sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

Importante estudo finlandês revela a impossibilidade da descarbonização

– As falácias correntes da “descarbonização”
– “A substituição do sistema actual com combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) por outro com renováveis (solar ou eólico) não será possível para toda a população global”

Daniel Vaz de Carvalho

A transição impossível do fóssil ao renovável.

O relatório "Avaliação da capacidade extra necessária de sistemas alternativos de energia para substituir completamente os combustíveis fósseis" (Assessment of the Extra Capacity Required of Alternative Energy Electrical Power Systems to Completely Replace Fossil Fuels), publicado pelo Geological Survey of Finland, foi elaborado por Simon P. Michaux, professor associado de Processamento de Minerais e Geometalurgia, com a colaboração de outros 25 académicos. O texto deveria ser tema central do debate sobre os problemas energéticos e, de uma forma mais geral, ecológicos. Porém, como é de regra os políticos do sistema justificam as suas opções com pareceres de especialistas que seguem a narrativa das megaempresas sejam farmacêuticas, sejam do sector da energia.

As teses da descarbonização são uma oportunidade para fugir a investimentos em sectores cujo de lucro está em queda, associado a incertezas e riscos, obtendo pelo contrário subsídios do Estado com taxas de lucro e mercados garantidos. Não é por acaso que o homem mais rico do mundo passou a ser Elon Musk, dono da Tesla (veículos elétricos).

Já neste sítio temos tratado estes temas:  Acerca da emergência climática ou A descarbonização e os seus álibis. No detalhado estudo que mencionamos, com cerca de 1000 páginas, parte-se da análise da situação quanto às necessidades energéticas atuais e do que seria necessário realizar para as substituir por energias alternativas renováveis.

Em 2018, o consumo de energia primária por fonte repartia-se do seguinte modo: petróleo 33,62%; carvão 27,21%; gás natural 23,87%; hidroeletricidade 6,84%; renováveis 4,05%; nuclear 4,41%. (pág. 33) Globalmente o consumo de energia destina-se a:  indústria 35,81%; transportes 25,58%; residencial 22,25%; comercial 7,67%; outras 8,7%. (99).

Quanto à produção de energia elétrica global repartia-se do seguinte modo:  carvão 38,17%; gás natural: 23,37%; derivados do petróleo: 3,03%; nuclear 10,21%; hidroelétrica: 15,85%; eólica: 4,8%; solar: 2,2%; outras renováveis: 2,36%. (163). Na UE 42,1% da energia elétrica é produzida a partir de combustíveis fosseis. (178)

Note-se que a produção de cimento e as siderurgias de alto forno não dispensam carvão. Os plásticos de origem petroquímica são aplicados em praticamente todos os ramos industriais. A produção global de plásticos atingiu 8 100 milhões de ton (218) 95% dos quais não são reciclados. (226) Só muito parcialmente podem ser substituídos (papel, madeira, têxteis, etc.) com custos ambientais que não podem ser ignorados.

Uma substituição tecnologicamente viável é a dos bioplásticos fabricados a partir de matéria-prima de biomassa. A questão será obtê-lo nas quantidades necessárias. Quanto à substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis com origem na soja ou milho, a terra arável necessária para o cultivo de biomassa excederia em muito a atual terra global usada para a produção de alimentos. Essa terra arável usada para a produção de alimentos está sujeita a degradação e deterioração persistente, devido aos métodos de produção agrícola industrial atuais. Outros desafios para os biocombustíveis estão relacionados com o consumo de água. A água doce adicional necessária para biocombustíveis seria aproximadamente 9 vezes o atual consumo global de água doce. (660)

A utilização de baterias elétricas só é viável para embarcações de pequena dimensão, por exemplo ferry-boats. Em navios é tecnicamente viável a utilização de hidrogénio (H2) porém a transformação necessária é complexa. O estudo mostra que um navio de 60 000 ton necessita de um reservatório de H2 de 5,5 ton. (419). Foi estimado que para a frota marítima global seriam necessários 51,7 milhões de toneladas de H2, requerendo 2 983,7 TWh [1] de eletricidade para a sua produção. (658)

O estudo dos requisitos para a aviação comercial não foi considerado dado não haver tecnologia disponível. (413) No estudo também não se incluem os consumos das ações de âmbito militar. A estimativa para o total de veículos com motores de combustão interna é de 1416 milhões. A sua substituição por sistemas de combustível não fóssil (células de hidrogênio, baterias ou biocombustíveis) necessita de 65,19 TWh de baterias (282,6 milhões de toneladas de baterias de lítio) e um adicional anual de 6 158,4 TWh de eletricidade da rede elétrica global para carregar essas baterias. (658)

O relatório salienta que a economia mundial é altamente dependente de combustíveis fósseis, para a atividade industrial, PIB, produção de alimentos. Em particular, o preço do petróleo correlaciona-se com as crises económicas globais. É também claro que o consumo de combustíveis fósseis (energia) está fortemente ligado ao crescimento da população humana global, ao aumento da sofisticação tecnológica. Além disto, o consumo per capita tem aumentado ao longo dos anos. (657)

Outro problema para a substituição dos combustíveis fósseis é o da continuidade de serviço. A potência garantida nas horas de maior consumo (após o pôr do Sol) é a seguinte:   solar 0%; vento 7 a 25%; hídrica 79 a 92%; fóssil e nuclear 77 a 95%; (181)

Para eliminar os combustíveis fósseis, todo o ecossistema industrial terá que ser redesenhado, reequipado e completamente reconstruido em torno de fontes de energia não fósseis e uma nova tecnologia de transporte com objetivos mais realistas. Por outro lado a energia nuclear por si só não pode substituir diretamente a geração de energia elétrica dada a não disponibilidade de recursos suficientes ao longo do tempo. (661)

Por exemplo, para substituir uma única central a carvão de tamanho médio (861,3 MW de potência instalada, produzindo 7,0 TWh anualmente), seriam necessários 213 parques fotovoltaicos de tamanho médio (33 MW de potência instalada, produzindo 33 GWh anualmente). Da mesma forma, pode-se calcular que seriam necessários 87 parques eólicos de tamanho médio (37,2 MW de capacidade instalada, produzindo 81,2 GW por ano). A razão para a grande diferença está relacionada com a proporção da energia disponível relativamente à energia investida (indice ERoEI). Em resumo, o ERoEI das fontes de energia usadas para apoiar a industrialização há 100 anos era muito mais eficaz e lucrativo em comparação com as fontes de energia alternativas. Consistentemente a melhor fonte é o petróleo e o gás natural com um índice ERoEI entre 12 e 30 e carvão até 80:1. (662)

O relatório avança com vários desafios que se colocam na substituição dos combustíveis fósseis: Tempo insuficiente para cumprir as metas de construção; fornecimento de minerais suficientes para as tecnologias renováveis; desenvolvimento de armazenamento de energia suficiente para gerir o intermitente fornecimento de energia; encontrar novos locais suficientes para centrais hidroelétricas; crescimento da população humana. O mais desafiador de tudo isto é que teria de ser feito em algumas décadas. (662 a 665)

Fontes de energia como solar, eólica ou hídrica são tecnicamente renováveis. Porém, cada uma dessas unidades requer fabricação, proveniente de recursos minerais finitos não renováveis, tendo uma vida útil de 10 a 20 anos (com a exceção da hidroelétrica), após o qual precisam ser substituídas por novas unidades. Isso significa que os sistemas de combustível não fóssil não são realmente renováveis, mas na verdade são melhor descritos como de "substituíção". (668)

As tarefas estratégicas são enormes, incluindo designadamente: Reconstruir o sistema de energia de combustível fóssil e infraestrutura de apoio em algumas décadas. Reabilitar terras aráveis que foram degradadas com a aplicação inadequada da agricultura industrial. Restabelecer a cadeia alimentar do solo em regiões geográficas inteiras. Remover a poluição de plástico e a acidificação dos oceanos. Reflorestar grandes regiões do planeta, para restabelecer a biodiversidade natural da flora e da fauna. Esses desafios teriam de ser realizados num período de 20 a 50 anos. Para fazer-lo é necessária uma fonte de energia confiável que esteja disponível para a maioria da população humana com uma razão ERoEI de cerca de 50: 1. A tecnologia renovável por si só não é suficiente para atender a esses requisitos. (668 a 672)

O estudo considera que algo radicalmente novo é necessário, designadamente reestruturar a sociedade e o ecossistema industrial para reduzir os consumos. O texto mostra-nos com números as falácias da descarbonização. A narrativa oficial, ditada pelos centros do grande capital é dada como verdade absoluta, tudo o que a contraria é escamoteado e os comentadores limitam-se a glosas repetindo o que as centrais da (des)informação emitem. Claro que os protestos inconsequentes da menina Greta, interessam mais que o debate científico. Voltamos à época de Galileu e Giordano Bruno...

Não será o capitalismo, cada vez mais agressivo e arrogante, mesmo mascarado de verde que efetuará qualquer transição ecológica, tal não é possível num sistema guiado pelo lucro. A verdadeira alternativa é um sistema de economia política guiado pela maximização das necessidades sociais, incluindo obviamente a defesa do meio ambiente.

Em complemento a estas notas, apresentamos o Sumário (Abstract) do relatório.

Sumário do Estudo (páginas ii a iv)

Este relatório aborda os desafios em torno da ambiciosa tarefa de eliminar gradualmente os combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão) que são usados atualmente na tecnologia de motores de combustão interna (MCI) e para geração de energia elétrica. Estudos anteriores tenderam a concentrar-se nos custos estimados de produção e nas métricas de pegada de CO2, o presente relatório baseia-se nos requisitos físicos e de materiais. Todos os dados, figuras e diagramas foram criados ou reproduzidos a partir de fontes disponíveis publicamente e são citados de forma adequada.

Tomando primeiro o caso de substituir todos os veículos baseados em combustível fóssil por veículos de tecnologia elétrica (VE), em 2019 cerca de 7,2 milhões de VE estavam em serviço. No entanto, a frota total de veículos na época foi estimada em 1416 milhões de veículos, sugerindo que apenas 0,51% da frota global era atualmente elétrica, 99,49% da a frota global ainda não foi substituída.

Quanto ao sistema energético global, os dados de 2018 estimam que 84,7% dependia de combustíveis fósseis, enquanto as renováveis (solar, eólica, geotérmica e biocombustíveis) representaram apenas 4,05% da geração global de energia. Isso reforça a escala dos desafios que se enfrentam.

A decisão estratégica global adotada pela maioria das nações para eliminar gradualmente os sistemas de combustíveis fósseis e substituí-los por sistemas de geração de energia renovável é amplamente impulsionada pelas emissões de CO2 e mudanças climáticas associadas e não pela redução dos recursos, embora seja bem conhecido que petróleo, gás e as reservas de carvão são finitas.

O plano geral pode ser resumido da seguinte forma: os veículos MCI serão eliminados e substituídos por veículos elétricos (VE) e veículos movidos a célula de combustível de hidrogénio (célula H2). Os VE devem ser alimentados com baterias de lítio. A geração de energia elétrica com carvão e gás deve ser eliminada e substituída por energia solar fotovoltaica, turbina eólica, hidroelétrica, nuclear, geotérmica ou biomassa.

O conhecimento em torno dos recursos minerais conhecidos sugere que as matérias-primas necessárias para a fabricação e manutenção dessas tecnologias renováveis permanecerão de natureza verdadeiramente global. Isto é, não haverá nação ou região geográfica que possa ser verdadeiramente auto-suficiente.
(...)

Os modelos calculados preveem cenários futuros para as próximas décadas. Esta abordagem reconhece os longos tempos de inicialização típicos para a exploração dos recursos desde a descoberta ao início da extração mineral, que podem ser entre 10 a 30 anos e que para cada 1000 depósitos descobertos, apenas um ou dois normalmente se tornam minas viáveis. Mantêm-se ciclos de fabricação igualmente longos desde a invenção até a comercialização.

Cálculos do relatório sugerem que a capacidade anual total adicional de energia elétrica de origem não fóssil seja adicionada à rede global deverá ser em torno de 37 670,6 TWh. Mantendo a mesma composição de energia de origem não fóssil como 2018 isso traduz-se em mais 221 594 novas centrais necessárias encomendar e construir.

O total de centrais de energia em 2018 (todos os tipos, incluindo de combustível fóssil) era de apenas 46 423 centrais. O número acima reflete a menor proporção de energia disponível relativamente à energia investida (ERoEI) nas centrais de energia renovável em comparação com as de combustíveis fósseis atuais.

O número de instalações de painéis solares, instalações de turbinas eólicas, centrais de energia nuclear, centrais hidroelétricas e biomassa para centrais de energia para fornecer essa necessidade adicional de energia também foi calculado. O não fóssil existente no sistema de geração de energia elétrica (9 528,7 TWh) teria que ser expandido com capacidade adicional para 4 vezes o total existente.

Cada um dos sistemas de combustível não fóssil modelados tem limitações práticas para expansão, por exemplo, foi proposto desenvolver 16 504 novas centrais hidroelétricas de tamanho médio, mas é claro que a hidroeletricidade só pode ser localizada em condições geográficas muito específicas, e pode não haver novos locais suficientes que sejam viáveis.

A primeira parte do relatório examina como todas as economias desenvolvidas são altamente dependentes de combustíveis fósseis (em particular quanto ao preço, quantidade de petróleo disponível e produtos derivados), para a atividade industrial, PIB, produção de alimentos.

A segunda parte do relatório quantifica como os combustíveis fósseis são usados e em que quantidades são consumidos. Os cálculos foram feitos com base na pegada de um ano completo de operação para todo o ecossistema industrial, incluindo o consumo de combustível fóssil (óleo, gás e carvão), aquecimento, fabricação de aço, geração de eletricidade, número de veículos de cada classe e distância percorrida.

A terceira parte do relatório documenta a escala e a dimensão do sistema de alternativas de combustíveis não fósseis examinando 6 cenários. O cenário A examina a logística e a pegada para eliminar gradualmente os veículos MCI substituindo-os por VE. O Cenário B baseia-se no Cenário A, onde todas as outras aplicações de combustíveis fósseis (aquecimento a gás de edifícios, fabricação de aço a carvão e geração de eletricidade a partir de combustível fóssil) foram substituídos por sistema não fóssil. O cenário C examina a viabilidade de uma economia baseada no hidrogénio. O cenário D analisa a viabilidade dos biocombustíveis, frequentemente considerados a única fonte de energia verdadeiramente renovável. O cenário E procura estabelecer se o total de centrais elétricas nucleares poderiam ser expandidas suficiente rápido para uma capacidade de produção de energia elétrica necessária para substituir os sistemas de combustível fóssil. Finalmente, o cenário F é um solução híbrida com base no que foi aprendido dos Cenários A a E.

Em resumo, constatou-se que cada sistema de combustível não fóssil apresenta vantagens e desvantagens claras quando comparado com todos os outros sistemas. São feitas recomendações para quando deve ser usado um VE alimentado por baterias e quando um veículo de célula de H2 é a melhor tecnologia alternativa, levando em consideração a energia elétrica necessária para carregar as baterias de VE e produzir hidrogénio.

Biocombustíveis são recomendados para abastecer uma pequena parte da indústria de aviação e a biomassa é recomendada para a produção de bioplásticos, substituindo parte da indústria de plásticos existente. A energia nuclear pode ser expandida moderadamente da capacidade atual para suportar algumas operações industriais e aquecimento edifícios durante o inverno, especialmente no hemisfério norte.

Uma vez que a dimensão e o total da pegada de um sistema de transporte e energia de combustível não fóssil sejam desenvolvidos, foi em comparação com estudos estratégicos existentes que foram examinados objetivos futuros para eliminar os combustíveis fósseis. Foi descoberto que trabalhos anteriores subestimaram significativamente o número de veículos a serem substituídos e mantidos, e isso impacta os números projetados de VE, baterias e veículos de célula de H2 a serem fabricados, o que por sua vez corresponde a uma menor estimativa do tamanho da rede elétrica necessária.

Consequentemente, o número de novas centrais de energia necessárias estimado neste estudo é muito maior do que em qualquer relatório anterior. Além disso, as metas da política atual (por exemplo, Parlamento Europeu) apontam para que 30% do sistema global de energia e transporte seja renovável até o ano 2030. Isto é, apenas a 8,5 anos de distância, e o tempo de realização de uma nova central pode variar entre 2 a 5 anos (ou 20 anos para uma central nuclear).

A massa das baterias de lítio necessárias para alimentar os 1390 milhões de VE propostos no Cenário F seria de 282,6 milhões toneladas. Cálculos preliminares mostram que as reservas globais do recursos necessários e ainda mais a capacidade de produção global, podem não ser suficientes para recurso a quantidade de baterias exigidas.

Em teoria, existem reservas globais suficientes de níquel e lítio se forem usados exclusivamente para produzir baterias de lítio para veículos. Fazer apenas uma bateria para cada veículo no frota de transporte global (excluindo veículos comerciais pesados), exigiria 48,2% das reservas globais de níquel de 2018 e 43,8% das reservas globais de lítio. Também não há cobalto suficiente nas reservas atuais para atender a esta procura e mais torna-se necessário ser descoberto.

Cada uma das 1390 milhões de baterias de lítio só poderá ter uma vida útil de 8 a 10 anos. Portanto, 8 a 10 anos após a fabricação, novas baterias de reposição serão necessárias, de uma fonte mineral extraída ou uma fonte de metal reciclado. É improvável que isso seja prático, o que sugere que toda a solução de bateria VE pode precisar ser repensada e desenvolvida uma nova solução que não seja tão intensiva em minerais.

A energia elétrica gerada a partir de fontes solares e eólicas é altamente intermitente nas quantidade fornecidas ao longo das 24 horas e em contexto sazonal. Instalações de armazenamento de energia são necessárias se esses sistemas de geração forem usados em grande escala. O quão grande esse armazenamento de energia precisa ser, é assunto para discussão. Uma estimativa conservadora selecionada para este relatório foi de um armazenamento com capacidade para quatro semanas para energia solar e eólica apenas para gerir a temporada de inverno no hemisfério norte. Do Cenário F, a capacidade de armazenamento de energia para o sistema de energia elétrica global seria 573,4 TWh.

Em 2018, o armazenamento através de bombagem ligado a um sistema de produção de energia hidroelétrica representou 98% da capacidade de armazenamento existente. Se este armazenamento de energia fosse entregue a conjuntos de baterias de lítio, a massa de lítio nas baterias seria 2,5 mil milhões de toneladas. Isso excede em muito as reservas globais e não é prático. Contudo, não está claro como essa energia armazenada pode ser fornecida como um sistema alternativo. Se nenhum sistema alternativo for desenvolvido, a geração de energia eólica e solar pode não ser capaz de ser ampliada para o total global proposto.

As expectativas atuais são de que estes negócios irão substituir um complexo ecossistema de energia industrial que levou mais de um século para ser construído. O sistema atual foi construído com o suporte do sistema de fonte de energia de maior densidade calorífica que o mundo já conheceu (petróleo) em quantidades abundantes e baratas, com crédito facilmente disponível, e recursos minerais aparentemente ilimitados. A substituição necessita ser feita num momento em que comparativamente há energia muito cara, um sistema financeiro frágil saturado de dívidas, minerais insuficientes e população no mundo sem precedente, inserida num ambiente natural em deterioração. O mais desafiador de tudo, é que isto deve ser feito dentro de um algumas décadas. É opinião do autor, com base nos cálculos aqui apresentados, que isto provavelmente não se irá passar totalmente como planeado.

Em conclusão, este relatório sugere que a substituição do sistema existente funcionando com combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão), para tecnologias renováveis, como painéis solares ou turbinas eólicas, não será possível para toda a população global. Simplesmente não há tempo nem recursos suficientes para fazer isso de acordo com os atuais objetivos definidos pelas nações mais influentes.

O que pode ser necessário, portanto, é uma redução significativa da procura por parte das sociedades dos recursos de todos os tipos. Isto implica um contrato social muito diferente e um sistema de governança radicalmente diferente do que está em vigor atualmente. Inevitavelmente, isto leva à conclusão de que as tecnologias de energia renovável e VE existentes são apenas degraus para outra coisa e não a solução final. É recomendado que algum pensamento seja dirigido a isso e que outra coisa poderá ser.

Simon P. Michaux

20/Agosto/2021

[1] Tera = milhão de milhões (1012).

O texto integral de Assessment of the Extra Capacity Required of Alternative Energy Electrical Power Systems to Completely Replace Fossil Fuels encontra-se em https://tupa.gtk.fi/raportti/arkisto/42_2021.pdf e em https://resistir.info/livros/michaux_descarbonizacao.pdf

Esta resenha encontra-se em resistir.info


quinta-feira, 17 de junho de 2021

As balas de Washington: Uma história dos golpes e assassinatos da CIA

 

– Resenha do livro de Vijay Prashad, com prefácio de Evo Morales

por Jeremy Kuzmarov [*]

'Washington Bullets'Durante a audiência de confirmação da sua nomeação em fevereiro de 2020, o mais recente diretor da CIA, William J. Burns, continuou a longa tradição da CIA de ameaçar a Rússia e a China juntamente com a Coreia do Norte, disse também que o Irão não deveria ter permissão para obter uma arma nuclear.

O novo livro de Vijay Prashad, Washington Bullets: A History of the CIA, Coups, and Assassinations , (New York, Monthly Review Press, 2020) detalha como a invenção de ameaças do estrangeiro tem sido historicamente usada pela CIA para travar guerras contra o Terceiro Mundo, a fim de aumentar o domínio das transnacionais dos EUA. No prefácio, Evo Morales Ayma, ex-presidente da Bolívia que foi deposto por um golpe apoiado pelos EUA em 2019, escreve que o livro de Prashad é sobre "balas que assassinaram processos democráticos, que assassinaram revoluções e que assassinaram esperanças."

Vijay Prashad é um distinto analista político que escreveu importantes estudos sobre as intervenções imperialistas, as transnacionais e movimentos políticos do Terceiro Mundo. O seu último livro sintetiza a riqueza dos seus conhecimentos e inclui revelações pessoais de ex-agentes da CIA, como o falecido Charles Cogan, chefe do Directorate of Operations para o Próximo Oriente e Sul da Ásia (1979-1984), que disse a Prashad que no Afeganistão a CIA tinha desde o início "financiado os piores parceiros, muito antes da revolução iraniana e muito antes da invasão soviética".

Jacobo Arbenz.Washington's Bullets inicia-se na Guatemala com o golpe de 1954 que derrubou, Jacob Arbenz, cuja moderada reforma agrária ameaçava os interesses da United Fruit Company. A sociedade de advogados do secretário de Estado John Foster Dulles, Sullivan & Cromwell, havia representado a United Fruit, e tanto Dulles como seu irmão Allen, diretor da CIA entre 1953 e 1961, eram seus grandes acionistas.

O ex-diretor da CIA Walter Bedell Smith tornou-se presidente da United Fruit após a remoção de Arbenz e a secretária pessoal do presidente Dwight Eisenhower, Ann Whitman, era esposa do diretor de publicidade da United Fruit, Edmund Whitman. Depois do golpe, o sucessor de Arbenz, Castillo Armas, afirmou que "se for necessário transformar o país num cemitério para pacificá-lo, não hesitarei em fazê-lo".

A CIA ajudou no banho de sangue fornecendo a Castillo listas de comunistas e, como presente, o seu manual de assassinatos . Este manual foi posteriormente aplicado em operações dirigidas contra nacionalistas do Terceiro Mundo, como Patrice Lumumba do Congo (1961), Mehdi Ben Barka do Marrocos (1965), Che Guevara (1967) e Thomas Sankara do Burkina Faso (1987).

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Thomas Sankara.Sankara foi morto numa conspiração executada em estreita coordenação entre um agente da CIA da embaixada dos Estados Unidos em Burkina Faso e o serviço secreto francês, SDECE.

De acordo com Prashad, embora "muitas das balas dos assassinos tenham sido disparadas por pessoas que tinham seus próprios interesses paroquiais, rivalidades mesquinhas e ganhos mesquinhos, na maioria das vezes, foram 'balas de Washington'". O seu principal objetivo, diz, era "conter a onda que varreu o mundo a partir da Revolução de Outubro de 1917 e as muitas ondas que se desencadearam para formar o movimento anticolonialista".

Prashad, como indicam estes comentários, enraíza os crimes da CIA na história mais ampla do colonialismo e na hostilidade das elites capitalistas mundiais contra o aumento de poder da classe trabalhadora gerado pela revolução russa. O imperialismo, ele lembra-nos, é a tentativa de "subordinar as pessoas para maximizar o roubo de recursos, trabalho e riqueza". Os alvos das balas de Washington foram aqueles que, como Sankara e muitos outros, tentaram afirmar a soberania económica de sua nação.

O padrão de comportamento da CIA foi estabelecido logo após a Segunda Guerra Mundial, apoiando na Europa fações políticas que haviam colaborado com os nazis contra os comunistas que lideravam a resistência ao nazismo. O trabalho da CIA, como Prashad escreve, ajudou a trazer de volta o cadáver da política reacionária para o bloco europeu.

No Japão, isso significou a criação de um novo partido (Partido Liberal Democrático, LDP) para derrotar os socialistas, absorvendo velhos fascistas (Ichiro Hatoyama e Nobusuke Kishi) e desenvolvendo laços duradouros com as grandes empresas e o crime organizado (Yoshio Kodama). Nobusuke Kishi, um criminoso de guerra de classe A, tornou-se mais tarde primeiro-ministro do Japão graças ao apoio dos EUA.

Em 1953, a CIA conseguiu derrubar o primeiro-ministro do Irão, eleito democraticamente, Mohammed Mossadegh, que procedera à nacionalização da indústria petrolífera iraniana. De 1960 a 1965, a agência tentou assassinar o líder revolucionário cubano Fidel Castro pelo menos oito vezes, enviando mafiosos com pílulas de veneno, canetas de veneno, um charuto envenenado, um traje de mergulho com tuberculose, toxina botulínica e outros agentes bacterianos mortais. No total, foram feitas 638 tentativas de assassinato – todas falharam.

Ngo Dinh Diem, presidente do Vietname do Sul, era um favorito dos EUA. A CIA também orquestrou um golpe no Vietname do Sul em 1963 contra os irmãos Diem quando eles tentaram uma aproximação à Frente de Libertação Nacional [1] .

Um outro golpe foi levado a cabo na Indonésia contra o governo socialista de Achmed Sukarno, desencadeando em 1965 um banho de sangue anticomunista. O general Suharto, foi escolhido para liderar o golpe de 1965 apoiado pela CIA. Ele ordenou massacres contra o Partido Comunista da Indonésia (PKI) que resultou em cerca de um milhão de mortos.

O golpe indonésio de 1965 – como os precedentes na Guatemala e no Irão e o seguinte no Chile – seguiu um modus operandi envolvendo nove etapas diferentes:

1. Criar um grupo de influência para pressionar a opinião pública
2. Designar o homem certo no terreno
3. Certificar-se de que os generais estão preparados
4. Provocar uma crise económica
5. Garantir o isolamento diplomático
6. Organizar grandes protestos de rua
7. Dar o sinal verde
8. Assassinato
9. Negar

Aperfeiçoado e refinado ao longo dos anos, quase todas estas etapas foram aplicadas mais recentemente no golpe Maidan de 2014 na Ucrânia e no golpe de direita contra Evo Morales na Bolívia em 2019.

Com respeito à economia, Prashad descobriu um estudo da CIA do início dos anos 1950 sobre como prejudicar a indústria cafeeira da Guatemala a fim de minar o governo Arbenz. Este estudo foi o precursor da campanha mais conhecida do governo Nixon de "fazer sofrer a economia do Chile" depois de os chilenos terem tido a ousadia de eleger um socialista, Salvador Allende, que nacionalizou a indústria do cobre do Chile (indústria antes controlada por duas empresas americanas, Kennecott e Anaconda, que fizeram lóbi pelo golpe).

O chefe da estação da CIA na época do golpe chileno de 1973, que levou o general fascista Augusto Pinochet ao poder, era Henry Hecksher. Ele havia trabalhado clandestinamente como comprador de café na Guatemala na época do golpe contra Arbenz e subornou o coronel Hernán Monzon Aguirre, que se tornou o líder da junta que substituiu Arbenz.

Depois de ser promovido, Hecksher liderou as operações de subversão da CIA no Laos e na Indonésia no final dos anos 1950 e início dos 1960, antes de, no México, executar um projeto contra a revolução cubana. Hecksher era o equivalente a figuras sinistras como Lincoln Gordon, um anticomunista implacável que ajudou a orquestrar o golpe de 1964 no Brasil; Marshall Green, que ajudou a desencadear o golpe de 1965 na Indonésia; o agente da CIA Kermit Roosevelt ou o funcionário do Departamento de Estado Loy Henderson, que ajudaram a realizar o golpe contra Mossadegh.

As embaixadas dos EUA desempenharam um papel tão direto nos golpes em tantos países que durante a Guerra Fria era uma piada popular: "Por que nunca há golpes nos Estados Unidos? Porque lá não há embaixadas dos EUA".

Um truque destas ações era o recrutamento de ativistas sindicais que pudessem expurgar comunistas e organizar greves contra governos de esquerda que ajudassem a facilitar o seu fim [2] . "Tudo era aceitável", escreve Prashad, "para minar a luta de classe, tanto dentro da Europa quanto na libertação nacional de Estados".

A atenção de Prashad às divisões de classe apresenta um antídoto para as habituais histórias de liberais sobre a CIA – como o livro Legacy of Ashes de Tim Weiner – que apresenta boas informações, mas não consegue analisar o que motivou a atividade desonesta da CIA.

Prashad escreve que "seja na Guatemala ou na Indonésia, ou pelo Programa Phoenix de 1967 (ou Chien dich Phung Hong) no Vietname do Sul, o governo dos EUA e seus aliados incitaram os oligarcas locais e seus amigos das forças armadas a dizimar completamente a esquerda". O Programa Phoenix foi um desastre no Vietname como seria no Afeganistão – e o New York Times deveria saber isso.

Na América do Sul, a Operação Condor, dirigida pela CIA, matou cerca de 100 mil pessoas e prendeu cerca de meio milhão.

A CIA aliou-se com ex-nazis torcionários como Klaus Barbie, um agente altamente graduado dos serviços de segurança do General Hugo Banzer, presidente da Bolivia de 1971 a 1978, e figura chave da operação Condor. Muitas das vítimas da operação Condor eram defensores da teologia da libertação, que procurava aplicar o evangelho cristão às causas de justiça social.

A CIA ajudou também a liquidar o progresso em África apoiando atos como o golpe de 1971 no Sudão pelo coronel Gafar Nimiery, que depôs o major comunista Hashem al-Atta e resultou na execução do fundador do Partido Comunista do Sudão, Abdel Khaliq Mahjub.

No Médio Oriente, a cruzada da CIA contra o comunismo resultou numa preferência por fundamentalistas islâmicos como a família real saudita e o general paquistanês Zi-al-Huq (1978-1988), que mandou enforcar o seu antecessor Zulfaqir Ali Bhutto e armou violentos fundamentalistas jihadistas para no Afeganistão continuarem a guerra santa contra a União Soviética.

Quando um projeto do Terceiro Mundo surgiu na década de 1970 para promover a ideia de uma Nova Ordem Económica Internacional (NOEI) baseada no princípio do nacionalismo económico, Washington trabalhou para minar o seu avanço por meio da deslegitimação da Assembleia Geral da ONU, que havia apoiado a NOEI em 1974. Foi neste período que os EUA começaram a pressionar o FMI para vincular empréstimos a programas de ajuste estrutural que eliminavam serviços do Estado e eram benéficos para as empresas multinacionais.

No século XXI, Washington usou descaradamente sanções para tentar minar governos desafiadores. Também ajudou a fabricar escândalos de corrupção, como os que derrubaram os políticos progressistas Lula e Dilma Rousseff no Brasil, cujas políticas tiraram quase 30 milhões de brasileiros da pobreza.

Otto René Castillo.Prashad termina seu livro com uma citação de Otto René Castillo (1936-1967), poeta que levou os seus cadernos para as selvas da Guatemala na década de 1960 para lutar contra a ditadura imposta pelos EUA. Castillo escreveu:

"A coisa mais linda
Para aqueles que lutaram a vida inteira
É chegar ao fim e dizer
Acreditámos nas pessoas e na vida,
E a vida e as pessoas
Nunca nos dececionaram".
"Apolitical Intellectuals" de Otto Rene Castillo, poeta e ativista guatemalteco.

Estas palavras deviam perseguir todas as pessoas que trabalharam para a CIA; uma instituição do lado errado da humanidade desde a sua criação.

No cenário político cada vez mais autoritário de hoje, as críticas à CIA são poucas e raras. Muita gente que se considera de esquerda acredita na desinformação da CIA sobre a Rússia – especialmente quando Donald Trump foi acusado de ser um agente russo – e celebram um presidente, Barack Obama, que foi grande apoiante da CIA.

O presidente Obama selecionava com John O. Brennan da CIA, alvos a serem mortos em ataques de drones. Os dois são figuras reverenciadas em alguns círculos liberais (considerados de esquerda).

O livro de Prashad é neste sentido especialmente importante. Temos esperança, que provoque a emergência de um movimento, que há muito está a faltar, para abolir a CIA e suas ramificações como a National Endowment for Democracy (NED).

NT
[10] Ngo Dihn Dien : um criminoso utilizado por Washington. Foi afastado e morto no golpe de Estado militar fomentado pelos EUA quando pretendeu seguir uma política menos dependente.
[2] Recordemos a intenção de um dos impulsionadores da central sindical divisionista UGT: "quebrar a espinha à Intersindical" (CGTP).


[*] Editor executivo do Covert Action Magazine. É autor de quatro livros sobre a política externa dos EUA, incluindo Obama's Unending Wars (Clarity Press, 2019) e The Russians Are Coming, Again , with John Marciano (Monthly Review Press, 2018). Contacto: jkuzmarov2@gmail.com

O original encontra-se em covertactionmagazine.com/...


Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

"Somos cobaias humanas": Taxas alarmantes de acidentes após vacinas mRNA exigem acção urgente

 

por F. William Engdahl [*]

À medida que surgem dados oficiais dos governos na Europa e nos EUA acerca do número alarmante de mortes e com paralisias permanentes, bem como outros efeitos colaterais graves das vacinas experimentais de mRNA, está a ficar claro que nos pedem para sermos cobaias humanas num experimento que poderia alterar a estrutura do gene humano e até muito pior. Enquanto os media convencionais ignoram dados alarmantes, incluindo a morte de incontáveis jovens vítimas saudáveis, a política da vacina corona está a ser promovida por Washington e Bruxelas junto com a OMS e o Cartel de Vacinas com toda a compaixão de uma "oferta da máfia que você não pode recusar".

O alarmante relatório da EMA

Em 8 de Maio, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), uma agência da União Europeia (UE) responsável pela avaliação e supervisão de produtos médicos, usando o banco de dados EudraVigilance que colecta notificações de suspeitas de efeitos colaterais de medicamentos, incluindo vacinas, publicou um relatório que mal foi mencionado nos grandes media.

Até 8 de Maio de 2021, eles haviam registado 10.570 mortes e 405.259 lesionados após injecções de quatro vacinas experimentais do COVID-19 : COVID-19 mRNA VACINA da MODERNA (CX-024414); VACINA DE ARNm COVID-19 da PFIZER-BIONTECH; COVID-19 VACCINE da ASTRAZENECA (CHADOX1 NCOV-19); e Janssen COVID-19 VACCINE da Johnson & Johnson (AD26.COV2.S).

Uma análise pormenorizada de cada vacina apresenta os seguintes resultados:

A vacina com edição do gene do mRNA da Pfizer-BioNTech resultou nas maiores fatalidades – 5.368 mortes e 170.528 feridos ou quase 50% do total para todos os quatro.

A vacina de mRNA da Moderna foi a segunda com 2.865 mortes e 22.985 feridos. Ou seja, as duas únicas vacinas experimentais de mRNA com manipulação genética, Pfizer-BioNTech e Moderna, foram responsáveis por 8.233 mortes do total de 10.570 mortes registadas. Isso representa 78% de todas as mortes causadas pelas quatro vacinas actualmente em uso na UE.

E entre os efeitos colaterais graves ou lesões registadas pela EMA, para as duas vacinas de mRNA que focamos neste artigo, para a vacina "experimental" da Pfizer, a maioria das lesões relatadas incluiu doenças do sangue e do sistema linfático, incluindo mortes; distúrbios cardíacos, incluindo mortes; distúrbios músculo-esqueléticos e dos tecidos conjuntivos; distúrbios respiratórios, torácicos e mediastinais e distúrbios vasculares.

Para a vacina de mRNA da Moderna, as lesões mais graves ou as causas de morte incluíram doenças do sangue e do sistema linfático; distúrbios cardíacos; distúrbios músculo-esqueléticos e dos tecidos conjuntivos; distúrbios do sistema nervoso central . Observe que essas são apenas as lesões mais graves relacionadas a essas duas vacinas de mRNA geneticamente manipuladas. A EMA também observa acreditar-se que apenas uma pequena percentagem das mortes reais por vacinas ou efeitos colaterais graves, talvez apenas 1% a 10%, são relatados por várias razões. Oficialmente, mais de 10.000 pessoas morreram após receber as vacinas contra o coronavírus desde Janeiro de 2021 na UE. Esse é um número assustador de mortes relacionadas à vacina, mesmo que os números verdadeiros sejam muito maiores.

CDC também

Até mesmo os Centros de Controle de Doenças dos EUA (CDC), uma agência notoriamente política e corrupta com laços lucrativos com fabricantes de vacinas, no seu Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS), mostra um total de 193.000 "eventos adversos", incluindo 4.057 mortes, 2.475 deficiências permanentes, 25.603 visitas ao pronto-socorro e 11.572 hospitalizações após injecções [contra o] COVID-19 entre 14 de Dezembro de 2020 e 14 de Maio de 2021. Isso incluiu as duas vacinas de mRNA, Pfizer e Moderna, e a vacina J&J Janssen, muito menos predominante. Das mortes relatadas, 38% ocorreram em pessoas que adoeceram dentro de 48 horas após serem vacinadas. O número oficial de mortes relacionadas à vacina nos EUA é maior em apenas 5 meses do que todas as mortes relacionadas à vacina nos últimos 20 anos combinados. Mesmo assim, os grandes media mundiais e o governo dos Estados Unidos praticamente enterram os factos alarmantes .

Cerca de 96% dos resultados fatais foram das vacinas Pfizer e Moderna, as duas variantes financiadas e promovidas pela Fundação Gates e o NIAID de Tony Fauci com a tecnologia genética experimental de mRNA.

Além disso, o Dr. Tony Fauci, o secretário de vacinas da Administração Biden dos EUA e seu Centro de Pesquisa de Vacinas NIAID co-projectaram a vacina da mRNA Moderna e deram à Moderna e à Pfizer US$6 mil milhões para produzi-la. Isso também é um conflito de interesses flagrante, já que Fauci e seu NIAID têm permissão para se beneficiar financeiramente de seus ganhos com patentes na vacina sob uma curiosa lei dos EUA . O NIAID desenvolveu as proteínas de pico (spike) do coronavírus para o desenvolvimento de vacinas de mRNA da SARS-CoV-2 usando o dinheiro do contribuinte. Eles licenciaram-na para a Moderna e a Pfizer.

"Nunca visto na natureza..."

Num sentido trágico, a experiência com reacções às duas sem precedentes vacinas experimentais de mRNA desde o seu lançamento a uma também sem precedentes "velocidade relâmpago" quando o governo dos Estados Unidos a pediu, só agora começa a ser vista, em testes reais com cobaias humanas. Poucos percebem que as duas vacinas de mRNA usam manipulações genéticas que nunca antes foram utilizadas em humanos. E sob a cobertura da urgência, autoridades de saúde dos EUA e da UE dispensaram os testes normais em animais e nem mesmo aprovaram a sua segurança, mas deram uma "autorização de uso de emergência". Além disso, os fabricantes de vacinas ficaram isentos de danos de litigação a 100%.

O público em geral foi tranquilizado sobre a segurança das vacinas quando a Pfizer e a Moderna publicaram relatórios de 94% e 95% de "eficácia" das mesmas. Fauci do NIAID foi rápido a classificar isto como "extraordinário" em Novembro de 2020, e muitíssimo rápido a aproveitar-se do preço das acções da Pfizer e Moderna.

Peter Doshi, Editor Associado do British Medical Journal apontou uma enorme falha nos relatórios dos mais de 90% de eficácia para as vacinas da Moderna e da Pfizer. Ele observou que as percentagens são relativas, em relação ao pequeno grupo seleccionado de teste de jovens saudáveis, e não absolutas como na vida real. Na vida real, queremos saber a eficácia da vacina entre a grande generalidade da população.

Doshi aponta o facto de que a Pfizer excluiu mais de 3400 "casos suspeitos de COVID-19" que não foram incluídos na análise provisória. Além disso, os indivíduos "em ambos os testes da Moderna e da Pfizer foram considerados positivos para o SARS-CoV-1 – (o vírus asiático de 2003 da SARS), apesar da infecção anterior ser motivo de exclusão", observa Doshi. Ambas as empresas se recusaram a divulgar seus dados primários.

Os cientistas empregados pela Pfizer fizeram seus testes. Em suma, 95% é o que a Pfizer ou a Moderna afirmam. Disseram-nos: "Confiem em nós". Uma estimativa mais realista da verdadeira eficácia das duas vacinas para o público em geral, usando dados fornecidos pelos fabricantes de vacinas ao FDA, mostra que a vacina Moderna no momento da análise provisória demonstrou uma redução de risco absoluto de 1,1%, ao passo que na da Pfizer a redução do risco absoluto da vacina foi de 0,7%. Isso é muito pouco.

Peter Hotez, reitor da Escola Nacional de Medicina Tropical do Baylor College of Medicine, em Houston, diz: "O ideal é que uma vacina antiviral faça duas coisas ... Primeiro, reduza a probabilidade de você ficar gravemente doente e ir para o hospital e, segundo, previna a infecção e, portanto, interrompa a transmissão da doença". Como observa Doshi, nenhum dos estudos foi "concebido para detectar uma redução em qualquer resultado grave, como internamentos hospitalares, uso de terapia intensiva ou mortes. Nem as vacinas estão a ser estudadas para determinar se podem interromper a transmissão do vírus". O responsável médico chefe da Moderna até admitiu que "O nosso ensaio não demonstrará a prevenção da transmissão".

Possíveis efeitos das vacinas de mRNA

Num importante novo estudo recém-publicado no International Journal of Vaccine Theory, Practice and Research, a Dra. Stephanie Seneff, cientista sénior do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT, e o Dr. Greg Nigh, especialista em oncologia naturopática, analisam em pormenor as possíveis vias pelas quais as vacinas experimentais de mRNA da Pfizer e Moderna poderiam estar a causar tais efeitos adversos nos vacinados. Primeiro, eles apontam que as vacinas editadas por genes da Pfizer e da Moderna são altamente instáveis: "Ambas são administradas por meio de injecção muscular e ambas requerem armazenamento ultracongelado para evitar que o RNA se parta. Isso se verifica porque, ao contrário do DNA de fita dupla, que é muito estável, os produtos de RNA de fita simples podem ser danificados ou ficarem impotentes em temperaturas elevadas e devem ser mantidos extremamente frios a fim de reter a sua eficácia potencial . " A Pfizer recomenda 70° Celsius negativos.

Os autores apontam que, a fim de evitar que o mRNA se decomponha antes que possa produzir proteína, os dois fabricantes de vacinas substituem a metil-pseudouridina para estabilizar o RNA contra a degradação, permitindo que sobreviva o tempo suficiente para produzir quantidades adequadas de antígeno protéico. O problema que eles apontam é que, "Esta forma de mRNA entregue na vacina nunca é vista na natureza e, portanto, tem potencial para consequências desconhecidas... a manipulação do código da vida pode levar a efeitos negativos completamente imprevistos, potencialmente a longo prazo ou mesmo permanente ".

Adjuvantes PEG e choque anafilático

Por várias razões para evitar o uso de adjuvantes de alumínio para aumentar a resposta anticorpo, ambas as vacinas mRNA usam polietileno glicol, ou PEG, como adjuvante. Isto tem consequências. Os autores destacam: "...ambas as vacinas mRNA actualmente implantadas contra COVID-19 utilizam nanopartículas à base de lipídios como veículos de entrega. A carga de mRNA é colocada dentro de um invólucro composto de lipídios sintéticos e colesterol, junto com PEG a fim de estabilizar a molécula de mRNA contra a degradação ".

O PEG demonstrou produzir choque anafilático ou reacções alérgicas graves. Em estudos de vacinas anteriores sem mRNA, as reacções de choque anafilático ocorreram em 2 casos por milhão de vacinações. Com as vacinas mRNA, o monitoramento inicial revelou que "a anafilaxia ocorreu a uma taxa de 247 por milhão de vacinações. Isto é mais de 21 vezes maior do que o relatado inicialmente pelo CDC. A segunda exposição à injecção pode causar um número ainda maior de reacções anafiláticas". Um estudo observou: "PEG é um alergenio 'oculto' de alto risco, geralmente insuspeito, e pode causar reacções alérgicas frequentes devido à re-exposição inadvertida ". Entre tais reacções estão incluídos o colapso cardiovascular com risco de vida.

Isso está longe de constituir a totalidade dos riscos não declarados das vacinas experimentais mRNA contra o coronavírus.

Aumento dependente de anticorpos

O aumento dependente de anticorpos (ADE) é um fenómeno imunológico. Seneff e Nigh observam que "o ADE é um caso especial do que pode acontecer quando níveis baixos e não neutralizantes de ... anticorpos contra um vírus estão presentes no momento da infecção. Esses anticorpos podem estar presentes devido a ... vacinação anterior contra o vírus..." Os autores sugerem que, no caso das vacinas mRNA da Pfizer e da Moderna, "os anticorpos não neutralizantes formam complexos imunes com antígenos virais para provocar secreção excessiva de citocinas pró-inflamatórias, e, em casos extremos, uma tempestade de citocinas causando dano generalizado ao tecido local ".

Para ser claro, normalmente as citocinas fazem parte da resposta imunológica do corpo à infecção. Mas sua liberação súbita em grandes quantidades, uma tempestade de citocinas, pode causar falência de órgãos de vários sistemas e morte. Nosso sistema imunológico inato sofre uma liberação descontrolada e excessiva das moléculas sinalizadoras pró-inflamatórias chamadas citocinas.

Os autores acrescentam que "anticorpos pré-existentes, induzidos por vacinação prévia, contribuem para danos pulmonares graves por SARS-CoV em macacos..." Outro estudo citado mostra que a gama muito mais diversificada de exposições anteriores a coronavírus, como a gripe sazonal experimentada pelos idosos, pode predispô-los a ADE após a exposição ao SARS-CoV-2". Isto é uma possível explicação para a alta incidência de mortes pós-vacinação de mRNA entre idosos.

Os fabricantes de vacinas têm uma maneira inteligente de negar a toxicidade de suas vacinas mRNA. Como afirmam Seneff e Nigh, "não é possível distinguir uma manifestação de doença ADE de uma verdadeira infecção viral não ADE". Mas fazem o destaque revelador: "A esta luz, é importante reconhecer que, quando doenças e mortes ocorrem logo após a vacinação com uma vacina mRNA, nunca se pode determinar definitivamente, mesmo com uma investigação completa, que a reacção da vacina não foi uma causa próxima ".

Os autores apontam vários outros pontos alarmantes, incluindo o surgimento de doenças auto-imunes, como a doença celíaca, uma doença do sistema digestivo que danifica o intestino delgado e interfere na absorção de nutrientes dos alimentos. Também a síndrome de Guillain-Barré (GBS) que causa fraqueza muscular progressiva e paralisia. Além disso, a trombocitopenia imune (ITP) em que uma pessoa tem níveis anormalmente baixos de plaquetas – as células que ajudam o sangue a coagular – pode ocorrer após a vacinação "por meio da migração de células imunes que transportam uma carga de nanopartículas mRNA através do sistema linfático para o baço... ITP aparece inicialmente como petéquias ou púrpura na pele e / ou sangramento das superfícies mucosas. Tem um alto risco de morte por hemorragia e derrame ".

Estes exemplos são indicativos do facto de estarmos literalmente a expor a raça humana – por meio de vacinas mRNA editadas por genes experimentais não testados – a perigos incalculáveis que no fim podem exceder em muito qualquer risco potencial de dano a partir de algo que tem sido chamado de SARS-Cov-2. Longe da tão apregoada substância milagrosa proclamada pela OMS, Gates, Fauci e outros, as vacinas da Pfizer, da Moderna e outras mRNA possíveis claramente possuem consequências imprevistas potencialmente trágicas e até catastróficas. Não é de admirar que alguns críticos acreditem que seja um veículo disfarçado para a eugenia humana.

27/Maio/2021

[*] Consultor de risco estratégico. Muitas das suas obras estão aqui .

Ver também:
  • A Covid, os governos da UE e as multinacionais farmacêuticas
  • A Pfizer obriga países a darem garantias contra acções judiciais
  • Depopulation and the mRNA Vaccine
  • Las nuevas vacunas basadas en la manipulación genética
  • Swiss Policy Research: Facts about Covid-19

    O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

    Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .
  • quinta-feira, 4 de março de 2021

    A grande conspiração do "Carbono Zero"

     

    por F. William Engdahl [*]

    Os globalistas do Fórum Econômico Mundial de Davos proclamam a necessidade de até 2050 atingir o objectivo de zero emissões de carbono em termos líquidos. Isso, para a maior parte das pessoas, soa como um futuro distante e portanto é amplamente ignorado. Mas as transformações em curso desde a Alemanha até aos Estados Unidos, bem como em incontáveis outras economias, estão a preparar o cenário para a criação do que na década de 1970 era chamado de Nova Ordem Económica Internacional.
    Trata-se, na realidade, de planos para um corporativismo totalitário tecnocrático global, que promete enorme desemprego, desindustrialização e colapso económico deliberado. Considerem-se alguns antecedentes.

    Klaus Schwab.O Fórum Económico Mundial (WEF) de Klaus Schwab está a promover o seu tema favorito, a Grande Reinicialização (Great Reset) da economia mundial. A chave para tudo isso é entender aquilo que os globalistas querem dizer com Carbono Líquido Zero até 2050.

    A UE está liderando a corrida, com um plano ousado para se tornar o primeiro continente "neutro em carbono" do mundo até 2050 e reduzir suas emissões de CO2 em pelo menos 55% até 2030.

    Em uma mensagem de Agosto de 2020 no seu blog, o autoproclamado czar global das vacinas, Bill Gates, escreveu acerca da crise climática que se aproxima:

    "Por mais terrível que seja esta pandemia, a mudança climática poderia ser pior ... O declínio relativamente pequeno nas emissões deste ano deixa uma coisa clara: Não podemos conseguir emissões zero simplesmente – ou mesmo principalmente – a voar e conduzir menos ".

    Com um monopólio virtual dos media convencionais, bem como dos media sociais, o lobby do aquecimento global foi capaz de levar grande parte do mundo a supor que o melhor para a humanidade é eliminar os hidrocarbonetos, incluindo petróleo, gás natural, carvão e até mesmo a electricidade nuclear livre de até 2050, o que esperançosamente poderia evitar um aumento de 1,5 a 2 graus Celsius na temperatura média mundial. Só existe um problema com isso. É que é a cobertura de uma diabólica agenda ulterior.

    Origens [da hipótese] do 'aquecimento global'

    Muitos já se esqueceram da tese científica original apresentada para justificar uma mudança radical nas nossas fontes de energia. Não era a "alteração climática". O clima da Terra está em constante mudança, correlacionado a mudanças na emissão de erupções solares ou ciclos de manchas solares que afectam o clima da Terra.

    Por volta da viragem do milénio, quando o ciclo anterior de aquecimento liderado pelo sol não era mais evidente, Al Gore e outros mudaram a narrativa num prestidigitação linguística de "Aquecimento Global" para "Alterações Climáticas", de Aquecimento Global. Agora, a narrativa do medo se tornou tão absurda que todo evento climático estranho é tratado como "crise climática". Cada furacão ou tempestade de Inverno é reivindicado como prova de que os Deuses do Clima estão a punir a nós, seres humanos pecadores, por emitirmos CO2.

    Mas um momento. Toda a razão para a transição para fontes de energia alternativas, como solar ou eólica, e para o abandono as fontes de energia carbónicas, é a alegação deles de que o CO2 é um gás de efeito estufa que de alguma forma sobe para a atmosfera, onde forma uma capa que supostamente aquece a Terra – o Aquecimento Global. As emissões de gases de efeito estufa, de acordo com a Agência de Protecção Ambiental dos EUA, vêm principalmente do CO2. Daí o foco nas tais "pegadas de carbono".

    O que quase nunca se diz é que o CO2 não pode ascender na atmosfera a partir do escape de um carro ou de centrais termoeléctricas a carvão ou outras origens feitas pelo homem. O dióxido de carbono não é carbono ou fuligem. É um gás invisível e inodoro essencial para a fotossíntese das plantas e todas as formas de vida na Terra, incluindo nós. O CO2 tem um peso molecular de pouco mais de 44, enquanto o ar (principalmente oxigénio e nitrogénio) tem um peso molecular de apenas 29.

    O peso específico do CO2 é cerca de 1,5 vezes maior que a do ar. Isso sugeriria que o CO2 dos gases de escape de veículos ou de centrais eléctricas não ascendem na atmosfera cerca de 12 milhas [19,3 km] ou mais acima da Terra para formar o temido efeito estufa .

    Para apreciar a acção criminal que hoje se desdobrar em torno de Gates, Schwab e defensores de uma suposta economia mundial "sustentável", devemos remontar a 1968, quando David Rockefeller e amigos criaram um movimento em torno da ideia de que o consumo humano e o crescimento populacional eram principal problema do mundo. Rockefeller, cuja riqueza era baseada no petróleo, criou o Clube neo-malthusiano de Roma na sua villa em Bellagio, Itália. Seu primeiro projecto foi em 1972 quando financiou um estudo inútil no MIT chamado Limites do crescimento (Limits to Growth).

    Um dos principais organizadores da agenda de 'crescimento zero' de Rockefeller no início da década de 1970 foi seu amigo de longa data, um homem do petróleo canadiano chamado Maurice Strong, também membro do Clube de Roma. Em 1971, Strong foi nomeado subsecretário das Nações Unidas e secretário-geral da conferência do Dia da Terra de Estocolmo em junho de 1972. Ele também era um curador da Fundação Rockefeller.

    Maurice Strong foi um dos primeiros propagadores da teoria cientificamente infundada de que as emissões antropogénicas com veículos de transporte, centrais a carvão e agricultura causavam um aumento dramático e acelerado da temperatura global que ameaça a civilização, o assim chamado Aquecimento Global. Ele inventou a expressão elástica "desenvolvimento sustentável".

    Como presidente da Conferência do Dia da Terra da ONU em Estocolmo, em 1972, Strong promoveu a redução da população e a diminuição dos padrões de vida em todo o mundo para "salvar o meio ambiente". Alguns anos depois, o mesmo Strong declarou :

    "Não é a única esperança para o planeta que as civilizações industrializadas entrem em colapso? Não é nossa responsabilidade fazer com que isso aconteça?"

    Esta é a agenda hoje conhecida como Grande Reinicialização (Great Reset) ou Agenda 2030 da ONU. Strong prosseguiu com a criação do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um órgão político que promove a afirmação não comprovada de que as emissões de CO2 provocadas pelo homem estavam prestes a deitar abaixo o nosso mundo numa catástrofe ecológica irreversível.

    O co-fundador do Clube de Roma, Dr. Alexander King, admitiu a fraude essencial de sua agenda ambiental alguns anos depois no seu livro The First Global Revolution . Ele declarou ali:

    Em busca de um novo inimigo para nos unir, avançamos com a ideia de que a poluição, a ameaça do aquecimento global, a escassez de água, a fome e assim por diante resolveria o problema ... Todos estes perigos são causados pela intervenção humana e só através mudanças de atitudes e comportamentos podem superar-se. O verdadeiro inimigo, então, é a própria humanidade.

    King admitiu que a "ameaça do aquecimento global" era simplesmente uma trama para justificar um ataque à "própria humanidade". Isto agora está a ser implementado como a Grande Reinicialização e a falcatrua de emissões líquidas Zero de Carbono.

    O desastre das energias alternativas

    Em 2011, actuado a conselho de Joachim Schnellnhuber, do Instituto Potsdam para Investigação de Impacto Climático (PIK), Angela Merkel e o governo alemão impuseram a proibição total da electricidade nuclear até 2022, como parte de uma estratégia governamental de 2001 chamada Energiewende ou Viragem Energética, para confiar na energia solar e eólica e outras "renováveis". O objectivo era tornar a Alemanha a primeira nação industrial a ser "neutra em carbono".

    A estratégia foi uma catástrofe económica. Abandonando uma das redes de produção eléctrica mais estáveis e confiáveis do mundo industrial, a Alemanha hoje tornou-se o produtor eléctrico mais caro do mundo. De acordo com a associação alemã da indústria de energia BDEW, o mais tardar até 2023, quando a última central nuclear for fechada, a Alemanha enfrentará défices de electricidade.

    Ao mesmo tempo, o carvão, a maior fonte de energia eléctrica, está a ser eliminado para alcançar as tais emissões líquidas zero de carbono. Indústrias tradicionais com uso intensivo de energia, como aço, produção de vidro, produtos químicos básicos, fabricação de papel e cimento, estão a enfrentar custos crescentes e paralisações ou deslocalizações e perda de milhões de empregos qualificados. A ineficiente energia eólica e solar, hoje custa cerca de 7 a 9 vezes mais do que o gás.

    A Alemanha tem pouco sol em comparação com os países tropicais, de modo que o vento é visto como a fonte principal de energia verde. Há uma enorme quantidade de betão e alumínio que é necessária para produzir parques solares ou eólicas. Ela exige energia barata – gás, carvão ou nuclear – para produzir. À medida que isso é eliminado, o custo se torna proibitivo, mesmo sem "impostos sobre o carbono" adicionais.

    A Alemanha já tem cerca de 30 mil turbinas eólicas, mais do que qualquer outro país da UE. As gigantescas turbinas eólicas têm sérios problemas de ruído ou riscos para saúde para os residentes nas proximidades das enormes estruturas devido à emissão de sons de baixa frequência (infrasound), além de danos causados ao clima e a pássaros. Em 2025, cerca de 25% dos moinhos de vento alemães existentes precisarão ser substituídos e a eliminação de resíduos é um problema colossal. As empresas estão a ser processadas porque os cidadãos percebem o desastre que são. Para atingir as metas até 2030, o Deutsche Bank admitiu recentemente que o estado precisará criar uma " eco-ditadura ".

    Ao mesmo tempo, o esforço alemão para acabar com o transporte a gasolina ou gasóleo até 2035 em favor dos veículos eléctricos está em curso para destruir a maior e mais lucrativa indústria da Alemanha, o sector automóvel, e eliminar milhões de empregos. Os veículos movidos a bateria de íon-lítio têm uma "pegada de carbono" total quando os efeitos da mineração de lítio e da produção de todas as peças são incluídos, o que é pior do que os automóveis a gasóleo.

    E a quantidade de electricidade adicional necessária para uma Alemanha carbono zero até 2050 seria muito maior do que hoje, pois milhões de carregadores de bateria precisarão de electricidade da rede com energia confiável. Agora a Alemanha e a UE começam a impor novas "taxas de carbono", alegadamente para financiar a transição para o carbono zero. Os impostos apenas tornarão a energia e a potência eléctricas ainda mais caras, assegurando o colapso mais rápido da indústria alemã.

    Despovoamento

    Segundo os que defendem a agenda Carbono Zero, isto é exactamente o que desejam: a desindustrialização das economias mais avançadas, uma estratégia calculada desde há décadas, como disse Maurice Strong, para provocar o colapso das civilizações industrializadas.

    Fazer voltar a presente economia industrial mundial para uma distopia de queima de lenha e moinhos de vento, em que os apagões se tornam a norma, como agora na Califórnia, é uma parte essencial de uma transformação para Grande Reinicialização sob a Agenda 2030: Pacto Global da ONU para a Sustentabilidade (Agenda 2030: UN Global Compact for Sustainability).

    O conselheiro climático de Merkel, Joachim Schnellnhuber, em 2015 apresentou a agenda verde radical do Papa Francisco, a encíclica Laudato Si, quando Francisco o nomeou para a Pontifícia Academia de Ciências. E ele aconselhou a UE sobre a sua agenda verde. Numa entrevista de 2015, Schnellnhuber declarou que a "ciência" determinou agora que a capacidade máxima de carga de uma população humana "sustentável" era com cerca de seis mil milhões de pessoas a menos:

    "De um modo muito cínico, é um triunfo para a ciência porque finalmente estabilizamos alguma coisa – nomeadamente as estimativas para a capacidade biótica máxima (carrying capacity) do planeta, ou seja, abaixo de mil milhões de pessoas".

    Para fazer isso, o mundo industrializado deve ser desmantelado. Christiana Figueres, contribuidora da agenda do Fórum Económico Mundial e ex-secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, revelou o verdadeiro objectivo da agenda climática da ONU numa entrevista colectiva em Bruxelas em Fevereiro de 2015, onde afirmou: "Esta é a primeira vez na história humana em que nos propomos à tarefa de mudar intencionalmente o modelo de desenvolvimento económico que tem reinado desde a Revolução Industrial".

    As observações de Figueres em 2015 são reflectidas hoje pelo presidente francês Macron na "Agenda de Davos" do Fórum Económico Mundial em Janeiro de 2021, onde afirmou que "nas actuais circunstâncias, o modelo capitalista e a economia aberta já não são viáveis". Macron, um ex-banqueiro Rothschild, afirmou que "a única maneira de sair desta epidemia é criar uma economia mais focada em eliminar o fosso entre ricos e pobres". Merkel, Macron, Gates, Schwab e amigos farão isso reduzindo os padrões de vida na Alemanha e na OCDE aos níveis da Etiópia ou do Sudão. Esta é distopia deles do carbono zero. Limitar severamente viagens aéreas, viagens de carro, movimento de pessoas, fechar a indústria "poluente", tudo para reduzir o CO2. É sinistro quão convenientemente a pandemia de coronavírus prepara o cenário para a Grande Reinicialização e a Agenda 2030 da ONU de emissões líquidas Zero de Carbono.

    [*] Autor de numerosas obras sobre petróleo e geopolítica .

    O original encontra-se em New Eastern Outlook e em
    https://www.globalresearch.ca/great-zero-carbon-criminal-conspiracy/5736707


    Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

    A construção da realidade

     por  Josep Cónsola [*]


    "Perante a realidade podem-se adoptar várias atitudes, a saber:   1) ignorá-la, evadir-se dela;  2) reproduzi-la;  3) descobrir seu outro lado: a verdade
    Alfonso Sastre.  Manifiesto contra el pensamiento débil.

    "Quando aprendí as respostas, foram alteradas todas as minhas perguntas".
    Mario Benedetti

    Tragédia de Gruaro.O verdadeiro depende da criação mental do homem chamada lógica. Entretanto, real refere-se ao que alguém crê que é real apesar de qualquer lógica que se utilize ou do que se raciocine, ou sem saber como funciona este algo. No instante que vemos, ou nos fazem ver, cremos que é real sem ainda questionarmos se é verdadeiro ou falso.

    René Descartes cunhou a frase Cogito ergo sum ("penso, portanto sou") mas perante o descalabro mundial orquestrado com origem na propaganda pandémica poderíamos estabelecer outra frase: Ego sum, sed non cogito ("sou, mas não penso") à vista da credibilidade dada ao discurso oficial por uma parte importante da população.

    Será real que milhares de pessoas idosas e com patologias prévias tenham falecido durante o segundo trimestre de 2020? Podemos dizer que sim. Será verdade que estes milhares de pessoas tenham falecido por causa de um vírus catalogado como SARS-Cov2? Podemos dizer que não.

    Será real que um pânico insano se tenha desencadeado entre a população? Podemos dizer que sim. O referido pânico é resultado da verdade? Podemos dizer que não.

    Mas, como na metáfora escrita por Robert Havemann: "Quando quero acertar num alvo, tenho um procedimento muito simples para aumentar a possibilidade de atingi-lo, a saber: o procedimento de engrandecer o alvo, e se declaro que tudo o que me rodeia é alvo, terei a miserável satisfação de não errá-lo nunca" [1] .

    O catedrático de Sociología da Universidade de Oviedo, José Mª García Blanco, no seu interessante artgo "La construcción de la realidad y la realidad de su construcción" [2] destaca que: "A cada manhã, ao ligar nosso aparelho de radio, a televisão ou ao ler nosso diario habitual, nos pomos ao corrente do que se passa no mundo. Todos estes meios estão a reproduzir incessantemente a rede de noticias que configura nossa imagem da realidade. São eles, seguindo sua propia lógica operativa, que proporcionam hoje à sociedade sua própria imagem e a do mundo em que ela se produz e reproduz como sistema de comunicação… O produto deste funcionamento recursivo dos mass media é a constituição da única coisa que hoje se pode denominar com fundamento empírico suficiente Opinião Pública, a saber: una imensa redundância informativa, que torna desnecessário perguntar o que cada concreto individuo sabe e pensa".

    A partir daqui o conhecimento que possuímos da realidade é limitado e acostumamo-nos a ver a "realidade" a partir das mensagens subjectivas que chegam ao nosso conhecimento sobre esta realidade. A construção dos referidos conhecimentos tem, entre outros, os objectivo de criar "confiança" para com as estruturas de poder que são em definitivo as que concebem o discurso para tornar possível que um determinado objecto ou objectivo exista, cumpra certas funções e estabeleça o que é positivo ou negativo, bom ou mau.

    Bertrand Russell dizia que para chegar a estabelecer uma lei científica são necessárias três etapas: a primeira consiste em observar os factos significativos; a segunda, assentar hipóteses que, se forem verdadeiras, explicam aqueles factos; a terceira, deduzir destas hipóteses consequências que possam ser postas a prova para a observação. Significa que o processo da sua formulação deve ser justificado e explicado passo a passo, para desta forma construir e formular hipóteses que sejam contrastáveis.

    "INFOXICAÇÃO"

    Ao invés disto temos sofrido, estamos a sofrer e, se não houver uma resposta contundente, continuaremos a sofrer não uma intoxicação por um vírus e sim uma "infoxicação" mediática resultante da construção da realidade, afastada do que deveria ser uma busca da verdade. Não há ciência nas versões mediáticas hegemónicas e sim percepções, especulações, opiniões e espectáculos visuais montados à imagem e semelhança de uma grande farsa teatral.

    O Dr. Carlos Alberto Díaz, professor Titular da Universidade Isalud de Buenos Aires [3] , é contundente: "As burocracias profissionais geraram-se para conter e reproduzir os conhecimentos gerados nas suas próprias organizações. Nos rincões de toda a administração existem alguns reservatórios que, quando purgas, encontras inteligências e opiniões que nunca foram ouvidas. Não é a saúde um tema de agenda. Sim quais são os números de contagiados, de mortos ou de vacinas".

    Encontramo-nos perante a necessidade de analisar a sociedade e os fenómenos sociais que estamos a viver com os estados de sítio, emergência, alarme, etc e os consequentes confinamentos domiciliares, sanções, repressões... a partir de um conhecimento que não se apoia num determinismo e num reducionismo do conhecimento, no sentido de que um conhecimento do todo sirva de ponto de partida para um conhecimento das partes que o compõem. Edgar Morin sugere a "necessidade de recompor o todo", ou seja, o questionar da racionalidade abstracta e unidimensional hegemónica" [4] . Numa multidão de ocasiões nossa realidade não é senão a nossa ideia da realidade cunhada por uma educação baseada na aceitação de um conformismo cognitivo no qual é normalizada a eliminação do que possa discutir-se ou contrapor-se ao discurso hegemónico.

    Giulio Girardi, uma referência da Teologia da Libertação, membro do Tribunal Russell II sobre a América Latina desde 1974 até a sua morte em 2012, membro do Tribunal dos Povos, a partir da sua perspectiva do conhecimento como instrumento de transformação social, denuncia a falsa neutralidade da ciência e do conhecimento, uma vez que todo sujeito no momento da observação faz parte de uma série de condicionantes internalizadas: "Não há interesse teórico que esteja desvinculado da interesses práticos. O ocultamento de interesses que não se querem confessar" [5] .

    Quanto ao ocultamento destes interesses a que Girardi faz referência, numa tentativa de buscar uma possível explicação Máximo Sandin pergunta-se que "talvez seja que não se pode esperar que alguém compreenda algo quando o seu salário depende da sua não compreensão" [6] .

    Como se constrói o 'real'?

    María-Celina Ramos-Álvarez, aproxima-nos uma reflexão sobre os papel dos meios de comunicação com as seguintes palavras: "Na medida em que os meios mostram-me suas construções de significado como um ser natural das coisas, tendo a pensar que as coisas são assim, como eles as apresentam e portanto concedo-lhes um estatuto ontológico independente do labor humano, já que eu não tenho opção alguma para actuar em outro sentido senão o assinalado ao meu status que me foi criado, o qual impede-me de exercer a dialéctica entre o que faço e o que penso... Os meios de comunicação seleccionam aspectos do mundo que desta forma aparece filtrado diante dos meus sentidos. O conhecimento que me proporcionam não só põe em jogo minhas capacidades cognoscitivas como também emocionais... Minha realidade subjectiva em determinadas situações choca-se frontalmente com aquela objectiva que os media me apresentam. Sou uma pessoa adulta e possuo capacidade de crítica e discernimento, mas em situações nas quais não posso exercer tais capacidades por não possuir os dados suficientes para isso, ou em situações que os significados mediáticos não são relevantes para mim, a realidade que se me apresenta constitui-se na minha realidade" [7] .

    Os media jornalísticos actuam como mediadores entre a fabricação de uma recriação manipulada da realidade e a audiência. Os media nos preparam, nos elaboram e nos apresentam uma realidade social determinada. Mas quais são os critérios para formar essa realidade? Em que se baseia a interpretação jornalística?

    Hoje sabemos tanto do vírus e da pandemia e estamos tão "infoxicados" que não sabemos nada, não há diálogo nem debate científico com evidências em mãos, só hipóteses, ocorrências, suposições, opiniões ou percepções. A justificação pandémica avança, a economia quebra e a gente vive com medo e incerteza. Em síntese, a verdade sobre a pandemia do Covid-19 é a seguinte: "Instrumentalizou-se a enfermidade de modo político e eleitoral; 2) Sabemos muito e nada ao mesmo tempo, não há ciência e sim percepções, teorias falsas e especulação; 3) Ignorou-se a história e os antecedentes médicos e epidemiológicos. Esta é a grande verdade da qual não duvidamos" [8] .

    A realidade social constrói-se por meio de declarações, as que tornam possível que um determinado objecto exista, cumpra certas funções e disponha de certos poderes positivos e negativos de maneira convencional. "A força que se assinala a esses actos permite que surjam no mundo entidades que, sem mediar estas declarações mediáticas, não chegariam a existir" [9] .

    Nas XXII Jornadas de Investigación e XI Encuentro de Investigadores en Psicología del Mercosur organizados pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires, Romina Ailín Urios, realiza uma análise acerca da "criminologia mediática" que agora podemos aproveitar à luz dos estereótipos concebidos para estabelecer o perfil das pessoas perigosas na voragem pandémica (reuniões de mais de seis pessoas, não usar máscara, por em causa a bondade das vacinas, ignorar os toques de recolher, romper o confinamento domiciliar, etc), os apelos à delação a partir das "polícias de varanda", a criação de "patrulhas sanitárias" semelhantes à antiga guarda de Franco nos tempos da ditadura para perseguir e denunciar os contraventores das leis ditadas, por irracionais que sejam.

    Podemos dizer que o que faz a "criminologia mediática" é criar uma realidade e apresentá-la como "a" realidade, onde aparecem confrontadas as "pessoas decentes" e o grupo de "criminosos", os quais são identificados pelo estereótipo que permite essa distinção. E para que esta diferenciação se sustenha no tempo e se torne crível, não resta outra opção senão "inchar" as características negativas de quem porta o estereótipo na base da periculosidade e é aí em que o conceito de perigo se une ao de segurança. "Como reverter os efeitos na subjectividade da população e, sobretudo, de certos sectores que foram seleccionados pelos meios de comunicação como os futuros criminalizados? Se tivermos em conta o que coloca Foucault quanto à complexa malha em que uma pequena mudança num extremo gera um movimento em toda a trama, podemos pensar que para gerar uma modificação que chegue até todos os extremos faz-se necessário que a mudança seja suficientemente forte para que chegue a toda a estrutura. Do contrário, a modificação não será nem total nem duradoura" [10] .

    Assim, como dizia Gabriel Celaya no seu poema "La poesía es un arma cargada de futuro":

    Às ruas! que já é hora
    de passearmos a corpo inteiro
    e mostrar que, como vivemos,
    anunciamos algo novo.
    ¡A la calle! que ya es hora
    de pasearnos a cuerpo
    y mostrar que, pues vivimos,
    anunciamos algo nuevo.



    (1) Robert Havemann. Dialéctica sin dogma. Ariel. 1967. pág. 142
    (2) repositorioinstitucional.ceu.es/bitstream/10637/6036/1/N_I_pp149_170.pdf
    (3) saludbydiaz.com/...
    (4) Edgar Morin. Los siete saberes para una educación del futuro, 2000
    (5) Fede cristiana e materialismo storico, Edizioni Borla, 1977. pág.101.
    (6) Máximo Sandín. Trilogía del coronavirus. Cauac. 2020
    (7) María-Celina Ramos-Álvarez. Los medios de comunicación, constructores de lo real, www.revistacomunicar.com/indice/articulo.php?numero=05-1995-20
    (8) Óscar Picardo www.disruptiva.media/la-verdad-detras-del-covid-19/
    (9) María S. Krause Muñoz y Rodrigo González Fernández. La confianza en la construcción de la realidad social. Revista de Filosofía Universidad católica de Chile. vol. 41, núm. 1. 2016
    (10) www.aacademica.org/000-015/553.pdf


    [*] da Universitat Comunista dels Països Catalans.

    O original encontra-se em mpr21.info/la-construccion-de-la-realidad/


    Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .



    terça-feira, 5 de janeiro de 2021

    O arbítrio e a censura estão de regresso ao Ocidente

    por  Thierry Meyssan

    Com a invenção da imprensa, inúmeros autores contestaram os a priori da sua época. Foram necessários quatro séculos de lutas para que o Ocidente acabasse por garantir a liberdade de expressão. No entanto, com a invenção da Internet a qualidade de autor democratizou-se e a liberdade de expressão foi imediatamente posta em causa. Serão precisos talvez vários séculos para absorver este choque e restabelecer esta liberdade. Enquanto isso, a censura está de volta.



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    Quando em 1994 fundamos a Rede Voltaire, a nossa primeira preocupação era a de defender a liberdade de expressão em França e depois no mundo.

    Ora, hoje em dia esse conceito está, na nossa opinião, deformado e é atacado. Vamos, portanto, tentar definir outra vez esse ideal.

    A circulação de ideias conheceu um impulso considerável com a invenção da tipografia moderna, no fim do século XV. Já não era possível acreditar mais cegamente nas autoridades, cada um podia formar a sua opinião.

    Acordou-se afirmar que, muito embora o debate seja indispensável para a evolução do pensamento humano, certas ideias seriam prejudiciais à sociedade e deveriam, portanto, ser censuradas. As autoridades deviam determinar o que era útil e o que era prejudicial. Mas a criação do célebre Index librorum proibitorum (Índice de Livros Proibidos) pelo Papa Paulo IV não impediu a difusão de ideias anti-papistas.

    O nosso ponto de vista, pelo contrário, é que, na maior parte dos casos, a censura é mais nociva do que as ideias que proíbe. Todas as sociedades que praticam a censura acabam estagnando. É por isso que todas as autoridades que usam censura acabaram um dia derrubadas.

    Neste assunto, confrontam-se duas grandes escolas. O Artigo 11 da Declaração [Francesa] dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) estipula que a lei deverá determinar e reprimir os abusos da liberdade de expressão, enquanto a 1ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos (1791) ) afirma que nenhuma lei poderá limitar esta liberdade.

    Os Estados Unidos eram uma nação em formação que acabava de se emancipar da monarquia britânica. Eles não tinham ainda consciência sobre as dificuldades de viver em sociedade, mas haviam já sofrido com os abusos do Poder de Londres. Portanto, tinham uma concepção de liberdades sem limite.

    Foi preciso quase um século para que o legislador francês conseguisse determinar os limites da liberdade de expressão: a provocação para cometer delitos ou crimes, a injúria e a difamação. Em relação ao regime de censura, o controle não será mais exercido antes da publicação, mas depois.

    Os países latinos consideram difamação o facto de se relatar elementos depreciativos sem poder produzir a sua prova, entendendo-se que certos factos não podem ser provados (por exemplo, factos amnistiados, crimes prescritos ou simplesmente elementos da vida privada) e que, portanto, não serão publicáveis. Pelo contrário, os países anglo-saxões apenas consideram como difamação imputações das quais se pode provar a falsidade. Na prática, as leis latinas exigem que o autor prove aquilo que afirma, enquanto as leis anglo-saxónicas exigem, ao contrário, que cabe à pessoa difamada provar que o autor conta coisas à toa.

    Num caso como noutro, os tribunais só podem proteger a liberdade de expressão se forem constituídos por júris populares (como na Bélgica) e não por magistrados profissionais (como em França) susceptíveis de defender a sua classe social. Esse foi o grande combate de Georges Clémenceau, reduzida a nada aquando da Segunda Guerra Mundial, no decurso da qual os governos retomaram o controle dos procedimentos.

    A liberdade de expressão que o Ocidente havia levado quatro séculos a desenvolver foi totalmente posta em causa com o aparecimento das novas técnicas informáticas de difusão que aumentaram o número de autores. Tal como no século 16, após um curto período de liberdade florescente, ela está em vias de ser totalmente controlada.

    No passado, os Franceses e os Norte-Americanos falavam simultaneamente da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa (quer dizer, da possibilidade de exercer a liberdade de expressão nos jornais). A contrario, hoje em dia a liberdade de imprensa é muitas vezes invocada para negar a liberdade de expressão aos simples mortais acusados, eles, de serem «conspiracionistas», quer dizer, incultos, irresponsáveis e perigosos para a sociedade.

    Geralmente os partidários da censura prévia não invocam a sua vontade de controlar as opiniões políticas das massas, mas colocam-se no terreno da religião (para proteger a sociedade da heresia) ou da moral (para prevenir a corrupção da juventude pela pornografia). O aparecimento das «redes sociais» oferece um novo contexto para voltar a sacar os velhos argumentos.

    Estando as religiões estabelecidas em declínio progressivo no Ocidente contemporâneo, são substituídas por uma noticiário sem Deus, mas com os seus dogmas (o consenso) e seus clérigos (antes os jornalistas, hoje os donos do Twitter, do Facebook, do Instagram, do YouTube, etc.). Por exemplo, devia-se convocar um referendo em França para inscrever na Constituição a seguinte frase: «A República garante (1) a preservação da biodiversidade, (2) do meio ambiente e (3) luta contra as alterações climáticas». Três propostas destituídas de senso, uma vez que a biodiversidade não é um estadio, mas um processo; que o meio ambiente jamais foi preservado, antes sempre modificado ; e que o clima não está submetido a nenhum regulamento. Já se fala em censurar esta observação que perturba o consenso, primeiro nas redes sociais, depois na sociedade em geral.

    Cada um de nós fica chocado com a pornografia impingida às crianças e desejaria espontaneamente mantê-los afastados dela. Claro, mas no passado os pequenos camponeses observavam os animais da quinta (xácara-br) —nem sempre muito ternos e morais— hoje em dia os pequenos estudantes estão convencidos de que os animais só se acasalam para perpetuar a espécie e assistem a filmes —nem sempre muito ternos e morais— nos seus “smartphones” (celulares-br). Historicamente, a maior parte dos regimes autoritários começaram por censurar a pornografia antes de se dedicarem a atacar as ideias políticas. Ora, é muito menos arriscado para todos instituir procedimentos de controlo parental do que abrir caminho à perda das nossas liberdades.

    Notas finais: um grande passo atrás foi dado em 1990 com as leis europeias reprimindo o «negacionismo», depois nos anos 2000 com os privilégios acordados às redes sociais, e por fim nos anos 2010 com as agências de notação (ou rating)

    Ter-se-ia compreendido que existissem leis reprimindo formas de reabilitação do regime racial nazista, mas não que elas se erijam em guardiãs da Verdade. Sobretudo, e esse é o ponto mais importante, estas restabeleceram penas de prisão para os transgressores. É, pois, possível hoje na Europa acabar na prisão por causa das suas ideias.

    Os fóruns Internet (entre os quais o Twitter, Facebook, Instagram ou YouTube) obtiveram um incrível privilégio nos Estados Unidos a fim de conquistar o mundo. São considerados simultaneamente como portadores de informação (como os Correios) e reguladores da informação que veiculam; como se os Correios tivessem o direito de ler o que encaminham e de censurar o que lhes desagrada. Assegurando que não passam de portadores neutros, estes fóruns protegem o anonimato dos seus clientes. Segue-se que eles veiculam entre as suas mensagens algumas que dão origem à prática de crimes e de delitos, injuriosos e difamatórios, e dos quais encobrem os autores. Enquanto em matéria de imprensa escrita, o editor que recuse revelar o nome do seu cliente é considerado como responsável pelas declarações que imprimiu, estes «portadores de informação» erigem-se como «reguladores» das mesmas. Por um lado, recusam continuamente revelar os nomes dos culpados, por outro destroem soberanamente as contas que julgam contrárias às suas ideias. Ao fazê-lo, erigem-se em juízes, sem leis, sem debates, nem apelos.

    Em 28 de Maio de 2020, o Presidente Donald Trump retirou-lhes este privilégio abrindo a via para uma regulação pela Justiça, mas é pouco provável que o Congresso dos Estados Unidos transforme esta decisão do Executivo em lei. Tanto mais porque os proprietários destes fóruns criaram já com a OTAN agências de classificação dos sítios Internet que escapam ao seu controle (entre elas a NewsGuard). Trata-se, para eles, de enterrar as más línguas nas profundezas dos motores de busca até os fazer desaparecer. A arbitrariedade e a censura estão de volta.

    Tradução
    Alva

    aqui:https://www.voltairenet.org/article211890.html

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