terça-feira, 16 de setembro de 2014

As armas da crítica e a crítica das armas


por João Vilela [*]
 
 
Os meus dias têm sido especialmente alegres ultimamente, com a retomada de uma discussão que muito me agrada: a da necessidade de recuperar os aspectos fundamentais do marxismo-leninismo e de combater, em nome deles, com denodo, contra todas as formas de oportunismo. 
Agrada-me o tema e enche-me de satisfação ver entre os que promovem essa discussão nomes que aprendi a admirar, como Miguel Urbano Rodrigues e, Carlos Costa . Atrever-me a entabular seja que diálogo for com gente da craveira intelectual e política destes dois nomes é, bem se vê, uma insensata temeridade. Reconheço. Nunca me disseram, todavia, que a revolução dispensava temeridades, mais ou menos insensatas. E se eles têm por si a idade e a experiência a dar-lhes autoridade no que dizem, eu tenho a juventude a desculpar-me o atrevimento de meter, assim, a colherada na discussão.

Uma das questões mais mal resolvidas, historicamente, pelo movimento revolucionário, é a da relação que lhe cumpre ter para com o aparelho de Estado burguês. O modelo democrático representativo cria, quando analisado superficialmente, uma ilusão em que muito facilmente, ao longo da história, os partidos do proletariado se deixaram cair: se a maioria dos votos significa o acesso ao Governo, e se o proletariado constitui a esmagadora maioria da população, por dedução, bastava que o proletariado votasse maciçamente no seu partido e ele ascenderia, pela via eleitoral, às cadeiras do poder. Lá chegado, entre portarias e decretos, leis ordinárias e leis orgânicas, e uma ou outra intervenção policial nos casos em que a burguesia se mostrasse recalcitrante, o socialismo seria legislado e regulamentado até ao seu último detalhe, bastando ao proletariado aguardar que ele lhe caísse no colo, vindo de um qualquer parlamento. Pela primeiríssima vez na história, conclui-se, um modo de produção sucederia a outro no término dos dias do vacatio legis.

Esta leitura ingénua seria absolutamente insustentável à luz dos clássicos do marxismo. Engels, autor da expressão "cretinismo parlamentar" (cujo significado dispensa esclarecimentos), qualificava o acesso ao sufrágio universal como a demonstração de que a burguesia considerava o proletariado suficientemente domado para poder estender a ele o direito de voto, sem temer que ele pusesse em causa a sua dominação. E mesmo quando, nos termos do mesmo Engels "o termómetro da luta de classes" chegou ao ponto de ebulição e, pelo voto, um Governo popular foi eleito, compreendeu-se com rigor o que queria dizer Marx quando se referia à "máquina do Estado" e ao "aparelho do Estado burguês": os órgãos repressivos do aparelho de Estado, em ostensiva indiferença perante a vontade popular, tripudiando da lei e da constituição (afinal de contas, nada mais que um papel pintado), arrancaram do poder os eleitos pelo povo e, quando viram necessidade disso, suspenderam a democracia e acabaram com a existência de eleições. Há apenas dois dias passaram 41 anos sobre a triste demonstração prática desta verdade, no Chile.

Lenine nunca se deixou arrastar – e durante toda a vida condenou sem restrições quem o consentiu – para a armadilha do parlamentarismo e do legalismo. Era absolutamente claro que o Estado burguês, inteiro, dos tribunais às cadeias, dos parlamentos à polícia, dos exércitos aos fiscais de alfândega e aos cobradores de impostos, era uma máquina infernal de legitimação e auxílio da exploração do proletariado pela burguesia. Não que rejeitasse intervir dentro desse aparelho de Estado, bem entendido: Lenine nunca rejeitaria nenhum instrumento que interessasse ao proletariado utilizar para avançar, fosse um quilómetro, fosse um milímetro, na luta pela liquidação do capitalismo. Fosse um assento parlamentar, um comité de soldados, um jornal, ou uma cátedra. A diferença, contudo, entre a utilização do aparelho de Estado e a confiança nele, era-lhe muitíssimo clara. E a ideia de se poder usar o aparelho de Estado burguês, após vitória eleitoral, a favor do proletariado, ter-lhe-ia soado ridícula, se não lhe valesse as invectivas desapiedadas que reservou para o renegado Kautsky. O Estado burguês podia ser, conjuntural, táctica, e até cinicamente, utilizado pelo partido do proletariado. Mas a função central deste, a sua razão de ser, o motivo da sua existência, era a organização do proletariado por forma que este pudesse dispor do seu aparelho de Estado proletário, incumbido de fazer a revolução e liquidar, nela, o aparelho de Estado burguês.

As tentações são, todavia, coisas muito fortes. E tornaram-se tanto mais fortes quanto foram criadas condições, no pós-guerra, que encaminhavam os partidos comunistas de determinados países para um beco sem saída onde só lhe sobrava disputar o Estado burguês, arrancar-lhe concessões, e tornar a luta do proletariado contra ele cada vez mais difícil. Progressivamente, as vitórias eleitorais tornaram-se o seu objectivo central, alimentadas pela crença em que, se tinham sido arrancadas tantas concessões até ali, a vitória eleitoral significaria o desmoronar do capitalismo. Esta regressão ideológica foi sobremaneira acentuada com a ascensão de Kruschev à liderança soviética e a aplicação da tese da coexistência pacífica entre países de sistema social diferente, devendo o socialismo conquistar "todo o mundo, pela via eleitoral, até ao ano 2000", nas palavras deste dirigente. Os líderes comunistas assim enredados na luta legalista e parlamentarista descreveram, em direcção ao eurocomunismo, o trajecto que, 50 anos antes, Lenine verificara ser o dos social-democratas às vésperas da I Guerra Mundial : "[o] carácter relativamente "pacífico" do período de 1871 a 1914 alimentou o oportunismo primeiro como estado de espírito, depois como tendência e finalmente como grupo ou camada da burocracia operária e dos companheiros de jornada pequeno- burgueses" (…) [u]m pequeno círculo da burocracia operária, da aristocracia operária e de companheiros de jornada pequeno – burgueses podem receber algumas migalhas dos grandes lucros da burguesia (…) [o] conteúdo político do oportunismo e do social-chauvinismo é o mesmo: a colaboração das classes, a renúncia à ditadura do proletariado, a renúncia às acções revolucionárias, o reconhecimento sem reservas da legalidade burguesa, a falta de confiança no proletariado, a confiança na burguesia". O grau de acerto das palavras utilizadas no início do séc. XX na caracterização do ocorrido 50 anos depois tem, com efeito, algo de assombroso.

O reposicionamento relativamente ao Estado, a recuperação da concepção do Estado como instrumento da classe dominante para legitimar e agilizar a exploração e opressão dos trabalhadores, adquirido fundamental do pensamento marxista e do pensamento leninista é, quanto a mim, o ponto essencial em torno do qual se deve organizar a luta contra o oportunismo e contra o revisionismo. Sobretudo quando esta confiança oportunista no Estado burguês assume dimensão nova e tamanho inesperado, por via de projectos "humanizadores" da União Europeia, de refundação do projecto europeu, de recondução da UE ao seu projecto inicial de solidariedade entre os povos (esta última uma mistificação histórica sem nome), que têm no Partido da Esquerda Europeia o seu principal promotor, se dissemina a cada dia que passa. Sem a cabal recuperação deste traço fundamental do pensamento marxista, a luta do proletariado fica indefinidamente entravada, é conduzida por vias erróneas, e tem uma derrota inevitável. A recuperação é, claro está, o estabelecimento de uma estratégia e de uma táctica para combater o Estado burguês. Porque de nada servem as armas da crítica sem a crítica das armas.
 
13/Setembro/2014
[*] Licenciado em História e mestre em História e Educação.

O original encontra-se em conscienciavisceral.wordpress.com/...


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . 


aqui:http://resistir.info/portugal/vilela_13set14.html 

sábado, 13 de setembro de 2014

Alucinações bélicas

por  Jorge Cadima*


O Estado-Maior da guerra imperialista, a NATO, realizou uma Cimeira há poucos dias. O extenso comunicado final da Cimeira é alucinante. O ataque à Rússia foi o tema forte nesta Cimeira do Delírio. Mais uma vez, a guerra e a mentira andam de mãos dadas, ao serviço do imperialismo.

O chefe político da NATO é o dinamarquês Rasmussen, que deve o seu actual cargo (tal como o presidente cessante da Comissão Europeia, Durão Barroso) ao facto de, enquanto primeiro-ministro da Dinamarca em 2003, ter apoiado o eixo Bush-Blair-Aznar, na tão mentirosa quanto criminosa invasão do Iraque.
 Rasmussen não perdeu o hábito de mentir. Em Junho disse que os ambientalistas que se opõem às perigosas técnicas de injectar água com produtos tóxicos (fracking) para extrair gás natural preso em rochas sedimentares (o «gás de xisto») estavam a soldo de Putin. O jornal do grande capital anglo-saxónico, Financial Times, volta à carga, alimentando a patranha: «Muitos nas comunidades dos serviços secretos europeus levam a sério o comentário do Sr. Rasmussen» (FT, 28.8.14). Tal como «levavam a sério» as mentiras sobre as armas de destruição em massa de Saddam Hussein.

Não é demais lembrar que os países da NATO são responsáveis por todas as grandes guerras das últimas décadas e por mais de 75% das despesas militares do globo. Quando não podem vergar a ONU aos seus planos de guerra, atacam na mesma (Jugoslávia, Iraque). Financiam, treinam e armam os mais bárbaros bandos terroristas para servir como tropa de choque (como na Líbia, Síria, Ucrânia). Destruídos os países e chacinada a população, culpam as vítimas.

A declaração da Cimeira tem o desplante de dizer (ponto 37) que «o regime de Assad contribuiu para o surgimento do ISIS [o “Estado Islâmico”]», entidade que é apenas a mais recente reciclagem das hordas fundamentalistas usadas pelo imperialismo para destruir os países laicos surgidos do movimento de libertação nacional árabe. Pouco importa que a própria imprensa inglesa diga que a Turquia, membro destacado da NATO, «tem mantido a sua fronteira aberta aos jihadistas que se opõem [a Assad], incluindo aos combatentes do ISIS» (Guardian, 24.8.14). A declaração alucinante da NATO também culpa (ponto 17) a «Rússia e os separatistas apoiados pela Rússia» pela «cada vez pior situação humanitária e destruição material no Leste da Ucrânia». Como se não fossem as tropas do governo golpista de Kiev e os batalhões de nazis – financiados pelos oligarcas ucranianos e armados pelas potências da NATO que também orquestraram o golpe de Estado de Fevereiro – que têm bombardeado, dia após dia, pequenas vilas e grandes cidades como Donetsk ou Lugansk, semeando a morte (como em Gaza) e chegando mesmo a usar fósforo branco e até mísseis balísticos. Pouco importa que até a imperialista BBC (2.9.14) titule: «Conflito ucraniano: a ONU diz que um milhão de pessoas já fugiram», para depois informar que mais de 80% desses refugiados fugiram … para a Rússia! A declaração da Cimeira tem o desplante de falar (ponto 91) na grande preocupação da NATO pelas crianças. Mas nem 113 pontos de Declaração chegaram para alguma vez condenar Israel, que passou os dois meses que antecederam a Cimeira a chacinar a população de Gaza, incluindo quase 600 crianças.

A natureza criminosa das potências imperialistas que comandam a NATO é tão chocante, que até um ex-embaixador inglês (Craig Murray) fala do seu país nestes termos: «é um Estado patológico que representa uma ameaça para o mundo, um Estado marginal e um Estado disposto a fazer a guerra para tornar ricas algumas pessoas […]. Matámos 15.000 pessoas quando a NATO bombardeou Sirte [na Líbia], algo que a BBC nunca vos contou» (Ria Novosti, 28.8.14). Mas o Avante! contou (9.2.12).



* Professor universitário e analista de política internacional.
 
Este texto foi publicado no Avante nº 2.128 de 11 de Setembro de 2014.

aqui:http://www.odiario.info/?p=3396

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

CUBA: Um exemplo de qualidade no ensino, reconhece o BM (1)

Acontece no sistema de ensino com o ministro Crato o inimaginável, após os tempos de Maria de Lurdes Rodrigues (é bom não esquecer…) olhemos então os exemplos de excelência que vêm da assediada mas gloriosa Cuba socialista.

Um recente relatório do Banco Mundial, reconhece que Cuba é o único país da América Latina a dispor de um sistema educativo de alta qualidade, comparável às melhores práticas mundiais. O relatório refere os elevados parâmetros do sistema escolar, o elevado talento académico, as remunerações elevadas ou pelo menos adequadas, a autonomia profissional elevada, características dos sistemas educativos mais eficazes no mundo, como (segundo o BM) os da Finlândia, República da Coreia, Suíça, Holanda, Canadá e China (Shangai).
Cuba destina 13% do OE à educação. O seu sucesso é reconhecido internacionalmente nos domínios da educação mas também na saúde, com serviços sociais que garantem o acesso universal a estes sistemas, fornecidos pelo Estado, o que permitiu erradicar o analfabetismo e ter uma das mais longas esperanças de vida.
Cuba ultrapassa largamente os países da América Latina e outros países de rendimento intermédio nos mais importantes índices de educação, saúde e salubridade pública, segundo a OMS, o Programa da ONU para o Desenvolvimento, bem como de outras agências da ONU.
O BM recorda ainda que dispor de bons sistemas educativos é vital para o futuro. Os resultados obtidos por Cuba refletem as orientações do governo cubano colocar o futuro da sua juventude no centro dos seus projetos de sociedade.
Compare-se então com o que se passa em Portugal em que o sistema público de ensino está a ser destruído sistematicamente, os professores ignobilmente atacados na sua dignidade e a população mais qualificada literalmente a fugir do país assim que pode. Para além disto a dita comunicação social (salvo raras exceções) promove o obscurantismo e a confusão na esfera política.
Apesar das limitações impostas pelo criminoso bloqueio o seu exemplo mostra como uma nação com recursos limitados pode proporcionar aos seus cidadãos elevada qualidade de vida e garantir-lhes um futuro de progresso e elevação cultural.
Perante o descalabro do país alguém ouviu nos diálogos entre o sr. Feliz e o sr. Contente (A. Costa e J. Seguro) ou antes o Rezingão e o Simplório (da Branca de Neve e os Sete Anões) falar no que querem para o país em educação, em saúde, em saneamento público (questão das águas)? Cada um deles imita bem os macacos que não vêm, não ouvem, ah!, estes falam, falam mas não dizem nada… 

1 – Parte referente a Cuba a partir de um texto de Salim Lamrani em legrandsoir.info.
http://www.legrandsoir.info/banque-mondiale-cuba-dispose-du-meilleur-systeme-educatif-d-amerique-latine-et-de-la-caraibe.html


aqui:http://foicebook.blogspot.pt/2014/09/cuba-um-exemplo-de-qualidade-no-ensino.html

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O Segredo de Guantanamo


Acreditamos, porventura, estar informados sobre o que acontece em Guantanamo e surpreende-nos que o presidente Obama não feche esse centro de tortura. Mas, estamos equivocados. O público não conhece a verdadeira finalidade desse dispositivo e o que o torna indispensável para a actual administração.
Cuidado! Se se quer continuar pensando que existem valores comuns entre nós e os Estados Unidos, e que se deve continuar a ser aliado de Washington, é melhor, então, abster-se de ler este artigo.



JPEG - 31.1 kb
Prisioneiro à saída de uma sessão de "condicionamento" em Guantanamo.
Todos recordamos as imagens de tortura que circularam na Internet [1]. Foram apresentadas como troféus de guerra que haviam sido recolhidas por alguns soldados americanos. Mas, incapazes de verificar a sua autenticidade, os grandes média (mídia- Br) não se atreveram a reproduzi-las. Em 2004, a CBS dedicou-lhes uma reportagem. Assim começou um grande movimento de denúncia dos maus-tratos infligidos aos iraquianos.

A prisão de Abu Ghraib mostrou que a suposta guerra contra a ditadura de Saddam Hussein era na realidade uma guerra de ocupação, como qualquer outra, com a mesma sequência de crimes. Washington assegurou, como era de esperar, que se tratava de excessos cometidos nas costas dos responsáveis, por alguns indivíduos não representativos, classificados como «maçãs podres». Alguns soldados foram presos e julgados para servir de exemplo. E o caso foi fechado até às revelações seguintes.

Simultaneamente a CIA e o Pentágono iam preparando a opinião pública, tanto nos Estados Unidos como nos países aliados, para uma mudança de valores morais. A CIA designou um oficial de ligação com Hollywood, o coronel Chase Brandon (um primo de Tommy Lee Jones), e contratou escritores famosos, (como Tom Clancy), e roteiristas, para escrever novos roteiros para filmes e séries de televisão. Objetivo: estigmatizar a cultura muçulmana, e banalizar a tortura como parte da luta contra o terrorismo. Como exemplo as aventuras do agente Jack Bauer, na série 24 horas, foram amplamente subvencionadas pela CIA para levar, em cada temporada, um pouco mais longe os limites do aceitável.


Nos primeiros episódios, o herói intimida os suspeitos para extrair informações. Nos episódios seguintes, todos os personagens suspeitam uns dos outros, e torturam-se entre si com mais ou menos escrúpulos, e cada vez mais seguros que estão cumprindo com o seu dever. No imaginário colectivo séculos de humanismo foram assim varridos e impôs-se uma nova barbárie. Isto permitiu que o cronista do Washington Post, Charles Krauthammer (que também é um psiquiatra) apresentasse o uso da tortura como um "imperativo moral" (sic), nestes tempos difíceis da guerra contra o terrorismo.

A investigação do senador suíço Dick Marty confirmou ao Conselho da Europa que a CIA sequestrou milhares de pessoas, através do mundo, das quais várias dezenas —possívelmente centenas— tinham sido sequestradas no território da União Europeia. Veio então a avalanche de evidências sobre os crimes perpetrados nas prisões de Guantanamo (na região do Caribe) e de Bagram (Afeganistão). Perfeitamente condicionada, a opinião pública nos Estados-Membros da Otan aceitou a explicação dada, e que tão bem se enquadrava com as intrigas novelescas servidas pela televisão: para poder salvar vidas inocentes Washington estava a recorrendo a métodos ilegais, sequestrando suspeitos e fazendo-os falar através de métodos que a moral rejeitaria, mas que a eficácia havia tornado necessários.

Foi a partir dessa narrativa simplista que o candidato Barack Obama se levantou contra a cessante administração Bush. Converteu a proibição da tortura e o fecho das prisões secretas em medidas-chave do seu mandato. Após a sua eleição, durante o período de transição, rodeou-se de juristas de altíssimo nível a quem encomendou a elaboração de uma estratégia para encerrar o sinistro episódio. Já instalado na Casa Branca, dedicou os seus primeiros decretos presidenciais ao cumprimento de seus compromissos nesta matéria. Esta disposição conquistou a opinião pública internacional, despertou uma imensa simpatia pelo novo presidente, e melhorou a imagem dos EUA perante o mundo.

O único problema é que, ao fim de um ano após a eleição de Barack Obama, se resolveram algumas centenas de casos individuais, mas, basicamente, nada mudou. O centro de detenção criado pelos EUA na sua base militar de Guantanamo, ainda está lá, e não há esperança de encerramento iminente. As associações de direitos humanos assinalam, além disso, que os actos de violência contra os detidos se agravaram. Quando questionado sobre o tema, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden afirmou que, quanto mais avançava no assunto de Guantanamo, mais ia descobrindo as coisas que até então ignorava,. E, em seguida, avisou os repórteres, enigmaticamente, que não devia abrir a caixa de Pandora. Por seu lado, o consultor jurídico da Casa Branca, Greg Craig, quis apresentar a sua renuncia, não porque achasse que falhara na sua missão de fechar o centro, mas sim porque acha que, neste momento, lhe foi confiada uma missão impossível.

Por que é que o presidente dos Estados Unidos não consegue ser obedecido no seu próprio país? Se já tudo foi dito sobre os abusos da era Bush porque é que se fala, agora, de uma caixa de Pandora, e que é o que causa tanto temor? O problema é que o sistema é na verdade muito maior. Não se trata apenas de uns quantos sequestros e uma prisão. E o mais importante, é que o seu objectivo é radicalmente diferente do que a CIA e o Pentágono quiseram fazer crer ao público. Antes de empreender esta descida aos infernos, é necessário aclarar algumas coisas.
JPEG - 36 kb
O secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, participou nas reuniões do Grupo dos Seis, que foi o responsável por escolher as formas de tortura a serem aplicados pelos militares dos EUA. Aqui vemos Rumsfeld durante visita à Prisão de Abu Ghraib (Iraque).

 

Contra-insurgência


O que o exército dos EU fez em Abu Ghraib não tinha nada a ver, pelo menos numa primeira fase, com as experiências que estão sendo conduzidas pela US Navy [Marinha dos Estados Unidos] em Guantanamo, e nas suas outras prisões secretas. Tratava-se então, simplesmente, do que fazem todos os exércitos do mundo, quando se transformam em policias e se enfrentam com uma população hostil. Tratam de dominá-la através do terror. Neste caso, as forças da coligação (coalizão-Br) reproduziram [no Iraque] os crimes cometidos pelos franceses durante a chamada batalha de Argel, contra os argelinos, a quem, além do mais, os franceses continuavam a chamar «compatriotas». O Pentágono recorreu ao general francês, aposentado, Paul Aussaresses, especialista em «contra-insurgência», para reuniões com oficiais superiores. Durante a sua longa carreira Aussaresses assessorou os EU, onde quer que Washington tenha lançado «conflitos de baixa intensidade» (LIC), principalmente no Sudeste asiático e na América Latina.

No fim da Segunda Guerra Mundial os Estados Unidos instalaram dois centros de treino nessas técnicas, a Political Warfare Cadres Academy (Academia de quadros para a guerra política -ndT) (em Taiwan) e a School of Americas [conhecida em espanhol como a Escola das Américas] (no Panamá). Em ambas as instalações davam-se cursos de tortura, destinados aos encarregados pela repressão no seio das ditaduras asiáticos e latino-americanos.

Durante os anos 1960 e 70, a coordenação desse dispositivo dava-se através da World Anti-Communist League (Liga Anti-Comunista Mundial), de que eram membros os Chefes de Estado interessados [2]. Essa política alcançou considerável dimensão durante as operações Phoenix, no Vietname, («neutralização» de 80.000 indivíduos suspeitos de ser membros do Vietcong) [3], e Condor na América Latina, («neutralização» de opositores políticos à escala continental) [4]. O esquema de articulação entre as operações de limpeza, nas áreas insurgentes, e os esquadrões da morte foram aplicadas da mesma maneira no Iraque, especialmente durante operação Iron Hammer (Martelo de Ferro -ndT) [5].

A única novidade, no caso do Iraque, foi a distribuição entre os soldados norte- americanos de um clássico da literatura colonial, The Arab Mind (A mentalidade Árabe -ndT), do antropólogo Raphael Patai, com um prefácio do Coronel Norvell B. De Atkine, diretor da John F. Kennedy Special Warfare School (Escola de Guerra Especial John F. Kenedy-ndT), nova denominação da Escola das Américas desde que esta se mudou para Fort Bragg (na Carolina do Norte) [6]. Este livro que apresenta, em tom doutoral, toda uma série de estúpidos preconceitos sobre os «árabes», em geral, contém um célebre capítulo sobre os tabus sexuais utilizado na concepção das torturas aplicadas em Abu Ghraib.

As torturas perpetradas no Iraque não são simples casos isolados, como afirmou o governo Bush, mas fazem parte de um todo de uma estratégia de contra-insurgência. A única maneira de lhe pôr fim não é a condenação moral, mas sim a solução da situação política. No entanto Barack Obama continua a atrasar a retirada das forças estrangeiras que ocupam o Iraque.
JPEG - 17.7 kb
Autor de sucesso, inventor da psicologia positiva, professor na Universidade da Pensilvânia e antigo presidente da American Psychological Association (Associação de Psicologia Americana -ndT), Martin Seligman supervisionou as experiências de tortura aplicadas aos prisioneiros em Guantanamo.

 

As experiências do professor Biderman


Foi com uma perspectiva muito diferente que o professor Albert D. Biderman, um psiquiatra da Força Aérea dos Estados Unidos, estudou, para a Rand Corporation, o condicionamento mental dos prisioneiros de guerra americanos na Coreia do Norte.

Muito antes de Mao e do comunismo, os chineses tinham desenvolvido sofisticados métodos destinados a quebrar a vontade de um prisioneiro e a incutir-lhe o desejo de fazer confissões. O seu uso durante a Guerra da Coreia deu alguns resultados. Prisioneiros de guerra americanos confessavam, com toda a convicção, à imprensa, crimes que, talvez, não tivessem cometido. Biderman apresentou as suas primeiras observações durante uma audiência no Senado, em 19 de junho de 1956, e, mais tarde, no ano seguinte, perante a Academia de Medicina de Nova Iorque (ver documentos disponíveis, “on-line”, através do “link” no final deste artigo). Biderman definiu 5 estados pelos quais passam os «sujeitos».

- 1. No início o preso nega-se a cooperar e fecha-se em silêncio.
- 2. Através de uma mistura de brutalidade e gentileza é possível fazê-lo passar a um segundo estado, em que ele é induzido a defender-se contra as acusações apresentadas contra si.
- 3. Posteriormente o prisioneiro começa a cooperar. Continua a proclamar a sua inocência, mas tenta agradar aos seus interrogadores reconhecendo que talvez tenha cometido algum erro involuntariamente, por acidente ou por descuido.

- 4. Ao transitar pela quarta fase o preso já está, completamente, degradado aos seus próprios olhos. Continua a negar as acusações de que é alvo, mas confessa a sua natureza criminosa.

- 5. No fim do processo, o prisioneiro admite ser o autor dos factos que se lhe imputam. Inclusive inventa detalhes, complementares, para se acusar a si mesmo e reclama a sua própria punição.
Biderman também examinou todas as técnicas usadas pelos torturadores chineses afim de manipular os prisioneiros: isolamento, monopolização da percepção sensorial, fadiga, ameaças, recompensas, demonstrações do poder dos guardas, degradação das condições de vida, formas de subjugação. A violência física tem um carácter secundário, a violência psicológica torna-se total e assume carácter permanente.

Nos trabalhos de Biderman a «lavagem cerebral» adquiriu uma dimensão mítica. Os militares dos EU começaram a temer que o inimigo pudesse usar contra os Estados Unidos os próprios soldados norte-americanos, já condicionados para dizer qualquer coisa e também, talvez, para fazer qualquer coisa. Eles conceberam, então, um programa de treino destinado aos pilotos de caça americanos, para garantir que se tornassem refractários a essa forma de tortura, e evitar que o inimigo possa "lavar- lhes o cérebro» se eles caírem prisioneiros.

Esta forma de treino (treinamento-Br) denomina-se SERE, um acrónimo para Survival, Evasion, Resistence and Escape (Sobrevivência, Evasão, Resistência e Fuga- ndT). No principio, este curso era ministrado na Escola das Américas mas, actualmente, foi estendido a outras categorias de pessoal militar e é lecionado em várias bases. Este tipo de treino foi implementado, além disso, em cada um dos exércitos que fazem parte da Otan.

A decisão do governo Bush, após a invasão do Afeganistão, foi a de usar estas técnicas para conseguir induzir os prisioneiros a fazer confissões que demonstrariam, à posteriori, o envolvimento do Afeganistão nos atentados do 11 de Setembro, validando assim a versão oficial sobre os atentados.

Iniciaram a construção de novas instalações na base naval dos EU em Guantanamo, e aí começaram a realizar experiências. A teoria de Albert Biderman completou-se com o contributo de um psicólogo civil, o professor Martin Seligman, conhecida personalidade que foi presidente da Associação Americana de Psicologia.

Seligman demonstrou que a teoria de Ivan Pavlov sobre os reflexos condicionados tinha um limite. Mete-se um cão numa jaula cujo piso está dividido em duas partes. De forma aleatória, enviam-se descargas eléctricas para um ou outro lado do solo. O animal salta de um lado para outro para se proteger. Até aqui não há nada de surpreendente. Posteriormente, os dois lados da jaula são electrificados.

O animal dá-se conta que nada pode fazer para escapar dos choques eléctricos, e que os seus esforços são inúteis. E acaba então por render-se. Deita-se no chão e cai num estado de indiferença que lhe permite suportar, passivamente, o sofrimento. Abre-se então a gaiola e ... surpresa! O animal não foge. No estado psicológico em que se encontra, agora, nem sequer é capaz de fazer oposição. Permanece deitado, no chão eletrificado, suportando o sofrimento.

A Marinha de Guerra dos EU formou uma equipe médica de choque. Esta enviou o professor Seligman a Guantanamo. Conhecido pelos seus trabalhos sobre a depressão nervosa, Seligman é uma vedeta. Os seus livros sobre optimismo e a auto-confiança são best-sellers mundiais. E, foi ele que supervisionou as experiências com pessoas como se fossem meras cobaias. Alguns prisioneiros, ao ser submetidos a terríveis torturas, acabam afundando espontaneamente num estado psíquico que lhes permite suportar a dor, e que também os priva de toda a capacidade de resistência. Ao manipulá-los dessa forma eles são, rapidamente, levados para a fase 3 do processo Biderman.

Baseando-se também nos trabalhos de Biderman, os torturadores norte-americanos, sob a orientação do professor Martin Seligman, realizaram experiências com cada uma das técnicas coercivas e aperfeiçoaram-nas. Para isso, foi elaborado um protocolo científico baseado na medição das flutuações hormonais. Instalaram um laboratório médico na base de Guantanamo e recolhem amostras de saliva e sangue dos «cobaias», a intervalos regulares, para avaliar as suas reações. Os torturadores foram refinando os métodos de tortura. Por exemplo, no programa SERE monopolizava-se a percepção sensorial impedindo, mediante uma música stressante (estressante-B), que o prisioneiro pudesse dormir.

Em Guantanamo obtiveram-se resultados muito superiores com os gritos de bebés, reproduzidos durante dias seguidos. Anteriormente o poder dos guardas demonstrava- se por espancamento dos presos. Na base naval dos EUA em Guantanamo foi criada a Immediate Reaction Force (Força de Reacção Imediata-ndT).

Trata-se de um grupo encarregado de castigar os prisioneiros. Quando esta unidade entra em acção os seus membros vestem couraças de protecção, ao estilo Robocop. Tiram o prisioneiro da sua jaula e metem-no numa cela de paredes acolchoadas, e recobertas com madeira compensada.

Eles projectam a «cobaia» contra as paredes, como se fossem quebrar-lhe os ossos, mas os estofos amortecem parcialmente os golpes, de forma que o prisioneiro fica tonto sem que se produzam fraturas.

Mas o principal «avanço» foi conseguido com o suplício da banheira [7]. Antigamente, a Santa Inquisição mergulhava a cabeça do prisioneiro num tanque cheio de água e tirava-a para fora, precisamente, antes que morresse afogado. A sensação de morte iminente provoca uma angústia extrema. Mas tratava-se de um processo primitivo e os acidentes eram frequentes. Actualmente, nem sequer é precisa uma tina cheia de água, basta deitar o prisioneiro numa banheira vazia. Simula-se então o afogamento vertendo água sobre sua cabeça, com a possibilidade de parar de imediato. Assim, agora, há menos acidentes.

Cada «sessão» é codificada para determinar os limites suportáveis. Vários assistentes medem a quantidade de água utilizada, o momento e a duração de afogamento. Quando isso ocorre, os assistentes recolhem o vómito, pesam e analisam-no para avaliar o gasto de energia e o cansaço provocado. Em resumo, como dizia o vice-diretor da CIA perante uma comissão do Congresso dos Estados Unidos: «Isto não tem nada a ver com o que fazia a Inquisição, com excepção da água» (sic).

As experiências dos médicos norte-americanos não foram feitas em segredo, como as do doutor Josef Mengele em Auschwitz, mas sim sob o controle directo e exclusivo da Casa Branca.

Era tudo relatado a um grupo encarregado de tomar as decisões, grupo que era formado por seis pessoas: Dick Cheney, Condoleezza Rice, Donald Rumsfeld, Colin Powell, John Ashcroft, e George Tenet. Este último atestou que havia participado numa dezena de reuniões deste grupo.

Mas o resultado destas experiências não foi satisfatório. Poucos «cobaias» ficaram receptivos. Conseguiu-se impor-lhes o que deviam confessar, mas o seu estado manteve-se instável e não foi possível apresentá-los em público, ante uma contraparte.

O caso mais conhecido é o do pseudo Khalil Sheikh Mohammed. Tratava-se de um indivíduo preso no Paquistão e acusado de ser um islamita koweitiano, apesar de ser evidente que este não era a referida pessoa.

Depois de um longo período de tortura, durante a qual ele foi submetido 183 vezes ao suplício da banheira, só durante o mês de março de 2003, o indivíduo disse ter organizado 31 diferentes ataques, através de todo o mundo, desde o atentado em 1993 em Nova York, contra o WTC, até aos do 11 de Setembro de 2001, passando pela explosão de uma bomba que destruiu um clube nocturno em Bali, e a decapitação do jornalista americano Daniel Pearl. O pseudo Sheikh Mohammed manteve as suas confissões perante uma comissão militar, mas advogados e juízes militares não puderam questioná-lo em público, porque se temia que, fora da sua jaula, se retractasse do que havia confessado.

Para esconder as actividades secretas dos médicos em Guantanamo, a Marinha de Guerra dos EU organizou viagens de imprensa a Guantanamo, para jornalistas amigos. O ensaísta francês Bernard Henry Levy prestou-se, assim, a desempenhar o papel de testemunha moral visitando o que quiseram mostrar-lhe. No seu livro American Vertigo, Bernard Henry Levy garante que o centro de detenção da base naval americana em Guantanamo não difere das demais prisões norte-americanas, e que os testemunhos sobre as torturas «foram muito inflacionados» (sic) [8] .

JPEG - 22.1 kb
Uma das prisões flutuantes da Marinha dos EUA. Trata-se do navio USS Ashland. O porão achatado inferior foi modificado para receber jaulas com prisioneiros e dispô-las em vários níveis.

 

As prisões flutuantes da US Navy


Em suma, a administração Bush considerou que o número de indivíduos que poderiam ser «condicionados», em extremo, para crer que tinham cometido os atentados de 11 de setembro, era muito pequeno. Concluíram, então, que uma grande quantidade de prisioneiros deviam ser postos à prova para se seleccionar os mais receptivos.

Tendo em conta a controvérsia que se desenvolveu em torno de Guantanamo, e para garantir que fosse impossível qualquer ação legal contra, a Marinha de Guerra dos Estados Unidos criou outras prisões secretas e colocou-as, fora de qualquer jurisdição, em águas internacionais.

17 barcos de fundo plano, como os destinados ao desembarque de tropas, foram convertidos em prisões flutuantes com jaulas como as de Guantanamo. Três dessas embarcações foram identificados pela Associação britânica Reprieve. Trata-se do USS Ashland, do USS Bataan e do USS Peleliu. Se forem somadas todas as pessoas que foram feitas prisioneiras, em diferentes zonas de conflito, ou sequestradas em qualquer lugar do mundo, e transferidas para esse conjunto de prisões durante os últimos 8 anos, parece que um total de 80 mil pessoas devem ter passado por esse sistema, entre as quais pelo menos um milhar poderão ter sido levadas até as últimas fases do processo Biderman.

A partir de tudo o que foi mencionado, o problema da administração Obama resume- se da seguinte forma: não é possível fechar Guantanamo sem que se saiba o que ali se fez. E, não será possível reconhecer o que ali se fez, sem admitir que todas as confissões são falsas e que foram inculcadas, de forma deliberada, através de tortura, com as consequências políticas que isso implica.

No final da II Guerra Mundial, o tribunal militar de Nuremberga funcionou em 12 juízos. Um deles foi dedicado a 23 médicos nazis. Sete de entre eles foram absolvidos, 9 foram condenados a penas de prisão e sete outros foram condenados à morte. Desde então há um Código de Ética que rege a medicina a nível mundial. Esse Código proíbe, precisamente, o que os médicos norte-americanos fizeram em Guantanamo, e nas outras prisões secretas.
Leia a resposta do professor Martin Seligman.
Tradução
Alva

Documentos anexados

[1] « Photos de prisonniers irakiens torturés à Abou Ghraib] », Réseau Voltaire, 30 avril 2004.
[2] «La Liga Anticomunista Mundial, internacional del crimen», por Thierry Meyssan, Red Voltaire, 12 de mayo de 2004.
[3] «Operação Fênix», de Arthur Lepic, Red Voltaire, 16 de noviembre de 2004.
[4] Ver Operación Cóndor, Pacto criminal, livro de referência da nossa colaboradora, a historiadora Stella Calloni. «Stella Calloni presentó en Cuba su libro “Operación Cóndor, Pacto criminal”», 16 de febrero de 2006. Ver também, no sítio da Red Voltaire: «Berríos y los turbios coletazos del Plan Cóndor», por Gustavo González, 26 de abril de 2006. «Los militares latinoamericanos no saben hacer otra cosa que espiar», por Noelia Leiva, 1o de abril de 2008. «El Plan Cóndor universitario», por Martín Almada, 11 de marzo de 2008.
[5] «La Operación US «Martillo de hierro» en la guerra de Irak» (Es— “A operação dos EUA «Martelo de Ferro» na Guerra do Iraque”-ndT) por Paul Labarique, Red Voltaire, 11 de septiembre de 2003.
[6] The Arab Mind, (Ing—«A Mente árabe»-ndT), por Raphael Patai, prefácio de Norvell B. De Atkine, Hatherleigh Press, 2002.
[7] Também conhecido como «submarino» ou pelo termo Inglês «waterboarding» (Nota do Tradutor).
[8] American Vertigo por Bernard-Henry Lévy, Grasset & Fasquelle 2006.
Thierry Meyssan
Thierry Meyssan Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).
OTAN pensa interditar a Rússia e a China de se desenvolverem

Publicação em destaque

Marionetas russas

por Serge Halimi A 9 de Fevereiro de 1950, no auge da Guerra Fria, um senador republicano ainda desconhecido exclama o seguinte: «Tenh...