho plano de Washington e Bruxelas no sentido de desestabilizar a região e o país. Como se esperava mesmo muito antes de anunciados os resultados, e até da realização das eleições, os Estados Unidos e a União Europeia apressaram-se a descredibilizar os números apresentados, abstendo-se até de apresentar quaisquer provas dos seus pareceres definitivos e contribuindo para acelerar os protestos de uma oposição fragorosamente derrotada. Mesmo que os 80% de Lukachenko anunciados oficialmente sejam fruto de manipulações grosseiras – o que está ainda longe de provado, nem parece ser uma prioridade dos sectores que já contestavam os resultados antes de os conhecer – a prestação da candidata oposicionista ficou muito longe de uma situação que lhe permita proclamar vitória.

Os Estados Unidos e os seus aliados directamente envolvidos neste processo de mudança de regime, designadamente a Polónia, a Lituânia e a República Checa, preparam há meses o processo de desestabilização com os olhos postos na oportunidade criada pela realização de eleições presidenciais. Agências norte-americanas que servem de base para as “revoluções coloridas”, como a USAID e a NED, há muito que actuam em Minsk criando as plataformas favoráveis à “democracia” e à “liberdade” capazes de convergir numa mudança de regime que sirva essencialmente os interesses militares expansionistas da NATO.

As campanhas contra a Bielorrússia têm sido constantes, pois há muitos anos que Lukachenko é qualificado pela propaganda ocidental, reflectida na comunicação social corporativa, como o “último ditador da Europa”. Este slogan ignora o apoio popular do presidente e do governo em eleições sucessivas, uma prova flagrante da lógica oportunista que caracteriza os frequentes processos intervencionistas: se os resultados eleitorais agradam a Washington, o acto eleitoral é considerado impecável; caso contrário, correspondem à manipulação efectuada por governos que têm de ser afastados. Nada de diferente, aliás, do que tem acontecido nos últimos tempos na Venezuela e na Nicarágua, onde aliás vêm agora a lume novas provas de tentativas golpistas em curso com os suspeitos do costume.

O neoliberalismo não admite ser contrariado

Uma das obsessões que tem inquietado Washington e Bruxelas ao longo dos anos é o facto de a Bielorrússia ser um país que preservou sistemas sociais soviéticos, designadamente nos domínios da saúde, educação e segurança social, além de ter mantido a propriedade pública sobre as principais estruturas produtivas do país. Isto é, Minsk tem resistido às “reformas” que estão agregadas ao Consenso de Washington e às actuações do FMI e do Banco Mundial para instauração do regime neoliberal. Esse é um dos grandes problemas criados por Lukachenko, independentemente de a sua gestão ter vindo a dar sinais de estagnação.

Acresce que os planos neoliberais em relação a este país não são de agora. Na Bielorrússia, as sanções económicas, as pressões e os efeitos decorrentes de decisões adversas dos países ocidentais já remontam aos tempos das administrações Bush, prosseguindo com Obama e Trump. A Bielorrússia fez sempre parte da lista dos países-alvo de “revoluções coloridas” que entretanto foram acontecendo na Geórgia, na Ucrânia, no Quirguistão, na Moldávia – onde a maioria eleitoral absoluta do Partido Comunista foi invalidada pela imposição da arbitrariedade política – no Cazaquistão e em outras antigas repúblicas soviéticas.

A implicação da Polónia, da Lituânia e da República Checa nesta crise artificial é evidente e sustentada pela acção dos Estados Unidos com base nas citadas USAID e NED e pelo aparelho de propaganda da Rádio Europa Livre, que vem dos primórdios da guerra fria e que chega ao desplante de considerar o banqueiro corrupto e financiador da oposição, Viktar Babarika, como um “filantropo”. Aliás, os “filantropos” estão na moda e associados a todos os caminhos para o globalismo neoliberal, em que se insere agora a tentativa de golpe na Bielorrússia.

Onde se irmanam o liberalismo e o “iliberalismo”

Neste processo em Minsk actuam de maneira geminada as expressões políticas do “liberalismo” e do “iliberalismo”, este associado a grupos saudosos do nazismo, tal como aconteceu na Ucrânia, no projecto para criação do habitual “caos criativo” de onde possa sair a pretendida “democracia”. Um dos elementos mais interessantes da situação resulta do facto de serem precisamente os sectores “iliberais” e nazis os que mais defendem o envolvimento da NATO na “solução da crise”. Situação que levou o governo de Lukachenko a tomar medidas de prevenção militar nas suas fronteiras com a Lituânia e a Polónia.

O processo é alimentado pela campanha de propaganda montada através da Rádio Europa Livre e que encontra correspondência na imprensa corporativa global. É de notar a perfeita sintonia pela mudança de regime manifestada pela rede de jornais europeus corporativos ditos “de referência”, sem excepção, de Portugal à Polónia – funcionando assim como braço da “revolução colorida”.

Essa comunicação social, tanto “de referência” como tabloide é unânime em apresentar as manifestações contra os resultados eleitorais como pacíficas, o que não corresponde à realidade. Além de outras situações que necessitam de clarificação, designadamente o envolvimento de mercenários da empresa russa Wagner (detidos em Minsk), o que deverá estar associado a uma acção planeada pelos serviços secretos ucranianos, os governos ocidentais exigem a absoluta paralisação da polícia partindo do princípio de que todo o processo é pacífico. No entanto, tornaram-se flagrantes as acções terroristas de grupos nazis e outros destacamentos de extrema-direita, em paralelo com os manifestantes “liberais”, para criação do caos em Minsk e outras cidades influentes. Entre as simbologias importadas de outras acções de protesto não faltam sequer as “mulheres de branco” normalmente associadas a movimentos contra Cuba.

O objectivo de criar acontecimentos idênticos aos da Praça Maidan em Kiev, onde veio a verificar-se que atiradores nazis foram responsáveis por vítimas atribuídas à polícia, é cada vez mais evidente.

Todos estes caminhos convergem na probabilidade de agravamento das sanções impostas pelos governos ocidentais, combinada com um cerco diplomático e pressões políticas sem limites para forçar o afastamento do governo de Lukachenko. 

Quanto à União Europeia, que contribuiu para levar forças nazis ao governo da Ucrânia, que se absteve de condenar as constantes acções terroristas de Kiev contra as populações russófonas, que não se inquieta com as acções evidentemente antidemocráticas dos regimes da Geórgia e do Azerbaijão, por exemplo, não tem grande autoridade – nem provas - para partir do princípio de que as eleições na Bielorrússia “não foram justas nem equilibradas”. Trata-se da mesma União Europeia que não teve uma única atitude perante a institucionalização da xenofobia de Estado nos países bálticos, onde as comunidades de origem russa são consideradas de segunda, sem os mesmos direitos que os habitantes “originários”.

A crise artificial na Bielorrússia e a repetição do processo Maidan nada têm a ver com liberdade e democracia. Na base dos desenvolvimentos desencadeados a pretexto das eleições, e planeados com muita antecipação, estão o avanço militar da NATO no Leste da Europa e o cerco à Rússia, em paralelo com a multiplicação de centros de crise nas fronteiras russas; o desejo de travar a aproximação entre a Rússia e a Bielorrússia no sentido de restabelecer laços históricos e culturais; e evitar que a Bielorrússia venha a ser, como está previsto, um dos principais ramos da Iniciativa Cintura e Estrada (ICE) ou “Nova Rota da Seda” promovida pela China para o desenvolvimento comercial entre o Oriente e o Ocidente.

 

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terça-feira, 4 de agosto de 2020

A economia do medo e suas consequências

– Aumento significativo do desemprego
– Redução do apoio aos desempregados
– Queda de 16,5% no PIB do 2º trimestre
– Uma opinião contra a corrente

por Eugénio Rosa [*]

O INE acabou de divulgar os dados da economia portuguesa referentes ao 2º trimestre de 2020, tendo-se verificado uma quebra no PIB (riqueza produzida no país) de 14,1% quando comparado com a do 1º trimestre deste ano, e de 16,5% quando comparado com o 2º Trimestre de 2019 (menos 8.760 milhões € de riqueza não criada só num trimestre, e menos 3.200 milhões € de remuneração não recebidas pelos trabalhadores). E logo se levantou um coro de surpresas e de críticas quer na comunicação social quer por parte de dirigentes políticos por causa do descalabro económico.

As perguntas que surgem de imediato para reflexão são as seguintes: O que poderia acontecer de diferente quando se fecham empresas e estabelecimentos, se paralisa a economia e se manda para casa quase dois milhões de trabalhadores? O que poderia acontecer de diferente quando se espalha e difunde sem um mínimo de racionalidade e de equilíbrio o medo e o pânico? Quando se assiste ao massacre diário pelos media da população confinada em casa, de manhã à noite, com noticias de mortes e de milhares de infetados, como se não existissem mais doenças e mais mortes em Portugal que, com falta de assistência médica, se multiplicaram, mas de que os media não falam e logo não existem? E quando os números de mortes em Portugal não eram suficientes para aumentar o medo juntava-se os de outros países, com muito mais população? O que poderia acontecer de diferente quando se trata uma crise de saúde desta dimensão sem um mínimo de equilíbrio e de racionalidade? O que estava em jogo era demasiadamente importante e sério, e com consequências dramáticas em todas as áreas da vida dos portugueses, que merecia ter sido tratada de uma forma mais racional, rigorosa, equilibrada e planeada, e não deixada às "caixas" chocantes da comunicação social nem às declarações contraditórias dos "especialistas" e dos responsáveis da Direção Geral da Saúde.

Embora Bernard-Henry Lévy seja um filosofo francês com quem não me identifico, ouso transcrever algumas das suas afirmações feitas numa entrevista recente ao semanário Expresso, correndo o risco de desagradar alguns leitores, pois obrigam à reflexão por serem diferentes das ideias dominantes. Afirmou ele: "acho ignóbil" que se ponha a questão "entre saúde e economia. "A economia ou a vida. A bolsa ou a vida. Voltamos a essa máxima antiga dos salteadores de estrada. É ignóbil. Porque a economia é a vida. É a vida contra a vida. Sabemos bem que se pararmos a economia durante demasiado tempo isso leva ao desemprego, o desemprego leva à miséria, e a miséria leva à morte. Portanto, não é a economia ou a vida. É a vida contra a vida".

Em Portugal tudo isto ganhou uma gravidade maior porque para o combate ao COVID-19, da forma como foi feito, a assistência medica a outras doenças foi reduzida drasticamente, como os números divulgados sobre o numero de consultas, de exames e de operações que se deixaram de fazer provam, o que causou um aumento significativo de mortes que, quando forem divulgadas, chocarão todos os portugueses. E BHL acrescentou: "o medo foi excessivo, havia uma parte desse medo irracional, insensata. E ao medo irracional chama-se pânico, cujos efeitos sociais não são bons". Na economia, afirmamos nós, os efeitos são nefastos e dramáticos como os dados do INE já revelam.

Estamos agora com um pais – Portugal – em que o medo e o pânico se alastrou, em que os portugueses têm medo de sair de casa e de regressar mesmo com a segurança possível ao trabalho e em que o teletrabalho, isolado e individualizado na maioria dos casos é trabalho desorganizado (segundo BHL, "o trabalho à distância é a solidão, o tédio, a mistura do publico e privado, a ideia que não há esfera privada fora do imperativo produtivo, é o produtivismo, é a espionagem eletrónica dos empregados pelos patrões"). A Administração Pública é um exemplo de improvisação e de incapacidade do governo para dar orientações claras, deixando tudo ao arbítrio das chefias. O teletrabalho tornou-se a panaceia e se criou a ilusão de que o país poderá funcionar e recuperar desta forma. Mas não funciona nem é verdade que recuperará –. os dados do INE acerca do PIB já provam isso

A REDUÇÃO DA RIQUEZA CRIADA NO PAÍS NO 2º TRIMESTRE DE 2020 É DE 16,5%
DESTRUIÇÃO CRESCENTE DO APARELHO PRODUTIVO NACIONAL E DO EMPREGO


Uma das ilusões que o governo e muitos jornalistas estão a difundir é que a crise é passageira (para o ministro Siza Vieira: "já atingimos o pico da crise") e que o país após a pandemia tem o seu aparelho produtivo intacto (diretor do ECO) e rapidamente recuperará (seria uma saída em V o que não é verdade, talvez em U ou W longos).

Ora tudo isso é uma ilusão, quando não mesmo uma mentira. Com o medo que se instalou na sociedade portuguesa (e o medo tem um efeito enorme na economia pois leva a quebra significativa da produção e do consumo), com a quebra generalizada de rendimentos dos trabalhadores (lay-off, horários reduzidos, e desemprego) e com o fecho de mercados externos, é evidente que a crise vai ser prolongada e vai causar uma enorme destruição de empresas (fecho) que não se aguentarão por falta de vendas (alguns chamam a isso "destruição criativa" pois só se aguentarão as empresas mais fortes) e também uma enorme destruição de emprego que levará muito tempo a recuperar e muitos trabalhadores serão excluídos definitivamente do mercado de trabalho e muitas empresas desaparecerão.

Não compreender isto é estar cego, não tomar medidas imediatas para reativar a economia é suicídio. O aumento do desemprego e o fecho definitivo de muitas empresas que já se verificou é apenas o sinal de uma crise social e económica que não sabemos quando terminará e cuja recuperação será mais difícil devido à desorganização que está a causar em toda a Administração Pública. Esta, um instrumento vital no combate à crise, antes da crise já enfrentava graves deficiências e problemas que a crise só multiplicou (são necessário objetivos claros, decisões rápidas, medidas implementadas urgentemente, investimento, nomeadamente público, elevado, tudo isto era necessário por parte do Estado para vencer a crise mas nada disto está a acontecer nem vai acontecer a breve trecho).

Os dados da evolução do desemprego real em Portugal do INE (quadro 1), que é apenas o sinal inicial da crise que vamos enfrentar, confirmam a gravidade da situação que se procura iludir.

Quadro 1.

Entre março e junho de 2020, em apenas três meses, o desemprego oficial aumentou em 4.100, mas o desemprego real subiu em 109.600, ou seja, em 26,7 vezes mais. E isto porque o INE não considera para cálculo do "desemprego oficial" todos os desempregados que no período em que fez o inquérito não procuraram emprego, apesar de serem trabalhadores no desemprego (os chamados "inativos disponíveis" que em junho de 2020 já somavam 305.000 quase tanto como desemprego oficial), que incluímos no cálculo do desemprego real, por serem verdadeiros desempregados. O desemprego real atingia, no fim de jun/2020, já 636.200 trabalhadores. O desemprego oficial do INE oculta à opinião pública o desemprego real. O número dos que estão a receber subsídio de desemprego é muito reduzido como mostra o gráfico 1 (Segurança Social).

Gráfico 1.

Em jun/2020, o número de trabalhadores desempregados já atingia 636.200, mas o número destes que recebiam subsidio de desemprego eram apenas 221.701. E entre maio-junho 2020 diminuiu em 3.652 apesar do número de desempregados ter aumentado nesse mês em 20.300. Somente 35 em cada 100 desempregados recebem subsídio de desemprego. E o subsídio médio de desemprego pago neste mês foi, segundo dados da Segurança Social apenas de 504,70€.

É a miséria que se está a alastrar no país perante a inação de um governo que nada faz de concreto para reativar a economia (só promete "bazucas" da UE que continuam sem disparar). Não é com lay-offs, com reduções de horários de trabalho e dos rendimentos dos trabalhadores, e moratórias que se consegue a recuperação. Isso só prolonga a agonia e torna o final muito mais doloroso e destrutivo.

01/Agosto/2020
[*] edr2@netcabo.pt

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

terça-feira, 28 de julho de 2020

O êxito enorme mas "secreto" do Vietname socialista


por Andre Vitchek [*]
 
Hanoi. Há cerca de vinte anos, quando me mudei para Hanói, a cidade estava sombria, cinzenta, coberta de fumaça. A guerra terminara, mas permaneciam terríveis cicatrizes.

Eu trouxe o meu veículo com tração às quatro rodas do Chile e insisti em conduzi-lo pessoalmente. Foi um dos primeiros SUV da cidade. Cada vez que conduzia, era atingido por scooters, que voavam como projéteis pelas amplas avenidas da capital.

Hanói era linda, melancólica, mas claramente marcada pela guerra. Havia histórias, histórias terríveis do passado. Nos "meus dias", o Vietname era um dos países mais pobres da Ásia.

Muitos patrimónios históricos, incluindo o Santuário My Son, no Vietname Central, eram basicamente vastos campos de minas, mesmo muitos anos após os terríveis bombardeios dos EUA. A única maneira de visitá-los era em veículos militares de propriedade do governo.

O prédio onde eu morava literalmente surgiu do infame "Hanói Hilton", a antiga prisão francesa onde os patriotas e revolucionários vietnamitas eram torturados, violentados e executados e onde alguns pilotos americanos capturados foram mantidos durante o que é chamada no Vietname a Guerra Americana. Da minha janela, podia ver uma das duas guilhotinas no pátio do que então se tinha tornado um museu do colonialismo.

Em 2000, Hanói não tinha um único centro comercial e, quando chegámos, o terminal do aeroporto Noi Bai era apenas um pequeno edifício, do tamanho de uma estação de ferroviária da província.

Naqueles dias, para o povo vietnamita, uma viagem a Bangkok parecia uma viagem a uma galáxia diferente. Para jornalistas como eu, que moravam em Hanói, uma viagem regular a Bangkok ou Singapura era uma necessidade absoluta, pois quase nenhum equipamento profissional ou peças de substituição estavam disponíveis no Vietname.

Duas décadas depois, o Vietname tornou-se um dos países mais confortáveis da Ásia. Um lugar onde milhões de ocidentais adorariam viver.

Sua qualidade de vida cresce continuamente. Seu modelo socialista e de planeamento central são claramente bem-sucedidos. O Vietname parece a China, há cerca de vinte anos. Existem magníficos passeios nas cidades de Hue e Danang, há a construção de modernas redes de transporte público, além de instalações desportivas. Tudo isto contrasta fortemente com a extrema tristeza capitalista de países como a Indonésia e mesmo a Tailândia. O povo vietnamita conta com a melhoria constante do saneamento, assistência médica, educação e vida cultural. Com um orçamento relativamente pequeno, o país está em muitas situações a par de nações muito mais ricas da Ásia e do mundo.

Seu povo está entre os mais otimistas do mundo. Nos três anos em que morei no Vietname, o país mudou drasticamente. A tremenda força e determinação do povo vietnamita ajudaram a colmatar o vazio deixado após a destruição da União Soviética e dos outros países socialistas da Europa Oriental. Assim como a China, o Vietname optou, com êxito, por uma economia mista, sob a liderança do Partido Comunista.

As intensas tentativas dos EUA e de países europeus de desviar o país do sistema socialista, usando ONGs e indivíduos patrocinados pelo Ocidente dentro do país, foi identificada e derrotada decisivamente. Facções pró-comunistas e pró-chinesas dentro do governo e do Partido dominaram aqueles que tentavam empurrar o Vietname para o Ocidente. O que se seguiu foi um sucesso significativo, em muitas frentes.

De acordo com o relatório Southeast Asian Globe, publicado em 1 de outubro de 2018, "o Vietname obteve o melhor desempenho em 151 países num estudo que avaliou a qualidade de vida versus sustentabilidade ambiental".

Esta não é a primeira vez que o Vietname tem um desempenho excecional, quando comparado a outros países da região e do mundo. O artigo explica mais adiante:

"O amplo estudo, chamado "Uma boa vida para todos dentro dos limites planetários", publicado por um grupo de investigadores da Universidade de Leeds, argumenta que precisamos repensar dramaticamente a maneira como vemos o desenvolvimento e a sua relação com o meio ambiente.

"Estávamos a trabalhar basicamente com vários indicadores e relações diferentes entre resultados sociais e indicadores ambientais", disse Fanning ao Southeast Asia Globe. "Tivemos a ideia de que se estávamos a analisar indicadores sociais, poderíamos definir um nível que seria equivalente a uma vida boa".

A pesquisa incluiu 151 países e o Vietname mostrou os melhores indicadores.

"Os investigadores estabeleceram 11 indicadores sociais que incluíam satisfação com a vida, nutrição, educação, qualidade democrática e emprego"."Surpreendeu-nos que o Vietname se tenha saído tão bem no geral", disse Fanning. "Podia esperar -se que fosse a Costa Rica ou Cuba, pois o Vietname normalmente não aparece como um herói da sustentabilidade". Fanning estava a referir-se a dois países que os pesquisadores esperavam ter bom desempenho, já que geralmente fornecem um bom apoio social e não viram o mesmo dano ambiental que muitos países tiveram".

Mas este não é o único relatório que celebra o grande sucesso do modelo socialista do Vietname. Na região do sudeste da Ásia, o Vietname já ganhou a reputação de uma estrela económica e social. Em comparação com o fundamentalismo pró-mercado da Indonésia ou mesmo das Filipinas, as elegantes cidades socialistas do Vietname projetadas e mantidas para o povo, bem como a paisagem cada vez mais ecológica, mostram claramente qual dos dois sistemas é superior e adequado para o povo asiático e sua cultura.

Em tempos de graves emergências, de desastres naturais e médicos, o Vietname também está bastante à frente de outros países do Sudeste Asiático. Tal como Cuba e a China, tem investido fortemente na prevenção de calamidades.

Segundo a New Age, os estados socialistas, incluindo o Vietname, fizeram um excelente trabalho lutando contra o recente surto da pandemia do Covid-19:

"Países em desenvolvimento como Cuba e Vietname, com estruturas e filosofia socialistas ou comunistas, lidam com sucesso com a pandemia do Covid-19. Quais as as estratégias económicas e de saúde de longo prazo por trás desse sucesso? O médico Talebur Islam Rupom faz essa pergunta e estipula que é mais do que tempo dos Estados investirem fortemente nos sectores da saúde para garantirem assistência médica para todos".

"Os países com sistemas de saúde subsidiados centralmente ou totalmente financiados estão a enfrentar a crise do Covid-19 melhor do que qualquer outro país. Existem também várias outras razões pro-ativas que permitem diminuir as mortes e os casos positivos.

Cuba e Vietname são dois países em desenvolvimento que se mobilizaram rapidamente para lidar com a ameaça emergente. Apesar do embargo e das restrições dos Estados Unidos e dos recursos limitados, o tratamento da pandemia por Cuba pode ser um exemplo para outros.

Com uma economia menor que o Bangladesh, o Vietname também ganha credibilidade para reiniciar a sua economia depois de erradicar o Covid-19 do país, apesar de partilhar uma fronteira crucial com a China."

No final de maio de 2020, quando este ensaio estava a ser escrito, a República Socialista do Vietname, com 95,5 milhões de habitantes, registava apenas 327 infeções e zero mortes, segundo dados fornecidos pela Universidade Johns Hopkins. [NT]

Mesmo a revista britânica de direita, The Economist, não podia ignorar o grande sucesso na luta contra o Covid-19 em Estados comunistas, como o indiano Kerala e o Vietname:

"…Com 95 milhões de pessoas, o Vietname é um lugar muito maior. Ao lidar com o Covid-19, no entanto, seguiu um roteiro surpreendentemente semelhante, com um resultado ainda mais impressionante. Como Kerala, foi exposto ao vírus mais cedo e viu uma onda de infeções em março. Os casos ativos também atingiram o pico mais cedo, no entanto, caíram para apenas 39. Exclusivamente entre países de tamanho remotamente semelhante e, em contraste com histórias de sucesso mais conhecidas como Taiwan e Nova Zelândia, ainda não sofreu uma única confirmação de fatalidade. As Filipinas, um país próximo com aproximadamente a mesma população e riqueza, sofreram mais de 10 000 infeções e 650 mortes.

Assim como Kerala, o Vietname recentemente enfrentou epidemias mortais, durante os surtos globais do Sars em 2003 e da gripe suína em 2009. O Vietname e Kerala beneficiam de um longo legado de investimentos em saúde pública e, particularmente, nos cuidados primários, com uma gestão forte e centralizada, um alcance institucional desde bairros da cidade a vilas remotas, com abundância de pessoal qualificado. Não por coincidência, o comunismo tem sido uma forte influência, como ideologia incontestada no Vietname e como uma marca divulgada pelos partidos de esquerda que dominam Kerala desde os anos 50".

Algumas análises, mesmo produzidas no Ocidente, chegam ao ponto de afirmar que o Vietname já ultrapassou muitos países da região, incluindo aqueles que são, pelo menos no papel, muito mais ricos.

A Deutsche Welle (DW), por exemplo, relatava em 22 de maio de 2020: "Adam McCarty, economista-chefe da empresa de pesquisa e consultoria Mekong Economics, espera que o Vietname beneficie amplamente da forma como lidou com o Covid-19. Talvez este seja um ponto de viragem no qual o Vietname deixa o grupo de países como Camboja e Filipinas e se junta a países mais sofisticados como Tailândia e Coreia do Sul, mesmo que o Vietname ainda não tenha um PIB semelhante", disse McCarty à DW de Hanói.

"Com o resto do mundo ainda sofrendo com o Covid-19, as exportações realmente serão prejudicadas", disse McCarty. O economista enfatizou que as coisas não podem simplesmente voltar ao que eram. Embora o consumo interno possa aumentar nos próximos meses, um crescimento de 5% para 2020 pode ser muito ambicioso. "Provavelmente será mais como 3%, mas ainda é bom nestas circunstâncias. Ainda significa que o Vietname é um vencedor".

Volto periodicamente ao Vietname. Uma coisa impressionante que noto é que o país não tem favelas, a miséria extrema tão comum no capitalismo brutal da Indonésia e Filipinas, mas também no Camboja e na Tailândia. Não há miséria nas cidades, vilas e campos vietnamitas. Isto por si só é um enorme sucesso.

O planeamento comunista significa que a maioria dos desastres naturais e de saúde são bem prevenidos. Quando morava em Hanói, as vastas e densamente povoadas áreas entre o rio Vermelho e a cidade eram inundadas anualmente. Gradualmente, o bairro foi realojado e vastas áreas verdes foram reintroduzidas, impedindo que a água chegue à cidade.

Passo a passo lógico, o Vietname vem implementando mudanças projetadas para melhorar a vida dos cidadãos. Os meios de comunicação de massa no Ocidente e na região escrevem muito pouco sobre este "milagre vietnamita", por razões óbvias.

Com tremendo sacrifício, os cidadãos vietnamitas derrotaram os colonizadores franceses e depois os ocupantes dos EUA. Milhões de pessoas desapareceram, mas uma nação nova, confiante e poderosa nasceu. Literalmente ressuscitou das cinzas. Construiu o seu próprio "modelo vietnamita". Agora, mostra o caminho aos países muito mais fracos e menos determinados do sudeste da Ásia; aqueles que ainda estão a sacrificar os seus próprios cidadãos, em obediência aos ditames da América do Norte e da Europa.

De um dos países asiáticos mais pobres, o Vietname tornou-se um dos mais fortes, determinados e otimistas.











 

(NT] Segundo a OMS, Situation Report de 18 de julho, o número de casos no Vietname é de 382 e o de mortes de 0.

[*] Filósofo, romancista, cineasta e jornalista de investigação. Fez a cobertura de guerras e conflitos em dezenas de países. Pode ser contactado através do seu site , do Twitter e do seu Patreon . Escreve especialmente para a revista online New Eastern Outlook . As obras de Vltchek podem ser encomendadas aqui .

O original encontra-se em www.informationclearinghouse.info/55358.htm


Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

sexta-feira, 12 de junho de 2020

De jornalistas comprados a cientistas comprados


por Stephen Karganovic
 
. Ambos vão em parceria, é claro. Quando, há vários anos, o falecido Udo Ulfkotte publicou suas revelações sobre o funcionamento interno dos corrupto media ocidentais (impressa em inglês por uma editora menor em 2017, mas "indisponível" desde então [NR] , seguida logo após pela morte conveniente por ataque cardíaco do aparentemente saudável autor alemão de 57 anos) quem suspeitaria que no fabuloso Ocidente processos idênticos estavam a corroer outras áreas importantes da vida pública?

. Apenas como um lembrete, como a editora aponta no seu anúncio: "O Dr. Udo Ulfkotte, antigo editor do principal jornal diário alemão, Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), tem conhecimento em primeira mão de como a CIA e a inteligência alemã (BND) subornam jornalistas para escreverem artigos livres da verdade e com um viés decididamente pró-ocidental, a favor da NATO ou, por outras palavras, propaganda. No seu livro best-seller Jornalistas comprados ("Gekaufte Journalisten"), o Dr. Ulfkotte explica em pormenor o funcionamento da campanha de propaganda dos EUA e da NATO e como a falta de conformidade com ela por parte de um jornalista pode custar-lhe a carreira".

A pandemia em curso do Coronavírus, seja lá o que for que se pense dela, expôs uma situação na ciência ocidental que é sinistramente análoga à que Ulfkotte descreveu naquilo que passa como "jornalismo".

Um dos poucos cientistas nos EUA com integridade para resistir àa intensaa pressões – que podem custar uma carreira – para distorcer dados científicos e adaptá-los aos requisitos de marketing de enormes empresas farmacêuticas é a renomada microbiologista Dra. Judy Mikovits. A Dra. Mikovits desempenhou um papel de liderança na pesquisa de HIV nos anos 80 e foi muito elogiada na época pela sua contribuição para suprimir aquela epidemia. Mas, apesar das suas notáveis credenciais científicas, ela rapidamente se tornou persona non grata para o establishment científico comprado (gekaufte) quando começou a questionar algumas das verdades sagradas da actual comoção de Corona. "O martelo começou a cair", ela explica, "e disseram-me para negar os dados, deturpá-los, jogá-los fora e, quando me recusei, fui demitida. Meu laboratório foi fechado em 29 de Setembro [2019] e meus dois gabinetes e toda a minha carreira de 30 anos e tudo, meus cadernos de notas, foram confiscados" .

A simbiose da "Big Science"–"Big Pharma" e seu comité executivo (infelizmente a expressão leninista funciona melhor aqui), também conhecido como "governo", manifestou-se vividamente no fiasco de Neil Ferguson do Oxford College, usando um modelo matemático manipulado e desconsiderando dados concretos para fazer aparecer um cenário de desastre fantasmagórico de pandemia que posteriormente resultou em um genuíno desastre económico, social e, para infelizes milhões de pessoas, de magnitude incalculável. Numa peça desavergonhada dedicada ao charlatão Ferguson, ele foi elogiado pelo Business Insider por ter "modelado a disseminação de todos aqueles surtos, aconselhando cinco primeiros-ministros do Reino Unido no processo. Mas tudo isso parece como um ensaio para 2020". Na verdade, foi isso mesmo, como estamos a descobrir. Ficando por mencionar, é claro, o registo assustador das consultas infelizes de Ferguson, todas as suas previsões em epidemias anteriores (assim como a actual) que se mostraram sempre totalmente erradas. No fim, cercado por factos irrefutáveis, Ferguson foi obrigado a admitir , com o "maior respeito" pelos cientistas suecos, que a Suécia havia conseguido suprimir o vírus Corona sem recorrer a restrições severas, e ele até teve o descaramento de acrescentar – depois de os danos causados pelas suas recomendações se terem tornado irreversíveis – que a Suécia havia usado "a mesma ciência que o Reino Unido" para alcançar um resultado bem-sucedido de saúde pública a um custo social muito menor. Mas, como disse recentemente o amigo de Ferguson, George Soros, inequivocamente e com incrível franqueza , "mesmo antes da pandemia, percebi que estávamos num momento revolucionário em que aquilo que seria impossível ou mesmo inconcebível em tempos normais não só se tornara possível como provavelmente absolutamente necessário". A agenda na verdade deve ser avançada a qualquer custo e, como observou não há muito tempo outra pessoa do mesmo círculo desagradável: "ninguém quer que uma crise séria seja desperdiçada" .

E agora chegamos a uma das fontes do sistema científico comprado (gekaufte Wisterenschaft) da actual histeria global, revelada inesperadamente pela mais improvável autoridade jornalística, The Guardian : "Uma investigação do Guardian pode revelar que a companhia Surgisphere, com sede nos EUA, cujos poucos funcionários parecem incluir um escritor de ficção científica e um modelo de conteúdos para adultos, forneceu dados para múltiplos estudos sobre o Covid-19, em co-autoria com o seu director executivo, mas até agora não conseguiu explicar adequadamente seus dados ou metodologia".

Verifica-se que o impacto desta empresa obscura sobre as políticas e práticas de governos e organizações internacionais foi nada menos que espectacular:   "Os dados que ela afirma ter obtido legitimamente de mais de um milhar de hospitais em todo o mundo constituíram a base de artigos científicos que levaram a mudanças nas políticas de tratamento do Covid-19 em países latino-americanos. Ela também esteve por trás de uma decisão da OMS e institutos de investigação de todo o mundo de suspender os ensaios do controverso medicamento hidroxicloroquina. Na quarta-feira, a OMS anunciou que estes ensaios seriam agora retomados". Por outras palavras, o que The Guardian descobriu dentro do nexo científico e governamental ocidental foi um enorme e absolutamente vergonhoso caso de fraude.

Mas não foi fraude apenas no sentido abstracto da palavra. Ela teve consequências tangíveis no mundo real, afectando directamente a vida e a saúde de incontáveis seres humanos.

Como quando, em 22 de Maio de 2020, e inteiramente baseado nas descobertas "científicas" apresentadas pela Surgisphere Corporation, a prestigiada revista médica britânica The Lancet publicou "Hidroxicloroquina ou cloroquina com ou sem um macrolídeo para tratamento do COVID-19: uma análise de registos multinacionais" . Isto foi descrito (e mais tarde o artigo foi desmentido misericordiosamente) como sendo um estudo observacional envolvendo alegadamente mais de 96 mil pacientes Covid-19 hospitalizados em 671 hospitais em seis continentes. O que não foi divulgado é o facto de que os dois principais co-autores têm significativos e relevantes conflitos de interesse financeiros que podem ter influenciado o que foi relatado.

Como se fosse o momento oportuno, poucos dias após a publicação pela Lancet desses dados falsos, o Dr. Anthony Fauci, chefe do National Institute of Allergy and Infectious Diseases (NIAID), referindo-se à hidroxicloroquina, declarou na CNN:   "Agora os dados científicos são realmente bastante evidentes sobre a falta de eficácia". Uma campanha dos media contra a hidroxicloroquina (HCQ) criou pânico:   ensaios clínicos destinados a testar a hidroxicloroquina para o COVID-19 foram suspensos por instituições internacionais de saúde pública, incluindo a Organização Mundial da Saúde, a agência reguladora do Reino Unido e o governo francês. Como destacou Stephen Smith, médico dos EUA com integridade profissional: "pacientes com COVID-19 morreram por causa do estudo falso da Lancet que desacreditou a hidroxicloroquina" .

Tudo isto tem um sólido sentido financeiro, é claro. A hidroxicloroquina é um remédio extremamente barato e amplamente disponível, cujas receitas de vendas não encheriam os cofres de ninguém e que não se presta a nenhuma das outras agendas de "exploração de crises" que os srs. Soros, Gates, Ferguson et al. podem ter em mente. A vacina injectada em processamento com que ameaçam globalmente, no entanto, atende a todos os seus requisitos sinistros e oferece a perspectiva de lucros sumarentos praticamente ilimitados. Caso encerrado.

Mas isso é só uma das coisas que acontecem quando nações e seus governos comprados permitem que patifes e charlatães os trapaceiem.
10/Junho/2020
 

Ver também:

  • A pressa em descartar a hidroxicloroquina com base em dados defeituosos da Surgisphere revela falhas fundamentais da "ciência" médica baseada no lucro

  • Rushing a Vaccine to Market for a Vanishing Virus – When Profits and Politics Drive Science

    [NR] Está disponível em Presstitutes Embedded Pay CIA (em inglês) e em Gekaufte Journalisten (em alemão)

    O original encontra-se em www.strategic-culture.org/...


    Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .
  • quinta-feira, 4 de junho de 2020

    Meet Bill Gates

    There can be no doubt that Bill Gates has worn many hats on his remarkable journey from his early life as the privileged son of a Seattle-area power couple to his current status as one of the richest and most influential people on the planet. But, as we have seen in our exploration of Gates' rise as unelected global health czar and population control advocate, the question of who Bill Gates really is is no mere philosophical pursuit. Today we will attempt to answer that question as we examine the motives, the ideology, and the connections of this man who has been so instrumental in shaping the post-coronavirus world.

    Bill Gates' Plan to Vaccinate the World

    In January of 2010, Bill and Melinda Gates announced a $10 billion pledge to usher in a decade of vaccines. But far from an unalloyed good, the truth is that this attempt to reorient the global health economy was part of a much bigger agenda. An agenda that would ultimately lead to greater profits for big pharma companies, greater control for the Gates Foundation over the field of global health, and greater power for Bill Gates to shape the course of the future for billions of people around the planet.

    Publicação em destaque

    Marionetas russas

    por Serge Halimi A 9 de Fevereiro de 1950, no auge da Guerra Fria, um senador republicano ainda desconhecido exclama o seguinte: «Tenh...