terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Islândia: Como sair da crise sem ajudar os bancos.

A Islândia é um país do tamanho de Portugal com uma população de apenas 400 000 pessoas.



Como os restantes países europeus também conheceu uma grave crise financeira em 2008, mas está a sair dessa crise devido a dois importantes factores: deixou os seus bancos irem à falência e não estão na zona euro.

O Estado não tem de salvar bancos privados


O presidente da Islândia, Olafur Grimsson, revela que "a diferença do seu país em relação à Irlanda é que na Islândia deixámos os bancos ir à falência. Eram bancos privados e não temos de injectar dinheiro neles para os salvar; o estado não tem de assumir essa responsabilidade. Como podemos nós pedir a gente comum, agricultores, pescadores, professores, médicos ou enfermeiras, assumir a responsabilidade de bancos privados? Esta questão foi debatida no caso do banco islandês Icesave e vai ser uma questão premente em numerosos países europeus."

Perante a falência do banco Icesave, que trabalhava sobretudo com a Inglaterra, e sob a pressão da Comissão Europeia, o governo submeteu um projecto-lei ao parlamento islandês que previa o pagamento de 3,8 mil milhões de euros até 2024, ou seja o equivalente a 40% do PIB da Islândia.

Mas uma petição assinado por um quarto dos islandeses circulou no país a pedir a revogação desse projecto. O presidente Olafur Grimsson recusou então promulgar o diploma e decidiu que essa escolha deveria ser submetida a um referendo. Resultado: 93% dos islandeses recusaram o texto.

Saída da crise

Pela primeira vez, desde a crise do sistema financeiro mundial em 2008, a Islândia começa a sair da recessão com aumento do seu PIB de 1,2%, entre julho e outubro de 2010, o que deverá dar um aumento de 4% no ano, quando tinha perdido 11% do seu PIB nos dois anos anteriores. A inflação que tinha atingido os 18%, estabilizou nos 3%. A sua moeda, a coroa islandesa, que tinha perdido perto de metade do seu valor voltou a subir.

Apesar da redução das despesas com os investimentos de 5,6% e uma ligeira diminuição das despesas públicas de 0,6%, o crescimento deve-se sobretudo ao aumento do consumo interno que cresceu 3,8%. E isto apesar da intervenção do FMI.

Vantagens de não estar na zona euro


Mas esta história de deixar falir os seus bancos não chega só por si para explicar como é que a Islândia conseguiu sair da crise. Paul Krugman, prémio Nobel da economia explica que o facto da Islândia não ter aderido ao euro, permitiu a desvalorização da sua moeda e impor o controlo dos capitais. Assim apesar de ter sofrido a maior crise financeira da sua história, a Islândia conseguiu ser bem menos atingida que os países da zona euro.

No dia 27 de novembro de 2010 foi eleita, na Islândia, uma Assembleia Constituinte que se reuniu em fevereiro de 2011. Propostas: reafirmação da separação entre a igreja e o estado, nacionalização de todos os recursos naturais e separação clara dos poderes executivo e legislativo. Trata-se no fundo da constituição de um novo contrato social.
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