quinta-feira, 17 de junho de 2021

As balas de Washington: Uma história dos golpes e assassinatos da CIA

 

– Resenha do livro de Vijay Prashad, com prefácio de Evo Morales

por Jeremy Kuzmarov [*]

'Washington Bullets'Durante a audiência de confirmação da sua nomeação em fevereiro de 2020, o mais recente diretor da CIA, William J. Burns, continuou a longa tradição da CIA de ameaçar a Rússia e a China juntamente com a Coreia do Norte, disse também que o Irão não deveria ter permissão para obter uma arma nuclear.

O novo livro de Vijay Prashad, Washington Bullets: A History of the CIA, Coups, and Assassinations , (New York, Monthly Review Press, 2020) detalha como a invenção de ameaças do estrangeiro tem sido historicamente usada pela CIA para travar guerras contra o Terceiro Mundo, a fim de aumentar o domínio das transnacionais dos EUA. No prefácio, Evo Morales Ayma, ex-presidente da Bolívia que foi deposto por um golpe apoiado pelos EUA em 2019, escreve que o livro de Prashad é sobre "balas que assassinaram processos democráticos, que assassinaram revoluções e que assassinaram esperanças."

Vijay Prashad é um distinto analista político que escreveu importantes estudos sobre as intervenções imperialistas, as transnacionais e movimentos políticos do Terceiro Mundo. O seu último livro sintetiza a riqueza dos seus conhecimentos e inclui revelações pessoais de ex-agentes da CIA, como o falecido Charles Cogan, chefe do Directorate of Operations para o Próximo Oriente e Sul da Ásia (1979-1984), que disse a Prashad que no Afeganistão a CIA tinha desde o início "financiado os piores parceiros, muito antes da revolução iraniana e muito antes da invasão soviética".

Jacobo Arbenz.Washington's Bullets inicia-se na Guatemala com o golpe de 1954 que derrubou, Jacob Arbenz, cuja moderada reforma agrária ameaçava os interesses da United Fruit Company. A sociedade de advogados do secretário de Estado John Foster Dulles, Sullivan & Cromwell, havia representado a United Fruit, e tanto Dulles como seu irmão Allen, diretor da CIA entre 1953 e 1961, eram seus grandes acionistas.

O ex-diretor da CIA Walter Bedell Smith tornou-se presidente da United Fruit após a remoção de Arbenz e a secretária pessoal do presidente Dwight Eisenhower, Ann Whitman, era esposa do diretor de publicidade da United Fruit, Edmund Whitman. Depois do golpe, o sucessor de Arbenz, Castillo Armas, afirmou que "se for necessário transformar o país num cemitério para pacificá-lo, não hesitarei em fazê-lo".

A CIA ajudou no banho de sangue fornecendo a Castillo listas de comunistas e, como presente, o seu manual de assassinatos . Este manual foi posteriormente aplicado em operações dirigidas contra nacionalistas do Terceiro Mundo, como Patrice Lumumba do Congo (1961), Mehdi Ben Barka do Marrocos (1965), Che Guevara (1967) e Thomas Sankara do Burkina Faso (1987).

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Thomas Sankara.Sankara foi morto numa conspiração executada em estreita coordenação entre um agente da CIA da embaixada dos Estados Unidos em Burkina Faso e o serviço secreto francês, SDECE.

De acordo com Prashad, embora "muitas das balas dos assassinos tenham sido disparadas por pessoas que tinham seus próprios interesses paroquiais, rivalidades mesquinhas e ganhos mesquinhos, na maioria das vezes, foram 'balas de Washington'". O seu principal objetivo, diz, era "conter a onda que varreu o mundo a partir da Revolução de Outubro de 1917 e as muitas ondas que se desencadearam para formar o movimento anticolonialista".

Prashad, como indicam estes comentários, enraíza os crimes da CIA na história mais ampla do colonialismo e na hostilidade das elites capitalistas mundiais contra o aumento de poder da classe trabalhadora gerado pela revolução russa. O imperialismo, ele lembra-nos, é a tentativa de "subordinar as pessoas para maximizar o roubo de recursos, trabalho e riqueza". Os alvos das balas de Washington foram aqueles que, como Sankara e muitos outros, tentaram afirmar a soberania económica de sua nação.

O padrão de comportamento da CIA foi estabelecido logo após a Segunda Guerra Mundial, apoiando na Europa fações políticas que haviam colaborado com os nazis contra os comunistas que lideravam a resistência ao nazismo. O trabalho da CIA, como Prashad escreve, ajudou a trazer de volta o cadáver da política reacionária para o bloco europeu.

No Japão, isso significou a criação de um novo partido (Partido Liberal Democrático, LDP) para derrotar os socialistas, absorvendo velhos fascistas (Ichiro Hatoyama e Nobusuke Kishi) e desenvolvendo laços duradouros com as grandes empresas e o crime organizado (Yoshio Kodama). Nobusuke Kishi, um criminoso de guerra de classe A, tornou-se mais tarde primeiro-ministro do Japão graças ao apoio dos EUA.

Em 1953, a CIA conseguiu derrubar o primeiro-ministro do Irão, eleito democraticamente, Mohammed Mossadegh, que procedera à nacionalização da indústria petrolífera iraniana. De 1960 a 1965, a agência tentou assassinar o líder revolucionário cubano Fidel Castro pelo menos oito vezes, enviando mafiosos com pílulas de veneno, canetas de veneno, um charuto envenenado, um traje de mergulho com tuberculose, toxina botulínica e outros agentes bacterianos mortais. No total, foram feitas 638 tentativas de assassinato – todas falharam.

Ngo Dinh Diem, presidente do Vietname do Sul, era um favorito dos EUA. A CIA também orquestrou um golpe no Vietname do Sul em 1963 contra os irmãos Diem quando eles tentaram uma aproximação à Frente de Libertação Nacional [1] .

Um outro golpe foi levado a cabo na Indonésia contra o governo socialista de Achmed Sukarno, desencadeando em 1965 um banho de sangue anticomunista. O general Suharto, foi escolhido para liderar o golpe de 1965 apoiado pela CIA. Ele ordenou massacres contra o Partido Comunista da Indonésia (PKI) que resultou em cerca de um milhão de mortos.

O golpe indonésio de 1965 – como os precedentes na Guatemala e no Irão e o seguinte no Chile – seguiu um modus operandi envolvendo nove etapas diferentes:

1. Criar um grupo de influência para pressionar a opinião pública
2. Designar o homem certo no terreno
3. Certificar-se de que os generais estão preparados
4. Provocar uma crise económica
5. Garantir o isolamento diplomático
6. Organizar grandes protestos de rua
7. Dar o sinal verde
8. Assassinato
9. Negar

Aperfeiçoado e refinado ao longo dos anos, quase todas estas etapas foram aplicadas mais recentemente no golpe Maidan de 2014 na Ucrânia e no golpe de direita contra Evo Morales na Bolívia em 2019.

Com respeito à economia, Prashad descobriu um estudo da CIA do início dos anos 1950 sobre como prejudicar a indústria cafeeira da Guatemala a fim de minar o governo Arbenz. Este estudo foi o precursor da campanha mais conhecida do governo Nixon de "fazer sofrer a economia do Chile" depois de os chilenos terem tido a ousadia de eleger um socialista, Salvador Allende, que nacionalizou a indústria do cobre do Chile (indústria antes controlada por duas empresas americanas, Kennecott e Anaconda, que fizeram lóbi pelo golpe).

O chefe da estação da CIA na época do golpe chileno de 1973, que levou o general fascista Augusto Pinochet ao poder, era Henry Hecksher. Ele havia trabalhado clandestinamente como comprador de café na Guatemala na época do golpe contra Arbenz e subornou o coronel Hernán Monzon Aguirre, que se tornou o líder da junta que substituiu Arbenz.

Depois de ser promovido, Hecksher liderou as operações de subversão da CIA no Laos e na Indonésia no final dos anos 1950 e início dos 1960, antes de, no México, executar um projeto contra a revolução cubana. Hecksher era o equivalente a figuras sinistras como Lincoln Gordon, um anticomunista implacável que ajudou a orquestrar o golpe de 1964 no Brasil; Marshall Green, que ajudou a desencadear o golpe de 1965 na Indonésia; o agente da CIA Kermit Roosevelt ou o funcionário do Departamento de Estado Loy Henderson, que ajudaram a realizar o golpe contra Mossadegh.

As embaixadas dos EUA desempenharam um papel tão direto nos golpes em tantos países que durante a Guerra Fria era uma piada popular: "Por que nunca há golpes nos Estados Unidos? Porque lá não há embaixadas dos EUA".

Um truque destas ações era o recrutamento de ativistas sindicais que pudessem expurgar comunistas e organizar greves contra governos de esquerda que ajudassem a facilitar o seu fim [2] . "Tudo era aceitável", escreve Prashad, "para minar a luta de classe, tanto dentro da Europa quanto na libertação nacional de Estados".

A atenção de Prashad às divisões de classe apresenta um antídoto para as habituais histórias de liberais sobre a CIA – como o livro Legacy of Ashes de Tim Weiner – que apresenta boas informações, mas não consegue analisar o que motivou a atividade desonesta da CIA.

Prashad escreve que "seja na Guatemala ou na Indonésia, ou pelo Programa Phoenix de 1967 (ou Chien dich Phung Hong) no Vietname do Sul, o governo dos EUA e seus aliados incitaram os oligarcas locais e seus amigos das forças armadas a dizimar completamente a esquerda". O Programa Phoenix foi um desastre no Vietname como seria no Afeganistão – e o New York Times deveria saber isso.

Na América do Sul, a Operação Condor, dirigida pela CIA, matou cerca de 100 mil pessoas e prendeu cerca de meio milhão.

A CIA aliou-se com ex-nazis torcionários como Klaus Barbie, um agente altamente graduado dos serviços de segurança do General Hugo Banzer, presidente da Bolivia de 1971 a 1978, e figura chave da operação Condor. Muitas das vítimas da operação Condor eram defensores da teologia da libertação, que procurava aplicar o evangelho cristão às causas de justiça social.

A CIA ajudou também a liquidar o progresso em África apoiando atos como o golpe de 1971 no Sudão pelo coronel Gafar Nimiery, que depôs o major comunista Hashem al-Atta e resultou na execução do fundador do Partido Comunista do Sudão, Abdel Khaliq Mahjub.

No Médio Oriente, a cruzada da CIA contra o comunismo resultou numa preferência por fundamentalistas islâmicos como a família real saudita e o general paquistanês Zi-al-Huq (1978-1988), que mandou enforcar o seu antecessor Zulfaqir Ali Bhutto e armou violentos fundamentalistas jihadistas para no Afeganistão continuarem a guerra santa contra a União Soviética.

Quando um projeto do Terceiro Mundo surgiu na década de 1970 para promover a ideia de uma Nova Ordem Económica Internacional (NOEI) baseada no princípio do nacionalismo económico, Washington trabalhou para minar o seu avanço por meio da deslegitimação da Assembleia Geral da ONU, que havia apoiado a NOEI em 1974. Foi neste período que os EUA começaram a pressionar o FMI para vincular empréstimos a programas de ajuste estrutural que eliminavam serviços do Estado e eram benéficos para as empresas multinacionais.

No século XXI, Washington usou descaradamente sanções para tentar minar governos desafiadores. Também ajudou a fabricar escândalos de corrupção, como os que derrubaram os políticos progressistas Lula e Dilma Rousseff no Brasil, cujas políticas tiraram quase 30 milhões de brasileiros da pobreza.

Otto René Castillo.Prashad termina seu livro com uma citação de Otto René Castillo (1936-1967), poeta que levou os seus cadernos para as selvas da Guatemala na década de 1960 para lutar contra a ditadura imposta pelos EUA. Castillo escreveu:

"A coisa mais linda
Para aqueles que lutaram a vida inteira
É chegar ao fim e dizer
Acreditámos nas pessoas e na vida,
E a vida e as pessoas
Nunca nos dececionaram".
"Apolitical Intellectuals" de Otto Rene Castillo, poeta e ativista guatemalteco.

Estas palavras deviam perseguir todas as pessoas que trabalharam para a CIA; uma instituição do lado errado da humanidade desde a sua criação.

No cenário político cada vez mais autoritário de hoje, as críticas à CIA são poucas e raras. Muita gente que se considera de esquerda acredita na desinformação da CIA sobre a Rússia – especialmente quando Donald Trump foi acusado de ser um agente russo – e celebram um presidente, Barack Obama, que foi grande apoiante da CIA.

O presidente Obama selecionava com John O. Brennan da CIA, alvos a serem mortos em ataques de drones. Os dois são figuras reverenciadas em alguns círculos liberais (considerados de esquerda).

O livro de Prashad é neste sentido especialmente importante. Temos esperança, que provoque a emergência de um movimento, que há muito está a faltar, para abolir a CIA e suas ramificações como a National Endowment for Democracy (NED).

NT
[10] Ngo Dihn Dien : um criminoso utilizado por Washington. Foi afastado e morto no golpe de Estado militar fomentado pelos EUA quando pretendeu seguir uma política menos dependente.
[2] Recordemos a intenção de um dos impulsionadores da central sindical divisionista UGT: "quebrar a espinha à Intersindical" (CGTP).


[*] Editor executivo do Covert Action Magazine. É autor de quatro livros sobre a política externa dos EUA, incluindo Obama's Unending Wars (Clarity Press, 2019) e The Russians Are Coming, Again , with John Marciano (Monthly Review Press, 2018). Contacto: jkuzmarov2@gmail.com

O original encontra-se em covertactionmagazine.com/...


Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

"Somos cobaias humanas": Taxas alarmantes de acidentes após vacinas mRNA exigem acção urgente

 

por F. William Engdahl [*]

À medida que surgem dados oficiais dos governos na Europa e nos EUA acerca do número alarmante de mortes e com paralisias permanentes, bem como outros efeitos colaterais graves das vacinas experimentais de mRNA, está a ficar claro que nos pedem para sermos cobaias humanas num experimento que poderia alterar a estrutura do gene humano e até muito pior. Enquanto os media convencionais ignoram dados alarmantes, incluindo a morte de incontáveis jovens vítimas saudáveis, a política da vacina corona está a ser promovida por Washington e Bruxelas junto com a OMS e o Cartel de Vacinas com toda a compaixão de uma "oferta da máfia que você não pode recusar".

O alarmante relatório da EMA

Em 8 de Maio, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA), uma agência da União Europeia (UE) responsável pela avaliação e supervisão de produtos médicos, usando o banco de dados EudraVigilance que colecta notificações de suspeitas de efeitos colaterais de medicamentos, incluindo vacinas, publicou um relatório que mal foi mencionado nos grandes media.

Até 8 de Maio de 2021, eles haviam registado 10.570 mortes e 405.259 lesionados após injecções de quatro vacinas experimentais do COVID-19 : COVID-19 mRNA VACINA da MODERNA (CX-024414); VACINA DE ARNm COVID-19 da PFIZER-BIONTECH; COVID-19 VACCINE da ASTRAZENECA (CHADOX1 NCOV-19); e Janssen COVID-19 VACCINE da Johnson & Johnson (AD26.COV2.S).

Uma análise pormenorizada de cada vacina apresenta os seguintes resultados:

A vacina com edição do gene do mRNA da Pfizer-BioNTech resultou nas maiores fatalidades – 5.368 mortes e 170.528 feridos ou quase 50% do total para todos os quatro.

A vacina de mRNA da Moderna foi a segunda com 2.865 mortes e 22.985 feridos. Ou seja, as duas únicas vacinas experimentais de mRNA com manipulação genética, Pfizer-BioNTech e Moderna, foram responsáveis por 8.233 mortes do total de 10.570 mortes registadas. Isso representa 78% de todas as mortes causadas pelas quatro vacinas actualmente em uso na UE.

E entre os efeitos colaterais graves ou lesões registadas pela EMA, para as duas vacinas de mRNA que focamos neste artigo, para a vacina "experimental" da Pfizer, a maioria das lesões relatadas incluiu doenças do sangue e do sistema linfático, incluindo mortes; distúrbios cardíacos, incluindo mortes; distúrbios músculo-esqueléticos e dos tecidos conjuntivos; distúrbios respiratórios, torácicos e mediastinais e distúrbios vasculares.

Para a vacina de mRNA da Moderna, as lesões mais graves ou as causas de morte incluíram doenças do sangue e do sistema linfático; distúrbios cardíacos; distúrbios músculo-esqueléticos e dos tecidos conjuntivos; distúrbios do sistema nervoso central . Observe que essas são apenas as lesões mais graves relacionadas a essas duas vacinas de mRNA geneticamente manipuladas. A EMA também observa acreditar-se que apenas uma pequena percentagem das mortes reais por vacinas ou efeitos colaterais graves, talvez apenas 1% a 10%, são relatados por várias razões. Oficialmente, mais de 10.000 pessoas morreram após receber as vacinas contra o coronavírus desde Janeiro de 2021 na UE. Esse é um número assustador de mortes relacionadas à vacina, mesmo que os números verdadeiros sejam muito maiores.

CDC também

Até mesmo os Centros de Controle de Doenças dos EUA (CDC), uma agência notoriamente política e corrupta com laços lucrativos com fabricantes de vacinas, no seu Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas (VAERS), mostra um total de 193.000 "eventos adversos", incluindo 4.057 mortes, 2.475 deficiências permanentes, 25.603 visitas ao pronto-socorro e 11.572 hospitalizações após injecções [contra o] COVID-19 entre 14 de Dezembro de 2020 e 14 de Maio de 2021. Isso incluiu as duas vacinas de mRNA, Pfizer e Moderna, e a vacina J&J Janssen, muito menos predominante. Das mortes relatadas, 38% ocorreram em pessoas que adoeceram dentro de 48 horas após serem vacinadas. O número oficial de mortes relacionadas à vacina nos EUA é maior em apenas 5 meses do que todas as mortes relacionadas à vacina nos últimos 20 anos combinados. Mesmo assim, os grandes media mundiais e o governo dos Estados Unidos praticamente enterram os factos alarmantes .

Cerca de 96% dos resultados fatais foram das vacinas Pfizer e Moderna, as duas variantes financiadas e promovidas pela Fundação Gates e o NIAID de Tony Fauci com a tecnologia genética experimental de mRNA.

Além disso, o Dr. Tony Fauci, o secretário de vacinas da Administração Biden dos EUA e seu Centro de Pesquisa de Vacinas NIAID co-projectaram a vacina da mRNA Moderna e deram à Moderna e à Pfizer US$6 mil milhões para produzi-la. Isso também é um conflito de interesses flagrante, já que Fauci e seu NIAID têm permissão para se beneficiar financeiramente de seus ganhos com patentes na vacina sob uma curiosa lei dos EUA . O NIAID desenvolveu as proteínas de pico (spike) do coronavírus para o desenvolvimento de vacinas de mRNA da SARS-CoV-2 usando o dinheiro do contribuinte. Eles licenciaram-na para a Moderna e a Pfizer.

"Nunca visto na natureza..."

Num sentido trágico, a experiência com reacções às duas sem precedentes vacinas experimentais de mRNA desde o seu lançamento a uma também sem precedentes "velocidade relâmpago" quando o governo dos Estados Unidos a pediu, só agora começa a ser vista, em testes reais com cobaias humanas. Poucos percebem que as duas vacinas de mRNA usam manipulações genéticas que nunca antes foram utilizadas em humanos. E sob a cobertura da urgência, autoridades de saúde dos EUA e da UE dispensaram os testes normais em animais e nem mesmo aprovaram a sua segurança, mas deram uma "autorização de uso de emergência". Além disso, os fabricantes de vacinas ficaram isentos de danos de litigação a 100%.

O público em geral foi tranquilizado sobre a segurança das vacinas quando a Pfizer e a Moderna publicaram relatórios de 94% e 95% de "eficácia" das mesmas. Fauci do NIAID foi rápido a classificar isto como "extraordinário" em Novembro de 2020, e muitíssimo rápido a aproveitar-se do preço das acções da Pfizer e Moderna.

Peter Doshi, Editor Associado do British Medical Journal apontou uma enorme falha nos relatórios dos mais de 90% de eficácia para as vacinas da Moderna e da Pfizer. Ele observou que as percentagens são relativas, em relação ao pequeno grupo seleccionado de teste de jovens saudáveis, e não absolutas como na vida real. Na vida real, queremos saber a eficácia da vacina entre a grande generalidade da população.

Doshi aponta o facto de que a Pfizer excluiu mais de 3400 "casos suspeitos de COVID-19" que não foram incluídos na análise provisória. Além disso, os indivíduos "em ambos os testes da Moderna e da Pfizer foram considerados positivos para o SARS-CoV-1 – (o vírus asiático de 2003 da SARS), apesar da infecção anterior ser motivo de exclusão", observa Doshi. Ambas as empresas se recusaram a divulgar seus dados primários.

Os cientistas empregados pela Pfizer fizeram seus testes. Em suma, 95% é o que a Pfizer ou a Moderna afirmam. Disseram-nos: "Confiem em nós". Uma estimativa mais realista da verdadeira eficácia das duas vacinas para o público em geral, usando dados fornecidos pelos fabricantes de vacinas ao FDA, mostra que a vacina Moderna no momento da análise provisória demonstrou uma redução de risco absoluto de 1,1%, ao passo que na da Pfizer a redução do risco absoluto da vacina foi de 0,7%. Isso é muito pouco.

Peter Hotez, reitor da Escola Nacional de Medicina Tropical do Baylor College of Medicine, em Houston, diz: "O ideal é que uma vacina antiviral faça duas coisas ... Primeiro, reduza a probabilidade de você ficar gravemente doente e ir para o hospital e, segundo, previna a infecção e, portanto, interrompa a transmissão da doença". Como observa Doshi, nenhum dos estudos foi "concebido para detectar uma redução em qualquer resultado grave, como internamentos hospitalares, uso de terapia intensiva ou mortes. Nem as vacinas estão a ser estudadas para determinar se podem interromper a transmissão do vírus". O responsável médico chefe da Moderna até admitiu que "O nosso ensaio não demonstrará a prevenção da transmissão".

Possíveis efeitos das vacinas de mRNA

Num importante novo estudo recém-publicado no International Journal of Vaccine Theory, Practice and Research, a Dra. Stephanie Seneff, cientista sénior do Laboratório de Ciência da Computação e Inteligência Artificial do MIT, e o Dr. Greg Nigh, especialista em oncologia naturopática, analisam em pormenor as possíveis vias pelas quais as vacinas experimentais de mRNA da Pfizer e Moderna poderiam estar a causar tais efeitos adversos nos vacinados. Primeiro, eles apontam que as vacinas editadas por genes da Pfizer e da Moderna são altamente instáveis: "Ambas são administradas por meio de injecção muscular e ambas requerem armazenamento ultracongelado para evitar que o RNA se parta. Isso se verifica porque, ao contrário do DNA de fita dupla, que é muito estável, os produtos de RNA de fita simples podem ser danificados ou ficarem impotentes em temperaturas elevadas e devem ser mantidos extremamente frios a fim de reter a sua eficácia potencial . " A Pfizer recomenda 70° Celsius negativos.

Os autores apontam que, a fim de evitar que o mRNA se decomponha antes que possa produzir proteína, os dois fabricantes de vacinas substituem a metil-pseudouridina para estabilizar o RNA contra a degradação, permitindo que sobreviva o tempo suficiente para produzir quantidades adequadas de antígeno protéico. O problema que eles apontam é que, "Esta forma de mRNA entregue na vacina nunca é vista na natureza e, portanto, tem potencial para consequências desconhecidas... a manipulação do código da vida pode levar a efeitos negativos completamente imprevistos, potencialmente a longo prazo ou mesmo permanente ".

Adjuvantes PEG e choque anafilático

Por várias razões para evitar o uso de adjuvantes de alumínio para aumentar a resposta anticorpo, ambas as vacinas mRNA usam polietileno glicol, ou PEG, como adjuvante. Isto tem consequências. Os autores destacam: "...ambas as vacinas mRNA actualmente implantadas contra COVID-19 utilizam nanopartículas à base de lipídios como veículos de entrega. A carga de mRNA é colocada dentro de um invólucro composto de lipídios sintéticos e colesterol, junto com PEG a fim de estabilizar a molécula de mRNA contra a degradação ".

O PEG demonstrou produzir choque anafilático ou reacções alérgicas graves. Em estudos de vacinas anteriores sem mRNA, as reacções de choque anafilático ocorreram em 2 casos por milhão de vacinações. Com as vacinas mRNA, o monitoramento inicial revelou que "a anafilaxia ocorreu a uma taxa de 247 por milhão de vacinações. Isto é mais de 21 vezes maior do que o relatado inicialmente pelo CDC. A segunda exposição à injecção pode causar um número ainda maior de reacções anafiláticas". Um estudo observou: "PEG é um alergenio 'oculto' de alto risco, geralmente insuspeito, e pode causar reacções alérgicas frequentes devido à re-exposição inadvertida ". Entre tais reacções estão incluídos o colapso cardiovascular com risco de vida.

Isso está longe de constituir a totalidade dos riscos não declarados das vacinas experimentais mRNA contra o coronavírus.

Aumento dependente de anticorpos

O aumento dependente de anticorpos (ADE) é um fenómeno imunológico. Seneff e Nigh observam que "o ADE é um caso especial do que pode acontecer quando níveis baixos e não neutralizantes de ... anticorpos contra um vírus estão presentes no momento da infecção. Esses anticorpos podem estar presentes devido a ... vacinação anterior contra o vírus..." Os autores sugerem que, no caso das vacinas mRNA da Pfizer e da Moderna, "os anticorpos não neutralizantes formam complexos imunes com antígenos virais para provocar secreção excessiva de citocinas pró-inflamatórias, e, em casos extremos, uma tempestade de citocinas causando dano generalizado ao tecido local ".

Para ser claro, normalmente as citocinas fazem parte da resposta imunológica do corpo à infecção. Mas sua liberação súbita em grandes quantidades, uma tempestade de citocinas, pode causar falência de órgãos de vários sistemas e morte. Nosso sistema imunológico inato sofre uma liberação descontrolada e excessiva das moléculas sinalizadoras pró-inflamatórias chamadas citocinas.

Os autores acrescentam que "anticorpos pré-existentes, induzidos por vacinação prévia, contribuem para danos pulmonares graves por SARS-CoV em macacos..." Outro estudo citado mostra que a gama muito mais diversificada de exposições anteriores a coronavírus, como a gripe sazonal experimentada pelos idosos, pode predispô-los a ADE após a exposição ao SARS-CoV-2". Isto é uma possível explicação para a alta incidência de mortes pós-vacinação de mRNA entre idosos.

Os fabricantes de vacinas têm uma maneira inteligente de negar a toxicidade de suas vacinas mRNA. Como afirmam Seneff e Nigh, "não é possível distinguir uma manifestação de doença ADE de uma verdadeira infecção viral não ADE". Mas fazem o destaque revelador: "A esta luz, é importante reconhecer que, quando doenças e mortes ocorrem logo após a vacinação com uma vacina mRNA, nunca se pode determinar definitivamente, mesmo com uma investigação completa, que a reacção da vacina não foi uma causa próxima ".

Os autores apontam vários outros pontos alarmantes, incluindo o surgimento de doenças auto-imunes, como a doença celíaca, uma doença do sistema digestivo que danifica o intestino delgado e interfere na absorção de nutrientes dos alimentos. Também a síndrome de Guillain-Barré (GBS) que causa fraqueza muscular progressiva e paralisia. Além disso, a trombocitopenia imune (ITP) em que uma pessoa tem níveis anormalmente baixos de plaquetas – as células que ajudam o sangue a coagular – pode ocorrer após a vacinação "por meio da migração de células imunes que transportam uma carga de nanopartículas mRNA através do sistema linfático para o baço... ITP aparece inicialmente como petéquias ou púrpura na pele e / ou sangramento das superfícies mucosas. Tem um alto risco de morte por hemorragia e derrame ".

Estes exemplos são indicativos do facto de estarmos literalmente a expor a raça humana – por meio de vacinas mRNA editadas por genes experimentais não testados – a perigos incalculáveis que no fim podem exceder em muito qualquer risco potencial de dano a partir de algo que tem sido chamado de SARS-Cov-2. Longe da tão apregoada substância milagrosa proclamada pela OMS, Gates, Fauci e outros, as vacinas da Pfizer, da Moderna e outras mRNA possíveis claramente possuem consequências imprevistas potencialmente trágicas e até catastróficas. Não é de admirar que alguns críticos acreditem que seja um veículo disfarçado para a eugenia humana.

27/Maio/2021

[*] Consultor de risco estratégico. Muitas das suas obras estão aqui .

Ver também:
  • A Covid, os governos da UE e as multinacionais farmacêuticas
  • A Pfizer obriga países a darem garantias contra acções judiciais
  • Depopulation and the mRNA Vaccine
  • Las nuevas vacunas basadas en la manipulación genética
  • Swiss Policy Research: Facts about Covid-19

    O original encontra-se em www.globalresearch.ca/...

    Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .
  • quinta-feira, 4 de março de 2021

    A grande conspiração do "Carbono Zero"

     

    por F. William Engdahl [*]

    Os globalistas do Fórum Econômico Mundial de Davos proclamam a necessidade de até 2050 atingir o objectivo de zero emissões de carbono em termos líquidos. Isso, para a maior parte das pessoas, soa como um futuro distante e portanto é amplamente ignorado. Mas as transformações em curso desde a Alemanha até aos Estados Unidos, bem como em incontáveis outras economias, estão a preparar o cenário para a criação do que na década de 1970 era chamado de Nova Ordem Económica Internacional.
    Trata-se, na realidade, de planos para um corporativismo totalitário tecnocrático global, que promete enorme desemprego, desindustrialização e colapso económico deliberado. Considerem-se alguns antecedentes.

    Klaus Schwab.O Fórum Económico Mundial (WEF) de Klaus Schwab está a promover o seu tema favorito, a Grande Reinicialização (Great Reset) da economia mundial. A chave para tudo isso é entender aquilo que os globalistas querem dizer com Carbono Líquido Zero até 2050.

    A UE está liderando a corrida, com um plano ousado para se tornar o primeiro continente "neutro em carbono" do mundo até 2050 e reduzir suas emissões de CO2 em pelo menos 55% até 2030.

    Em uma mensagem de Agosto de 2020 no seu blog, o autoproclamado czar global das vacinas, Bill Gates, escreveu acerca da crise climática que se aproxima:

    "Por mais terrível que seja esta pandemia, a mudança climática poderia ser pior ... O declínio relativamente pequeno nas emissões deste ano deixa uma coisa clara: Não podemos conseguir emissões zero simplesmente – ou mesmo principalmente – a voar e conduzir menos ".

    Com um monopólio virtual dos media convencionais, bem como dos media sociais, o lobby do aquecimento global foi capaz de levar grande parte do mundo a supor que o melhor para a humanidade é eliminar os hidrocarbonetos, incluindo petróleo, gás natural, carvão e até mesmo a electricidade nuclear livre de até 2050, o que esperançosamente poderia evitar um aumento de 1,5 a 2 graus Celsius na temperatura média mundial. Só existe um problema com isso. É que é a cobertura de uma diabólica agenda ulterior.

    Origens [da hipótese] do 'aquecimento global'

    Muitos já se esqueceram da tese científica original apresentada para justificar uma mudança radical nas nossas fontes de energia. Não era a "alteração climática". O clima da Terra está em constante mudança, correlacionado a mudanças na emissão de erupções solares ou ciclos de manchas solares que afectam o clima da Terra.

    Por volta da viragem do milénio, quando o ciclo anterior de aquecimento liderado pelo sol não era mais evidente, Al Gore e outros mudaram a narrativa num prestidigitação linguística de "Aquecimento Global" para "Alterações Climáticas", de Aquecimento Global. Agora, a narrativa do medo se tornou tão absurda que todo evento climático estranho é tratado como "crise climática". Cada furacão ou tempestade de Inverno é reivindicado como prova de que os Deuses do Clima estão a punir a nós, seres humanos pecadores, por emitirmos CO2.

    Mas um momento. Toda a razão para a transição para fontes de energia alternativas, como solar ou eólica, e para o abandono as fontes de energia carbónicas, é a alegação deles de que o CO2 é um gás de efeito estufa que de alguma forma sobe para a atmosfera, onde forma uma capa que supostamente aquece a Terra – o Aquecimento Global. As emissões de gases de efeito estufa, de acordo com a Agência de Protecção Ambiental dos EUA, vêm principalmente do CO2. Daí o foco nas tais "pegadas de carbono".

    O que quase nunca se diz é que o CO2 não pode ascender na atmosfera a partir do escape de um carro ou de centrais termoeléctricas a carvão ou outras origens feitas pelo homem. O dióxido de carbono não é carbono ou fuligem. É um gás invisível e inodoro essencial para a fotossíntese das plantas e todas as formas de vida na Terra, incluindo nós. O CO2 tem um peso molecular de pouco mais de 44, enquanto o ar (principalmente oxigénio e nitrogénio) tem um peso molecular de apenas 29.

    O peso específico do CO2 é cerca de 1,5 vezes maior que a do ar. Isso sugeriria que o CO2 dos gases de escape de veículos ou de centrais eléctricas não ascendem na atmosfera cerca de 12 milhas [19,3 km] ou mais acima da Terra para formar o temido efeito estufa .

    Para apreciar a acção criminal que hoje se desdobrar em torno de Gates, Schwab e defensores de uma suposta economia mundial "sustentável", devemos remontar a 1968, quando David Rockefeller e amigos criaram um movimento em torno da ideia de que o consumo humano e o crescimento populacional eram principal problema do mundo. Rockefeller, cuja riqueza era baseada no petróleo, criou o Clube neo-malthusiano de Roma na sua villa em Bellagio, Itália. Seu primeiro projecto foi em 1972 quando financiou um estudo inútil no MIT chamado Limites do crescimento (Limits to Growth).

    Um dos principais organizadores da agenda de 'crescimento zero' de Rockefeller no início da década de 1970 foi seu amigo de longa data, um homem do petróleo canadiano chamado Maurice Strong, também membro do Clube de Roma. Em 1971, Strong foi nomeado subsecretário das Nações Unidas e secretário-geral da conferência do Dia da Terra de Estocolmo em junho de 1972. Ele também era um curador da Fundação Rockefeller.

    Maurice Strong foi um dos primeiros propagadores da teoria cientificamente infundada de que as emissões antropogénicas com veículos de transporte, centrais a carvão e agricultura causavam um aumento dramático e acelerado da temperatura global que ameaça a civilização, o assim chamado Aquecimento Global. Ele inventou a expressão elástica "desenvolvimento sustentável".

    Como presidente da Conferência do Dia da Terra da ONU em Estocolmo, em 1972, Strong promoveu a redução da população e a diminuição dos padrões de vida em todo o mundo para "salvar o meio ambiente". Alguns anos depois, o mesmo Strong declarou :

    "Não é a única esperança para o planeta que as civilizações industrializadas entrem em colapso? Não é nossa responsabilidade fazer com que isso aconteça?"

    Esta é a agenda hoje conhecida como Grande Reinicialização (Great Reset) ou Agenda 2030 da ONU. Strong prosseguiu com a criação do Painel Intergovernamental da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC), um órgão político que promove a afirmação não comprovada de que as emissões de CO2 provocadas pelo homem estavam prestes a deitar abaixo o nosso mundo numa catástrofe ecológica irreversível.

    O co-fundador do Clube de Roma, Dr. Alexander King, admitiu a fraude essencial de sua agenda ambiental alguns anos depois no seu livro The First Global Revolution . Ele declarou ali:

    Em busca de um novo inimigo para nos unir, avançamos com a ideia de que a poluição, a ameaça do aquecimento global, a escassez de água, a fome e assim por diante resolveria o problema ... Todos estes perigos são causados pela intervenção humana e só através mudanças de atitudes e comportamentos podem superar-se. O verdadeiro inimigo, então, é a própria humanidade.

    King admitiu que a "ameaça do aquecimento global" era simplesmente uma trama para justificar um ataque à "própria humanidade". Isto agora está a ser implementado como a Grande Reinicialização e a falcatrua de emissões líquidas Zero de Carbono.

    O desastre das energias alternativas

    Em 2011, actuado a conselho de Joachim Schnellnhuber, do Instituto Potsdam para Investigação de Impacto Climático (PIK), Angela Merkel e o governo alemão impuseram a proibição total da electricidade nuclear até 2022, como parte de uma estratégia governamental de 2001 chamada Energiewende ou Viragem Energética, para confiar na energia solar e eólica e outras "renováveis". O objectivo era tornar a Alemanha a primeira nação industrial a ser "neutra em carbono".

    A estratégia foi uma catástrofe económica. Abandonando uma das redes de produção eléctrica mais estáveis e confiáveis do mundo industrial, a Alemanha hoje tornou-se o produtor eléctrico mais caro do mundo. De acordo com a associação alemã da indústria de energia BDEW, o mais tardar até 2023, quando a última central nuclear for fechada, a Alemanha enfrentará défices de electricidade.

    Ao mesmo tempo, o carvão, a maior fonte de energia eléctrica, está a ser eliminado para alcançar as tais emissões líquidas zero de carbono. Indústrias tradicionais com uso intensivo de energia, como aço, produção de vidro, produtos químicos básicos, fabricação de papel e cimento, estão a enfrentar custos crescentes e paralisações ou deslocalizações e perda de milhões de empregos qualificados. A ineficiente energia eólica e solar, hoje custa cerca de 7 a 9 vezes mais do que o gás.

    A Alemanha tem pouco sol em comparação com os países tropicais, de modo que o vento é visto como a fonte principal de energia verde. Há uma enorme quantidade de betão e alumínio que é necessária para produzir parques solares ou eólicas. Ela exige energia barata – gás, carvão ou nuclear – para produzir. À medida que isso é eliminado, o custo se torna proibitivo, mesmo sem "impostos sobre o carbono" adicionais.

    A Alemanha já tem cerca de 30 mil turbinas eólicas, mais do que qualquer outro país da UE. As gigantescas turbinas eólicas têm sérios problemas de ruído ou riscos para saúde para os residentes nas proximidades das enormes estruturas devido à emissão de sons de baixa frequência (infrasound), além de danos causados ao clima e a pássaros. Em 2025, cerca de 25% dos moinhos de vento alemães existentes precisarão ser substituídos e a eliminação de resíduos é um problema colossal. As empresas estão a ser processadas porque os cidadãos percebem o desastre que são. Para atingir as metas até 2030, o Deutsche Bank admitiu recentemente que o estado precisará criar uma " eco-ditadura ".

    Ao mesmo tempo, o esforço alemão para acabar com o transporte a gasolina ou gasóleo até 2035 em favor dos veículos eléctricos está em curso para destruir a maior e mais lucrativa indústria da Alemanha, o sector automóvel, e eliminar milhões de empregos. Os veículos movidos a bateria de íon-lítio têm uma "pegada de carbono" total quando os efeitos da mineração de lítio e da produção de todas as peças são incluídos, o que é pior do que os automóveis a gasóleo.

    E a quantidade de electricidade adicional necessária para uma Alemanha carbono zero até 2050 seria muito maior do que hoje, pois milhões de carregadores de bateria precisarão de electricidade da rede com energia confiável. Agora a Alemanha e a UE começam a impor novas "taxas de carbono", alegadamente para financiar a transição para o carbono zero. Os impostos apenas tornarão a energia e a potência eléctricas ainda mais caras, assegurando o colapso mais rápido da indústria alemã.

    Despovoamento

    Segundo os que defendem a agenda Carbono Zero, isto é exactamente o que desejam: a desindustrialização das economias mais avançadas, uma estratégia calculada desde há décadas, como disse Maurice Strong, para provocar o colapso das civilizações industrializadas.

    Fazer voltar a presente economia industrial mundial para uma distopia de queima de lenha e moinhos de vento, em que os apagões se tornam a norma, como agora na Califórnia, é uma parte essencial de uma transformação para Grande Reinicialização sob a Agenda 2030: Pacto Global da ONU para a Sustentabilidade (Agenda 2030: UN Global Compact for Sustainability).

    O conselheiro climático de Merkel, Joachim Schnellnhuber, em 2015 apresentou a agenda verde radical do Papa Francisco, a encíclica Laudato Si, quando Francisco o nomeou para a Pontifícia Academia de Ciências. E ele aconselhou a UE sobre a sua agenda verde. Numa entrevista de 2015, Schnellnhuber declarou que a "ciência" determinou agora que a capacidade máxima de carga de uma população humana "sustentável" era com cerca de seis mil milhões de pessoas a menos:

    "De um modo muito cínico, é um triunfo para a ciência porque finalmente estabilizamos alguma coisa – nomeadamente as estimativas para a capacidade biótica máxima (carrying capacity) do planeta, ou seja, abaixo de mil milhões de pessoas".

    Para fazer isso, o mundo industrializado deve ser desmantelado. Christiana Figueres, contribuidora da agenda do Fórum Económico Mundial e ex-secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, revelou o verdadeiro objectivo da agenda climática da ONU numa entrevista colectiva em Bruxelas em Fevereiro de 2015, onde afirmou: "Esta é a primeira vez na história humana em que nos propomos à tarefa de mudar intencionalmente o modelo de desenvolvimento económico que tem reinado desde a Revolução Industrial".

    As observações de Figueres em 2015 são reflectidas hoje pelo presidente francês Macron na "Agenda de Davos" do Fórum Económico Mundial em Janeiro de 2021, onde afirmou que "nas actuais circunstâncias, o modelo capitalista e a economia aberta já não são viáveis". Macron, um ex-banqueiro Rothschild, afirmou que "a única maneira de sair desta epidemia é criar uma economia mais focada em eliminar o fosso entre ricos e pobres". Merkel, Macron, Gates, Schwab e amigos farão isso reduzindo os padrões de vida na Alemanha e na OCDE aos níveis da Etiópia ou do Sudão. Esta é distopia deles do carbono zero. Limitar severamente viagens aéreas, viagens de carro, movimento de pessoas, fechar a indústria "poluente", tudo para reduzir o CO2. É sinistro quão convenientemente a pandemia de coronavírus prepara o cenário para a Grande Reinicialização e a Agenda 2030 da ONU de emissões líquidas Zero de Carbono.

    [*] Autor de numerosas obras sobre petróleo e geopolítica .

    O original encontra-se em New Eastern Outlook e em
    https://www.globalresearch.ca/great-zero-carbon-criminal-conspiracy/5736707


    Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .

    A construção da realidade

     por  Josep Cónsola [*]


    "Perante a realidade podem-se adoptar várias atitudes, a saber:   1) ignorá-la, evadir-se dela;  2) reproduzi-la;  3) descobrir seu outro lado: a verdade
    Alfonso Sastre.  Manifiesto contra el pensamiento débil.

    "Quando aprendí as respostas, foram alteradas todas as minhas perguntas".
    Mario Benedetti

    Tragédia de Gruaro.O verdadeiro depende da criação mental do homem chamada lógica. Entretanto, real refere-se ao que alguém crê que é real apesar de qualquer lógica que se utilize ou do que se raciocine, ou sem saber como funciona este algo. No instante que vemos, ou nos fazem ver, cremos que é real sem ainda questionarmos se é verdadeiro ou falso.

    René Descartes cunhou a frase Cogito ergo sum ("penso, portanto sou") mas perante o descalabro mundial orquestrado com origem na propaganda pandémica poderíamos estabelecer outra frase: Ego sum, sed non cogito ("sou, mas não penso") à vista da credibilidade dada ao discurso oficial por uma parte importante da população.

    Será real que milhares de pessoas idosas e com patologias prévias tenham falecido durante o segundo trimestre de 2020? Podemos dizer que sim. Será verdade que estes milhares de pessoas tenham falecido por causa de um vírus catalogado como SARS-Cov2? Podemos dizer que não.

    Será real que um pânico insano se tenha desencadeado entre a população? Podemos dizer que sim. O referido pânico é resultado da verdade? Podemos dizer que não.

    Mas, como na metáfora escrita por Robert Havemann: "Quando quero acertar num alvo, tenho um procedimento muito simples para aumentar a possibilidade de atingi-lo, a saber: o procedimento de engrandecer o alvo, e se declaro que tudo o que me rodeia é alvo, terei a miserável satisfação de não errá-lo nunca" [1] .

    O catedrático de Sociología da Universidade de Oviedo, José Mª García Blanco, no seu interessante artgo "La construcción de la realidad y la realidad de su construcción" [2] destaca que: "A cada manhã, ao ligar nosso aparelho de radio, a televisão ou ao ler nosso diario habitual, nos pomos ao corrente do que se passa no mundo. Todos estes meios estão a reproduzir incessantemente a rede de noticias que configura nossa imagem da realidade. São eles, seguindo sua propia lógica operativa, que proporcionam hoje à sociedade sua própria imagem e a do mundo em que ela se produz e reproduz como sistema de comunicação… O produto deste funcionamento recursivo dos mass media é a constituição da única coisa que hoje se pode denominar com fundamento empírico suficiente Opinião Pública, a saber: una imensa redundância informativa, que torna desnecessário perguntar o que cada concreto individuo sabe e pensa".

    A partir daqui o conhecimento que possuímos da realidade é limitado e acostumamo-nos a ver a "realidade" a partir das mensagens subjectivas que chegam ao nosso conhecimento sobre esta realidade. A construção dos referidos conhecimentos tem, entre outros, os objectivo de criar "confiança" para com as estruturas de poder que são em definitivo as que concebem o discurso para tornar possível que um determinado objecto ou objectivo exista, cumpra certas funções e estabeleça o que é positivo ou negativo, bom ou mau.

    Bertrand Russell dizia que para chegar a estabelecer uma lei científica são necessárias três etapas: a primeira consiste em observar os factos significativos; a segunda, assentar hipóteses que, se forem verdadeiras, explicam aqueles factos; a terceira, deduzir destas hipóteses consequências que possam ser postas a prova para a observação. Significa que o processo da sua formulação deve ser justificado e explicado passo a passo, para desta forma construir e formular hipóteses que sejam contrastáveis.

    "INFOXICAÇÃO"

    Ao invés disto temos sofrido, estamos a sofrer e, se não houver uma resposta contundente, continuaremos a sofrer não uma intoxicação por um vírus e sim uma "infoxicação" mediática resultante da construção da realidade, afastada do que deveria ser uma busca da verdade. Não há ciência nas versões mediáticas hegemónicas e sim percepções, especulações, opiniões e espectáculos visuais montados à imagem e semelhança de uma grande farsa teatral.

    O Dr. Carlos Alberto Díaz, professor Titular da Universidade Isalud de Buenos Aires [3] , é contundente: "As burocracias profissionais geraram-se para conter e reproduzir os conhecimentos gerados nas suas próprias organizações. Nos rincões de toda a administração existem alguns reservatórios que, quando purgas, encontras inteligências e opiniões que nunca foram ouvidas. Não é a saúde um tema de agenda. Sim quais são os números de contagiados, de mortos ou de vacinas".

    Encontramo-nos perante a necessidade de analisar a sociedade e os fenómenos sociais que estamos a viver com os estados de sítio, emergência, alarme, etc e os consequentes confinamentos domiciliares, sanções, repressões... a partir de um conhecimento que não se apoia num determinismo e num reducionismo do conhecimento, no sentido de que um conhecimento do todo sirva de ponto de partida para um conhecimento das partes que o compõem. Edgar Morin sugere a "necessidade de recompor o todo", ou seja, o questionar da racionalidade abstracta e unidimensional hegemónica" [4] . Numa multidão de ocasiões nossa realidade não é senão a nossa ideia da realidade cunhada por uma educação baseada na aceitação de um conformismo cognitivo no qual é normalizada a eliminação do que possa discutir-se ou contrapor-se ao discurso hegemónico.

    Giulio Girardi, uma referência da Teologia da Libertação, membro do Tribunal Russell II sobre a América Latina desde 1974 até a sua morte em 2012, membro do Tribunal dos Povos, a partir da sua perspectiva do conhecimento como instrumento de transformação social, denuncia a falsa neutralidade da ciência e do conhecimento, uma vez que todo sujeito no momento da observação faz parte de uma série de condicionantes internalizadas: "Não há interesse teórico que esteja desvinculado da interesses práticos. O ocultamento de interesses que não se querem confessar" [5] .

    Quanto ao ocultamento destes interesses a que Girardi faz referência, numa tentativa de buscar uma possível explicação Máximo Sandin pergunta-se que "talvez seja que não se pode esperar que alguém compreenda algo quando o seu salário depende da sua não compreensão" [6] .

    Como se constrói o 'real'?

    María-Celina Ramos-Álvarez, aproxima-nos uma reflexão sobre os papel dos meios de comunicação com as seguintes palavras: "Na medida em que os meios mostram-me suas construções de significado como um ser natural das coisas, tendo a pensar que as coisas são assim, como eles as apresentam e portanto concedo-lhes um estatuto ontológico independente do labor humano, já que eu não tenho opção alguma para actuar em outro sentido senão o assinalado ao meu status que me foi criado, o qual impede-me de exercer a dialéctica entre o que faço e o que penso... Os meios de comunicação seleccionam aspectos do mundo que desta forma aparece filtrado diante dos meus sentidos. O conhecimento que me proporcionam não só põe em jogo minhas capacidades cognoscitivas como também emocionais... Minha realidade subjectiva em determinadas situações choca-se frontalmente com aquela objectiva que os media me apresentam. Sou uma pessoa adulta e possuo capacidade de crítica e discernimento, mas em situações nas quais não posso exercer tais capacidades por não possuir os dados suficientes para isso, ou em situações que os significados mediáticos não são relevantes para mim, a realidade que se me apresenta constitui-se na minha realidade" [7] .

    Os media jornalísticos actuam como mediadores entre a fabricação de uma recriação manipulada da realidade e a audiência. Os media nos preparam, nos elaboram e nos apresentam uma realidade social determinada. Mas quais são os critérios para formar essa realidade? Em que se baseia a interpretação jornalística?

    Hoje sabemos tanto do vírus e da pandemia e estamos tão "infoxicados" que não sabemos nada, não há diálogo nem debate científico com evidências em mãos, só hipóteses, ocorrências, suposições, opiniões ou percepções. A justificação pandémica avança, a economia quebra e a gente vive com medo e incerteza. Em síntese, a verdade sobre a pandemia do Covid-19 é a seguinte: "Instrumentalizou-se a enfermidade de modo político e eleitoral; 2) Sabemos muito e nada ao mesmo tempo, não há ciência e sim percepções, teorias falsas e especulação; 3) Ignorou-se a história e os antecedentes médicos e epidemiológicos. Esta é a grande verdade da qual não duvidamos" [8] .

    A realidade social constrói-se por meio de declarações, as que tornam possível que um determinado objecto exista, cumpra certas funções e disponha de certos poderes positivos e negativos de maneira convencional. "A força que se assinala a esses actos permite que surjam no mundo entidades que, sem mediar estas declarações mediáticas, não chegariam a existir" [9] .

    Nas XXII Jornadas de Investigación e XI Encuentro de Investigadores en Psicología del Mercosur organizados pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires, Romina Ailín Urios, realiza uma análise acerca da "criminologia mediática" que agora podemos aproveitar à luz dos estereótipos concebidos para estabelecer o perfil das pessoas perigosas na voragem pandémica (reuniões de mais de seis pessoas, não usar máscara, por em causa a bondade das vacinas, ignorar os toques de recolher, romper o confinamento domiciliar, etc), os apelos à delação a partir das "polícias de varanda", a criação de "patrulhas sanitárias" semelhantes à antiga guarda de Franco nos tempos da ditadura para perseguir e denunciar os contraventores das leis ditadas, por irracionais que sejam.

    Podemos dizer que o que faz a "criminologia mediática" é criar uma realidade e apresentá-la como "a" realidade, onde aparecem confrontadas as "pessoas decentes" e o grupo de "criminosos", os quais são identificados pelo estereótipo que permite essa distinção. E para que esta diferenciação se sustenha no tempo e se torne crível, não resta outra opção senão "inchar" as características negativas de quem porta o estereótipo na base da periculosidade e é aí em que o conceito de perigo se une ao de segurança. "Como reverter os efeitos na subjectividade da população e, sobretudo, de certos sectores que foram seleccionados pelos meios de comunicação como os futuros criminalizados? Se tivermos em conta o que coloca Foucault quanto à complexa malha em que uma pequena mudança num extremo gera um movimento em toda a trama, podemos pensar que para gerar uma modificação que chegue até todos os extremos faz-se necessário que a mudança seja suficientemente forte para que chegue a toda a estrutura. Do contrário, a modificação não será nem total nem duradoura" [10] .

    Assim, como dizia Gabriel Celaya no seu poema "La poesía es un arma cargada de futuro":

    Às ruas! que já é hora
    de passearmos a corpo inteiro
    e mostrar que, como vivemos,
    anunciamos algo novo.
    ¡A la calle! que ya es hora
    de pasearnos a cuerpo
    y mostrar que, pues vivimos,
    anunciamos algo nuevo.



    (1) Robert Havemann. Dialéctica sin dogma. Ariel. 1967. pág. 142
    (2) repositorioinstitucional.ceu.es/bitstream/10637/6036/1/N_I_pp149_170.pdf
    (3) saludbydiaz.com/...
    (4) Edgar Morin. Los siete saberes para una educación del futuro, 2000
    (5) Fede cristiana e materialismo storico, Edizioni Borla, 1977. pág.101.
    (6) Máximo Sandín. Trilogía del coronavirus. Cauac. 2020
    (7) María-Celina Ramos-Álvarez. Los medios de comunicación, constructores de lo real, www.revistacomunicar.com/indice/articulo.php?numero=05-1995-20
    (8) Óscar Picardo www.disruptiva.media/la-verdad-detras-del-covid-19/
    (9) María S. Krause Muñoz y Rodrigo González Fernández. La confianza en la construcción de la realidad social. Revista de Filosofía Universidad católica de Chile. vol. 41, núm. 1. 2016
    (10) www.aacademica.org/000-015/553.pdf


    [*] da Universitat Comunista dels Països Catalans.

    O original encontra-se em mpr21.info/la-construccion-de-la-realidad/


    Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .



    terça-feira, 5 de janeiro de 2021

    O arbítrio e a censura estão de regresso ao Ocidente

    por  Thierry Meyssan

    Com a invenção da imprensa, inúmeros autores contestaram os a priori da sua época. Foram necessários quatro séculos de lutas para que o Ocidente acabasse por garantir a liberdade de expressão. No entanto, com a invenção da Internet a qualidade de autor democratizou-se e a liberdade de expressão foi imediatamente posta em causa. Serão precisos talvez vários séculos para absorver este choque e restabelecer esta liberdade. Enquanto isso, a censura está de volta.



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    Quando em 1994 fundamos a Rede Voltaire, a nossa primeira preocupação era a de defender a liberdade de expressão em França e depois no mundo.

    Ora, hoje em dia esse conceito está, na nossa opinião, deformado e é atacado. Vamos, portanto, tentar definir outra vez esse ideal.

    A circulação de ideias conheceu um impulso considerável com a invenção da tipografia moderna, no fim do século XV. Já não era possível acreditar mais cegamente nas autoridades, cada um podia formar a sua opinião.

    Acordou-se afirmar que, muito embora o debate seja indispensável para a evolução do pensamento humano, certas ideias seriam prejudiciais à sociedade e deveriam, portanto, ser censuradas. As autoridades deviam determinar o que era útil e o que era prejudicial. Mas a criação do célebre Index librorum proibitorum (Índice de Livros Proibidos) pelo Papa Paulo IV não impediu a difusão de ideias anti-papistas.

    O nosso ponto de vista, pelo contrário, é que, na maior parte dos casos, a censura é mais nociva do que as ideias que proíbe. Todas as sociedades que praticam a censura acabam estagnando. É por isso que todas as autoridades que usam censura acabaram um dia derrubadas.

    Neste assunto, confrontam-se duas grandes escolas. O Artigo 11 da Declaração [Francesa] dos Direitos do Homem e do Cidadão (1789) estipula que a lei deverá determinar e reprimir os abusos da liberdade de expressão, enquanto a 1ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos (1791) ) afirma que nenhuma lei poderá limitar esta liberdade.

    Os Estados Unidos eram uma nação em formação que acabava de se emancipar da monarquia britânica. Eles não tinham ainda consciência sobre as dificuldades de viver em sociedade, mas haviam já sofrido com os abusos do Poder de Londres. Portanto, tinham uma concepção de liberdades sem limite.

    Foi preciso quase um século para que o legislador francês conseguisse determinar os limites da liberdade de expressão: a provocação para cometer delitos ou crimes, a injúria e a difamação. Em relação ao regime de censura, o controle não será mais exercido antes da publicação, mas depois.

    Os países latinos consideram difamação o facto de se relatar elementos depreciativos sem poder produzir a sua prova, entendendo-se que certos factos não podem ser provados (por exemplo, factos amnistiados, crimes prescritos ou simplesmente elementos da vida privada) e que, portanto, não serão publicáveis. Pelo contrário, os países anglo-saxões apenas consideram como difamação imputações das quais se pode provar a falsidade. Na prática, as leis latinas exigem que o autor prove aquilo que afirma, enquanto as leis anglo-saxónicas exigem, ao contrário, que cabe à pessoa difamada provar que o autor conta coisas à toa.

    Num caso como noutro, os tribunais só podem proteger a liberdade de expressão se forem constituídos por júris populares (como na Bélgica) e não por magistrados profissionais (como em França) susceptíveis de defender a sua classe social. Esse foi o grande combate de Georges Clémenceau, reduzida a nada aquando da Segunda Guerra Mundial, no decurso da qual os governos retomaram o controle dos procedimentos.

    A liberdade de expressão que o Ocidente havia levado quatro séculos a desenvolver foi totalmente posta em causa com o aparecimento das novas técnicas informáticas de difusão que aumentaram o número de autores. Tal como no século 16, após um curto período de liberdade florescente, ela está em vias de ser totalmente controlada.

    No passado, os Franceses e os Norte-Americanos falavam simultaneamente da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa (quer dizer, da possibilidade de exercer a liberdade de expressão nos jornais). A contrario, hoje em dia a liberdade de imprensa é muitas vezes invocada para negar a liberdade de expressão aos simples mortais acusados, eles, de serem «conspiracionistas», quer dizer, incultos, irresponsáveis e perigosos para a sociedade.

    Geralmente os partidários da censura prévia não invocam a sua vontade de controlar as opiniões políticas das massas, mas colocam-se no terreno da religião (para proteger a sociedade da heresia) ou da moral (para prevenir a corrupção da juventude pela pornografia). O aparecimento das «redes sociais» oferece um novo contexto para voltar a sacar os velhos argumentos.

    Estando as religiões estabelecidas em declínio progressivo no Ocidente contemporâneo, são substituídas por uma noticiário sem Deus, mas com os seus dogmas (o consenso) e seus clérigos (antes os jornalistas, hoje os donos do Twitter, do Facebook, do Instagram, do YouTube, etc.). Por exemplo, devia-se convocar um referendo em França para inscrever na Constituição a seguinte frase: «A República garante (1) a preservação da biodiversidade, (2) do meio ambiente e (3) luta contra as alterações climáticas». Três propostas destituídas de senso, uma vez que a biodiversidade não é um estadio, mas um processo; que o meio ambiente jamais foi preservado, antes sempre modificado ; e que o clima não está submetido a nenhum regulamento. Já se fala em censurar esta observação que perturba o consenso, primeiro nas redes sociais, depois na sociedade em geral.

    Cada um de nós fica chocado com a pornografia impingida às crianças e desejaria espontaneamente mantê-los afastados dela. Claro, mas no passado os pequenos camponeses observavam os animais da quinta (xácara-br) —nem sempre muito ternos e morais— hoje em dia os pequenos estudantes estão convencidos de que os animais só se acasalam para perpetuar a espécie e assistem a filmes —nem sempre muito ternos e morais— nos seus “smartphones” (celulares-br). Historicamente, a maior parte dos regimes autoritários começaram por censurar a pornografia antes de se dedicarem a atacar as ideias políticas. Ora, é muito menos arriscado para todos instituir procedimentos de controlo parental do que abrir caminho à perda das nossas liberdades.

    Notas finais: um grande passo atrás foi dado em 1990 com as leis europeias reprimindo o «negacionismo», depois nos anos 2000 com os privilégios acordados às redes sociais, e por fim nos anos 2010 com as agências de notação (ou rating)

    Ter-se-ia compreendido que existissem leis reprimindo formas de reabilitação do regime racial nazista, mas não que elas se erijam em guardiãs da Verdade. Sobretudo, e esse é o ponto mais importante, estas restabeleceram penas de prisão para os transgressores. É, pois, possível hoje na Europa acabar na prisão por causa das suas ideias.

    Os fóruns Internet (entre os quais o Twitter, Facebook, Instagram ou YouTube) obtiveram um incrível privilégio nos Estados Unidos a fim de conquistar o mundo. São considerados simultaneamente como portadores de informação (como os Correios) e reguladores da informação que veiculam; como se os Correios tivessem o direito de ler o que encaminham e de censurar o que lhes desagrada. Assegurando que não passam de portadores neutros, estes fóruns protegem o anonimato dos seus clientes. Segue-se que eles veiculam entre as suas mensagens algumas que dão origem à prática de crimes e de delitos, injuriosos e difamatórios, e dos quais encobrem os autores. Enquanto em matéria de imprensa escrita, o editor que recuse revelar o nome do seu cliente é considerado como responsável pelas declarações que imprimiu, estes «portadores de informação» erigem-se como «reguladores» das mesmas. Por um lado, recusam continuamente revelar os nomes dos culpados, por outro destroem soberanamente as contas que julgam contrárias às suas ideias. Ao fazê-lo, erigem-se em juízes, sem leis, sem debates, nem apelos.

    Em 28 de Maio de 2020, o Presidente Donald Trump retirou-lhes este privilégio abrindo a via para uma regulação pela Justiça, mas é pouco provável que o Congresso dos Estados Unidos transforme esta decisão do Executivo em lei. Tanto mais porque os proprietários destes fóruns criaram já com a OTAN agências de classificação dos sítios Internet que escapam ao seu controle (entre elas a NewsGuard). Trata-se, para eles, de enterrar as más línguas nas profundezas dos motores de busca até os fazer desaparecer. A arbitrariedade e a censura estão de volta.

    Tradução
    Alva

    aqui:https://www.voltairenet.org/article211890.html

    sexta-feira, 16 de outubro de 2020

    A agenda global de Bill Gates – Como podemos resistir à sua guerra contra a vida

     

    por Vandana Shiva [*]

    Bill Gates, cartoon de Ben Garrison. Ao olhar para o futuro, num mundo de Gates e dos Barões da Tecnologia, vejo uma humanidade que está ainda mais polarizada, com grande número de pessoas "descartáveis", que não têm lugar no novo Império. Aqueles que estão incluídos no novo Império serão pouco mais do que escravos digitais.

    Em março de 2015, Bill Gates mostrou uma imagem de uma espécie viral de gripe, durante uma TED Talk [Conversas sobre Tecnologia, Entretenimento e Planeamento, realizadas por uma fundação dos EUA], e disse à audiência que era assim que seria a maior catástrofe do nosso tempo. A verdadeira ameaça à vida, disse ele, " não são os mísseis, mas os micróbios ". Quando, cinco anos depois, a pandemia do coronavírus varreu a Terra como um tsunami, ele reviveu a linguagem de guerra, descrevendo a pandemia como "uma guerra mundial".

    "A pandemia do coronavírus coloca toda a humanidade contra o vírus", disse ele.

    Na verdade, a pandemia não é uma guerra. A pandemia é uma consequência da guerra. Uma guerra contra a vida. A mente mecânica ligada à máquina de extração de dinheiro criou a ilusão dos humanos como separados da natureza, e a natureza como matéria-prima morta e inerte a ser explorada. Mas, na verdade, fazemos parte do bioma. E somos parte do viroma. O bioma e o viroma somos nós. Quando travamos uma guerra contra a biodiversidade das nossas florestas e das nossas fazendas e nos nossos nervos, travamos uma guerra contra nós mesmos.

    A emergência sanitária do coronavírus é inseparável da emergência sanitária da extinção, da emergência sanitária da perda de biodiversidade e da emergência sanitária da crise climática. Todas essas emergências estão enraizadas numa visão mecanicista, militarista e antropocêntrica do mundo, que considera os humanos separados de – e superiores a – outros seres. Seres que podemos possuir, manipular e controlar. Todas essas emergências estão enraizadas num modelo económico baseado na ilusão de um crescimento e uma ganância ilimitados, que violam as fronteiras planetárias e destroem a integridade dos ecossistemas e das espécies individuais.

    Novas doenças surgem porque uma agricultura globalizada, industrializada e ineficiente invade habitats, destrói ecossistemas e manipula animais, plantas e outros organismos, sem respeitar a sua integridade ou a sua saúde. Estamos ligados em todo o mundo através da disseminação de doenças como o coronavírus, porque invadimos as casas de outras espécies, manipulamos plantas e animais para obter gananciosos lucros comerciais e cultivamos monoculturas. À medida que cortamos florestas, transformamos fazendas em monoculturas industriais que produzem produtos tóxicos e nutricionalmente vazios, à medida que as nossas dietas se degradam por meio do processamento industrial, com produtos químicos sintéticos e engenharia genética, e à medida que perpetuamos a ilusão de que a terra e a vida são matérias-primas a serem exploradas para obter lucros, estamos de facto a conetarmo-nos. Mas em vez de nos conetarmos numa continuidade saudável, protegendo a biodiversidade, a integridade e a auto-organização de todos os seres vivos, incluindo os humanos, estamos a conetarmo-nos através de doenças.

    De acordo com a Organização Internacional do Trabalho , "1.600 milhões de trabalhadores da economia informal (representando os mais vulneráveis no mercado de trabalho), de um total mundial de 2.000 milhões, e uma força de trabalho global de 3.300 milhões sofreram danos massivos na sua capacidade de ganhar a vida. Isto deve-se a medidas de confinamento e/ou porque trabalham nos setores mais afetados". De acordo com o Programa Alimentar Mundial, 250 milhões de pessoas serão empurradas para a fome e 300 mil poderão morrer todos os dias . Estas também são pandemias que estão a matar pessoas. Matar não pode ser uma receita para salvar vidas.

    A saúde tem a ver com vida e os sistemas vivos. Não há "vida" no paradigma da saúde que Bill Gates e o seu gangue estão a promover e a impor ao mundo inteiro. Gates criou alianças globais para impor, de cima a baixo, análises e prescrições para problemas de saúde. Ele dá dinheiro para definir os problemas e, então, usa a sua influência e dinheiro para impor as soluções. E, no processo, ele fica mais rico. O seu "financiamento" resulta numa erosão da democracia e da biodiversidade, da natureza e da cultura. A sua "filantropia" não é apenas filantrocapitalismo. É filantroimperialismo.

    A pandemia do coronavírus e o confinamento revelaram ainda mais claramente como estamos a ser reduzidos a objetos, para sermos controlados, com os nossos corpos e mentes como novas colónias a serem invadidas. Os impérios criam colónias, as colónias cercam os bens comuns das comunidades indígenas e transformam-nos em fontes de matéria-prima a ser extraída para dar lucros. Esta lógica linear e extrativa é incapaz de ver as íntimas relações que sustentam a vida no mundo natural. É cega para com a diversidade, os ciclos de renovação, os valores de dar e partilhar e para com o poder e o potencial da auto-organização e da mutualidade. É cega para o desperdício que cria e para a violência que desencadeia. O prolongado confinamento do coronavírus tem sido um laboratório experimental para um futuro sem humanidade.

    Em 26 de março de 2020, num pico da pandemia do coronavírus e no meio do confinamento, a Microsoft obteve uma patente da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). A patente WO 060606 declara que "A atividade do corpo humano associada a uma tarefa proporcionada a um utilizador pode ser usada num processo de procura de um sistema de criptomoeda...".

    A "atividade corporal" que a Microsoft deseja usar inclui a radiação emitida pelo corpo humano, atividades cerebrais, fluxo de fluidos corporais, fluxo sanguíneo, atividade orgânica, movimentos corporais, tais como o movimento dos olhos, os movimentos faciais e musculares, bem como quaisquer outras atividades que possam ser detetadas e representadas por imagens, ondas, sinais, textos, números, graus ou qualquer outra informação ou dado.

    Sistema de criptomoeda utilizando dados da actividade corporal. A patente é uma afirmação de propriedade intelectual sobre os nossos corpos e mentes. No colonialismo, os colonizadores atribuem a si próprios o direito de tomar as terras e os recursos dos povos indígenas, de extinguir as suas culturas e soberania e, em casos extremos, de os exterminar. A patente WO 060606 é uma declaração da Microsoft de que os nossos corpos e mentes são as suas novas colónias. Somos minas de "matéria-prima" – os dados extraídos dos nossos corpos. Em vez de seres soberanos, espirituais, conscientes e inteligentes, tomando decisões e escolhas com sabedoria e valores éticos sobre os impactos das nossas ações no mundo natural e social do qual fazemos parte, e com o qual estamos intimamente relacionados, somos "utilizadores". Um "utilizador" é um consumidor sem escolha no império digital.

    Mas essa não é a visão total de Gates. Na verdade, é ainda mais sinistra – colonizar as mentes, os corpos e os espíritos dos nossos filhos ainda antes de terem tido a oportunidade de compreender como é e como se sente a liberdade e a soberania, começando pelos mais vulneráveis.

    Em maio de 2020, o governador Andrew Cuomo, de Nova York, anunciou uma parceria com a Fundação Gates para " reinventar a educação ". Cuomo chamou visionário a Gates e argumentou que a pandemia criou "um momento na história em que podemos realmente incorporar e promover as ideias [de Gates] ... todos esses prédios, todas essas salas de aula físicas – por que não, com toda a tecnologia que possuímos?"

    Na verdade, Gates tem tentado desmantelar o sistema de educação pública dos EUA, desde há duas décadas. Para ele, os estudantes são minas de dados. É por isso que os indicadores que promove são a frequência, a matrícula na faculdade e as notas num teste de matemática e leitura, porque estes podem ser facilmente quantificados e pesquisados. Na (re)imaginação da educação, as crianças serão monitorizadas por meio de sistemas de vigilância para verificar se estão atentas enquanto são forçadas a ter aulas remotamente, sozinhas em casa. A distopia é aquela em que as crianças nunca voltam às escolas, não têm oportunidade de brincar, não têm amigos. É um mundo sem sociedade, sem relacionamentos, sem amor e sem amizade.

    Ao olhar para o futuro, num mundo de Gates e dos Barões da Tecnologia, vejo uma humanidade que está ainda mais polarizada, com grande número de pessoas " descartáveis ", que não têm lugar no novo Império. Aqueles que estão incluídos no novo Império serão pouco mais do que escravos digitais.

    Ora, podemos resistir. Podemos semear um outro futuro, reforçar as nossas democracias, reivindicar os nossos bens comuns, regenerar a terra como membros vivos de uma Família Terrestre Única, rica na nossa diversidade e liberdade, unida na nossa unidade e inter-relacionamento. É um futuro mais saudável, pelo qual devemos lutar e reivindicar.

    Estamos à beira da extinção. Permitiremos que a nossa humanidade como seres vivos, conscientes, inteligentes e autónomos seja extinta por uma máquina de ganância que não conhece limites e é incapaz de interromper a sua colonização e destruição? Ou vamos parar a máquina e defender a nossa humanidade, liberdade e autonomia para proteger a vida na Terra?

    [*] Autora de Oneness vs. the 1%: Shattering Illusions, Seeding Freedom (Unidade contra os 1%:   Estilhaçando ilusões, semeando liberdade), Chelsea Green Publishing, 2020.

    O original encontra-se em www.counterpunch.org/... e a tradução de PAT em
    pelosocialismo.blogs.sapo.pt/a-agenda-global-de-bill-gates-e-como-109981


    Este texto encontra-se em https://resistir.info/ .

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