segunda-feira, 21 de maio de 2018

Diplomatas russos expulsos poderão voltar depois de matarem alguns palestinos


por Waterford Whispers
 
Faixa de Gaza. Dúzias de países que em Março último expulsaram diplomatas russos concordaram em permitir o retorno dos mesmos depois serem informados que nesta semana eles atiraram e mataram palestinos na faixa de Gaza.

Deportados da Irlanda, EUA, França, Itália e Alemanha, em solidariedade com o Reino Unidos sobre um alegado ataque a espião ainda envolto em mistério, mais de 150 diplomatas russos foram a Israel na semana passada com a esperança de retornarem aos países que lhes foram designados.

"Assassinar palestinos a sangue frio actualmente parece ser o único meio de caírem nas boas graças, como mostraram nossos amigos israelenses que parecem ser imunes a expulsões", explicou o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, enquanto apontava para uma parede com fotografias de homens, mulheres e crianças que os diplomatas assassinaram a sangue frio. "Assim, decidimos enviar todos os nossos diplomatas expulsos a uma orgia de matanças em Gaza a fim de apaziguar nossos senhores supremos. Felizmente parece que funcionou".

A seguir à confirmação das mortes, foi imediatamente concedido a cada diplomata o acesso ao seu país designado, com o ministro irlandês dos Negócios Estrangeiros, Simon Coveney, declarando estar muito satisfeito com o responsável russo anteriormente expulso:   "Vi fotos dos palestinos mortos que ele liquidou e estou deliciado em saudar o retorno do nosso amigo russo a Dublim para ele realizar tudo o que quiser aqui".

O ousado movimento da Rússia ocorreu depois de dúzias de palestinos terem sido mortos esta semana por soldados israelenses com pouca ou nenhuma acção internacional por parte das chamadas "nações soberanas".

"É óbvio que uma vez que estejamos ao lado dos israelenses, podemos fazer o que quer que seja com nula repercussão internacional", concluiu o ministro russo dos Negócios Estrangeiros.
19/Maio/2018
 
O original encontra-se no sítio web irlandês Waterford Whispers News .

Esta sátira encontra-se em http://resistir.info/


aqui:http://resistir.info/russia/satira_19mai18.html
 

domingo, 20 de maio de 2018

A História Russa do Dia-V (ou a História da Segunda Guerra Mundial poucas vezes Ouvida no Ocidente)

por Michael Jabara Carley

 Professor de História contemporânea na Universidade de Montreal, Michael Jabara Carley conta aqui o papel da União Soviética contra o nazismo. Depois ele analisa a maneira como esta história tem sido propositadamente deformada pelos Anglo-Saxónicos e é deturpadamente ensinada no mundo Ocidental.


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A cada 9 de Maio, a Federação Russa celebra o seu mais importante feriado nacional, o Dia da Vitória, "den´pobedy". Nesse dia, em 1945, o Marechal Georgy Konstantinovich Zhukov, Comandante da 1ª Frente Bielorrussa, que atacara Berlim, recebeu a rendição Alemã incondicional.

 A Grande Guerra Patriótica durara 1418 dias de inimaginável violência, brutalidade e destruição. Desde Stalingrado, do norte do Cáucaso e da periferia noroeste de Moscovo até às fronteiras ocidentais da União Soviética, a Sebastopol no sul, Leningrado e as fronteira com a Finlândia, no norte, o país fora devastado. Uns estimados 17 milhões de civis, homens, mulheres e crianças haviam morrido, embora ninguém jamais saiba os números exactos. Aldeias e cidades foram destruídas; as famílias foram dizimadas sem restar ninguém para lembrá-las ou chorar a sua morte.

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A maioria dos cidadãos Soviéticos perdeu membros da família durante a guerra. Ninguém escapou sem ser afectado.

Dez milhões, ou mais, de soldados Soviéticos morreram na luta para expulsar o monstruoso invasor Nazista e finalmente ocupar Berlim, no fim de Abril de 1945. Os mortos do Exército Vermelho ficaram sem enterro em milhares de lugares ao longo das rotas para o ocidente ou em valas comuns anónimas, não tendo havido tempo para identificação adequada e enterro. A maioria dos cidadãos Soviéticos perdeu membros da família durante a guerra. Ninguém escapou sem ser afectado.
A Grande Guerra Patriótica começou às 3h30 do dia 22 de Junho de 1941, quando a Wehrmacht Nazista invadiu a União Soviética, ao longo de uma frente estendendo-se do Báltico ao Mar Negro com 3,2 milhões de soldados Alemães, organizados em 150 divisões, apoiadas por 3.350 tanques, 7.184 peças de artilharia, 600.000 camiões (caminhões-br), 2.000 aviões de guerra. Forças Finlandesas, Italianas, Romenas, Húngaras, Espanholas, Eslovacas, entre outras, acabaram por se juntar ao ataque. O Alto-comando Alemão calculou que a Operação Barbarossa levaria apenas 4 a 6 semanas para acabar com a União Soviética. No Ocidente, as Inteligências militares dos EUA e da Inglaterra estavam de acordo. Além disso, que força tinha conseguido bater a Wehrmacht? A Alemanha Nazista era o colosso invencível. A Polónia havia sido esmagada em poucos dias. A tentativa Anglo-Francesa de defender a Noruega fora um fiasco. Quando a Wehrmacht atacou a ocidente, a Bélgica apressou-se a desistir da luta. A França colapsou em poucas semanas. O Exército Britânico foi expulso de Dunquerque, nu, sem armas ou camiões. Na Primavera de 1941, a Jugoslávia e a Grécia desapareceram em questão de semanas, com pouco custo para os invasores Alemães.

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As perdas do Exército Vermelho eram inimagináveis, dois milhões de soldados perdidos nos primeiros três meses e meio de guerra.

Onde quer que a Wehrmacht avançasse na Europa, era um passeio ... até aquele dia em que os soldados Alemães atravessaram as fronteiras Soviéticas. O Exército Vermelho foi apanhado (pego-br) de surpresa, a meio de medidas de mobilização, porque o ditador Soviético Joseph Stalin não acreditou nos relatórios da sua própria Inteligência avisando para o perigo, ou não quis provocar a Alemanha Hitleriana. O resultado foi uma catástrofe. Mas, ao contrário da Polónia e ao contrário da França, a URSS não desistiu da luta após as esperadas 4 a 6 semanas. As perdas do Exército Vermelho foram inimagináveis, dois milhões de soldados perdidos nos primeiros três meses e meio da guerra. As províncias Bálticas foram perdidas. Smolensk caiu e depois Kiev, na pior derrota da guerra. Leningrado foi cercada. Um velho perguntou a alguns soldados: «De onde se estão vocês retirando?» Havia calamidades por toda parte, numerosas demais para serem mencionadas. Mas, em lugares como a fortaleza de Brest e em centenas de anónimos campos e bosques, entroncamentos, aldeias e cidades, as unidades do Exército Vermelho lutaram muitas vezes até ao último soldado. Lutaram até quebrar cercos para voltar às suas próprias linhas ou desaparecer nas florestas e pântanos da Bielorrússia e no noroeste da Ucrânia para organizar as primeiras unidades de "partisans" afim de atacar a retaguarda Alemã. No final de 1941, três milhões de soldados Soviéticos tinham sido perdidos (o maior número sendo de prisioneiros de guerra que morreram em mãos Alemãs); 177 divisões foram aniquiladas da ordem de batalha Soviética. Ainda assim, o Exército Vermelho combateu, forçando mesmo os alemães a recuar em Yelnya, sudeste de Smolensk, no fim de Agosto. A Wehrmacht sentiu a mordidela (mordida-br) do combalido mas não derrotado Exército Vermelho. As forças Alemãs sofriam 7.000 baixas num dia, uma nova experiência para elas.

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Em lugares como a fortaleza de Brest, as unidades do Exército Vermelho lutaram muitas vezes até o último soldado.

À medida que a Wehrmacht avançava, "Einsatzgruppen", esquadrões da morte das SS, seguiam o trilho, matando judeus, ciganos, comunistas, prisioneiros de guerra soviéticos ou qualquer um que se metesse à frente do seu caminho. Colaboradores Nazistas Baltas e Ucranianos ajudaram nos assassínios em massa. Mulheres e crianças Soviéticas foram despidas e forçadas a fazer fila, esperando por execução. Quando o inverno chegou, soldados alemães enregelados atiraram em aldeões ou obrigaram-nos a sair das suas casas, vestidos com farrapos como mendigos, roubando-lhes o lar, roupas de inverno e comida.

No Ocidente, aqueles que previam um rápido colapso Soviético, os habituais Sovietófobos ocidentais, fizeram figura de estúpidos e tiveram que engolir as suas previsões. A opinião pública percebeu que a Alemanha Hitleriana havia entrado num vespeiro, e não numa outra campanha tipo França. Enquanto o homem da rua Britânico vibrava com a Resistência soviética, o governo Britânico pouco fazia para ajudar. Alguns ministros do Governo estavam até relutantes em chamar aliada à União Soviética. Churchill recusou deixar a BBC tocar o hino nacional Soviético, a "Internacional", nas noites de Domingo, junto com os de outros aliados.

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A opinião pública Ocidental percebeu que a Alemanha Hitleriana tinha entrado num vespeiro, e não numa outra campanha tipo França.

O Exército Vermelho ainda recuou, mas continuando a lutar desesperadamente. Esta não foi uma guerra comum, antes um combate de uma violência sem paralelo contra um invasor assassino pelo lar, família, país, pela própria vida. Em Novembro, o Exército Vermelho lançou um panfleto sobre as linhas Alemãs, citando Carl von Clausewitz, o teórico militar Prussiano: «É impossível aguentar ou conquistar a Rússia». Isso foi uma real bravata atendendo às circunstâncias, mas também verdadeiro. Finalmente, na frente de Moscovo, em Dezembro de 1941, o Exército Vermelho, sob o comando de Jukov, empurrou as exaustas forças da Wehrmacht para trás, para sul, até trezentos quilómetros. A imagem de invencibilidade Nazista foi desfeita em pedaços. A "Barbarossa" era demasiado ambiciosa, a "blitzkrieg" falhara e a Wehrmacht sofreu a sua primeira derrota estratégica. Em Londres, Churchill concordou, a contragosto, deixar a BBC tocar o hino nacional Soviético.

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A imagem da invencibilidade nazista foi feita em pedaços.

Em 1942, o Exército Vermelho continuou a sofrer derrotas e pesadas perdas, enquanto lutava quase sozinho. Contudo, em Novembro desse ano, em Estalingrado, no Volga, o Exército Vermelho lançou uma contra-ofensiva, que levou a uma notável vitória e à retirada da Wehrmacht de volta às suas linhas de partida da Primavera de 1942 ... excepto para o Sexto Exército Alemão; apanhado no bolsão de Estalinegrado. Aí, 22 divisões Alemãs, algumas das melhores de Hitler, foram destruídas. Estalinegrado foi o Verdun da Segunda Guerra Mundial. «É o inferno», disse um soldado. «Não ... isto é dez vezes pior que o inferno», corrigiu alguém. No fim dos combates do inverno de 1943, as perdas do Eixo eram assombrosas : 100 divisões Alemãs, Italianas, Romenas e Húngaras foram destruídas ou incapacitadas. O Presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, estimou que a maré da batalha virara : a Alemanha Hitleriana estava condenada.

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Mulheres-soldado durante a batalha de Estalinegrado.

Decorria Fevereiro de 1943. Nesse mês não havia uma única divisão Britânica, Americana ou Canadiana lutando na Europa contra a Wehrmacht. Nem uma. Ainda passaram dezasseis meses até ao desembarque na Normandia. Os Britânicos e Norte-americanos estavam, então, combatendo duas ou três divisões Alemãs no Norte de África, um acontecimento secundário em comparação com a frente Soviética. A opinião pública Ocidental sabia quem estava a carregar o fardo da guerra contra a Wehrmacht. Em 1942, 80% das divisões do Eixo estavam cometidas contra o Exército Vermelho. No início de 1943, havia 207 divisões Alemãs na Frente Leste. Os Alemães tentaram um último sopro, uma última ofensiva contra a bolsa de Kursk, em Julho de 1943. Essa operação falhou. O Exército Vermelho lançou então uma contra-ofensiva através da Ucrânia, a qual levou à libertação de Kiev em Novembro. Mais a Norte, Smolensk tinha sido libertada no mês anterior.

O espírito do povo Soviético e do seu Exército Vermelho era formidável. O correspondente de guerra Vasilii Semenovich Grossman capturou a sua essência nos seus diários pessoais. «Noite, Tempestade de Neve», escreveu ele no início de 1942, «Veículos, Artilharia. Movem-se em silêncio. Súbitamente, ouve-se uma voz rouca. "Ei, qual é a estrada para Berlim?" Rebenta uma trovoada de risos».

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A opinião pública Ocidental sabia quem estava a carregar o fardo da guerra contra a Wehrmacht

Houve soldados que nem sempre foram corajosos. Às vezes fugiram. «Um comissário de batalhão
armado com dois revólveres começou a gritar: "Para onde estão vocês a fugir seus filhos da p..., para onde? Para a frente, pela nossa Pátria, por Jesus Cristo, filhos da p...! Por Estaline, fdp...!"...» Eles voltaram para as suas posições. Esses tipos tiveram sorte; o Comissário podia ter atirado sobre todos eles. Por vezes fê-lo. Um soldado ofereceu-se para executar um desertor. «Sentiste alguma pena dele?», perguntou Grossman. «Como pode alguém falar de pena», replicou o soldado. Em Estalinegrado, sete Usbeques foram considerados culpados de ferimentos auto-infligidos. Foram todos fuzilados. Grossman leu uma carta encontrada no bolso de um soldado Soviético morto. «Eu sinto muito a sua falta. Por favor, venha visitar-nos ... Eu estou a escrever isto, e as lágrimas estão a cair. Papá (papai-br), por favor venha para casa visitar-nos.

As mulheres lutaram ao lado dos homens como snaipers, artilheiros, tanquistas, pilotos, enfermeiras, "partisans". Elas também mantiveram a frente interna a andar. «As aldeias tornaram-se o reino das mulheres», escreveu Grossman, «Elas conduzem (dirigem-br) tratores, guardam armazéns e estábulos… As mulheres carregam sobre os ombros o grande fardo do trabalho. Elas impõem-se … mandam pão, aviões, armas e munições para a frente». Quando a guerra estava a ser travada no Volga, elas não censuraram os seus homens por terem cedido tanto terreno. «As mulheres olham e não dizem nada», escreveu Grossman, «… nem uma palavra azeda». Mas nas aldeias próximas à frente, por vezes elas falavam.

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Era apenas uma questão de tempo até à destruição da Alemanha Nazista

No entretanto, os aliados Ocidentais atacaram a Itália. Estaline havia há muito exigido uma segunda frente em França, à qual Churchill resistiu. Ele queria atacar o "ventre mole" do Eixo, não para ajudar o Exército Vermelho, mas para impedir o seu avanço para os Balcãs. A ideia era avançar rapidamente para norte até a bota Italiana, depois carrilar para leste rumo aos Balcãs afim de manter o Exército Vermelho afastado. O caminho para Berlim, contudo, era norte-nordeste. O plano de Churchill foi um fracasso; os Aliados Ocidentais só chegaram a Roma em Junho de 1944. Havia, aproximadamente, 20 divisões Alemãs em Itália lutando contra forças Aliadas superiores. No Leste, ainda havia mais de duzentas divisões do Eixo, ou seja, dez vezes mais que as da Itália. Em 6 de Junho de 1944, quando a Operação Overlord começou na Normandia, o Exército Vermelho estava nas fronteiras da Polónia e da Romênia. Uma quinzena depois dos desembarques na Normandia, o Exército Vermelho lançou a Operação Bagration, uma enorme ofensiva que incendiou o centro da frente oriental Alemã e levou a um avanço de 500 quilómetros para oeste, enquanto os Aliados Ocidentais permaneciam retidos na Península de Cotentin na Normandia. O Exército Vermelho tornara-se um imparável rolo compressor. Era apenas uma questão de tempo até à destruição da Alemanha Nazista. Quando a guerra terminou, em Maio de 1945, o Exército Vermelho fora responsável por 80% das perdas da Wehrmacht, e essa percentagem (porcentagem-br) seria ainda muito maior antes da invasão da Normandia. «Aqueles que nunca experimentaram toda a agrura do Verão de 1941», escreveu Vasily Grossman, «nunca serão capazes de apreciar plenamente a alegria da nossa vitória». Houve muitos hinos de guerra cantados pelas tropas e pelo povo para manter o moral elevado. "Sviashchennaia voina", «Guerra Sagrada» era um dos mais populares. Os Russos ainda se poem em sentido quando o ouvem.

Os historiadores discutem muitas vezes sobre o momento em que ocorreu a viragem decisiva da batalha no teatro Europeu. Alguns propõem 22 de Junho de 1941, o dia em que a Wehrmacht cruzou as fronteiras Soviéticas. Outros apontam para as batalhas de Moscovo, Estalinegrado ou Kursk.
Durante a guerra, a opinião pública Ocidental pareceu mais apoiante do Exército Vermelho do que alguns líderes Ocidentais, Winston Churchill, por exemplo. Roosevelt muito melhor, um líder político mais pragmático, que reconheceu facilmente o preponderante papel Soviético na guerra contra a Alemanha Nazista. O Exército Vermelho, disse ele a um general céptico em 1942, estava a matar mais soldados alemães e a destruir mais tanques alemães do que todos os outros Aliados em conjunto. Roosevelt sabia que a União Soviética era o eixo da grande coligação (coalizão-br) contra a Alemanha Nazista. Eu chamo FDR o padrinho da «grande aliança». No entanto, nas sombras espreitavam os habituais inimigos da União Soviética, que estavam apenas esperando o momento certo antes de emergirem novamente. Quanto maior a certeza da vitória sobre a Alemanha Nazista, mais palavrosos e estridentes se tornaram os pessimistas da grande aliança.

Os Norte-americanos podem sentir-se melindrados quanto à memória do Exército Vermelho desempenhando o papel condutor na destruição da Wehrmacht. «E quanto ao "Lend-Lease"», dizem eles, «sem os nossos suprimentos, a União Soviética não poderia ter batido os Alemães”. De facto, a maioria dos suprimentos do Lend-Lease só chegou à URSS depois de Estalinegrado. Os soldados do Exército Vermelho chamavam ironicamente às latas de comida "Lend-Lease" a «segunda frente», uma vez que a real chegava atrasada. Em 1942, a indústria Soviética estava já ultrapassando a Alemanha Nazista nas principais categorias de armamento. Era o T-34 um tanque Americano ou Soviético? Um Estaline diplomata sempre se lembrou de agradecer ao governo dos EUA pelos jipes e camiões Studebaker. Eles aumentaram a mobilidade do Exército Vermelho. Você contribuiram com o alumínio, nós contribuímos com o sangue ... rios de sangue, foi a famosa resposta dos Russos.

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O homem da rua na Europa e nos Estados Unidos sabia muito bem quem tinha carregado o fardo contra a Wehrmacht.

Ainda mal a guerra terminara, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos começaram a pensar acerca de uma outra guerra, desta vez contra a União Soviética. Em Maio de 1945, o Alto-comando Britânico apresentou a Operação «Impensável», um plano altamente secreto para uma ofensiva, reforçada por prisioneiros de guerra Alemães, contra o Exército Vermelho. Que bastardos, que ingratos. Em Setembro de 1945, os Norte-Americanos contemplaram o uso de 204 bombas atómicas para destruir a União Soviética. O padrinho, o Presidente Roosevelt, tinha morrido em Abril e, em algumas semanas, os Sovietófobos Americanos estavam já revertendo a sua política. A grande aliança foi apenas uma trégua na Guerra Fria, a qual começara após a tomada de poder Bolchevique, em Novembro de 1917, e foi retomada em 1945.

Naquele ano, os governos dos EUA e do Reino Unido ainda tiveram que enfrentar a opinião pública. O homem da rua na Europa e nos Estados Unidos sabia muito bem quem tinha carregado o fardo contra a Wehrmacht. Não se podia retomar a velha política de ódio contra a União Soviética à toa sem sujar a memória do papel do Exército Vermelho na vitória comum sobre a Alemanha Hitleriana. Assim, as memórias do Pacto de não-agressão Nazista-Soviético, de Agosto de 1939, foram tiradas do armário, embora as memórias da prévia oposição Anglo-Francesa às propostas Soviéticas de segurança colectiva contra a Alemanha Nazista e especialmente a traição à Tchecoslováquia fossem omitidas da nova narrativa Ocidental. Como ladrões da noite, a Grã-Bretanha e os Estados Unidos assaltaram a verdadeira narrrativa da destruição da Alemanha Nazista.

Já em Dezembro de 1939, os Britânicos planeavam (planejavam-br) publicar um livro branco culpando Moscovo pelo fracasso das negociações da aliança Anglo-Franco-Soviética durante a Primavera e Verão anteriores. Os Franceses objectaram porque era mais provável que o livro branco persuadisse a opinião pública de que o lado Soviético havia sido sério quanto à resistência à Alemanha Nazista, enquanto os britânicos e os franceses não haviam. O livro branco foi metido na gaveta. Em 1948, o Departamento de Estado dos EUA emitiu uma coleção de documentos atribuindo a culpa pela Segunda Guerra Mundial a Hitler e a Estaline. Moscovo ripostou com a sua própria publicação demonstrando as afinidades Ocidentais com o Nazismo. A luta continuou no Ocidente para lembrar a União Soviética do Pacto de não-agressão e apagar o papel preponderante do Exército Vermelho no esmagamento da Wehrmacht.

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No final da guerra, memórias do Pacto de não-agressão Nazi-Soviético, de Agosto de 1939, foram tiradas do armário.

Quantos de vós não viram algum filme de Hollywood em que os desembarques na Normandia são o grande ponto de viragem da guerra? «E se os desembarques tivessem falhado», ouve-se muitas vezes ? «Oh ... grande coisa», é a resposta apropriada. A guerra teria durado mais e o Exército Vermelho teria plantado as suas bandeiras nas praias da Normandia vindo do leste. Depois há os filmes sobre a campanha Aliada de bombardeamentos contra a Alemanha, como o factor «decisivo» para ganhar a guerra. Nos filmes de Hollywood acerca da Segunda Guerra Mundial o Exército Vermelho é invisível. É como se os Norte-americanos (e os Britânicos) estivessem reivindicando louros que não ganharam.

Eu gosto de perguntar aos alunos do meu curso universitário sobre a Segunda Guerra Mundial, quem já ouviu falar da operação Overlord? Todos levantam a mão. Então pergunto quem ouviu falar da Operação Bagration? Quase ninguém levanta a mão. Ironicamente pergunto quem «ganhou» a guerra contra a Alemanha Nazista e a resposta é «América», claro. Apenas uns poucos alunos —normalmente aqueles que tiveram outros cursos comigo— responderão a União Soviética.

A verdade é um trabalho árduo num mundo Ocidental onde as «fake news» ("notícias forjadas") são a norma. A OSCE e o Parlamento Europeu atiram a culpa da Segunda Guerra Mundial para a União Soviética, leia-se Rússia e o Presidente Vladimir Putin, como a mensagem subliminar. Hitler é quase esquecido nesta cacofonia de acusações sem provas. Por trás da falsa narrativa histórica estão os estados Bálticos, a Polónia e a Ucrânia, cuspindo ódio contra a Rússia. Os Baltas e a Ucrânia recordam agora os colaboracionistas Nazis como heróis nacionais e celebram os seus feitos. Na Polónia, para algumas pessoas, isso é difícil de engolir; eles lembram os colaboracionistas Nazis Ucranianos que assassinaram dezenas de milhar de Polacos (poloneses-br) em Volhynia. Infelizmente, tais memórias não impediram hooligans Polacos de vandalizar monumentos aos mortos de guerra do Exército Vermelho ou de profanar cemitérios de guerra Soviéticos. Os «nacionalistas» Polacos não conseguem suportar a memória do Exército Vermelho libertando a Polónia do invasor Nazista.

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Os veteranos, menos a cada ano que passa, saem à rua vestindo uniformes que muitas vezes não lhes caiem muito bem ou jaquetas surradas cobertas com medalhas e ordens de guerra. 
 
Na Rússia, contudo, a propaganda mentirosa do Ocidente não surte efeito. A União Soviética produziu os seus próprios filmes, e a Federação Russa também, acerca da Segunda Guerra Mundial, mais recentemente sobre a defesa da fortaleza de Brest e de Sebastopol, e a batalha de Estalinegrado.
Todos os anos, a 9 de Maio, os Russos lembram os milhões de soldados que lutaram e morreram, e os milhões de civis que sofreram e morreram às mãos do invasor Nazista. Os veteranos, menos a cada ano que passa, saem à rua vestindo uniformes que muitas vezes não lhes caiem bem ou jaquetas surradas cobertas com medalhas e ordens de guerra. «Tratem-nos com tacto e respeito», escreveu Zhukov nas suas memórias: «É um pequeno preço depois do que fizeram por vós em 1941-1945». Como se consegue, perguntei-me a mim próprio observando-os no Dia da Vitória há alguns anos atrás, como se aguenta, vivendo constantemente com a morte e tanta tristeza e sofrimento?

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Uma marcha do Regimento Imortal em Moscovo

Agora, em cada ano no Dia da Vitória, o «regimento imortal», o "bessmertnyi polk", marcha; Russos em cidades e vilas por todo o país e no exterior, marcham juntos carregando grandes fotografias de membros da família, homens e mulheres, que lutaram na guerra. «Nós recordamos», eles querem dizer : «e nunca nos esqueceremos de vocês».
Tradução
Alva
Fonte
Strategic Culture Foundation (Rússia)

aqui:http://www.voltairenet.org/article201181.html

domingo, 22 de abril de 2018

Seguir o chefe, mesmo que se chame Donald Trump

por José Goulão

O sofrimento das crianças vende audiências e os terroristas sírios fazem-no até ao cadáver. Por cá, Costa e Marcelo assobiam marchas militares e seguem o chefe. Restam-nos a vergonha e o nojo.



Fotografia do documentário de Vanessa Beeley sobre os «capacetes brancos», segundo a agência SANA, que cita Beeley como tendo posto a descoberto que o grupo é uma criação propagandística criado por James Le Mesurier, ex-oficial de informações militares britânico.
Fotografia do documentário de Vanessa Beeley sobre os «capacetes brancos», segundo a agência SANA, que cita Beeley como tendo posto a descoberto que o grupo é uma criação propagandística criado por James Le Mesurier, ex-oficial de informações militares britânico. CréditosFonte: Beirut Press
 

Riam Dalati é um produtor de informação internacional da circunspecta BBC britânica, a trabalhar como enviado especial na Síria desde 2012. Em 11 de Abril, enquanto o mundo dito «informado» e «civilizado» esperava que ilustres democratas como Trump, May e Macron ajustassem contas com os autores do «grande massacre químico de Duma», que teria provocado um número tão indefinido de vítimas que cabe algures entre 50 e 500, a paciência de Dalati esgotou-se:

«Estou enojado e cansado de ver activistas e rebeldes usar cadáveres de crianças para forjar cenas emotivas para consumo ocidental. E depois interrogam-se sobre as razões pelas quais jornalistas põem em causa partes da narrativa» – escreveu ele no Twitter, acompanhando as palavras com imagens ilustrativas do conteúdo da mensagem.

O tweet esteve pouco tempo exposto, antes de se sumir nos subterrâneos censórios da rede, o que não impediu a reprodução da mensagem à velocidade da luz, através da internet. É certo que não chegou aos consumidores da informação digna e com chancela de qualidade que a põe a salvo de qualquer risco de contaminação pela «propaganda russa», mas despertou milhões para uma realidade cada vez mais difícil de esconder.

Em tweet anterior, Riam Dalati já mostrara o seu inconformismo perante as versões oficiais postas a circular sobre o que acontecera em Duma, desmontando então a foto do «último abraço», a chocante imagem com que os «Capacetes Brancos», destacamento dos serviços secretos britânicos, agitaram a opinião pública mundial. Os cadáveres de duas crianças mortas em andares separados de um prédio que desabou em Duma – como testemunham fotos captadas imediatamente a seguir à tragédia – foram depois colocados lado-a-lado, em posição de dramático abraço, para as fotos captadas no local de recolha e identificação das vítimas. É difícil qualificar adequadamente os seres humanos capazes de tais práticas necrófilas.

Os frequentadores do jornalismo sério, profissional e independente já tinham posto os olhos numa extraordinária reportagem do enviado da BBC, dada a conhecer em 13 de Novembro passado, na qual expôs minuciosamente, sem margem para dúvidas nem espaço para teses conspirativas, abundantes provas de que as potências da NATO, tão expeditas em bombardear arsenais químicos sem libertar um átomo de veneno para a atmosfera, estavam a mobilizar os próprios meios militares para dar fuga e encaminhar para novas regiões de acolhimento os terroristas do Estado Islâmico derrotados em Raqqa, o seu quartel-general na Síria ocupada. «O segredo sujo de Raqqa» é o título dado por Dalati ao seu trabalho.

Outro profissional da comunicação, o norte-americano Tucker Carlson da Fox News, por sinal uma das estações de televisão mais favoráveis a Donald Trump, levou a peito a frase de Orwell segundo a qual «a liberdade é também a capacidade de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir» e foi incapaz de se conter ao cabo de tantas certezas oficiais e académicas sobre Duma. Desabafou em directo:

«Todos os génios que dizem que Assad matou essas crianças saberão o que estão a dizer? Claro que não sabem. Estão a inventar. Não fazem ideia nenhuma do que aconteceu».

Também de nacionalidade norte-americana, o enviado especial da One America News Network (OAN) ao «massacre de Duma», Pearson Sharp, expôs frontalmente, perante as câmeras, os resultados da sua investigação no terreno: vagueou pelas ruas, entrevistou mais de 40 pessoas escolhidas ao acaso, visitou residências, hospitais, variados locais públicos e não viu nem ouviu nada que indiciasse a existência de um ataque químico. Vale a pena vê-lo e ouvi-lo:


Poderia continuar esta caminhada, de caso em caso, de profissional em profissional. Citar os vídeos e as fotos testemunhando que, nas zonas sírias controladas por terroristas, «moderados» ou não, há lugares onde as crianças são treinadas a simular os efeitos de ataques químicos, numa espécie de concursos em que são distinguidas as que melhor interpretam, por exemplo, os espasmos da agonia; ou então dar voz às declarações de pessoas que participaram nessas encenações, identificando-se a elas próprias nos vídeos em que foram figurantes.

Para muitos, através do mundo, a verdade destas mentiras montadas para não deixar esmorecer a guerra tornou-se um facto admissível, ou mesmo inquestionável.

Para muitos outros subsiste o natural cepticismo. Os efeitos da tese da teoria da conspiração são fortes e duradouros. Além disso, a guerra de propagandas é inerente aos conflitos militares, muito mais em situações, como a da Síria, onde se enfrentam, agora directamente, as mais poderosas potências mundiais.

A posição cúmplice de Portugal: lamentável, confrangedora e ultrajante

 

Há que distinguir, porém, entre o cidadão comum, certamente mais dependente da comunicação social que lhe chega sem fazer qualquer esforço, daqueles que têm outros níveis de responsabilidade política e social, como os deputados, os ministros, o primeiro-ministro, o Chefe de Estado.

É lamentável que a maioria dos eleitos da Assembleia da República tenham dado como confirmada a história do suposto ataque químico de Duma, apenas com base na versão dos «Capacetes Brancos», e não se informassem mais pluralmente antes de votar – assumindo como dogma as posições belicistas da NATO e da União Europeia, como seu braço civil.

É confrangedor que o primeiro-ministro António Costa tenha permitido que o Chefe de Estado envolvesse o governo na sua grotesca e submissa declaração de cumplicidade com uma agressão militar ilegal; e que, não contente com isso, tenha adoptado o mesmo tom subserviente na sua própria declaração. Como se estivesse a penitenciar-se aceitando humildemente, e como merecidos, os puxões de orelhas que, pelos vistos, recebeu por não ter expulsado diplomatas russos na sequência da história de venenos e espiões que cheira a aldrabice de uma ponta à outra.

É ultrajante e abusivo para os portugueses que o Presidente da República, também renomado professor de Direito, tenha associado Portugal ao mais descaradamente ilegal acto de guerra praticado por aqueles a quem qualificou como «amigos e aliados», corresponsabilizando-se, deste modo, por um acto criminoso contra um país e um povo soberanos que viola o direito internacional da forma mais grosseira possível.

Maioria de deputados, governo e Presidente da República assumiram-se assim como cúmplices de um acto fora-de-lei na cena internacional; acataram, sem reticências, pretextos e alegações que ou já se revelaram inquestionáveis mentiras ou carecem de investigação por organismos credíveis.

À hora a que o Chefe de Estado proferiu a profissão de fé validando as razões da agressão contra a Síria já tinha obrigação de saber que os agressores mentiram deliberadamente: os locais alvejados não guardavam armas químicas, ao contrário do invocado, porque não consta que deles tenha brotado sequer um átomo de veneno para as imediações.

A irresponsabilidade de Marcelo Rebelo de Sousa ao abusar da palavra em nome dos seus concidadãos foi mais longe: envolveu o país num acto de guerra que, se tivesse corrido de acordo com os fins e segundo as circunstâncias descritas pelos autores, provocaria, então sim, um autêntico ataque químico susceptível de arrasar todas as formas de vida em redor.

Um parênteses: a guerra humanitária de Theresa May

 

Tratou-se, portanto, de um atentado de terrorismo de Estado praticado contra a Síria, hipocritamente em nome dos direitos humanitários do povo sírio, através de uma cruzada para atenuar «o seu sofrimento», como beatificamente sentenciou Theresa May, a primeira-ministra britânica. Que tem como marido e conselheiro um gestor de topo do Capital Group, fundo de investimento que possui cerca de dez por cento da Lockheed Martin, gigante da indústria da morte e fabricante dos mísseis de cruzeiro JASSM, que se estrearam neste acto piedoso contra território sírio, assim gerando um merecido reforço de lucros a quem os fabrica e financia. Cada unidade desses mísseis custa a modesta quantia de milhão e meio de euros. E cada acção da Lockheed Martin valorizou-se 2,3% na primeira sessão de bolsa a seguir ao dia do bombardeamento.

Da Cimeira das Lajes à actualidade, vamos de mal a pior

 

Para a História, e para que se interpretem objectivamente eventuais acontecimentos vindouros que poderão não ocorrer por «azar» ou ser «obra do acaso», fica o facto de as autoridades portuguesas em funções terem conseguido ultrapassar, em cota de desprezo pelo direito internacional, o comportamento das que, há 15 anos, arrastaram o país para a conivência com a invasão terrorista do Iraque. Nesse caso, a guerra assentou em mentiras, mas foi suportada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU; nos dias que correm, a guerra baseia-se em mentiras, trava-se sem mandato das Nações Unidas e mesmo contra a Carta das Nações Unidas. Dentro das atitudes condenáveis, o país foi levado de mal a pior.

A escassos dias das celebrações do 44º aniversário da Revolução de Abril, Portugal surge enrodilhado numa teia vergonhosa e perigosa de ilegalidade internacional, com expressões terroristas; uma teia tecida pela NATO e pela União Europeia, assente na habitual invocação cínica dos direitos humanos, da liberdade e da democracia. Valores reduzidos um pouco mais a pó, dia após dia, mercê de tão vigorosos como permanentes espezinhamentos.

Esqueçam tudo quanto eventualmente ouviram dizer de mal a Macron, May, Juncker, Merckel, Marcelo, Costa e muitos outros parceiros garbosamente «atlantistas» e «europeístas», a propósito de Donald Trump; e que possam soar como condenações, discordâncias, até reparos irónicos, manifestações de dissidência, acusações contundentes sobre a pessoa e a conduta do presidente norte-americano em exercício. Não passam de exercícios políticos inconsequentes, palavras ditadas pelo oportunismo do politicamente correcto, afinal sem conteúdo nem verdadeira acrimónia.

A partir de agora, porém, quaisquer reparos críticos ao presidente norte-americano dirigidos pelos seus «amigos e aliados» terão, logo que proferidos, tanta consistência como as verdades oficiais em torno do ataque químico em Duma, das tentativas de liquidação dos Skripal, ou dos arsenais químicos aniquilados pelos mísseis que consumaram a agressão de 14 de Abril contra a Síria, provavelmente o prólogo de algo mais substancial e catastrófico que paira agora um pouco mais ameaçador sobre o planeta. O grupo naval do porta-aviões norte-americano «Harry S. Truman» saiu há poucos dias de Norfolk, provavelmente em direcção às imediações da Síria, pelo que ainda são necessárias algumas semanas antes de estar operacional para a nova missão. Qual será?

Coisa pacífica e pacificadora não será, por certo. Porém, digníssimos dirigentes como Macron, May, Merckel, Rajoy, Tusk, Orban, Costa e Marcelo não precisam de se preocupar nem de se desviar das ocupações diárias, por exemplo cortar décimas do défice, salários de quem trabalha, direitos de cidadania.

Todos sabem, de cor e salteado, o que fazer quando a altura chegar: tal como agora, basta-lhes seguir o chefe, ainda que o chefe de turno se chame Donald Trump.

aqui:https://www.abrilabril.pt/internacional/seguir-o-chefe-mesmo-que-se-chame-donald-trump

terça-feira, 27 de março de 2018

A integridade desapareceu do ocidente


por Paul Craig Roberts 
 
Entre os líderes políticos do ocidente não há nem um grama de integridade ou moralidade. Os media impressos e a TV do ocidente são desonestos e corruptos para além de qualquer conserto. Mas o governo russo persiste na sua fantasia de "trabalhar com os parceiros ocidentais da Rússia". O único meio de a Rússia poder trabalhar com bandidos é ela própria tornar-se uma bandida. Será isso o que quer o governo russo?

Finian Cunningham nota o absurdo do alvoroço entre os políticos e o media acerca do (tardio) telefonema a Putin para congratulá-lo pela sua reeleição com 77 por cento dos votos, uma mostra de aprovação pública que nenhum líder político ocidental poderia atingir. O enlouquecido senador do Arizona chamou a pessoa com a maior maioria de votos do nosso tempo de "um ditador". Mas um ditador real empapado em sangue na Arábia Saudita é festejado na Casa Branca e bajulado pelo presidente dos Estados Unidos.    www.informationclearinghouse.info/49069.htm

Os políticos e presstitutos ocidentais estão moralmente ultrajados acerca de um alegado envenenamento, não apoiado por qualquer prova, de um antigo espião sem importância às ordens do próprio presidente da Rússia. Esta espécie de insultos insanos lançados ao líder da mais poderosa nação do mundo em termos militares – e a Rússia é uma nação, ao contrário dos mestiços países ocidentais – levanta as probabilidade de um Armagedão nuclear muito superior aos riscos incorridos durante a Guerra Fria do século XX. Os loucos insanos que fazem estas acusações não provadas mostram desrespeito total por toda a vida sobre a terra. Eles encaram-se como o sal da terra e como pessoas "excepcionais, indispensáveis".

Pense acerca do alegado envenenamento de Skirpal pela Rússia. O que pode ser isto senão um esforço orquestrado para demonizar o presidente da Rússia? Como pode o ocidente estar tão ultrajado com a morte de um agente duplo, isto é, de uma pessoa enganosa, e completamente indiferente aos milhões de pessoas destruídas pelo ocidente só no século XXI. Onde está o ultraje entre os povos ocidentais quanto às mortes maciças pelas quais o ocidente, a actuar através do seu agente saudita, é responsável no Iémen? Onde está o ultraje ocidental entre os povos do ocidente acerca dos mortos na Síria? Os mortos na Líbia, na Somália, no Paquistão, na Ucrânia, no Afeganistão? Onde está o ultraje no ocidente quanto à constante interferência ocidental nos assuntos internos de outros países? Quantas vezes Washington derrubou um governo democraticamente eleito nas Honduras e reinstalou um fantoche seu?

A corrupção no ocidente estende-se para além de políticos, presstitutos e um displicente público de peritos. Quando a ridículo Condi Rici, conselheira de segurança nacional do presidente George W. Bush, falou de armas de destruição e massa de Saddam Hussein, não existentes, a enviarem uma nuvem nuclear sobre uma cidade americana, tais peritos não se riram dela. A probabilidade de um evento assim era precisamente zero e todo perito sabia disso, mas os peritos corruptos mantiveram suas bocas caladas. Se eles falassem a verdade, sabiam que não ficariam na TV, não obteriam uma gratificação do governo, estariam fora de cogitação para uma nomeação governamental. Assim, aceitaram a mentira absurda destinada a justificar uma invasão americana que destruiu um país.

Isto é o ocidente. Não há nada senão mentiras e indiferença para com as mortes de outros. O único ultraje é orquestrado e dirigido contra um alvo: o Taliban, Saddam Hussein, Gaddafi, Irão, Assad, Rússia e Putin, e contra líderes reformistas na América Latina. Os alvos do ultraje de Washington são sempre aqueles que actuam independentemente de Washington ou que já não são úteis para os seus propósitos.

A qualidade das pessoas em governos ocidentais chegou ao colapso, ao próprio fundo do barril. Os britânicos realmente têm uma pessoa, Boris Johnson, como secretário do Exterior que é tão desprezado que um antigo embaixador britânico não tem escrúpulos em chamá-lo categoricamente como mentiroso.    www.informationclearinghouse.info/49067.htm   O laboratório britânico de Porton Down, ao contrário da afirmação de Johnson, não identificou o agente associado com o ataque a Skirpal como um agente novichok russo. Note-se também que se o laboratório britânico é capaz de identificar um agente novichok, também tem a capacidade de produzi-lo, uma capacidade que têm muitos países pois as fórmulas foram publicadas anos atrás num livro.

Que o envenenamento por novichok de Skirpal é uma orquestração é óbvio. No minuto em que o evento ocorreu a narrativa estava pronta. Sem qualquer evidência à mão, o governo britânico e os media presstitutos estavam a berrar "os russos fizeram isto". Não contente com isso, Boris Johnson berrou: "Putin fez isto". A fim de incutir temor e ódio à Rússia na consciência britânica, ensinam às crianças nas suas escolas que Putin é como Hitler.    russia-insider.com/...

Orquestrações tão flagrantes como esta demonstram governos ocidentais sem respeito pela inteligência dos seus povos. Que governos ocidentais escapem impunes a estas mentiras fantásticas indicam que os mesmos são imunes à responsabilização. Mesmo se a responsabilização fosse possível, não há sinal de que povos ocidentais sejam capazes de fazer com que seus governos sejam responsabilizados. Quando Washington conduz o mundo à guerra nuclear, onde estão os protestos? O único protesto é de escolares com cérebro lavado a queixarem-se da National Rifle Association e da Segunda Emenda.

A democracia ocidental é uma farsa. Considere-se a Catalunha. O povo votou pela independência e foi denunciado por fazer isso pelos políticos europeus. O governo espanhol invadiu a Catalunha alegando que o referendo popular, no qual o povo exprimiu sua opinião acerca do seu próprio futuro, era ilegal. Líderes catalães estão na prisão à espera de julgamento, excepto Carles Puigdemont que escapou para a Bélgica. Agora a Alemanha capturou-o no seu retorno à Bélgica vindo da Finlândia, onde deu uma conferência na Universidade de Helsínquia e está a mantê-lo preso para um governo espanhol que tem mais semelhança com Francisco Franco do que com democracia.   www.rt.com/news/422269-catalan-puigdemont-detained-germany/ A própria União Europeia é uma conspiração contra a democracia.

O êxito da propaganda ocidental em atribuir a si próprio virtudes não existentes é o maior êxito de relações públicas da história. 

26/Março/2018
Ver também:
  • We're Headed To War With Russia, and No One Seems to Care , The Saker
  • US expulsion of Russian diplomats is ‘declaration of war , George Galloway

  • Neocons Are Back With A Big War Budget & Big War Plans , Ron Paul

    O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/2018/03/26/integrity-vanished-west/


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • quinta-feira, 22 de março de 2018

    Quatro dias para declarar uma Guerra Fria

    por Thierry Meyssan

     A semana que acaba de decorrer foi extraordinariamente rica em acontecimentos. Mas nenhum média esteve à altura de dar conta deles já que todos mascararam deliberadamente alguns dos factos para proteger a narrativa que, a propósito, divulgava o seu governo. Londres tentou provocar um grande conflito, mas perdeu face à Rússia, ao Presidente Trump e à Síria.


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    Embora dispondo do quarto exército no mundo, o Reino Unido não pode desafiar a Rússia sem se apoiar em aliados. Tem, portanto, que inventar um casus belli, e fazer os seus parceiros reagir para os levar a exporem-se junto com ele. 
     

    O governo britânico e alguns dos seus aliados, entre os quais o Secretário de Estado, Rex Tillerson, tentaram lançar um esquema de Guerra Fria contra a Rússia.

    O seu plano previa, por um lado, encenar um atentado contra um ex-agente duplo em Salisbury e, por outro, um ataque químico contra os «rebeldes moderados» na Ghuta. Os conspiradores pretendiam aproveitar-se do esforço da Síria a libertar os subúrbios da sua capital e da distração da Rússia por ocasião da sua eleição presidencial. Na sequência destas manipulações, o Reino Unido teria pressionado os EUA a bombardear Damasco, incluindo o palácio presidencial sírio, e pedido à Assembleia Geral da ONU para excluir a Rússia do Conselho de Segurança.

    No entanto, os Serviços de Inteligência sírio e russo souberam do que se tramava. Eles ficaram convictos que os agentes dos EUA que preparavam, a partir da Ghuta, um ataque químico contra a própria Ghuta não dependiam do Pentágono, mas, antes de uma outra agência dos EUA.

    Em Damasco, o Vice-ministro das Relações Exteriores, Fayçal Miqdad, convocou de urgência uma conferência de imprensa, a 10 de Março, para alertar os seus concidadãos. Por seu lado, Moscovo primeiro tentou alertar Washington pelos canais diplomáticos. Mas, sabendo que o Embaixador dos EUA, Jon Huntsman Jr, é administrador da Caterpillar, a qual forneceu tuneladoras (tatuzões-br) aos jiadistas para que eles construissem as suas fortificações, tentou contornar a via diplomática normal.

    Eis, pois, como os acontecimentos se encandearam :

     

    12 de Março de 2018


    O Exército sírio capturou dois laboratórios de armas químicas, o primeiro a 12 de Março, em Aftris, e o segundo no dia seguinte, em Shifunya. Enquanto a diplomacia russa pressiona a Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) a entrar na investigação criminal de Salisbury.

    A Primeira-ministro britânica, Theresa May, acusa violentamente a Rússia, na Câmara dos Comuns, de ter comanditado o atentado de Salisbury. Segundo ela, o ex-agente duplo Serguei Skripal e a sua filha teriam sido envenenados com uma substância militar neurotóxica do tipo «desenvolvido pela Rússia» sob o nome de “novitchok”. Sabendo que o Kremlin considera os seus cidadãos que desertaram como alvos legítimos, seria, pois, altamente provável que tivesse comanditado o crime.

    O “novitchok” é conhecido através do que revelaram a propósito duas personalidades soviéticas, Lev Fyodorov e Vil Mirzayanov. O cientista Fyodorov publicou um artigo no semanário russo Top Secret (Совершенно секретно), em Julho de 1992, alertando para a extrema periculosidade deste e chamando a atenção contra a utilização de antigas armas soviéticas, pelos Ocidentais, para destruir o meio ambiente na Rússia e torná-la inviável. Em Outubro de 1992, ele publicou um segundo artigo no Novidades de Moscovo (Московские новости), junto com um responsável da contra-espionagem, Mirzayanov, denunciando a corrupção de certos generais e o tráfico de “novitchok” ao qual se dedicariam. Eles ignoravam a quem o teriam podido vender. Mirzayanov foi primeiro preso por alta traição, depois libertado. Se Fyodorov morreu na Rússia, em Agosto passado, Mirzayanov vive no exílio nos Estados Unidos, onde ele colaborou com o Departamento da Defesa.

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    O antigo oficial russo da contra-espionagem Vil Mirzayanov desertou para os Estados Unidos. Aos 83 anos, ele comenta o «caso Skripal» a partir de Boston.

    O “novitchok” era fabricado num laboratório soviético em Nurus, no actual Uzbequistão. Aquando da dissolução da União Soviética, ele foi destruído por uma equipe norte-americana especializada. O Uzbequistão e os Estados Unidos, portanto, obrigatoriamente possuíram e estudaram amostras desta substância. Ambos são capazes de o produzir.

    O Ministro britânico dos Negócios Estrangeiros ( Relações Exteriores-br), Boris Johnson, convoca o Embaixador russo em Londres, Alexander Yakovenko. Apresenta-lhe um ultimato de 36 horas para verificar se falta “novitchok”nos seus stocks (estoques-br). O Embaixador responde-lhe que não falta nada porque a Rússia destruiu a totalidade das armas químicas herdadas da União Soviética e a OPCW (OPAQ) pronunciou-se a propósito.

    Após uma conversa telefónica com Boris Johnson, o Secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, condena, por sua vez, a Rússia pelo atentado de Salisbury.

    Enquanto isso, um debate sobre a situação na Ghuta desenrola-se no Conselho de Segurança da ONU. A Representante permanente dos Estados Unidos, Nikki Haley, afirma aí: «Há quase um ano, após o ataque de gás sarin perpetrado em Khan Sheikun pelo regime sírio, os Estados Unidos tinham alertado o Conselho. Dissemos que, face à inação sistemática da comunidade internacional, os Estados, por vezes, são obrigados a agir por conta própria. O Conselho de Segurança não agiu, e os Estados Unidos atacaram a base aérea a partir da qual al-Assad lançara o seu ataque de armas químicas. Nós reiteramos o mesmo aviso hoje.

    Os Serviços de Inteligência russos fazem circular documentos do Estado-maior norte-americano. Eles mostram que o Pentágono está prestes a bombardear o palácio presidencial e os ministérios sírios, dentro do modelo do que fez aquando da tomada de Bagdade (3 a 12 de Abril de 2003).

    Comentando a declaração de Nikki Haley, o Ministério russo dos Negócios Estrangeiros, que sempre qualificou o caso de Khan Sheïkhun de «manipulação ocidental», revela que as falsas informações, que induziram na altura a Casa Branca em erro e a levaram a bombardear a base de Al-Shayrat, provinham de um laboratório britânico que nunca indicou como tinha recolhido as amostras.

     

    13 de Março de 2018


    O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros publica um comunicado condenando uma possível intervenção militar dos EUA e anunciando que se cidadãos russos fossem atingidos em Damasco Moscovo ripostaria de maneira proporcional ; uma vez sendo o Presidente russo constitucionalmente responsável pela segurança dos seus concidadãos.

    Contornando a via diplomática, o Chefe do Estado-Maior russo, o General Valeri Guerassimov, contacta o seu homólogo americano, o General Joseph Dunford, para o informar sobre os seus receios quanto a um ataque químico de bandeira falsa na Ghuta. Dunford toma o assunto muito a sério e alerta o Secretário da Defesa dos EUA, o General Jim Mattis, que refere o caso ao Presidente Donald Trump. Tendo em vista a garantia dada pelos Russos, segundo os quais este golpe sujo estaria preparado à revelia do Pentágono, a Casa Branca pede ao Director da CIA, Mike Pompeo, para identificar os responsáveis deste complô.

    Ignoramos o resultado dessa investigação interna, mas o Presidente Trump ganha a convicção quanto à implicação do seu Secretário de Estado, Rex Tillerson. Este é imediatamente convidado a interromper a sua viagem oficial em África e a voltar para Washington.

    Theresa May escreve ao Secretário-geral da ONU para acusar a Rússia de ter comanditado o atentado de Salisbury e para convocar uma reunião de urgência do Conselho de Segurança. De imediato, ela expulsa 23 diplomatas russos.
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    Publicado um mês e meio antes do atentado de Salisbury, o livro de Amy Knight apresenta o que se vai tornar a tese do MI5. A autora afirma, por si mesma, que não tem a menor prova do que escreve.

    A pedido da Presidente da Comissão do Interior da Câmara dos Comuns, Yvette Cooper, a Secretária britânica do Interior, Amber Rudd, anuncia que o MI5 (Serviço Secreto Militar do Interior) vai reabrir 14 inquéritos sobre mortes que, segundo fontes dos EUA, teriam sido comanditadas pelo Kremlin.

    Ao fazê-lo, o governo britânico adopta as teorias da professora Amy Knight. A 22 de Janeiro de 2018, esta sovietóloga dos EUA publicava um livro muito estranho: «Ordens para matar: o regime de Putin e o assassinato político». A autora, que é «a» especialista do antigo KGB, tenta aí demonstrar que Vladimir Putin é um assassino em série, responsável por dezenas de assassinatos políticos, indo desde os atentados de Moscovo, em 1999, até aos da Maratona de Boston, em 2013, passando pela execução de Alexander Litvinenko em Londres, em 2006, ou a de Boris Nemtsov em Moscovo, em 2015. No entanto, ela confessa, por si própria, que não há nenhuma prova quanto às suas acusações.

    Os liberais europeus entram na dança. O antigo Primeiro-ministro belga, Guy Verhofstadt, que preside o seu grupo no Parlamento Europeu, exorta a UE a lançar sanções contra a Rússia. O seu homólogo à cabeça do correspondente Partido britânico, Sir Vince Cable, propõe um boicote europeu ao Campeonato do Mundo de futebol. Desde logo, o Palácio de Buckingham anuncia que a família real cancela a sua viagem à Rússia.

    A autoridade reguladora britânica, a Ofcom, anuncia que poderia proibir o canal de Tv Russia Today a título de retaliação, muito embora esta não tenha, de forma alguma, violado as leis britânicas.

    O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros convoca o Embaixador britânico em Moscovo para o informar que medidas de reciprocidade lhe serão indicadas em breve, em retorsão pela expulsão de diplomatas russos de Londres.

    O Presidente Trump anuncia no Twitter que demitiu o seu Secretário de Estado, com o qual não tinha ainda entrado em contacto. Ele é substituído por Mike Pompeo, ex-Director da CIA, que confirmou na véspera a autenticidade das informação russas transmitidas pelo General Dunford. Chegado a Washington, Tillerson recebe a confirmação da sua demissão pelo Secretário-geral da Casa Branca, o General John Kelly.

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    O antigo patrão da maior multinacional no mundo, ExxonMobil, julgava-se acima da barafunda. Para sua grande surpresa, Rex Tillerson foi brutalment despedido por Donald Trump. O primeiro pensava servir o mundo anglo-saxónico, enquanto o segundo o considerou como um traidor à sua pátria.

    O ex-Secretário de Estado, Rex Tillerson, é originário da burguesia texana. A sua família e ele próprio fizeram parte dos Escoteiros norte-americanos, dos quais se tornou o Presidente nacional (2010-12).

    Culturalmente próximo da Inglaterra, não hesitou, assim que se tornou tornou Presidente da mega multinacional Exxon-Mobil (2006-16), tanto a realizar uma campanha politicamente correcta para aceitar jovens gays entre os Escoteiros, como a recrutar mercenários na Guiana Britânica. Ele seria membro da Pilgrims Society, o mais prestigiado clube anglo-americano, presidido pela Rainha Isabel II, do qual inúmeros membros fizeram parte da Administração Obama.

    Durante as suas funções na Secretaria de Estado, a sua esmerada educação forneceu uma caução a Donald Trump, considerado pela alta sociedade dos EUA como um histrião. Ele entrou em conflito com o seu Presidente sobre três assuntos importantes que nos permitem definir a ideologia dos conspiradores :
    - Como Londres e o Estado profundo dos EUA, ele julgava útil demonizar a Rússia para consolidar o Poder dos Anglo-Saxónicos no campo ocidental ;
    - Como Londres, ele julgava que para manter o colonialismo ocidental no Médio-Oriente, era preciso favorecer o Presidente iraniano Xeque Rohani contra o Guia da Revolução o aiatola Khamenei. Ele apoiava portanto o acordo dos 5+1.
    - Como o Estado profundo dos EUA, ele considerava que a báscula da Coreia do Norte em direcção aos Estados Unidos devia permanecer secreta e ser utilizada para justificar um avanço militar dirigido, na realidade, contra a China popular. Era, portanto, favorável a conversações oficiais com Pyongyang, mas oposto a um encontro entre os dois chefes de Estado.

     

    14 de Março de 2018


    No momento em que Washington está em estado de choque, Theresa May intervém novamente, na Câmara dos Comuns, para aí desenvolver a sua acusação, enquanto no mundo inteiro os diplomatas britânicos tomam a palavra em inúmeras organizações inter-governamentais para lhes transmitir a mensagem. Respondendo à Primeira-ministro, o deputado blairista, Chris Leslie, qualifica a Rússia de “Estado-canalha” e pede a sua suspensão do Conselho de Segurança da ONU. Theresa May compromete-se a examinar a questão, frisando, ao mesmo tempo, que isso só poderia ser decidido pela Assembleia Geral afim de contornar o veto russo.

    O Conselho do Atlântico Norte (OTAN) reúne-se em Bruxelas a pedido do Reino Unido. Os 29 Estados-membro estabelecem uma ligação entre a utilização de armas químicas na Síria e o atentado de Salisbury. Eles consideram a Rússia como «provavelmente» responsável por estes dois acontecimentos.

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    Jens Stoltenberg, Secretário-geral da OTAN, e a representante permanente do Reino Unido no Conselho do Atlântico Norte, Sarah MacIntosh. Esta é a antiga directora para as questões de Defesa e de Inteligência no Ministério britânico dos Negócios Estrangeiros, posto que deixou a Jonathan Allen, actual Encarregado de Negócios na ONU.

    Em Nova Iorque, o Representante permanente da Rússia, Vasily Nebenzya, propõe aos membros do Conselho de Segurança a adopção de uma declaração atestando a sua vontade comum em lançar luz sobre o atentado de Salisbury e em confiar a investigação à OPAQ, dentro do respeito pelos procedimentos internacionais estabelecidos. Mas, o Reino Unido rejeita qualquer texto que não inclua a expressão segundo a qual a Rússia seria «provavelmente responsável» pelo atentado.

    Durante o debate público que se segue, o Encarregado de Negócios do Reino Unido, Jonathan Allen, representa o seu país. É um agente do MI6, que criou o serviço de propaganda de guerra do Reino Unido e deu o seu apoio activo aos jiadistas na Síria. Ele declara : «A Rússia já interferiu nos assuntos de outros países, a Rússia já violou o Direito Internacional na Ucrânia, a Rússia despreza a vida de civis, como o demonstra o ataque a um avião comercial por cima da Ucrânia por mercenários russos, a Rússia protege o emprego por Assad de armas químicas (...) O Estado russo é responsável por esta tentativa de assassínio. O Representante permanente da França, François Delattre, que em virtude de um decreto derrogatório do Presidente Sarkozy foi formado no Departamento de Estado dos EUA, lembra que o seu país lançou uma iniciativa para pôr fim à impunidade daqueles que utilizam armas químicas. Ele sugere que esta iniciativa dirigida contra a Síria poderia ser virada contra a Rússia.

    O Embaixador russo, Vasily Nebenzya, lembra que a sessão foi convocada a pedido de Londres, mas que só veio a ser pública a pedido de Moscovo. Ele observa que o Reino Unido viola o Direito Internacional ao evocar este caso no Conselho de Segurança enquanto mantêm a OPAQ à margem da sua investigação. Ele nota que se Londres pôde identificar o “novitchok” é porque possui a fórmula e, portanto, pôde fabricá-lo. Ele relembra a vontade expressa da Rússia em colaborar com a OPAQ, no quadro do respeito pelos procedimentos internacionalmente aceites.

     

    15 de Março de 2018


    O Reino Unido publica uma declaração conjunta co-assinada, no dia anterior, pela França, Alemanha, bem como por Rex Tillerson, que era ainda Secretário de Estado dos Estados Unidos. O texto retoma a suspeita britânica. Ele denuncia o emprego de «um agente neurotóxico de qualidade militar, de um tipo desenvolvido pela Rússia». Ele afirma que é «altamente provável que a Rússia seja responsável pelo atentado».

    O Washington Post publica uma carta aberta de Boris Johnson, enquanto o Secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, lança novas sanções contra a Rússia. Estas não estão ligadas ao caso em curso, mas às alegações de ingerência na vida pública dos EUA. O decreto cita, no entanto, o atentado de Salisbury como uma prova das acções sujas da Rússia.

    O Secretário da Defesa britânico, o jovem Gavin Williamson, declara que depois da expulsão dos seus diplomatas a Rússia devia «calar» (sic). É a primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial que um dirigente de um Estado membro permanente do Conselho de Segurança emprega um tal vocabulário em relação a um outro membro do Conselho. Serguei Lavrov comenta: «É um jovem encantador. Quer certamente marcar o seu lugar na história, fazendo para isso afirmações chocantes [...] Se calhar falta-lhe educação.

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    A Inglaterra não hesitou, ao longo de toda a sua história, em mentir e em trair a sua palavra para defender os seus interesses. Daí o seu qualificativo francês de «pérfida Albião» (do nome latino da Inglaterra).

     

    Conclusão


    Em quatro dias o Reino Unido e os seus aliados lançaram as premissas de uma nova divisão do mundo, de uma Guerra Fria.

    No entanto, a Síria não é o Iraque e a ONU não é o G8 (do qual a Rússia foi excluída devido à adesão da Crimeia à sua Federação, e pelo seu apoio à Síria). Os Estados Unidos não vão destruir Damasco e a Rússia não será excluída do Conselho de Segurança. Depois de se ter retirado da União Europeia, depois de se ter recusado a assinar a Declaração chinesa sobre a Rota da Seda, o Reino Unido pensava aumentar a sua importância eliminando um concorrente. Com este golpe manhoso, imaginava adquirir uma nova dimensão e tornar-se na «Global Britain» anunciada pela Sra. May. Mas acabou destruindo, ele próprio, a sua credibilidade.
     


    Tradução
    Alva

    aqui:http://www.voltairenet.org/article200270.html

    sábado, 10 de março de 2018

    O colapso do media e o que podemos fazer


    por Nafeez Ahmed e Andrew Markell [*]
     
    Quando um sistema entra na sua fase final de degradação – quer seja um sistema institucional, um Estado, um império ou o corpo humano – todos os importantes fluxos de informação, suportes de uma comunicação coerente, começam a falhar. Nesta derradeira fase, se a situação não for corrigida o sistema entra em colapso e morre.

    Tornou-se óbvio para quase todas as pessoas que se atingiu esta situação no planeta e nas nossas instituições democráticas. Vemos a absoluta disfuncionalidade de como está arquitectada a informação a nível global – representada na intersecção dos principais media de grande público, plataformas de tecnologia social e mega processadores internet – gerar apatia generalizada, desespero, insanidade e loucura numa escala aterradora.

    E temos razão para estar aterrorizados, porque esta situação está a impedir-nos de tomar as necessárias acções para resolver os desafios locais e globais. Enquanto os liberais lutam com conservadores e os conservadores com os liberais, perdemos um tempo precioso.

    Enquanto os progressistas lutam contra o governo, as grandes empresas e os super-ricos, nós afundamo-nos em desespero. Enquanto os filantropos, alimentados pela sua própria segurança e riqueza, lutam por justiça, por igualdade ou por alguma pobre aldeia em África tornamo-nos apáticos e distraídos da verdadeira origem do problema. E enquanto o presidente luta contra todos e todos contra o presidente, as comunidades enlouquecem.

    No fundo, no entanto, o jogo de acumular recursos e não os redistribuir acelera; absorvendo a soma total de nossas acções e compromissos colectivos, num futuro singularmente inaceitável. Há apenas uma maneira de evitar este destino; descobrir a origem da doença e cura-la mobilizando as soluções.

    Vamos desvendar a origem desta doença da informação que nos está a acelerar o colapso ecológico e institucional, porque uma vez identificada, estaremos livres para agir e construir uma alternativa.

    O colapso das instituições democráticas

    A civilização industrial está em vias de uma grande transformação, uma transição sistémica que nos pode levar à regressão, à crise e ao colapso; ou a uma nova forma de trabalhar e viver, um novo modo de prosperidade, uma nova noção de sucesso.

    O complexo dos media globais não está preparado para lidar com esta grande perturbação da civilização tal como a conhecemos. Pelo contrário, é literalmente incapaz de processar a informação de forma consistente e produzir para uma percentagem significativa da população mundial conhecimentos reais que possa tornar a humanidade capaz de efectuar com êxito a transição para uma nova era.

    Actualmente o complexo dos media globais agrava os problemas que enfrentamos.

    Fá-lo ao não fornecer, apesar das aparências, absolutamente nenhum conhecimento. O modelo predominante dos media é monopolizar e manipular fluxos de informação para produzir crenças e emoções que permitirão aos mega processadores internet maximizar "cliques", maximizar receitas de publicidade, maximizar lucros ?– para uns poucos.

    Portanto, ao invés de criar conhecimento, o complexo dos media globais está concebido para gerar narrativas em competição, polarizadas para diferentes públicos aglutinados em comunidades segregadas e irreconciliáveis; reforçando as crenças sem ensinar o pensamento crítico; atenuando atitudes de abertura e promovendo uma dicotomia esquerda-direita banalizada que alimenta uma cultura global de consumismo insensato.

    Esta estrutura, predominante nos media restringe a capacidade do público para tomar decisões inteligentes. E permite que os desafios globais em termos ecológicos, energéticos, económicos e sociais, entre outros, acelerem, enquanto discutimos entre nós sobre ideologia.

    A consequência é que esses fluxos de informação estão inexoravelmente ligados aos processos dominantes de maximização do lucro para uma escassa minoria; tanto é assim, que a relação das pessoas com a informação é gerida como um mecanismo de controlo sobre a atenção e a persuasão ideológica.

    A monopolização dos meios de comunicação e do jornalismo

    No âmago das nossas instituições democráticas em vias de colapso situa-se o complexo dos media globais. Se se for suficientemente corajoso para o olhar de perto veremos que quer a "imprensa livre" quer as "notícias falsas" funcionam como uma extensão estrutural de uma forma extrema de capitalismo predatório, usando informações para capturar riqueza para uns poucos em detrimento de muitos, através da captura das nossas mentes. São duas faces da mesma moeda que fabrica para as mesmas pessoas somas de dinheiro obscenas.

    Só temos de perscrutar para além das aparências para nos depararmos com este facto.

    Nos EUA, seis enormes conglomerados transnacionais possuem a totalidade dos meios de comunicação, incluindo jornais, revistas, editoras, redes de TV, canais por cabo, estúdios de Hollywood, etiquetas de gravação e websites populares: Time Warner, Walt Disney, Viacom, News Corp., CBS Corporation e NBC Universal.

    No Reino Unido, 71% dos jornais nacionais são possuídos por apenas três mega empresas, enquanto 80% dos jornais locais são propriedade de meras cinco empresas.

    Hoje, o maior proprietário mundial de media é o Google, seguido de perto pela Walt Disney, Comcast, 21st Century Fox e Facebook. Juntos, Google e Facebook monopolizam um quinto da receita publicitária global. E todas essas corporações controlam a maior parte do que se lê, vê e ouve, incluindo on-line. Eles definem a nossa compreensão do mundo e de nós próprios.

    Porém, representam um pequeno número de pessoas que têm uma visão muito estreita do mundo.

    Isto porque essas estruturas de poder fazem parte do que um estudo publicado na revista PLoS One, descreveu como uma "rede global de controlo de empresas". Os autores do estudo, uma equipa de teóricos de sistemas do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, descobriu que as 43 mil transnacionais mais poderosas do mundo são dominadas por 1318 empresas, por sua vez dominadas por uma "super entidade" de apenas 147 empresas.

    Portanto, a maioria do que se lê, vê ou ouve através dos media é estruturalmente condicionado por uma rede de interesses particulares auto-suficientes e autónomos. É por isso que a distinção entre notícias falsas e verdadeiras é ilusória e desonesta.

    Devido a essa estrutura, praticamente tudo o que encontramos como "notícias" funciona como um pedaço de subtil ou ostensiva propaganda para nos distrair da verdadeira actividade que dirige estes maquinismos. Pouco importa se provêm da Mother Jones, do New York Times, do Breitbart ou da Fox News – tudo o que chega até nós dentro desta estrutura produz o efeito debilitante de confundir as nossas mentes e estimular as nossas emoções numa mistura complexa de raiva, resignação, apatia e preguiça.

    A Google por trás do espelho

    Para entender o poder desses interesses particulares em monopolizar a informação ao serviço dos seus próprios objectivos, não precisamos olhar mais longe do que para a história do proprietário do maior de todos os media do mundo. Em janeiro de 2015, INSURGE revelou a história exclusiva de como a Google foi fundada e evoluiu sob a asa dos serviços secretos dos EUA.

    O relatório revelou como, durante o desenvolvimento do código do núcleo do motor de busca Google, um estudante de pós-graduação da Universidade de Stanford, Sergey Brin, recebeu financiamento através de um programa de pesquisa da CIA e da NSA, o Massive Digital Data Systems (MDDS). A confirmação veio de um ex-dirigente do MDDS, Dr. Bhavani Thuraisingham, que é agora o distinto professor Louis A. Beecherl diretor executivo do Cyber Security Research Institute da Universidade do Texas, em Dallas.

    Isso não foi necessariamente incomum – a comunidade dos serviços secretos tem estado envolvida em Silicon Valley por todas as espécies de razões óbvias. O interessante é que provavelmente nunca se soube como isto funcionou em relação ao Google. E isto diz muito sobre a forma como opera o complexo dos media globais. Suas afirmações são corroboradas por uma referência ao programa MDDS num documento de co-autoria de Brin e Larry Page co-fundador Google, seu companheiro quando estava em Stanford.

    Como os media – todos os media – lidam com a verdade

    Esta história foi totalmente ocultada na imprensa de língua inglesa, exceto o site de informações tecnológicas dos EUA Gigaom, que recomendou a nossa investigação da seguinte maneira:
    "Um relato interessante, ainda que extremamente denso, das interacções de longa data do Google com os serviços militares e secretos dos EUA, foi publicado nos media na semana passada."
    Isto tem implicações muito importantes que merecem análise cuidadosa: em suma, a história do Google, do seu financiamento inicial e parceria com a CIA e NSA [National Security Agency] são revelados, mas nem um único jornal de língua inglesa quis dar cobertura ou reconhecer a história. No entanto, que notícia poderia ser mais importante, do que um dos maior "facilitadores de informação" do mundo estar tão estreitamente alinhado com os serviços secretos dos EUA desde a sua origem?

    A falta de interesse não é o resultado de uma conspiração. É o resultado previsível do facto de o complexo dos media globais representarem uma estrutura institucional altamente centralizada que perpetua uma cultura de obediência servil ao poder.

    O complexo dos media globais oculta em grande parte conhecimentos importantes sobre a própria estrutura e natureza do poder. É por isso que esta é provavelmente a primeira vez que se viu a evidência directa de que o mais poderoso media do mundo, a Google, foi concebido com o apoio dos serviços secretos dos EUA.

    Poder e controlo sobre a nossa mente e os nossos recursos

    Isto não é sobre saber se o Google é singularmente "má". É sobre um paradigma mais amplo de padrões de propriedade inaceitáveis e redes sociais por toda a paisagem mediática.

    Considere-se William Kennard. Ele pertenceu à administração do New York Times, em seguida, tornou-se presidente da Comissão Federal de Comunicações. Depois entrou no grupo de Carlyle como diretor. A maioria do Carlyle pertence à Booz Allen Hamilton, empresa que gere a vigilância da NSA. Depois Kennard juntou-se à administração Obama como embaixador dos EUA para a UE, fazendo pressão pelo TTIP (Tratado Transatlântico de Parceria para o Comércio e Investimento) uma parceria secreta e favorável às corporações .

    Considere-se John Bryson, secretário de Comércio de Obama até 2012. Na década anterior, fez parte da administração da Walt Disney Company, que é dona da American Broadcasting Corporation (ABC). Porém, simultaneamente estava na administração da Boeing, com contratos com a defesa dos EUA. Apesar de se demitir destas posições depois de entrar para o governo, manteve lucrativa carteira de ações, opção de ativos e planos de remuneração diferida com a Disney e a Boeing.

    Considere-se Aylwin Lewis, outro diretor da Walt Disney Company, e simultaneamente director de longa data na Halliburton, uma das maiores transnacionais de serviços petrolíferos, empresa anteriormente dirigida por Dick Cheney. Uma subsidiária da Halliburton, baseada em Houston a KBR Inc., recebeu 39,5 mil milhões de dólares na última década por contratos no Iraque – muitos dos quais negócios sem concurso.

    Considere-se Douglas McCorkindale, diretor do conglomerado mediático gigante Gannett durante décadas e patrão de várias subsidiárias. Gannett é a maior editora de jornais dos EUA, avaliado pela circulação diária e possui importantes estações de TV, redes regionais de notícias por cabo e estações de rádio. Ainda durante cerca de uma década, McCorkindale foi também diretor no gigante da defesa dos EUA, Lockhead Martin, saindo em abril de 2014.

    Considere-se que estes indivíduos, através dos seus interesses nas indústrias de meios de comunicação e da defesa, lucraram directamente em guerras devastadoras que foram efectivamente tornadas possíveis também pela sua própria propaganda.

    Note-se que se trata de um jogo bipartidário, beneficiando largamente de forma idêntica liberais e conservadores.

    Portanto, a crise global da informação e a crise da civilização – em que vemos uma crescente convergência de extremismo político, destruição ecológica e volatilidade económica, destroçando as nossas sociedades e famílias, frustrando as esperanças da nossa juventude – fazem claramente parte da mesma realidade.

    A mercantilização da informação é parte integrante da mercantilização do planeta. Este é um jogo onde a nossa mente, a nossa atenção e futuro são reduzidos a um activo sem valor, negociado através dos mercados, até que nada reste. Mas não há nenhuma necessidade de aceitar este destino. Tudo o que é necessário é que se veja como ele é.

    Uma vez visto, ideias e novas informações podem fluir nas nossas mentes, novas emoções podem fluir no nosso corpo e estaremos habilitados a agir. Se o percebermos podemos agir. Torna-se óbvio que a única solução é redesenhar o formato jornalístico de tal forma que informações e novas ideias conduzam a uma acção construtiva. Torna-se evidente que para reanimar a esfera pública e restaurar as nossas instituições democráticas devemos fazer com que o fluxo de dinheiro dos media volte para onde pertence: para as mãos dos jornalistas e dos leitores-participantes, comprometidos com a criação de um futuro justo e sensato.
     

    Ver também:

  • O modelo da propaganda revisitado , Edward S. Herman

    [*] Nafeez Ahmed e Andrew Markell são dois dos co-fundadores da PressCoin e Insurge. PressCoin e Insurge são a próxima geração de plataformas de meios de comunicação e jornalismo baseados em inovações blockchain e cripto-moeda e no formato de investigação Open Inquiry para substituir o atual inadaptado e destrutivo ecossistema de informação, que conduz tudo no nosso planeta ao caos e à confusão, por um sistema de informação pública inteligente e coerente.

    O original encontra-se em www.counterpunch.org/...


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
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