segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Este país não é para jovens.

Segundo dados do INE, há hoje 314 000 jovens portugueses entre os 15 e os 30 anos que não trabalham nem estudam. E este número (o dobro, em percentagem, do registado aqui ao lado, em Espanha) continua a crescer. Trata-se, em geral, de gente que deixou o sistema de ensino e não encontra oportunidades no mercado de trabalho.


Mas a situação dos que trabalham não é muito melhor. Os jovens constituem, de facto, a grossa fatia do mais de um milhão de "precários" hoje existente em Portugal (23% do total de trabalhadores activos, quando a média europeia é de 14%). Muitos deles licenciados; entre os professores, por exemplo, o número de "precários" quase quintuplicou desde a posse do primeiro governo de Sócrates.

Acontece ainda que muitos dos cerca de 900 mil trabalhadores por conta própria, são, na verdade, "precários", sobretudo jovens, trabalhando a falsos recibos verdes com a complacência das entidades fiscalizadoras. Falsos contratos de prestação de serviços camuflando contratos de trabalho é hoje, aliás, coisa comum no próprio Estado e, provavelmente, também na fiscalização...

Por um lado, ociosidade forçada, por outro, trabalho precário em condições de indignidade pessoal e profissional e a troco de remunerações de mera subsistência. Dir-se-ia que este país não é para jovens. E para velhos, é? E para portugueses comuns em geral? Para quem é hoje o nosso (ou lá de quem ele é) país?

 
por Manuel António Pina, JN dez.2010
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