sábado, 4 de dezembro de 2010

Os principios e os fins

Com os bons ofícios dos mesmos do costume, o PS e o PSD, acrescidos do apêndice do costume, o CDS, grandes grupos económicos escaparão também, como os "boys" das empresas públicas, aos "sacrifícios para todos". O truque, no caso, é antecipar da distribuição de milhões em dividendos que só deveriam ser pagos em 2011. Assim, empresas como a PT, a Portucel ou a Jerónimo Martins furtar-se-ão (imoralmente, a crer nos arroubos de moralidade fiscal de Sócrates e Teixeira dos Santos) aos aumentos de impostos que trabalhadores e empresas serão obrigados a suportar em nome da redução do défice; défice resultante, é bom que se lembre, da irresponsabilidade financeira de governos do PS, PSD e CDS e de que foram principais usufrutuários os grandes grupos económicos.


Para tal ser possível, o líder parlamentar do PS não hesitou em chantagear com a ameaça de demissão os colegas de bancada que pretendiam votar a tributação da distribuição antecipada de dividendos. No final, visivelmente confortado, Assis falou em "princípios", em "responsabilidade" e em "segurança jurídica".

Infelizmente para os portugueses não accionistas de coisa nenhuma, Assis não tinha ainda esses princípios há seis meses, quando, a meio do ano fiscal, PS e PSD (apressadamente, de modo a apanhar as deduções dos subsídios de férias) aprovaram, com efeito retroactivo e à revelia de qualquer "segurança jurídica", o aumento do IRS.


Manuel António Pina, JN 12/2010
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