domingo, 30 de junho de 2013

A Democracia e os Mercados na Nova Ordem Mundial - Excertos 1

"O historiador económico Paul Bairoch faz notar que a «moderna escola do pensamento proteccionista (...) nasceu de facto nos Estados Unidos» que constituíram «o país mãe e o bastião do proteccionismo moderno». Mas também não foram apenas os Estados Unidos. Antes de nós, a Grã-Bretanha, seguira já um caminho semelhante, tendo-se virado para o comércio livre apenas depois de cento e cinquenta anos de proteccionismo lhe terem dado tamanhas vantagens que um «campo de jogo nivelado» pareceu ser uma aposta segura, mas abandonando essa opção táctica quando a expectativa já não era satisfeita."

"Desde a Segunda Guerra, o sistema do Pentagono - incluindo a NASA e o Departamento de Energia - tem vindo a ser usado como mecanismo primordial para canalizar subsídios públicos para sectores avançados da indústria."

"A chamada «Guerra das Estrelas» foi vendida à opinião pública como um programa de «defesa» e à comunidade empresarial como subsídio público à tecnologia de ponta.
Se as forças de mercado tivessem podido funcionar livremente não haveria hoje indústria do aço ou indústria automóvel norte-americana."

"Na era Reagan, o Pentagono ajudou igualmente o sector da computação avançada a tornar-se «uma força chave de mercado», nas palavras da revista Science «promovendo a transferencia em massa de tarefas de computação dos laboratorios para uma indústria nascente» ajudando assim a criar muitas «jovens companhias de super computadores»."

"Antes da Segunda Guerra a Boeing praticamente não tinha lucros. A empresa cresceu durante a guerra graças a um aumento gigantesco de investimentos, mais de 90%  dos quais foram da responsabilidade do Governo Federal dos Estados Unidos. Os lucros dispararam igualmente uma vez que a Boeing ampliou em cinco vezes o valor da sua rede de empresas, cumprindo o seu dever patriotico."

"Num estudo  sobre o sistema do Pentagono do pós-guerra, Frank Kofski faz notar que «a fenomenal história financeira» da Boeing nos anos imediatamente subsequentes continuou a basear-se na generosidade dos contribuintes, que «permitiu aos donos das companhias aéreas arrecadar lucros fantásticos com um investimento minímo da sua parte»."

"E a história continua. No inicio dos anos 80, a «maior parte dos lucros» da Boeing dependia dos negócios no sector militar, e depois de um declinio entre 1989 e 1991, a divisão espacial e de defesa da companhia registou «uma espectacular viragem», segundo o Wall Street Journal.
Uma das causas reside na grande vaga de vendas do sector militar ao estrangeiro, uma vez que os Estados Unidos se tornaram no maior vendedor de armas do mundo, dominando quase três quartos do mercado do Terceiro Mundo, sempre com ampla intervenção governamental e subsídios públicos para aplanar caminho."

"A ideia de que a indústria não pode sobreviver numa «economia de  livre empreendimento» estendeu-se para lá do sector da aviação. A seguir à guerra, a questão prática era a de saber que forma deveria o subsídio público adoptar. Aqueles que se encontravam à frente dos grandes negócios sabiam que os gastos sociais podiam estimular a economia, mas preferiram a alternativa militar, por razões que tinham a ver com privilégios e poder e não por motivos de «racionalidade economica»."

"A Democracia e os Mercados na Nova Ordem Mundial" - (Noam Chomski 1994)
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