sábado, 10 de março de 2018

O colapso do media e o que podemos fazer


por Nafeez Ahmed e Andrew Markell [*]
 
Quando um sistema entra na sua fase final de degradação – quer seja um sistema institucional, um Estado, um império ou o corpo humano – todos os importantes fluxos de informação, suportes de uma comunicação coerente, começam a falhar. Nesta derradeira fase, se a situação não for corrigida o sistema entra em colapso e morre.

Tornou-se óbvio para quase todas as pessoas que se atingiu esta situação no planeta e nas nossas instituições democráticas. Vemos a absoluta disfuncionalidade de como está arquitectada a informação a nível global – representada na intersecção dos principais media de grande público, plataformas de tecnologia social e mega processadores internet – gerar apatia generalizada, desespero, insanidade e loucura numa escala aterradora.

E temos razão para estar aterrorizados, porque esta situação está a impedir-nos de tomar as necessárias acções para resolver os desafios locais e globais. Enquanto os liberais lutam com conservadores e os conservadores com os liberais, perdemos um tempo precioso.

Enquanto os progressistas lutam contra o governo, as grandes empresas e os super-ricos, nós afundamo-nos em desespero. Enquanto os filantropos, alimentados pela sua própria segurança e riqueza, lutam por justiça, por igualdade ou por alguma pobre aldeia em África tornamo-nos apáticos e distraídos da verdadeira origem do problema. E enquanto o presidente luta contra todos e todos contra o presidente, as comunidades enlouquecem.

No fundo, no entanto, o jogo de acumular recursos e não os redistribuir acelera; absorvendo a soma total de nossas acções e compromissos colectivos, num futuro singularmente inaceitável. Há apenas uma maneira de evitar este destino; descobrir a origem da doença e cura-la mobilizando as soluções.

Vamos desvendar a origem desta doença da informação que nos está a acelerar o colapso ecológico e institucional, porque uma vez identificada, estaremos livres para agir e construir uma alternativa.

O colapso das instituições democráticas

A civilização industrial está em vias de uma grande transformação, uma transição sistémica que nos pode levar à regressão, à crise e ao colapso; ou a uma nova forma de trabalhar e viver, um novo modo de prosperidade, uma nova noção de sucesso.

O complexo dos media globais não está preparado para lidar com esta grande perturbação da civilização tal como a conhecemos. Pelo contrário, é literalmente incapaz de processar a informação de forma consistente e produzir para uma percentagem significativa da população mundial conhecimentos reais que possa tornar a humanidade capaz de efectuar com êxito a transição para uma nova era.

Actualmente o complexo dos media globais agrava os problemas que enfrentamos.

Fá-lo ao não fornecer, apesar das aparências, absolutamente nenhum conhecimento. O modelo predominante dos media é monopolizar e manipular fluxos de informação para produzir crenças e emoções que permitirão aos mega processadores internet maximizar "cliques", maximizar receitas de publicidade, maximizar lucros ?– para uns poucos.

Portanto, ao invés de criar conhecimento, o complexo dos media globais está concebido para gerar narrativas em competição, polarizadas para diferentes públicos aglutinados em comunidades segregadas e irreconciliáveis; reforçando as crenças sem ensinar o pensamento crítico; atenuando atitudes de abertura e promovendo uma dicotomia esquerda-direita banalizada que alimenta uma cultura global de consumismo insensato.

Esta estrutura, predominante nos media restringe a capacidade do público para tomar decisões inteligentes. E permite que os desafios globais em termos ecológicos, energéticos, económicos e sociais, entre outros, acelerem, enquanto discutimos entre nós sobre ideologia.

A consequência é que esses fluxos de informação estão inexoravelmente ligados aos processos dominantes de maximização do lucro para uma escassa minoria; tanto é assim, que a relação das pessoas com a informação é gerida como um mecanismo de controlo sobre a atenção e a persuasão ideológica.

A monopolização dos meios de comunicação e do jornalismo

No âmago das nossas instituições democráticas em vias de colapso situa-se o complexo dos media globais. Se se for suficientemente corajoso para o olhar de perto veremos que quer a "imprensa livre" quer as "notícias falsas" funcionam como uma extensão estrutural de uma forma extrema de capitalismo predatório, usando informações para capturar riqueza para uns poucos em detrimento de muitos, através da captura das nossas mentes. São duas faces da mesma moeda que fabrica para as mesmas pessoas somas de dinheiro obscenas.

Só temos de perscrutar para além das aparências para nos depararmos com este facto.

Nos EUA, seis enormes conglomerados transnacionais possuem a totalidade dos meios de comunicação, incluindo jornais, revistas, editoras, redes de TV, canais por cabo, estúdios de Hollywood, etiquetas de gravação e websites populares: Time Warner, Walt Disney, Viacom, News Corp., CBS Corporation e NBC Universal.

No Reino Unido, 71% dos jornais nacionais são possuídos por apenas três mega empresas, enquanto 80% dos jornais locais são propriedade de meras cinco empresas.

Hoje, o maior proprietário mundial de media é o Google, seguido de perto pela Walt Disney, Comcast, 21st Century Fox e Facebook. Juntos, Google e Facebook monopolizam um quinto da receita publicitária global. E todas essas corporações controlam a maior parte do que se lê, vê e ouve, incluindo on-line. Eles definem a nossa compreensão do mundo e de nós próprios.

Porém, representam um pequeno número de pessoas que têm uma visão muito estreita do mundo.

Isto porque essas estruturas de poder fazem parte do que um estudo publicado na revista PLoS One, descreveu como uma "rede global de controlo de empresas". Os autores do estudo, uma equipa de teóricos de sistemas do Instituto Federal Suíço de Tecnologia, descobriu que as 43 mil transnacionais mais poderosas do mundo são dominadas por 1318 empresas, por sua vez dominadas por uma "super entidade" de apenas 147 empresas.

Portanto, a maioria do que se lê, vê ou ouve através dos media é estruturalmente condicionado por uma rede de interesses particulares auto-suficientes e autónomos. É por isso que a distinção entre notícias falsas e verdadeiras é ilusória e desonesta.

Devido a essa estrutura, praticamente tudo o que encontramos como "notícias" funciona como um pedaço de subtil ou ostensiva propaganda para nos distrair da verdadeira actividade que dirige estes maquinismos. Pouco importa se provêm da Mother Jones, do New York Times, do Breitbart ou da Fox News – tudo o que chega até nós dentro desta estrutura produz o efeito debilitante de confundir as nossas mentes e estimular as nossas emoções numa mistura complexa de raiva, resignação, apatia e preguiça.

A Google por trás do espelho

Para entender o poder desses interesses particulares em monopolizar a informação ao serviço dos seus próprios objectivos, não precisamos olhar mais longe do que para a história do proprietário do maior de todos os media do mundo. Em janeiro de 2015, INSURGE revelou a história exclusiva de como a Google foi fundada e evoluiu sob a asa dos serviços secretos dos EUA.

O relatório revelou como, durante o desenvolvimento do código do núcleo do motor de busca Google, um estudante de pós-graduação da Universidade de Stanford, Sergey Brin, recebeu financiamento através de um programa de pesquisa da CIA e da NSA, o Massive Digital Data Systems (MDDS). A confirmação veio de um ex-dirigente do MDDS, Dr. Bhavani Thuraisingham, que é agora o distinto professor Louis A. Beecherl diretor executivo do Cyber Security Research Institute da Universidade do Texas, em Dallas.

Isso não foi necessariamente incomum – a comunidade dos serviços secretos tem estado envolvida em Silicon Valley por todas as espécies de razões óbvias. O interessante é que provavelmente nunca se soube como isto funcionou em relação ao Google. E isto diz muito sobre a forma como opera o complexo dos media globais. Suas afirmações são corroboradas por uma referência ao programa MDDS num documento de co-autoria de Brin e Larry Page co-fundador Google, seu companheiro quando estava em Stanford.

Como os media – todos os media – lidam com a verdade

Esta história foi totalmente ocultada na imprensa de língua inglesa, exceto o site de informações tecnológicas dos EUA Gigaom, que recomendou a nossa investigação da seguinte maneira:
"Um relato interessante, ainda que extremamente denso, das interacções de longa data do Google com os serviços militares e secretos dos EUA, foi publicado nos media na semana passada."
Isto tem implicações muito importantes que merecem análise cuidadosa: em suma, a história do Google, do seu financiamento inicial e parceria com a CIA e NSA [National Security Agency] são revelados, mas nem um único jornal de língua inglesa quis dar cobertura ou reconhecer a história. No entanto, que notícia poderia ser mais importante, do que um dos maior "facilitadores de informação" do mundo estar tão estreitamente alinhado com os serviços secretos dos EUA desde a sua origem?

A falta de interesse não é o resultado de uma conspiração. É o resultado previsível do facto de o complexo dos media globais representarem uma estrutura institucional altamente centralizada que perpetua uma cultura de obediência servil ao poder.

O complexo dos media globais oculta em grande parte conhecimentos importantes sobre a própria estrutura e natureza do poder. É por isso que esta é provavelmente a primeira vez que se viu a evidência directa de que o mais poderoso media do mundo, a Google, foi concebido com o apoio dos serviços secretos dos EUA.

Poder e controlo sobre a nossa mente e os nossos recursos

Isto não é sobre saber se o Google é singularmente "má". É sobre um paradigma mais amplo de padrões de propriedade inaceitáveis e redes sociais por toda a paisagem mediática.

Considere-se William Kennard. Ele pertenceu à administração do New York Times, em seguida, tornou-se presidente da Comissão Federal de Comunicações. Depois entrou no grupo de Carlyle como diretor. A maioria do Carlyle pertence à Booz Allen Hamilton, empresa que gere a vigilância da NSA. Depois Kennard juntou-se à administração Obama como embaixador dos EUA para a UE, fazendo pressão pelo TTIP (Tratado Transatlântico de Parceria para o Comércio e Investimento) uma parceria secreta e favorável às corporações .

Considere-se John Bryson, secretário de Comércio de Obama até 2012. Na década anterior, fez parte da administração da Walt Disney Company, que é dona da American Broadcasting Corporation (ABC). Porém, simultaneamente estava na administração da Boeing, com contratos com a defesa dos EUA. Apesar de se demitir destas posições depois de entrar para o governo, manteve lucrativa carteira de ações, opção de ativos e planos de remuneração diferida com a Disney e a Boeing.

Considere-se Aylwin Lewis, outro diretor da Walt Disney Company, e simultaneamente director de longa data na Halliburton, uma das maiores transnacionais de serviços petrolíferos, empresa anteriormente dirigida por Dick Cheney. Uma subsidiária da Halliburton, baseada em Houston a KBR Inc., recebeu 39,5 mil milhões de dólares na última década por contratos no Iraque – muitos dos quais negócios sem concurso.

Considere-se Douglas McCorkindale, diretor do conglomerado mediático gigante Gannett durante décadas e patrão de várias subsidiárias. Gannett é a maior editora de jornais dos EUA, avaliado pela circulação diária e possui importantes estações de TV, redes regionais de notícias por cabo e estações de rádio. Ainda durante cerca de uma década, McCorkindale foi também diretor no gigante da defesa dos EUA, Lockhead Martin, saindo em abril de 2014.

Considere-se que estes indivíduos, através dos seus interesses nas indústrias de meios de comunicação e da defesa, lucraram directamente em guerras devastadoras que foram efectivamente tornadas possíveis também pela sua própria propaganda.

Note-se que se trata de um jogo bipartidário, beneficiando largamente de forma idêntica liberais e conservadores.

Portanto, a crise global da informação e a crise da civilização – em que vemos uma crescente convergência de extremismo político, destruição ecológica e volatilidade económica, destroçando as nossas sociedades e famílias, frustrando as esperanças da nossa juventude – fazem claramente parte da mesma realidade.

A mercantilização da informação é parte integrante da mercantilização do planeta. Este é um jogo onde a nossa mente, a nossa atenção e futuro são reduzidos a um activo sem valor, negociado através dos mercados, até que nada reste. Mas não há nenhuma necessidade de aceitar este destino. Tudo o que é necessário é que se veja como ele é.

Uma vez visto, ideias e novas informações podem fluir nas nossas mentes, novas emoções podem fluir no nosso corpo e estaremos habilitados a agir. Se o percebermos podemos agir. Torna-se óbvio que a única solução é redesenhar o formato jornalístico de tal forma que informações e novas ideias conduzam a uma acção construtiva. Torna-se evidente que para reanimar a esfera pública e restaurar as nossas instituições democráticas devemos fazer com que o fluxo de dinheiro dos media volte para onde pertence: para as mãos dos jornalistas e dos leitores-participantes, comprometidos com a criação de um futuro justo e sensato.
 

Ver também:

  • O modelo da propaganda revisitado , Edward S. Herman

    [*] Nafeez Ahmed e Andrew Markell são dois dos co-fundadores da PressCoin e Insurge. PressCoin e Insurge são a próxima geração de plataformas de meios de comunicação e jornalismo baseados em inovações blockchain e cripto-moeda e no formato de investigação Open Inquiry para substituir o atual inadaptado e destrutivo ecossistema de informação, que conduz tudo no nosso planeta ao caos e à confusão, por um sistema de informação pública inteligente e coerente.

    O original encontra-se em www.counterpunch.org/...


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • quarta-feira, 7 de março de 2018

    O discurso de Putin


    por Paul Craig Roberts [*]
     
    Discurso perante a Assembleia Federal da Rússia, 01/Março/2018. Putin efectuou uma notável intervenção perante a Assembleia Federal, o povo russo e os povos de todo o mundo .

    No seu discurso, Putin revelou a existência de novas armas nucleares russas tornando indiscutivelmente claro que a Rússia tem vasta superioridade nuclear sobre os Estados Unidos e sobre os Estados vassalos da NATO.

    Tendo em conta as capacidades russas, não está claro que os EUA ainda se qualifiquem como uma superpotência.

    Há poucas dúvidas na minha mente de que se os enlouquecidos neoconservadores do complexo militar/securitário em Washington tivessem essas armas e a Rússia não, Washington lançaria um ataque à Rússia.

    Putin, no entanto, declarou que a Rússia não tem ambições territoriais nem ambições hegemónicas e nenhuma intenção de atacar qualquer outro país. Putin descreveu as armas como a resposta necessária à firme recusa do Ocidente ano após ano em aceitar a paz e a cooperação com a Rússia e ao invés disso envolveu a Rússia com bases militares e sistemas ABM.

    Putin disse: "Estamos interessados numa interacção construtiva e normal com os Estados Unidos e a União Europeia e esperamos que o senso comum prevaleça e os nossos parceiros escolham uma cooperação justa e equitativa. (…) A nossa política nunca será baseada em aspirações de excepcionalismo, estamos a defender os nossos interesses e respeitamos os interesses dos outros países."

    Putin disse a Washington que os seus esforços para isolar a Rússia com sanções e propaganda e para impedir a capacidade de resposta russa ao crescente cerco militar do Ocidente fracassaram. As novas armas da Rússia tornaram a abordagem EUA/NATO totalmente "ineficaz do ponto de vista militar". "As sanções para restringir o desenvolvimento da Rússia, incluindo a esfera militar, não resultaram". As sanções não foram capazes de conter a Rússia. E eles precisam entender isso (...) Parem de balançar o barco em que todos nós nos sentamos".

    Então, o que há a fazer? O Ocidente virá a ter bom senso? Ou o Ocidente, afogado em dívidas e carregado ao máximo de indústrias militares hipertrofiadas e ineficazes intensificará a Guerra Fria que Washington tem ressuscitado?

    Não penso que o Ocidente venha a ter qualquer bom senso. Washington está totalmente absorvido no "Excepcionalismo americano". A arrogância extrema do “país indispensável" aflige a todos. Os europeus são comprados e pagos por Washington. Creio que Putin tinha esperança de que os líderes europeus compreendessem a futilidade de tentar intimidar a Rússia e cessassem de assumir a Russofobia de Washington que nos está a levar à guerra nuclear. Sem dúvida que Putin ficou decepcionado com a idiotice da resposta do ministro da Defesa do Reino Unido, Gavin Williamson, que acusou a Rússia de "escolher um caminho de escalada e provocação".

    Meu palpite é que os neoconservadores vão minimizar a capacidade da Rússia, porque os neoconservadores não querem aceitar que haja qualquer restrição ao unilateralismo de Washington. Por outro lado, o complexo militar/securitário irá exagerar a superioridade russa e exigir um orçamento maior para nos proteger da "ameaça russa".

    O governo russo concluiu, após anos de frustrante experiência com a recusa de Washington em considerar os interesses da Rússia e trabalharem juntos de forma cooperativa, que a razão era a crença de Washington de que o poder militar americano poderia obrigar a Rússia a aceitar a liderança dos EUA. Quebrar esta ilusão de Washington foi a razão para o enérgico anúncio de Putin sobre as novas capacidades russas.

    No seu discurso, ele disse: "Ninguém queria falar connosco. Ninguém quis ouvir-nos. Escutem-nos agora". Putin sublinhou que as armas nucleares da Rússia são reservadas para retaliação, não para agressão, mas que qualquer ataque à Rússia ou a aliados da Rússia receberá uma resposta imediata "com tudo o que isso implica".

    Tendo deixado claro que a política ocidental de hegemonia e intimidação está morta, Putin novamente estendeu o ramo de oliveira: Vamos trabalhar juntos para resolver os problemas do mundo.

    Espero que a diplomacia russa seja bem-sucedida em pôr um fim para às crescentes tensões fomentadas por Washington. No entanto, a diplomacia russa enfrenta dois talvez inultrapassáveis obstáculos. Um é a necessidade que o complexo militar/securitário dos EUA tem de um grande inimigo como justificação para o seu orçamento anual de 1 milhão de milhões de dólares e o poder que isso representa. O outro obstáculo é a ideologia neoconservadora de hegemonia do mundo pelos EUA.

    O complexo militar/securitário está institucionalizado em cada Estado dos EUA. É um empregador e uma fonte de contribuições para as campanhas políticas, o que torna quase impossível para um senador ou representante ir contra os seus interesses. Nos círculos de política externa está ainda por aparecer um contrapoder aos enlouquecidos neoconservadores. A Russofobia que os neoconservadores criaram agora afecta o americano comum. Estes dois obstáculos revelaram-se suficientemente poderosos para impedir o Presidente Trump de normalizar as relações com a Rússia.

    Talvez no seu próximo discurso, Putin deva abordar os europeus directamente e perguntar-lhes em que é que os seus interesses são servidos, facilitando a hostilidade de Washington para com a Rússia. Se forem impelidos a fazer avançar e deixar estacionar sistemas ABM, armas nucleares e bases militares dos EUA, como podem esperar escapar à destruição?

    Sem a NATO e as suas bases avançadas, Washington não pode encaminhar o mundo para a guerra. O facto fundamental desta matéria é que a NATO é um obstáculo à paz.
     

    Ver também:

  • Tradução oficial para o inglês do discurso do presidente Putin à Assembleia Federal
  • Tradução não oficial para o francês do discurso do presidente Putin à Assembleia Federal
  • Putin's stunning revelations about new Russian weapons systems , Paul Craig Roberts
  • Is Washington Sufficiently Intelligent to Be Trusted with an Independent Foreign Policy? , Paul Craig Roberts
  • Despesas de guerra levam os EUA à bancarrota , por John W. Whitehead

  • La Russie exhibe ses nouvelles armes et dit aux États-Unis "Reviens sur terre" , Moon of Alabama

    [*] Ex-secretário de Estado assistente para política económica e editor associado do Wall Street Journal. Foi colunista da Business Week, Scripps Howard News Service e Creators Syndicate. Seus livros mais recentes: The Failure of Laissez Faire Capitalism and Economic Dissolution of the West , How America Was Lost e The Neoconservative Threat to World Order .

    O original encontra-se em https://www.paulcraigroberts.org/2018/03/01/putins-state-union/


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

    Americanos deixam terra arrasada nos Açores EUA recusam-se a limpar os resíduos cancerígenos deixados na Base das Lajes

    – Este assunto foi silenciado pelos media portugueses do continente

    por RT 
     
    Depois de a base aérea norte-americana das Lajes, na ilha Terceira, a segunda mais populosa dos Açores, ter sido utilizada durante 75 anos, os EUA abandonam-na. Os habitantes locais pretendem que os EUA limpem a zona da poluição tóxica que cientistas afirmam ser cancerígena – mas Washington não concorda.

    Madaíl Ávila, uma dos 55 mil residentes da ilha Terceira, afirma: "Ambos os meus pais morreram de cancro. Minha mãe de cancro de mama e o meu pai com um tipo diferente de cancro. Quando eu tinha 33 anos fui diagnosticada com cancro de mama". "É uma coincidência muito grande que haja tantos casos de cancro no seio da mesma família, bem como todos estes casos estarem geograficamente localizados na mesma área".

    Os testemunhos de Ávila e outros moradores vizinhos da base aérea das Lajes que falaram com Ruptly durante a visita da equipa de filmagem na pitoresca ilha rochosa poderiam ser descritos como anedotas anti-científicas de moradores ressentidos. Infelizmente são apoiados por estudos conduzidos pelos próprios norte-americanos e investigadores portugueses.

    "O que temos é um conjunto de locais com níveis extremamente elevados de poluição provocada por metais pesados, hidrocarbonetos e PCB ", diz Félix Rodrigues, professor de física da Universidade dos Açores e político local. "Em determinadas concentrações podem causar esterilidade, cancro, arritmia. Estes materiais entram na cadeia alimentar e acumulam-se nos corpos. Estamos diante de venenos que estão a ser escondidos debaixo do tapete".

    Apenas um exemplo: Félix Rodrigues salienta que 88 mil litros de derrame de combustível foram registados na década passada e diz que o solo é 50 vezes mais contaminado do que o permitido pelas directrizes ambientais nos principais países ocidentais.

    Norberto Messias, professor de saúde da Universidade dos Açores, diz que os moradores do município adjacente à base sofrem incidência de certos tipos de cancros várias vezes maiores, como por exemplo quatro vezes mais tumores dos olhos, do que a restante população dos Açores.

    "Não temos material genético diferente, não temos uma cultura diferente, não temos hábitos alimentares diferentes, nós somos como qualquer outra pessoa portuguesa. A única coisa que nos diferencia é a poluição da base das Lajes. A minha convicção é que há uma relação", diz Messias, que conduz um estudo entre a população local. 


    Hotéis em vez de compensação 
     

    Distando 4 000 km a leste de Nova Iorque e 1 500 km a oeste de Lisboa, a ilha Terceira foi o ponto de reabastecimento perfeito para a aviação aliada que atravessava o Atlântico, durante a segunda guerra mundial. A base aérea das Lajes foi oficialmente inaugurada em 1943 e usada pelas forças britânicas e americanas.

    Após a formação da NATO, em 1949, as Lajes tornaram-se uma posição chave e um centro de comando dos EUA para as suas unidades aéreas e navais, desempenhando um papel importante em vários conflitos, incluindo a guerra de Yom Kippur entre Israel e os Estados Árabes em 1973 e a primeira Guerra do Golfo.

    O fim da guerra fria e o desenvolvimento de reabastecimento no ar, tornaram as Lajes dispensáveis e, em Janeiro de 2015, o Pentágono anunciou que o número de pessoal estrangeiro na base seria reduzido para 165, muito abaixo do pico de 3.000 atingido em décadas anteriores. Economistas estimam que a mudança teria reduzido o PIB da Ilha Terceira em 6%, levando à emigração de 10 mil pessoas da mesma. A própria base apresenta agora um estado de abandono crescente, suas pistas desertas, zonas residenciais vedadas mas vazias no seu interior.

    Orlando Lima, um trabalhador português de apoio à base, diz que o pessoal dos EUA também estava preocupado com o impacto da base na sua saúde e que, pelo menos uma vez, testemunhou uma Comissão a chegar às Lajes para investigar uma queixa de saúde feita por um dos seus ex-agentes, que disse ter contraído cancro terminal, em resultado de serviço ali prestado.

    Na sequência do anúncio de 2015, os Açores produziram um plano de revitalização para a Terceira, pelo qual os EUA pagariam 167 milhões de euros (US$205 milhões) anualmente durante 15 anos, para facilitar a transição da sua partida. Desse dinheiro, 100 milhões de euros seria gasto anualmente para combater o legado ambiental.

    Até agora, Washington nada concretizou.

    Quando perguntado pela RT sobre a situação na Ilha Terceira, funcionários dos EUA recusaram-se a comentar directamente e remeteram-nos para os resultados de uma reunião da Comissão Bilateral Permanente (SBC), em Dezembro, do ano passado.

    "A SBC foi informada sobre a situação actual das questões ambientais na ilha Terceira, no que diz respeito às actividades dos EUA na base das Lajes, incluindo o que diz respeito a dois locais prioritários (Portão Principal e área Tanque do Sul). Os Estados Unidos e Portugal pretendem acompanhar as questões e incentivar os técnicos especialistas a chegarem a uma conclusão sobre a melhor forma de proceder ( leia o resumo dos resultados da reunião).

    Em vez de compensação, os funcionários norte-americanos propõem agora aumentar os voos civis dos EUA e "discutiram formas de incrementar o turismo através do Atlântico e criar condições de mercado para atrair hotéis dos EUA para entrarem no mercado de Açores." 


    "Posso garantir aos meus filhos uma vida boa aqui?" 
     

    Sentindo-se traídos pelos norte-americanos e abandonados pelo próprio governo, meio oceano afastados de Lisboa, os terceirenses começaram a sua própria campanha pública para encorajar o governo português a colocar mais pressão sobre seus aliados da NATO ou ele próprio assumir os custos.

    "O problema existe, não há dúvida que isso foi causado pela força aérea americana, e também sobre quem são os responsáveis e quem têm de pagar por isso," diz Marcos Fagundes, membro activo da campanha.

    Felix Rodrigues, professor de física na Universidade do Açores tem pouca esperança de que Washington – particularmente sob Presidência do Donald Trump – pague e diz que a Terceira pode ser equiparada a dezenas de outros pontos do globo, onde bases americanas abandonadas continuam a contaminar a terra.

    "Isto é um inferno que se repete em várias ilhas ocupadas pelos norte-americanos. É quase uma política de terra queimada, onde os problemas se acumulam, o governo local não reage e a população não tem capacidade para assumir uma posição," afirma F. Rodrigues.

    Entretanto para Ávila, cujo cancro de mama agora está em remissão, qualquer decisão não é uma questão de política, mas de sobrevivência – para si e sua família.

    "Quero criar os meus filhos num lugar onde tenha a garantia de que serei capaz de lhes dar uma boa qualidade de vida. E esta é uma dúvida que eu tenho: Estarei a fazer a coisa certa para a geração futura?"
    22/Fevereiro/2018 
     
    O original encontra-se em www.rt.com/news/419588-azores-cancer-base-us/

    Esta notícia encontra-se em http://resistir.info/ .

    quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

    Coreia do Norte, um agente da paz


    por Peter Koenig [*]
     
    Manifestação em Seul contra a guerra. O falso alarme de um ataque de mísseis balísticos vindo da Coreia do Norte sobre o Havaí, em 13 de janeiro, não ajudou as Conversações de Paz, as quais foram iniciadas essencialmente por iniciativa do Presidente da RDPC, Kim Jong-un. Eles espalharam enorme medo de uma aniquilação nuclear de Honolulu, pulverizando casas e pessoas – um Armagedão para a população havaiana. Terá sido uma tentativa de Trump para boicotar as negociações? Ou foi a facção belicista do Estado profundo dos EUA, desejando mais ameaças de guerra, levando a população havaiana a acreditar que isso se poderá tornar realidade, empurrando-os através de um falso alarme a querer a devastação de uma vez para sempre da península coreana – porque um ataque ao Norte não pouparia o Sul? Estará a indústria de guerra desesperada por mais guerras e mais lucros? Eles podem estar ofegantes, porque o mundo gira em direção à paz.

    Outro sinal de que o Império, os desonestos controladores do universo, estão rodando no vazio e estão com medo de perder seu controle sobre o mundo, é que Canadá e os Estados Unidos após uma reunião em Vancouver, Canadá, decidiram apoiar uma reunião internacional sobre Coreia do Norte patrocinada pelos Canadá e EUA nos dias 15 e 16 Janeiro de 2018. Além do Canadá e dos Estados Unidos, incluiria mais 18 países do "grupo Vancouver", como a Dinamarca, Grécia, Noruega, Nova Zelândia e outros – mas não a Rússia, nem a China – e mais ridículo de tudo – a Coreia do Norte estaria ela própria ausente. Rússia e China seriam informadas no final da reunião, na noite de 16 de janeiro. Isso foi a proposta. Terão estes seguidores do poder hegemónico, além de perderem o espírito perdido também a cabeça?

    O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, disse o óbvio: tal não era aceitável. Acrescentando com o seu humor sempre positivo: "Com todo o respeito para com aqueles que tomaram esta iniciativa, não espero nada de produtivo. Com sorte, não acontecerá nada contraproducente. Seria já um grande resultado, se bem que dificilmente crível".


    As conversações de paz foram iniciadas sob o pretexto de que o Norte queria participar nos Jogos Olímpicos de Inverno em Pyeong Chang no Sul, em fevereiro deste ano. Uma jogada inteligente que lembra a diplomacia do pingue-pongue entre os EUA e a China no início da década de 1970 com Nixon. Curiosamente, este foi o degelo das relações com a República Popular da China (RPC), que estava a sofrer "sanções" – Infelizmente as sanções não são novidade! – devido à "interferência" de Beijing na totalmente ilegal, injustificada, criminosa e devastadora guerra da Coreia liderada pelos EUA que, de 1950 a 1953 destruiu totalmente a Coreia do Norte, com um número de mortes pelo menos 4 milhões de pessoas (quase metade da população norte-coreana). As bombas dos EUA não deixaram nem um tijolo intocado na agora RPDC (República Popular Democrática da Coreia). O objetivo desta desumana atrocidade era então, como as atuais agressões de Washington para com Pyongyang, mais de 60 anos depois, uma tentativa de posteriormente invadir a China com o objetivo final da dominação completa.

    A equipe de ténis de mesa nos EUA estava em Nagoya, no Japão, em 1971, para o 31º campeonato de ténis de mesa mundial, quando em abril recebeu um convite para visitar Beijing. Daí começou uma viagem diplomática, que mais tarde abriu os portões para uma relação de comércio intensa, por vezes controversa entre Washington e Pequim. Para a RPDC o desporto desempenha um importante papel diplomático, reflectido no lema "amizade primeiro, competição depois".

    Terá Pyongyang sido inspirada por aquele exemplo desportivo para abrir caminho para um novo e melhorado relacionamento entre irmãos? Possivelmente. Contudo, não está claro: quem realmente tomou a iniciativa e quem persuadiu Donald Trump a ficar quieto e deixar que isso acontecesse? Estará ele realmente tranquilo e deixará estas históricas conversações de paz terem lugar sem serem perturbadas? O que está a acontecer atrás das cortinas na equipa de Trump – além da reunião do grupo de Vancouver – é um mistério. Que estas conversações de paz tenham lugar é naquilo em que o mundo deve concentrar-se daqui em diante – um passo em frente num movimento de paz que não pode ser desfeito. É uma obra-prima de duas nações soberanas para cimentar a relação que os une, e também com partes da China e da Rússia, numa história de 5000 anos.

    5000 anos de história coreana. É importante entender a história da Coreia para compreender que tudo o que sai dos infectados porta-vozes de Washington é incoerente e não se ajusta à realidade, com os milhares de anos de uma Coreia pacífica, cujas crenças ainda hoje são em grande medida influenciadas por Confúcio. A história e a imagem de milhares de anos de uma Coreia pacífica é uma revelação (ver caixa).

    Voltando à realidade de hoje – apenas há algumas semanas, todos os quinze membros de Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) condenaram a RDPC como um agressor que tem de ser punido, empilhando insultos depois de mentiras e mais insultos sobre o presidente Kim Jon-un e sua estratégia apenas defensiva. Hoje, o mesmo CSNU deveria reunir-se novamente e louvar por unanimidade a RDPC por esta tremenda façanha de, contra todas as probabilidades, comprometer-se em conversações de paz com o seu irmão natural durante milénios. Por que não acontece tal elogio para com uma nação pacífica? Porque os Donalds e Nikki Haleys deste mundo, os mestres agressores do universo, e todos os vassalos do presidente, teriam que morder a língua.

    No entanto, sabemos que isto não está acabado. Washington ainda tem mais de 28 mil militares estacionados na Coreia do Sul e um arsenal mortal de navios de guerra, aviões de combate e bombas nucleares para atacar – preventivamente, se o poder hegemónico julgar necessário. Não importa que 80% dos coreanos do Sul queiram que esta ocupação assassina acabe. Do mesmo modo em Okinawa no Japão a base dos EUA tem mais de 40 mil militares – que a grande maioria dos japoneses e especialmente os habitantes da ilha, desejam que saiam. Eles trazem crime, drogas, prostituição e até o assassinato para a ilha. As violações estão em ascensão.

    Podem estas conversações coreanas colocar em movimento algo maior que apenas conversações de paz entre os países irmãos. Pode este primeiro encontro sério em mais de sessenta anos (delegações dos dois países reuniram-se em 2014 para uma troca de visitas familiares) tornar-se uma grande surpresa para os 15 membros do CSNU, que sem pensar cozinharam sanções assassinas à Coreia do Norte há apenas algumas semanas?

    Possam estas conversações ser um abrir de olhos para o mundo, mostrando a falsidade de toda a operação do CSNU e quão subservientes para com o pagador chefe os seus membros se tornaram? Poderia ser um sinal para a China e a Rússia, que o seu não-veto, a sua submissão para ao agressor ( bully ), qualquer que fosse o motivo estratégico que poderia ter tido – foi um erro? Ou irão eles simplesmente reclamar crédito para o que está acontecendo – considerando que ameaças e sanções funcionam? Qualquer pessoa sensata que conhece a história e missão de paz da grande e antiga Coreia, o Reino de Gojoseon – e certamente China e Rússia deveriam sabê-lo – verão como o mundo é ignorante, ou então quanto sangue e ganância ameaçam a Humanidade sob o reino do capitalismo.

    As duas Coreias podem ter aproveitado a oportunidade para cumprir seu objetivo maior: unirem-se de novo, reunindo suas famílias de forma duradoura; Iniciar um movimento de alegria e harmonia; uma nova era de unificação que não possa ser quebrada. Isto está totalmente em sintonia com a pregação budista do amor, ainda profundamente enraizada nas duas Coreias.

    O Presidente Kim Jong-un tem sempre e repetidamente dito que não procura a guerra, não ameaça ninguém, mas que as armas nucleares são uma arma defensiva, visando apenas os agressores – o único agressor, Estados Unidos, que há mais de 60 anos não permitiu que se convertesse um acordo de armistício instável num acordo de paz. O povo da Coreia do Norte não quer nada mais do que paz.

    As guerras ao longo do último século e especialmente durante os últimos 17 anos com o início da eterna "guerra ao terror", terminologia de um negócio que impulsiona o lucro do complexo industrial militar e de segurança, tem-se tornado tão enraizado na mente das pessoas, que um mundo de paz, harmonia e amor é quase inimaginável.

    Sob que tipo de regime poderia funcionar uma Coreia Norte-Sul unidas? Um socialismo puro e duro (hard-core), ao estilo da RDPC, um capitalismo de tipo de Seul, com um suave toque de Moon Jae-no, ou um socialismo de tipo chinês com um revestimento capitalista, ainda que controlado por um partido socialista centralizado? Difícil prever neste momento, mas dada a ligação histórica da Coreia à Manchúria, hoje ligada à China e Rússia, provavelmente seria um modelo político de sensibilidade social.

    A pressão regional, liderada pela China para retirar as bases militares dos EUA da península coreana iria crescer – e em paralelo o povo japonês encontraria um argumento adicional para expulsar os ocupantes dos EUA da bela ilha de Okinawa. Iriam os líderes fantoche – líderes, não as pessoas – do Japão, Guam, Filipinas, Singapura, Indonésia, Austrália – ceder à pressão dos povos e chutar os cães de guerra para fora de seus territórios soberanos, como deveriam, se quiserem merecer alguma porção do significado da democracia?

    Deixem-me sonhar por um momento: se este esforço tremendo – paz e unificação – tivesse êxito, ele poderia definir o avanço de um programa, em que o mundo em geral ainda não pensou. A China e a Rússia sairiam mais fortes no objectivo de um mundo multipolar.

    O sr. Putin, que apoia o plano Moon-Kim sabe muito bem qual é o papel político de participar nos Jogos Olímpicos – e como o desporto age na política. Ele e a Rússia vivem "desporto como política" quase numa base diária. Atletas russos são banidos dos Jogos Olímpicos e outros eventos desportivos; atletas russos são constantemente acusados de doping, quando o número de atletas dos EUA apanhados dopados é muito maior. Gente do desporto dos EUA encontrada com doping enche páginas na internet, mas ninguém se preocupa em ver ou se atreve a falar contra a injustiça. O Comité Olímpico é um fantoche da mesma laia que o CSNU, União Europeia e todos os tribunais internacionais. Por que razões? Só posso pensar em cobardia, aquilo em que o neoliberalismo globalizado os tornou – medo das sanções, medo de se levantarem pela justiça e em vez disso serem subservientes aos agressores. Isto é: a ganância acima de integridade.

    O presidente Putin juntamente com os presidentes Moon e Kim, habilmente colocaram o desporto como uma iniciativa de paz – quem poderia opor-se aos atletas da RDPC de participarem nos Jogos Olímpicos da Coreia do Sul? Mas por trás da cena está montada uma real iniciativa de paz que poderá literalmente fazer mover as placas tectónicas do poder mundial. A dinâmica de tais desenvolvimentos, juntamente com uma mudança rápida para maior equilíbrio económico, já está a ter lugar na Organização de Cooperação de Shanghai (SCO) com crescente força e com maior independência monetária em relação ao Ocidente. Tais dinâmicas são imprevisíveis, mas rapidamente poderiam fazer passar a nossa civilização da escuridão para a luz.
     

    [*] Economista e analista geopolítico. É também um antigo quadro do Banco Mundial e trabalhou extensivamente em todo o mundo nas áreas de meio ambiente e recursos hídricos. Lecciona em universidades nos EUA, Europa e América do Sul. Escreve regularmente para a Global Research, ICH, RT, Sputnik, PressTV, século XXI (China), TeleSUR, o The Saker Blog e outros sites da internet. É co-autor de Implosion – An Economic Thriller about War, Environmental Destruction and Corporate Greed , uma obra de ficção com base em factos reais e em 30 anos de experiência do Banco Mundial por todo o mundo. É também co-autor de The World Order and Revolution! - Essays from the Resistance.

    O original encontra-se em www.informationclearinghouse.info/48624.htm


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

    terça-feira, 9 de janeiro de 2018

    Uma nova reviravolta na investigação do Voo MH17


    por Oriental Review
    Em fins de Agosto a Rússia entregou à Holanda dados descodificados de radar da zona aérea onde o Voo MH17 de Malaysian Airlines foi derrubado, em 17/Julho/2014. Estes materiais foram inicialmente entregues no original , ou seja, de forma não descodificada, juntamente com o software necessário para descodificá-los.

    Contudo, os investigadores holandeses, apesar de estarem armados com a mais recente tecnologia moderna e ainda com a assistência dos seus colegas britânicos, não foram capazes de descodificar os registos e acabaram por pedir aos peritos russos que fizessem isso. Ao longo de três anos esta foi a única vez em que pediram [aos russos] para colaborar. Nunca antes a comissão aceitara quaisquer ofertas russas de assistência.

    Os registos descodificados mostravam claramente que o míssil fora disparado da zona controlada pelos militares ucranianos. E isto não alguma estória falsificada cozinhada por jornalistas, mas sim informação técnica documentada.

    Clique para ampliar.
    A distância estimada entre o Voo MH-17 e o lançador BUK controlado pelos ucranianos em Zroshchenskoe no momento do ataque (menos de 30 km) está dentro do seu alcance operacional, ao contrário de outro presumivelmente operado pela milícia no Donbass.
    Contudo, todos os sinais parecem indicar que a informação descodificada obtida da Rússia não será incluída no processo, mas ao invés disso enfrentará o destino de muitos outros dados que não se ajustam perfeitamente dentro da versão preferida da investigação. Ela provavelmente cairá no buraco negro, tal como aconteceu às fotos da tragédia tiradas por satélites espiões americanos.

    Enquanto isso, no entanto, não será fácil para os investigadores apegarem-se à sua abordagem prescrita para a investigação. Peritos independentes estão conscenciosamente a sugerir novos rumos para o inquérito que poderiam ajudar no avanço do processo.

    Exemplo: uma vez que todos os sítios de lançamento do exército ucraniano do seu sistema Buk-M1 de defesa de mísseis podem ser contados e examinados pela comissão, seria uma questão bastantes simples estabelecer se pelo menos um deles foi utilizado para disparar o míssil. Uma inspecção dos 60 sítios de lançamento existentes neste sistema é fisicamente possível e poderia proporcionar alguma informação surpreendente. O lançamento do míssil Buk-M1 deixa "queimaduras" indeléveis na rampa que não podem ser ocultadas, mesmo sob uma nova camada de pintura. Embora isso parecesse uma sugestão muito simples, ela é significativa.

    Kees van der Pijl , professor do Departamento de Relações Internacionais da Universidade de Sussex e presidente da ONG The Committee of Vigilance Against Resurgent Fascism , concluiu recentemente o livro intitulado The Launch: Flight MH17, Ukraine and New Cold War (Der Abschuss: Flug MH17, die Ukraine und der neue Kalte Krieg). A versão em alemão e o original em inglês já estão à venda, a tradução em português estarão disponível em breve.

    O professor van der Pijl examina a tragédia de uma perspectiva geopolítica e pergunta: quem se beneficia mais com o desastre? E responde: os EUA, o qual logo a seguir impôs sanções contra a Rússia, minando a sua indústria do gás e controlando o seu crescimento na cena internacional.

    O professor menciona especificamente os seguintes argumentos:
    • Um dia antes da tragédia, os países BRICS assinaram um acordo para constituir o seu próprio banco, o qual os EUA encaram como um rival para o FMI e o Banco Mundial.
    • Vladimir Putin e Angela Merkel estabeleceram um novo quadro conceptual para resolver a crise na Ucrânia – sem participação dos EUA – e um progresso real estava a ser feito.
    • Além disso, uma vez derrubado o Boeing 777, companhias de gás americanas subitamente foram capazes de encontrar força para arrancar com o seu trabalho na Europa e forçar a Rússia para fora do mercado da UE. Moscovo foi forçada a abandonar a construção do gasoduto South Stream e as relações com o governo de Kiev, o qual a seguir se tornou um peão nos jogos do ocidente, azedaram definitivamente.
    Nem um único media europeu ou americano reagiu ao anúncio da publicação do livro e o seu caminho para as prateleiras das livrarias é improvável que seja fácil. Contudo, os tempos estão a mudar e muitas pessoas estão a ganhar interesse e a afluir ao blog do professor van der Pijl, Der Abschuss Flug MH17 (O derrube do voo MH17), o qual apresenta informação acerca da publicação do livro bem como links para a suas fontes.

    Utilizando os materiais disponíveis para eles, os autores do blog pretendem lançar luz sobre as absurdas inconsistências evidentes durante a investigação, assim como sobre a teimosa relutância dos investigadores para responderem a questões incómodas. Alguns exemplos conhecidos são:
    • Como podia o presidente ucraniano, Poroshenko, o qual anunciou a tragédia 15 minutos após a sua ocorrência, ter conhecimento de que o Boeing 777 fora derrubado por um míssil Buk russo?
    • Por que a comissão de investigação não considerou os resultados da destruição experimental de um avião de passageiros fora de serviço pela companhia Almaz Antey, recusando-se também a tomar parte num segundo experimento?
    • O que levou controladores de tráfego (dispatchers) ucranianos a alterar a rota de voo do MH17 exactamente antes da tragédia?
    Em breve veremos se responsáveis silenciarão o livro agora distribuído e que consequências isso poderá ter. Mas os acontecimentos poderiam ter uma viragem interessante. Em resultado dos esforços do professor van der Pijl, saberemos o preço não só do trabalho da comissão holandesa de investigação do destino trágico do voo MH17 como também da democracia europeia e da justiça europeia...
    04/Setembro/2017
    Acerca do MH17 ver também:
  • MH17: Afastar a Malásia da investigação tresanda a encobrimento
  • O MH17 malaio foi abatido por caças do regime de Kiev
  • Surgiram provas: foi um caça dos fascistas ucranianos que derrubou o MH17 malaio
  • O relatório da comissão holandesa sobre o crash do MH17 malaio "não vale o papel em que está escrito"
  • Análise do crash do voo MH17 da Malaysian Airlines
  • O "relatório" MH-17
  • Ordenaram ao MH17 que voasse sobre a zona de guerra no Leste da Ucrânia

  • Por que os media e a administração Obama ficaram silenciosos acerca do MH17?

    O original encontra-se em https://orientalreview.org/2017/09/04/new-twist-investigation-flight-mh17/


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
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