quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sociedade: Como funciona a lógica anticomunista

Por Cristiano Alves

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Todo anticomunista segue uma lógica própria, uma lógica que vai muito além da mera lógica direitista. Ele não é um indivíduo que fala sobre o que defende, ele é um indivíduo que fala sobre o que odeia. O anticomunista, o extremista de direita, é movido pelo ódio, e para mascarar o seu mau caráter, a sua sede de sangue, o seu desprezo por tudo o que não é espelho, ele segue uma lógica específica.


- O anticomunista alega que o comunismo reprime, mas curiosamente não pestaneja antes de expulsar e reprimir qualquer um que conteste suas ideias

- Anticomunistas dizem que "Stalin era paranoico", mas curiosamente acreditam que todo mundo, exceto aqueles de seu clube social, são bandidos que pensam 24 horas em estuprar suas famílias, quase  fantasiando com tais exemplos para ressaltar seus pontos de vista reacionários.

- O anticomunista acha perfeitamente aceitável que jovens se vistam como colegiais americanos e consumam a cultura americana, porém entram numa verdadeira histeria se sabem que alguém estuda a cultura de países como a Rússia ou Cuba.

- O anticomunista acha perfeitamente aceitável que o Brasil seja "babá" de banqueiros estrangeiros, que tenha investimentos em países capitalistas e anticomunistas como a Polônia, mas fica furioso quando o país investe em portos em Cuba.

- O anticomunista nada fala sobre alguém que vai aos Estados Unidos, mas ai de quem vai a países como a Coreia do Norte, logo chamam de "espião financiado pela embaixada", "agente secreto comunista", bla bla bla...
 
- O anticomunista alega que é solidário com as vítimas do comunismo em países longínquos como a Coreia do Norte, mas curiosamente aplaude e elogia o massacre de trabalhadores diário nas favelas das grandes capitais.

- O anticomunista se diz solidário com mulheres supostamente torturadas na Coreia do Norte, mas nunca promove uma campanha do mesmo nível contra a violência doméstica no Brasil.

- O anticomunista acredita que "bandido bom é bandido morto", desde que esse bandido não seja o branco de classe alta, um grande empresário, o filho de um capitalista ou... um criminoso de um país de orientação marxista.

- O anticomunista se considera intelectualmente superior, o suprassumo da intelectualidade, daí chama a todos que estão fora de seu sistema de ideias de "burros e ignorantes", especialmente pessoas de classe baixa, ao mesmo tempo em que mal sabe conjugar um verbo de língua portuguesa ou escorrega feio na língua portuguesa.

- Anticomunistas detestam ditaduras, desde que essas não sejam de direita.

- O anticomunista finge que é contra os narcóticos, mas nada diz sobre o fato destes representarem um dos 3 maiores negócios do capitalismo, movimentando mais de 1 trilhão por ano. Ele se incomoda com a boca de fumo da esquina, mas é conivente com a lavagem de dinheiro de grandes cartéis feita nos grandes bancos.

- O anticomunista adora posar de moralista, dizer que "defende a moral e os bons costumes", mas curiosamente nunca fala do "Plano de Dulles", diretor da CIA que via como uma medida importante na luta contra o comunismo a promoção da promiscuidade, da pornografia e da degradação moral da juventude. Ele nada diz sobre o fato da cultura capitalista abraçar os valores pós-modernistas.

- O anticomunista fala que "o comunismo mata", quando o capitalismo que ele defende não apenas mata, como humilha e brutaliza a condição dos trabalhadores.

- Anticomunistas odeiam movimentos sociais, sejam eles em favor dos negros, das mulheres, sindicais... chamam de "comunistas", mas curiosamente, toda essa crítica não é acompanhada de uma só ação para melhorar a condição desses grupos.

- O anticomunista diz que não é fanático, mas curiosamente é incapaz de reconhecer um só benefício dos países socialistas.

- O anticomunista se apresenta como "a voz da verdade", acredita que sua opinião é uma verdade eterna e incontestável, e se irrita quando alguém mostra que seu pensamento não passa de simples opinião.

- O anticomunista acredita na "liberdade de expressão", desde que seja para que apenas pessoas que pensam como ele tenham voz.

- O anticomunista diz que odeia pensadores como Marx, Lenin, Gramsci... apesar de jamais tê-los lido.

- O anticomunista acha que é "capitalista", apesar de quase nunca serem donos de fábricas ou terras.
 
- O anticomunista reprime, mente, calunia e engana e põe a culpa no "malvado comunismo".

O anticomunista condena o comunismo por tudo aquilo que ele promove e aceita ativa ou passivamente! É um hipócrita e sociopata que tenta justificar todos os crimes que defende atribuindo esses crimes a "regimes comunistas", tal qual como os inquisidores, que promoviam a tortura e o extermínio alegando "estar lutando contra o diabo". O anticomunismo nada mais é do que uma versão contemporânea da Inquisição.



Ninguém é cidadão



Por Nuno Ramos de Almeida
 
 


A democracia em Portugal mede-se pela forma como a polícia trata as pessoas que não têm poder. O que aconteceu na Cova da Moura é inadmissível

"De perto ou de longe, qualquer ângulo, qualquer plano eu faço o zoom/
É a realidade dos guetos que aqui se resume/Na escola não se lê/Não mostra na TV/Mas só quem não quer é quem não vê" Chullage

Na semana passada a polícia entrou como muitas vezes na Cova da Moura, como exército que entra em terra conquistada em zona de inimigos. Detiveram uma pessoa, bateram em quem estava na rua e dispararam balas de borracha. Fizeram tudo o que não fariam se estivessem na Avenida de Roma. Os moradores da zona estão habituados a ser tratados como pessoas de segunda, a quem é possível espancar sem consequências, mas a brutalidade da acção foi tanta que alguns elementos da comunidade, nomeadamente da Associação Moinho da Juventude, a principal associação com trabalho social no bairro, foram à esquadra queixar-se da violência policial. Chegados lá, foram, segundo testemunhos, cercados, espancados, torturados e sobre um deles dispararam uma bala de borracha, na perna, à queima-roupa - a perna ficou com um buraco por onde se via o osso.

A polícia não comentou o sucedido, mas os trabalhadores da associação foram acusados de tentar assaltar uma esquadra cheia de polícias de intervenção. Provavelmente um deles será responsabilizado por ter agredido uma bala de borracha policial com a perna. Ouvidos um dia depois por um juiz, vão a julgamento. O magistrado considerou que tanto a versão dos polícias como a dos detidos eram coerentes e tinham de ser dirimidas em tribunal. Infelizmente, isto não vai dar em nada. E os polícias vão continuar a ter carta branca para tratar qualquer pessoa nos bairros suburbanos como um saco de pancada.

No período revolucionário circulava a anedota de que os alentejanos eram os homens mais altos do mundo: sempre que a GNR atirava para o ar matava dois. Nos dias de hoje, os alentejanos pobres tornaram-se negros pobres, a quem se pode fazer tudo sem que a justiça franza o sobrolho.

Em 2012 entrevistei o dirigente do principal sindicato da polícia, Paulo Rodrigues, que me recordou a sua carreira na polícia e os problemas que se lhe depararam quando esteve colocado numa esquadra da zona: "Na Damaia, como era uma esquadra rodeada por bairros sociais com várias comunidades, achava-se que os polícias tinham de utilizar a repressão para impor a autoridade e que a população eram só criminosos. A todo o pessoal novo que vinha era incutida esta ideia. Chegava-se depois à conclusão que muitos dos problemas que existiam se deviam a essa atitude: a população reagia à presença policial considerando que não estávamos ali para nos preocuparmos com eles. Sentiam que éramos uma espécie de força de ocupação. Resultado: tínhamos os polícias contra os cidadãos daqueles bairros e aqueles contra os polícias."

Nada mudou. Somos um país desigual, em que o poder dos muito poucos, e o seu enriquecimento corrupto, se garante dividindo a população. O falhanço desta sociedade vê-se nos chamados bairros; se em Portugal, o povo está fora da democracia, nos bairros está fora da sociedade. É gente invisível.


aqui:http://www.ionline.pt/iopiniao/ninguem-cidadao/pag/-1

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Diplomacia franco-germânica


por Jacques Sapir 
 
O Presidente François Hollande e a Chanceler Angela Merkel tentam actualmente em Moscovo, nesta sexta-feira 6 de Fevereiro, aquilo que é descrito como uma "mediação de última oportunidade" sobre a crise ucraniana. Mas isto na realidade já era o caso desde há várias semanas. Os bombardeamentos das forças de Kiev sobre a população civil das cidades de Donetsk, Lugansk e aldeias circundantes, constituíam – e constituem sempre – um escândalo permanente. Estamos na presença de crimes de guerra deliberados. O facto de as forças de Kiev alvejarem deliberadamente os civis está hoje confirmado [1] . Portanto não foram estes os factos que desencadearam o esforço de mediação da França e da Alemanha, é preciso sublinhar, mas antes a derrota da forças de Kiev em Debaltsevo.

Situação militar em 4 de Fevereiro à tarde
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Fonte: ic.pics.livejournal.com/dragon_first_1/72271520/75632/75632_original.jpg

Com esta derrota paira a possibilidade de a NATO, ou os Estados Unidos, se empenharem um pouco mais do que actualmente no fornecimento de armas e materiais às forças de Kiev. Poder-se-á tirar as conclusões que se quiser. Isso não altera o facto de que esta derrota, que fora anunciada, pode permitir que se imponha um cessar-fogo durável.

As propostas franco-alemãs

A sra. Merkel e o sr. Hollande nesta sexta-feira partiram com várias propostas ao encontro do Presidente Putin. Sem entrar nos pormenores, estas incluíam uma "neutralização" de facto da Ucrânia que não poderia entrar na NATO e um acordo reforçado para fazer respeitar o cessar-fogo. François Hollande evocou igualmente a necessidade de garantir a integridade da Ucrânia e um estatuto federal alargado que poderia ser reconhecido aos insurrectos do Donbass.

Estas propostas constituem um progresso em relação ao que era até então anunciado. Mas dois grandes problemas subsistem. Primeiramente, se a Alemanha e a França, que são membros da NATO, podem bloquear a adesão da Ucrânia a esta organização, estes países não têm os meios de se opor – num sentido jurídico – a um acordo de defesa entre os Estados Unidos e a Ucrânia. Ora, se a questão da adesão à NATO apresenta um problema, isto é com certeza devido ao peso do Estados Unidos nesta organização. Portanto não há razão para que os dirigentes russos fiquem particularmente tranquilizados por um empenhamento qualquer da França e da Alemanha sobre este ponto. Um segundo problema tem a ver com a vontade de Kiev de respeitar o cessar-fogo. Desde o mês de Setembro é sobre este ponto que fracassaram todas as tentativas anteriores. Por qual milagre a França e a Alemanha poderiam garantir que Kiev respeitará a sua palavra? Naturalmente, se forças de interposição, os "capacetes azuis", pudessem estar presentes, isso mudaria a situação. Mas os capacetes azuis não podem ser instalados no terreno senão com o acordo do Conselho de Segurança das Nações Unidas, ou seja, com o acordo dos Estados Unidos.

O dilema franco-alemão

De facto, a França e a Alemanha desejariam resolver a questão da Ucrânia sem os Estados Unidos. Mas estes últimos já se encontram maciçamente na Ucrânia, quer sob a forma de conselheiros governamentais ou sob a forma de conselheiros militares. Os Estados Unidos são parte integrante da crise ucraniana e devem portanto ser parte integrante da solução política. A França e a Alemanha não terão o menor peso sobre Washington a não ser que estes dois países digam claramente que sem uma retirada dos Estados Unidos da Ucrânia, e de um compromisso politicamente obrigatório deste país acerca deste ponto, a Ucrânia não poderia receber nem um Euro da União Europeia.

O país está arruinado e falido, as esperanças de ali desenvolver a indústria do gás de xisto evaporaram-se. É claro que só uma ajuda importante da parte da União Europeia pode permitir-lhe que continue a flutuar. Esta ajuda deve ser considerada a fim de forçar os Estados Unidos a renunciarem a uma intervenção, tanto directa como indirecta, na Ucrânia. Esta é a única condição para obter a confiança da Rússia.

É demasiado tarde?

De facto, cada parte teria a ganhar com um acordo político. Os insurrectos seriam enfim reconhecidos diplomaticamente. A Rússia se desenvencilharia de um caso que se verifica custoso para ela. A União Europeia poderia retomar seu comércio com a Rússia. Mesmo os Estados Unidos ficariam livres para se concentrarem sobre outros problemas e poderiam retomar o diálogo necessário com a Rússia sobre a questão das armas nucleares. Tornar-se-ia possível, desde que um cessar-fogo real fosse estabelecido, curar as feridas e começar a reconstrução. Os refugiados, dos quais grande parte fugiu para a Rússia, poderiam então retornar aos seus lares. Não se deve no entanto ter demasiada ilusão. A violência das forças de Kiev para com a população do Donbass deixou traços profundos. Uma solução federal, que teria sido possível em Março de 2014, é hoje impensável. Na melhor das hipóteses isso conduzirá a um estatuto de autonomia, como existe por exemplo com a região do Curdistão autónomo do Iraque.

Mas enquanto as forças da guerra não tiverem sido designadas como tais, e submetidas a fortes pressões, quer seja em Kiev ou em Washington, este acordo política permanecerá um objectivo ilusório. No fundo, a incerteza está em Washington e não em Moscovo. Devemos estar atentos às intenções reais dos Estados Unidos e, caso necessário, tomar claramente distâncias de uma política que não tem nenhum sentido para os interesses dos povos europeus. As consequências desta política nefasta são já evidentes na Líbia. Tal deveria ser a linha diplomática de Paris e de Berlim.

Terão a França e a Alemanha a coragem de dizer as coisas claramente? Pode-se esperar, mas também se pode duvidar.
06/Fevereiro/2014
 

[1] www.globalresearch.ca/...

O original encontra-se em http://russeurope.hypotheses.org/3404

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . 


aqui:http://resistir.info/ucrania/sapir_06fev15.html 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

História da Ajuda à Grécia (aos quadradinhos)

Na sequência dos resultados das últimas eleições gregas, têm-se construído grandes narrativas sobre a tragédia que tem fustigado aquele país. Depois de várias discussões sobre este assunto, resolvi coligir alguns dos dados mais importantes sobre os impactos do programa de ajustamento da troika naquele país. Poderá não ser tão colorido como histórias sobre cabeleireiras e paralíticos, mas espero que seja mais informativo.


Uma das afirmações mais repetidas acerca da Grécia é que os Gregos não cumpriram com o programa de austeridade, nomeadamente no que diz respeito aos cortes no Estado. Na realidade, os gregos cortaram muito mais do que estava previsto. O Memorando do primeiro programa de ajustamento previa 1.700 milhões de euros de redução da despesa pública nominal até 2014. Os gregos cortaram quase 20.000 milhões. Cerca de 12 vezes mais.

Esses cortes tiveram consequências desastrosas no sistema de educação e no sistema nacional de saúde, bem como noutros serviços públicos.

O único ano de alívio neste processo foi o ano de 2014 (antes destas eleições), em que o governo da direita grega parou a austeridade. Curiosamente, e como se verá à frente, essa suspensão da austeridade em 2014 produziu resultados positivos imediatos em todos os indicadores.



Esses cortes em salários e investimento público, associados à precarização do mercado de trabalho, que forçou à baixa dos salários, provocaram uma quebra sem precedentes da procura interna na Grécia. O Estado paga e investe menos e as pessoas consomem menos e, em consequência de tudo isso, o investimento privado também colapsou.


Entre os cortes no investimento público e a quebra do investimento privado, o investimento total desceu para metade do seu valor em 2009. Uma redução de 50% em 5 anos. De acordo, com os dados da AMECO (mais recentes), essa quebra ascende a 58% (43% no público, 65% no privado). As reformas estruturais que a Troika impôs para estimular o investimento privado falharam por completo.


O resultado destes desenvolvimentos foi uma recessão assustadora. O PIB real da Grécia caiu mais de 20% e só ensaiou uma ligeira recuperação em 2014, quando o governo de Samaras suspendeu a austeridade.



O desemprego na Grécia subiu para níveis nunca antes vistos, com o desemprego jovem a aproximar-se dos 60%. A previsão da Troika era muito mais optimista. Os peritos da troika asseguravam que as reformas no sentido da "flexibilização" do mercado de trabalho contribuiriam para a criação de emprego.


A quebra na actividade económica, rendimentos e consumo provocou uma redução a pique na receita pública, nomeadamente na receita fiscal, que comprometeu o esforço de ajustamento orçamental. Esta evolução ilustra bem porque é que uma recessão é sempre a pior forma de equilibrar as contas públicas.



A troika argumenta que, tendo falhado noutros indicadores, foi bem sucedida na "competitividade", prevendo que a balança comercial da Grécia se torne excedentária em 2014. Isso é verdade, mas convém perceber porquê.

A retoma do comércio internacional a seguir à crise financeira significou um aumento generalizado das exportações e das importações em toda a zona Euro. No entanto, na Grécia, as exportações estão a crescer bem abaixo do ritmo médio da Zona Euro. Ou seja, o argumento de que as reformas estruturais tornaram a Grécia mais "competitiva" é falso.


A verdadeira explicação para o equilíbrio da balança comercial da Grécia está neste gráfico. Enquanto em quase toda a Zona Euro, as importações crescem, acompanhando o crescimento das exportações, na Grécia aconteceu rigorosamente o contrário. As importações diminuíram 20%, ao mesmo tempo que, no resto da Zona Euro, aumentaram quase na mesma proporção.

Ou seja, o segredo do equilíbrio da balança comercial está no empobrecimento da população grega, no aumento do desemprego e consequente redução do poder de compra. Isso significa que nenhum problema estrutural foi resolvido. Se a economia retomar e o desemprego voltar a diminuir, o défice comercial voltará também.



O resultado da recessão provocada pelo memorando é que a dívida grega, apesar de várias vagas de austeridade, subiu a pique, muito acima das previsões da troika. Na realidade, a diferença em relação às previsões (cerca de 30 pontos percentuais), só não é muito maior porque, em 2012, a Troika empreendeu uma reestruturação da dívida.

Nessa reestruturação, porém, a troika impôs um corte da ordem dos 75% aos privados, mas não tocou nos seus próprios empréstimos, diminuindo o impacto da operação nas contas públicas da Grécia. Além disso, a (pouca) folga orçamental obtida não foi utilizada para estimular a economia. Pelo contrário, a austeridade continuou e reforçou-se.

No entanto, esta reestruturação serve para provar que as instituições europeias não têm nenhum problema com reestruturações da dívida (nem mesmo com perdões parciais) desde que não sejam afectadas nos seus próprios empréstimos e desde que a política de austeridade não seja beliscada. Mostra também que sem mudança de política económica, uma reestruturação é inútil ou contra-producente.



O fracasso do programa de "ajustamento" da troika é de tal ordem que os anos da austeridade (2010, 2011 e 2013) são precisamente os anos em que a dívida pública mais aumentou na história recente da Grécia. Foram anos piores até do que os que se seguiram à crise financeira de 2007/2008. A redução de 2012, claramente insuficiente, deve-se à reestruturação parcial promovida pela troika sobre os credores privados.



Este é um pequeno retrato do que foi a "ajuda" à Grécia.

E para quem possa estar a pensar que tudo isto acontece porque os gregos são uns grandessíssimos preguiçosos, leia este post do Nuno Teles
Esta apresentação foi inteiramente elaborada com base em números do FMI e da Comissão Europeia, nomeadamente dos relatórios sobre os programas de ajustamento da Grécia, sob supervisão da Troika. Fontes aqui, aqui, aqui e aqui.

Publicação em destaque

Marionetas russas

por Serge Halimi A 9 de Fevereiro de 1950, no auge da Guerra Fria, um senador republicano ainda desconhecido exclama o seguinte: «Tenh...