segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Gnomos e fadas.

Tudo indica, a crer na Oposição, que os "animadores sinais de recuperação económica" que o primeiro-ministro garantiu, na sua mensagem de Natal, existirem no país sejam como as armas de destruição maciça que havia no Iraque (e de que o actual presidente da Comissão Europeia, à altura recepcionista nos Açores, assegurou ter visto provas), e que iremos passar os próximos anos inutilmente à sua procura.

A Oposição sofre, porém, do complexo de Sancho Pança, capaz só de ver (ou de imaginar, o que vai dar ao mesmo) Aldonza Lorenzo e não a bela Dulcineia del Toboso, moinhos e não gigantes ou, à maneira de Gedeão, pedras pisadas e não gnomos e fadas.

Assim, o PSD vê "desemprego" onde o primeiro-ministro vê, não custa a crer que claramente visto, "protecção do emprego" e "diálogo social". O CDS vê "um caminho político que [Sócrates] escolheu para Portugal e nos trouxe exactamente até onde hoje estamos" onde o primeiro-ministro só vê "efeitos da maior crise económica mundial dos últimos 80 anos". O PCP vê "[favorecimento] dos ricos e poderosos", e "acentuar das desigualdades", onde o primeiro-ministro vê um "esforço pedido a todos os portugueses". E o BE vê "mais desemprego, recessão e decrescimento" onde o primeiro-ministro vê "uma agenda de crescimento da economia e do emprego".

Talvez vivamos em dois países. Pena é que não possamos estalar os dedos e, zás!, aparecer no de gnomos e fadas.


por Manuel António Pina, JN Dez. 2010
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