segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Madeira, paraíso fiscal!

A Zona Franca da Madeira esteve no centro de uma investigação de fraude fiscal no valor de 90 milhões de euros levada a cabo pela Polícia Financeira Italiana. A investigação foi iniciada em 2007 e baptizada de "Operação Flying Money". Três moradores da ilha da Madeira foram detidos em Outubro através de mandado de detenção europeu que foi executado numa acção conjunta da Interpol e da Polícia Judiciária, com o apoio da Eurojust. Francesco Valentini, advogado italiano de 44 anos, está em prisão preventiva, depois de interrogado em Lisboa, suspeito da prática dos crimes de fraude fiscal e lavagem de capitais através de oito empresas, todas registadas no Centro Internacional de Negócios da Madeira e instaladas na Rua da Carreira 115-117.

Tereza Trindade, 37 anos, nascida na África do Sul, mas com residência no Funchal há vários anos, e Dina Rodrigues, 35 anos, também foram acompanhadas por inspectores da Polícia Judiciária a Lisboa e ouvidas no Tribunal da Relação, tendo-lhes sido decretada, com base em informações recolhidas pela imprensa italiana, prisão domiciliária.

Tereza Trindade está, aliás, presente na administração de mais de 50 empresas, todas com sede na Rua da Carreira 115-117, no Funchal, apurou o i. Na sua maioria, as empresas têm como actividade "consultoria para os negócios e a gestão".

A pouca atenção mediática dada ao caso em Portugal contrasta com o aparato criado em torno do assunto em Itália. As autoridades italianas acreditam que as oito empresas sediadas no Centro Internacional de Negócios da Madeira tinham um papel fundamental na emissão de facturas por serviços inexistentes e serviam de fachada para operações financeiras do grupo de empresas do sector aéreo detidas pelo italiano Giuseppe Spadaccini - Itali Airlines, Air Columbia, SAN, SOREM, Ali Roma, Air Craft Maitenance e Aeroservice.

O empresário italiano foi detido e acusado de associação criminosa e de crime financeiro internacional, entre outras irregularidades. Em causa está uma fraude fiscal no valor de 90 milhões de euros e a detecção de facturação falsa no valor de 30 milhões de euros entre 1999 e 2008. Foram ainda apreendidas pelas autoridades italianas 32 apartamentos em Porto Redondo e 12 milhões de euros em saldos de contas correntes, acções de empresas e um iate. Ao todo foram doze pessoas acusadas, enfrentando os detidos na Madeira acusações de lavagem de dinheiro, ocultação de capitais e vantagem fiscal.



por Filipa Martins, Publicado em 25 de Dezembro de 2010, jornal i
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