segunda-feira, 21 de março de 2011

Atacar a forma, esconder o conteúdo.

No meio da imensa retórica a que o país assiste, fica clara a falta de respeito de Sócrates pelas instituições democráticas e o normal funcionamento dos órgãos de soberania em Portugal. O comportamento autoritário de Sócrates não oferece dúvidas nem sequer é surpresa para quem o tenha observado nestes seis anos de Governo. Sendo esta ideia pacífica - incluindo para muitos membros do PS -, importa perceber por que é que a Direita centra as suas críticas ao PEC 4 na forma e muito pouco nos seus conteúdos.


Por exemplo: ouviram Portas ou Passos Coelho verberar a proposta do PEC 4 para despedir de forma fácil e barata? Estão o PSD e o CDS contra Sócrates por ele permitir indemnizar só com 4 meses de salário um trabalhador com 20 anos de casa (em vez da indemnização ser de um mês por cada ano de trabalho efectivo)? Estarão - Portas e Coelho - a favor ou contra os inquilinos passarem a ser "expulsos rapidamente" e o arrendamento totalmente liberalizado (como diz o PEC 4)? [E por que é que nenhum deles diz que estas propostas nada têm a ver com o défice ou com a dívida pública?] Estarão contra ou a favor que os aumentos de salários - quando "voltarem a ser permitidos" - passem a ser feitos abaixo da inflação anual? E estão contra ou a favor de mais um programa de encerramento de escolas e de centros de saúde?

E, já agora, falemos das pensões: o PSD diz que é obsceno congelar as reformas mais baixas. Então por que razão é que o PSD votou, de forma também obscena, o congelamento dessas pensões em 2011?

Estes e outros exemplos explicam bem as razões pelas quais o PSD e CDS se centram em críticas de forma ao PEC 4 e procuram fazer esquecer os conteúdos de mais este assalto à mão armada à bolsa dos portugueses mais pobres.


por Honorio Novo, JN, MArço 2011
hn@pcp.parlamento.pt



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