segunda-feira, 2 de setembro de 2013

MAIS UM GURU EM PRAÇA…

por Daniel Vaz de Carvalho

Basta dizer o que a oligarquia quer ouvir, para terem as antenas abertas, sem o mínimo contraditório. Fazendo companhia ao sr. Gonçalo Lourenço, que continua a a dar lições de como ser pobre mas estar contente (pobrete, mas alegrete, como no fascismo…e ai daqueles que…) o sr. J. Gomes Ferreira até tem “programa de governo” posto em livro e tudo.

Vejamos o que considera a medida prioritária: ver os impostos que cobramos e limitar a despesa ao que existe. O Estado limitado “à educação” (qual e como?) “saúde” (qual e como?) e “segurança nas ruas” (a repressão escondida no lema securitário, em lugar de se cuidar das causas). Quanto ao resto, cortar no Estado, “fechar departamentos que não servem para nada.” Tal como explicou no canal ETV. Como se percebe, é fácil, é barato e dá milhões…Tão simples e evidente, como o Sol girar à volta da Terra.
Mas a despesa pública são só salários e pensões? E os juros, que atingem 100% do défice? E os benefícios e “incentivos” ao grande capital? E as perdas da banca? E as PPP, e os SWAP, e o BPN, e o BANIF? Nisto não se toca. Então o que sobrar lá vai a educação, para a saúde, que cada qual terá conforme poder pagar. E não há investimento público? nem para conservação das estradas? Privatisa-se tudo? Então quem paga aos privados?
Tudo isto está mal explicado, pois com juros ao nível do que o BCE faz à banca privada, sem benefícios e isenções ao grande capital, tributando (nem que fosse como “contribuição especial”) os lucros acima de determinado valor, como proposto pela CGTP e também pelo PCP, as contas públicas seriam largamente excedentárias.
Quer dizer, o povo sacrifica-se, o país regride, para 0,1% encherem os bolsos.
Está mais que provado (até pela presente crise capitalista) que quando o Estado abandona as suas funções de regulação e controlo democrático (não burocrático, frise-se bem), se o Estado abandona ao mercado as suas funções a corrupção instala-se, os povos vivem sob a lei do mais forte, isto é, dos que têm mais dinheiro.
Mas o que faria o “governo” do sr. JGF aos departamentos que fecham? Há departamentos que funcionam mal os não funcionam de todo, mas o que se quer fazer não é reorganizar, coordenar e dinamizar as funções económicas e sociais do Estado, é fecha-los, como se fossem caixas vazias ou repletas de lixo, neste caso pessoas tratadas como tal. Mas as pessoas não contam, pois como disse P. Coelho “o país não precisa de gente que quer que os países do norte paguem as nossas dívidas”, isto é, "gente" que não quer submeter-se à especulação. Gente que comete o "crime" de pôr os minteresses nacionais acima dos da finança..
Então e os negócios estrangeiros, as finanças, e a segurança social, as funções económicas e sociais do Estado? Não importa, se não houver dinheiro, fecham, passam para o sector privado, é o que for. Primeiro a banca, o capitalismo rentista da usura e dos monopólios. Poderá isto provocar contestação social? Não há que ter medo, diz o sr., é fazer o que é preciso. Mas preciso o quê e para quem?
Para a direita, Portugal já deixou de ser um Estado soberano. É uma mera colónia cujo objetivo é satisfazer as exigências tributárias a prestar à finança internacional.
Por último, o sr. JGF e demais gurus da treta neoliberal, omitem que Portugal tem das mais baixas percentagens  de funcionários públicos no emprego total da UE, mesmo da OCDE, e que os países mais ricos são os que têm maior percentagem.
 
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