segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Contra os trabalhadores e o país.

Não é um pacote para a "competitividade e o emprego", é uma cartilha para despedir facilmente e oferecer emprego precário.


Como rapaz bem comportado, Sócrates aprovou num ápice as orientações ditadas pela Sra. Merkel para reformar a "legislação laboral". A encomenda alemã veio sob a forma de "pacote de 50 medidas para a competitividade e o emprego", isto é, a enésima vez que Sócrates saiu de um Conselho de Ministros a glosar os mesmos temas.

Há vários anos que não há trimestre algum em que Sócrates não fale de criação de emprego, sempre com os mesmos resultados: desemprego a subir desde 2005, (quando a taxa era 7,3% e se anunciavam 150000 empregos), até agora em que se aproxima de 11% e é o próprio Governo a anunciar (no O de Estado de 2011) a perda de mais algumas dezenas de milhares de empregos...

Faltam concretizar as 50 medidas do "pacote" mas há algumas coisas que, no meio da roupagem de propaganda, se percebem bem: o Governo vai permitir despedir com indemnizações mais baixas e vai criar um fundo para financiar essas indemnizações para o qual irão certamente contribuir o Estado e até os próprios trabalhadores, directa ou indirectamente. Não é um pacote para a "competitividade e o emprego", é uma cartilha para despedir facilmente e oferecer emprego precário onde já imperam os contratos a prazo e os recibos verdes.

Se tivesse dúvidas sobre a quem serve a fragilização extrema das relações laborais, Sócrates deve estar com as orelhas a arder pois, de Nobre a Alegre, de Moura a Cavaco, todos se juntaram a Francisco Lopes que sempre acentuou não ser com reformas da legislação laboral que se faz crescer a economia. E seria bom que aqueles quatro e muitos mais ouvissem Lopes quando este diz que a economia cresce com investimento, que a balança comercial se equilibra produzindo mais, substituindo importações e dinamizando o mercado interno.


por Honorio Novo, JN dez2010
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