segunda-feira, 27 de agosto de 2012
domingo, 26 de agosto de 2012
A perseguição de Assange é um assalto à liberdade e um insulto ao jornalismo
por John Pilger
A ameaça do governo britânico de invadir a embaixada equatoriana em Londres e ali capturar Julian Assange tem significado histórico. David Cameron, o antigo homem de RP de um bufarinheiro da indústria da televisão e vendedor de armas para xeques, está bem colocado para desonrar convenções internacionais que têm protegido cidadãos britânicos em lugares sublevados. Assim como a invasão do Iraque cometida por Tony Blair levou directamente aos actos de terrorismo de Londres em 7 de Julho de 2005, das mesma forma Cameron e o secretário do Exterior William Hague comprometeram a segurança de representantes britânicos em todo o mundo.
Ao ameaçar abusar de uma lei concebida para expulsar assassinos de embaixadas estrangeiros, enquanto difama um homem inocente como "alegado criminoso", Hague fez pouco caso dos britânicos em todo o mundo, embora esta visão seja quase sempre ocultada na Grã-Bretanha. Os mesmos bravos jornalistas e radialistas que defenderam a actuação britânica em crimes sangrentos brutais, desde o genocídio na Indonésia até as invasões do Iraque e Afeganistão, agora atacam o "registo de direitos humanos" do Equador, cujo crime real é enfrentar os tiranos em Londres e Washington.
É como se os felizes aplausos olímpicos houvessem sido subvertidos da noite para o dia por uma exibição reveladora de selvajaria colonial. Testemunha disso é o oficial do Exército britânico-repórter da BBC Mark Urban ao "entrevistar" um vociferante Sir Christopher Meyer, antigo apologista de Blair em Washington, do lado de fora da embaixada equatoriana, ambos a explodirem com indignação ultra-conservadora porque o insociável (unclubbable) Assange e o insubmisso Rafael Correa estariam a desmascarar o sistema de ocidental de poder. Afronta semelhante é vivida nas páginas do Guardian, o qual aconselhou Hague a ser "paciente" e disse que assaltar a embaixada traria "mais perturbação do que isso vale". Assange, segundo declarou o Guardian, não era um refugiado político porque "nem a Suécia nem o Reino Unido em caso algum deportariam alguém que pode enfrentar tortura ou pena de morte".
A irresponsabilidade desta declaração vai a par com o pérfido papel do Guardian em todo o caso Assange. O jornal sabe muito bem que documentos divulgados pelo WikiLeaks indicam que a Suécia tem-se submetido sistematicamente à pressão dos Estados Unidos em matéria de direitos civis. Em Dezembro de 2001, o governo sueco revogou abruptamente o estatuto de refugiados políticos de dois egípcios, Ahmed Agiza e Mohammedel-Zari, que foram entregues a um esquadrão de sequestro da CIA no aeroporto de Estocolmo e levados ("rendered") para o Egipto, onde foram torturados. Uma investigação do defensor sueco para a justiça (ombudsman) descobriu que o governo havia "violado gravemente" os direitos humanos dos dois homens. Num telegrama de 2009 de embaixada dos EUA obtido pela WikiLeaks, intitulado "WikiLeaks coloca neutralidade no caixote de lixo da história", a louvada reputação de neutralidade da elite sueca é desmascarada como uma impostura. Um outro telegrama estado-unidense revela que "a extensão da cooperação [militar e de inteligência da Suécia com a NATO] não é amplamente conhecida" e se o segredo não for mantido "abriria o governo à crítica interna".
O ministro dos Negócios Estrangeiros sueco, Carl Bildt, desempenhou um notório papel de proa no Comité para a Libertação do Iraque de George W. Bush e mantém laços estreitos com a extrema-direita do Partido Republicano. Segundo o antigo director sueco de processo públicos, Sven-Erik Alhem, a decisão sueca de pedir a extradição de Assange por alegações de má conduta sexual é "não razoável e não profissional, bem como injusta e desproporcionada". Tendo-se oferecido ele próprio para interrogatório, foi dada permissão a Assange para deixar a Suécia com destino a Londres onde, mais uma vez, ele se ofereceu para ser interrogado. Em Maio, num julgamento de recurso final sobre a extradição, o Tribunal Supremo britânico introduziu mais farsa ao referir-se a "acusações" não existentes.
A acompanhar isto tem havido uma campanha pessoal injuriosa contra Assange. Grande parte dela emanou do Guardian, o qual, como um amante rejeitado, voltou-se [contra] a sua antiga fonte, depois de ter aproveitado enormemente das revelações do WikiLeaks. Sem dar nem um centavo a Assange ou à WikiLeaks, um livro do Guardian levou a um lucrativo acordo cinematográfico com Hollywood. Os autores, David Leigh e Luke Harding, injuriaram Assange gratuitamente como "personalidade defeituosa" e "insensível". Eles também revelaram a password secreta que foi dada ao jornal em confiança, a qual era destinada a proteger um ficheiro digital contendo os telegramas de embaixadas dos EUA. Em 20 de Agosto, Harding estava do lado de fora da embaixada equatoriana, manifestando no seu blog o desejo de que "a Scotland Yard possa rir por último". É irónico, ainda que inteiramente adequado, que um editorial do Guardian a pisotear Assange tenha dado origem a uma semelhança incomum com a imprensa de Murdoch, com o seu previsível fanatismo sobre o mesmo assunto. Como a glória de Leveson , o Hackgate e o jornalismo honrado e independente desvanecem-se.
Os seus atormentadores chamam a atenção para a perseguição de Assange. Não acusado de qualquer crime, ele não é um fugitivo da justiça. Documentos do processo sueco, incluindo as mensagens textuais das mulheres envolvidas, demonstram para qualquer pessoa de mente razoável o absurdo das alegações sexuais – alegações quase inteiramente afastadas de imediato pelo promotor sénior em Estocolmo, Eva Finne, antes da intervenção de um político, Claes Borgstr? No pré julgamento de Bradley Manning, um investigador do Exército dos EUA confirmou que o FBI estava secretamente a mirar os "fundadores, proprietários ou administradores da WikiLeaks" por espionagem.
Quatro anos atrás, um pouco noticiado documento do Pentágono, revelado pela WikiLeaks, descrevia como a WikiLeaks e Assange seriam destruídos com um campanha de difamação (smear campaign) que levaria a "processo criminal". Em 18 de Agosto, o Sydney Morning Herald revelou, numa divulgação de ficheiros oficiais no âmbito da [lei de] liberdade de informação, que o governo australiano havia reiteradamente recebido confirmação de que os EUA estavamn a conduzir uma perseguição "sem precedentes" de Assange e não havia levantado objecções. Dentre as razões do Equador para conceder asilo está o abandono de Assange "pelo estado do qual ele é cidadão". Em 2010, uma investigação da Polícia Federal Australiana descobriu que Assange e a WikiLeaks não haviam cometido crime. A sua perseguição é um assalto a todos nós e à liberdade.
23/Agosto/2012
Ver também:
The British Siege of the Ecuadorian Embassy: Déjà Vu: Anglo-American disregard for International Law
O original encontra-se em www.johnpilger.com/...
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
A ameaça do governo britânico de invadir a embaixada equatoriana em Londres e ali capturar Julian Assange tem significado histórico. David Cameron, o antigo homem de RP de um bufarinheiro da indústria da televisão e vendedor de armas para xeques, está bem colocado para desonrar convenções internacionais que têm protegido cidadãos britânicos em lugares sublevados. Assim como a invasão do Iraque cometida por Tony Blair levou directamente aos actos de terrorismo de Londres em 7 de Julho de 2005, das mesma forma Cameron e o secretário do Exterior William Hague comprometeram a segurança de representantes britânicos em todo o mundo.
Ao ameaçar abusar de uma lei concebida para expulsar assassinos de embaixadas estrangeiros, enquanto difama um homem inocente como "alegado criminoso", Hague fez pouco caso dos britânicos em todo o mundo, embora esta visão seja quase sempre ocultada na Grã-Bretanha. Os mesmos bravos jornalistas e radialistas que defenderam a actuação britânica em crimes sangrentos brutais, desde o genocídio na Indonésia até as invasões do Iraque e Afeganistão, agora atacam o "registo de direitos humanos" do Equador, cujo crime real é enfrentar os tiranos em Londres e Washington.
É como se os felizes aplausos olímpicos houvessem sido subvertidos da noite para o dia por uma exibição reveladora de selvajaria colonial. Testemunha disso é o oficial do Exército britânico-repórter da BBC Mark Urban ao "entrevistar" um vociferante Sir Christopher Meyer, antigo apologista de Blair em Washington, do lado de fora da embaixada equatoriana, ambos a explodirem com indignação ultra-conservadora porque o insociável (unclubbable) Assange e o insubmisso Rafael Correa estariam a desmascarar o sistema de ocidental de poder. Afronta semelhante é vivida nas páginas do Guardian, o qual aconselhou Hague a ser "paciente" e disse que assaltar a embaixada traria "mais perturbação do que isso vale". Assange, segundo declarou o Guardian, não era um refugiado político porque "nem a Suécia nem o Reino Unido em caso algum deportariam alguém que pode enfrentar tortura ou pena de morte".
A irresponsabilidade desta declaração vai a par com o pérfido papel do Guardian em todo o caso Assange. O jornal sabe muito bem que documentos divulgados pelo WikiLeaks indicam que a Suécia tem-se submetido sistematicamente à pressão dos Estados Unidos em matéria de direitos civis. Em Dezembro de 2001, o governo sueco revogou abruptamente o estatuto de refugiados políticos de dois egípcios, Ahmed Agiza e Mohammedel-Zari, que foram entregues a um esquadrão de sequestro da CIA no aeroporto de Estocolmo e levados ("rendered") para o Egipto, onde foram torturados. Uma investigação do defensor sueco para a justiça (ombudsman) descobriu que o governo havia "violado gravemente" os direitos humanos dos dois homens. Num telegrama de 2009 de embaixada dos EUA obtido pela WikiLeaks, intitulado "WikiLeaks coloca neutralidade no caixote de lixo da história", a louvada reputação de neutralidade da elite sueca é desmascarada como uma impostura. Um outro telegrama estado-unidense revela que "a extensão da cooperação [militar e de inteligência da Suécia com a NATO] não é amplamente conhecida" e se o segredo não for mantido "abriria o governo à crítica interna".
O ministro dos Negócios Estrangeiros sueco, Carl Bildt, desempenhou um notório papel de proa no Comité para a Libertação do Iraque de George W. Bush e mantém laços estreitos com a extrema-direita do Partido Republicano. Segundo o antigo director sueco de processo públicos, Sven-Erik Alhem, a decisão sueca de pedir a extradição de Assange por alegações de má conduta sexual é "não razoável e não profissional, bem como injusta e desproporcionada". Tendo-se oferecido ele próprio para interrogatório, foi dada permissão a Assange para deixar a Suécia com destino a Londres onde, mais uma vez, ele se ofereceu para ser interrogado. Em Maio, num julgamento de recurso final sobre a extradição, o Tribunal Supremo britânico introduziu mais farsa ao referir-se a "acusações" não existentes.
A acompanhar isto tem havido uma campanha pessoal injuriosa contra Assange. Grande parte dela emanou do Guardian, o qual, como um amante rejeitado, voltou-se [contra] a sua antiga fonte, depois de ter aproveitado enormemente das revelações do WikiLeaks. Sem dar nem um centavo a Assange ou à WikiLeaks, um livro do Guardian levou a um lucrativo acordo cinematográfico com Hollywood. Os autores, David Leigh e Luke Harding, injuriaram Assange gratuitamente como "personalidade defeituosa" e "insensível". Eles também revelaram a password secreta que foi dada ao jornal em confiança, a qual era destinada a proteger um ficheiro digital contendo os telegramas de embaixadas dos EUA. Em 20 de Agosto, Harding estava do lado de fora da embaixada equatoriana, manifestando no seu blog o desejo de que "a Scotland Yard possa rir por último". É irónico, ainda que inteiramente adequado, que um editorial do Guardian a pisotear Assange tenha dado origem a uma semelhança incomum com a imprensa de Murdoch, com o seu previsível fanatismo sobre o mesmo assunto. Como a glória de Leveson , o Hackgate e o jornalismo honrado e independente desvanecem-se.
Os seus atormentadores chamam a atenção para a perseguição de Assange. Não acusado de qualquer crime, ele não é um fugitivo da justiça. Documentos do processo sueco, incluindo as mensagens textuais das mulheres envolvidas, demonstram para qualquer pessoa de mente razoável o absurdo das alegações sexuais – alegações quase inteiramente afastadas de imediato pelo promotor sénior em Estocolmo, Eva Finne, antes da intervenção de um político, Claes Borgstr? No pré julgamento de Bradley Manning, um investigador do Exército dos EUA confirmou que o FBI estava secretamente a mirar os "fundadores, proprietários ou administradores da WikiLeaks" por espionagem.
Quatro anos atrás, um pouco noticiado documento do Pentágono, revelado pela WikiLeaks, descrevia como a WikiLeaks e Assange seriam destruídos com um campanha de difamação (smear campaign) que levaria a "processo criminal". Em 18 de Agosto, o Sydney Morning Herald revelou, numa divulgação de ficheiros oficiais no âmbito da [lei de] liberdade de informação, que o governo australiano havia reiteradamente recebido confirmação de que os EUA estavamn a conduzir uma perseguição "sem precedentes" de Assange e não havia levantado objecções. Dentre as razões do Equador para conceder asilo está o abandono de Assange "pelo estado do qual ele é cidadão". Em 2010, uma investigação da Polícia Federal Australiana descobriu que Assange e a WikiLeaks não haviam cometido crime. A sua perseguição é um assalto a todos nós e à liberdade.
23/Agosto/2012
Ver também:
The British Siege of the Ecuadorian Embassy: Déjà Vu: Anglo-American disregard for International Law
O original encontra-se em www.johnpilger.com/...
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Hillary, missionária na África
por Manlio Dinucci
Ela visitou nove países africanos – Senegal, Uganda, Sudão do Sul, Quénia, Malawi, África do Sul, Nigéria, Gana, Benim – bendizendo as plateias com seus "God bless you" e jurando que o único objectivo de Washington na África é "reforçar as instituições democráticas, promover o crescimento económico, fazer avançar a paz e a segurança".
A secretária de Estado Hillary Clinto foi portanto à África, em pleno mês de Agosto, só para fazer boas obras. Ela foi acompanhada, nesta nobre missão, pelos executivos das maiores multinacionais estado-unidenses. Negócios, sim, mas conduzidos por um princípio ético que a sra. Clinton assim enunciou em Dacar: "No século XXI é preciso que cesse o tempo em que os estrangeiros vinham extrair a riqueza da África para si próprios, não deixando nada ou muito pouco atrás de si". Clinton, sabe-se, é uma apoiante convicta do comércio equitativo e solidário. Como aquele que é praticado na Nigéria, cuja indústria petrolífera é dominada pelas companhias estado-unidenses, que arrecadam para si a metade do petróleo bruto extraído, num montante de mais de US$30 milhões de milhões por ano. Para as multinacionais e para a elite nigeriana no poder, uma fonte de riqueza colossal, de que não sobra quase nada para a população. Segundo o Banco Mundial, mais da metade dos nigerianos encontram-se abaixo do nível de pobreza e a esperança de vida média é de apenas 51 anos. A poluição petroleira, provocada pela Shell, devastou o delta do Níger: para descontaminá-lo, segundo um relatório da ONU, seriam precisos pelo menos 25 anos e milhares de milhões de dólares.
A mesma coisa está em preparação no Sudão do Sul onde, após a cisão do resto do país, apoiada pelos EUA, se concentram 75% das reservas petrolíferas sudanesas, às quais se acrescentam matérias-primas preciosas e vastas terras cultiváveis. A companhia texana Nile Trading and Development, presidida pelo ex-embaixador estado-unidense E. Douglas, apropriou-se, com uma esmola de 25 mil dólares, de 400 mil hectares da melhor terra com direito de explorar os recursos (inclusive florestais) durante 49 anos. A apropriação das terras férteis na África, após expropriações das populações, tornou-se um negócio financeiro lucrativo, gerido pelo Goldman Sachs e o JP Morgan, sobre as quais especulam, com o seu dinheiro, mesmo Harvard e outras prestigiosas universidades estado-unidenses.
Entretanto, a estratégia económica estado-unidense depara-se na África com um obstáculo formidável: a China, que, em condições vantajosas para os países africanos, constrói portos e aeroportos, estradas e ferrovias. Para transpor este obstáculo, Washington avança o seu curinga: o Comando África ( Africom ), que "protege e defende os interesses da segurança nacional dos Estados Unidos, reforçando as capacidades de defesa dos estados africanos". Por outras palavras, apoiando-se sobre as elite militares (que o Pentágono tenta recrutar oferecendo-lhes formação, armas e dólares) para trazer o maior número possível de países à órbita de Washington. Quando isso não acontece, o Africom "conduz operações militares para proporcionar um ambiente de segurança adaptado ao bom governo". Como a operação Odissey Dawn, lançada pelo Africom em Março de 2011: o começo da guerra para derrubar o governo da Líbia (o país africano com as maiores reservas de petróleo) e sufocar os organismos financeiros da União Africana, nascidos sobretudo graças a investimentos líbios.
Assim, agora há na Líbia um "bom governo" às ordens de Washington.
15/Agosto/2012
Ver também:
The IMF and US African Command (AFRICOM) Join Hands in the Plunder of the African Continent
O original encontra-se em il manifesto , edição de 14/Agosto/2012 e a versão em francês em
http://www.legrandsoir.info/hillary-missionnaire-en-afrique-il-manifesto.html
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
http://resistir.info/africa/hillary_missionaria.html
Ela visitou nove países africanos – Senegal, Uganda, Sudão do Sul, Quénia, Malawi, África do Sul, Nigéria, Gana, Benim – bendizendo as plateias com seus "God bless you" e jurando que o único objectivo de Washington na África é "reforçar as instituições democráticas, promover o crescimento económico, fazer avançar a paz e a segurança".
A secretária de Estado Hillary Clinto foi portanto à África, em pleno mês de Agosto, só para fazer boas obras. Ela foi acompanhada, nesta nobre missão, pelos executivos das maiores multinacionais estado-unidenses. Negócios, sim, mas conduzidos por um princípio ético que a sra. Clinton assim enunciou em Dacar: "No século XXI é preciso que cesse o tempo em que os estrangeiros vinham extrair a riqueza da África para si próprios, não deixando nada ou muito pouco atrás de si". Clinton, sabe-se, é uma apoiante convicta do comércio equitativo e solidário. Como aquele que é praticado na Nigéria, cuja indústria petrolífera é dominada pelas companhias estado-unidenses, que arrecadam para si a metade do petróleo bruto extraído, num montante de mais de US$30 milhões de milhões por ano. Para as multinacionais e para a elite nigeriana no poder, uma fonte de riqueza colossal, de que não sobra quase nada para a população. Segundo o Banco Mundial, mais da metade dos nigerianos encontram-se abaixo do nível de pobreza e a esperança de vida média é de apenas 51 anos. A poluição petroleira, provocada pela Shell, devastou o delta do Níger: para descontaminá-lo, segundo um relatório da ONU, seriam precisos pelo menos 25 anos e milhares de milhões de dólares.
A mesma coisa está em preparação no Sudão do Sul onde, após a cisão do resto do país, apoiada pelos EUA, se concentram 75% das reservas petrolíferas sudanesas, às quais se acrescentam matérias-primas preciosas e vastas terras cultiváveis. A companhia texana Nile Trading and Development, presidida pelo ex-embaixador estado-unidense E. Douglas, apropriou-se, com uma esmola de 25 mil dólares, de 400 mil hectares da melhor terra com direito de explorar os recursos (inclusive florestais) durante 49 anos. A apropriação das terras férteis na África, após expropriações das populações, tornou-se um negócio financeiro lucrativo, gerido pelo Goldman Sachs e o JP Morgan, sobre as quais especulam, com o seu dinheiro, mesmo Harvard e outras prestigiosas universidades estado-unidenses.
Entretanto, a estratégia económica estado-unidense depara-se na África com um obstáculo formidável: a China, que, em condições vantajosas para os países africanos, constrói portos e aeroportos, estradas e ferrovias. Para transpor este obstáculo, Washington avança o seu curinga: o Comando África ( Africom ), que "protege e defende os interesses da segurança nacional dos Estados Unidos, reforçando as capacidades de defesa dos estados africanos". Por outras palavras, apoiando-se sobre as elite militares (que o Pentágono tenta recrutar oferecendo-lhes formação, armas e dólares) para trazer o maior número possível de países à órbita de Washington. Quando isso não acontece, o Africom "conduz operações militares para proporcionar um ambiente de segurança adaptado ao bom governo". Como a operação Odissey Dawn, lançada pelo Africom em Março de 2011: o começo da guerra para derrubar o governo da Líbia (o país africano com as maiores reservas de petróleo) e sufocar os organismos financeiros da União Africana, nascidos sobretudo graças a investimentos líbios.
Assim, agora há na Líbia um "bom governo" às ordens de Washington.
15/Agosto/2012
Ver também:
The IMF and US African Command (AFRICOM) Join Hands in the Plunder of the African Continent
O original encontra-se em il manifesto , edição de 14/Agosto/2012 e a versão em francês em
http://www.legrandsoir.info/hillary-missionnaire-en-afrique-il-manifesto.html
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
http://resistir.info/africa/hillary_missionaria.html
Novos aumentos no preço dos combustíveis
- Preços em Portugal já são superiores aos preços médios da UE
- Conivência do governo, da troika e da AdC
- Lucros da GALP sobem 56,7% em 2012
por Eugénio Rosa Os grupos económicos que dominam o mercado dos combustíveis (GALP, REPSOL, CEPSA e BP) preparam-se para aumentar esta semana novamente os preços agravando ainda mais a situação que é analisada neste artigo. E de tal forma sentem-se impunes que anunciaram antecipadamente, sem que a AdC dissesse uma palavra. A justificação umas vezes é o aumento do preço do petróleo, outras vezes é a desvalorização do euro em relação ao dólar. Tudo serve. E os principais media repetem, sem fazer qualquer investigação e sem contraditório, as justificações das petrolíferas criando, junto da opinião pública, a falsa ideia que elas são verdadeiras e únicas.
Por outro lado, o governo e a "troika" têm procurado fazer passar também junto da opinião pública a ideia que a liberalização dos preços, que agora estão a procurar impor no mercado da electricidade e do gás, traria mais concorrência e redução dos preços para os consumidores. Mas perante este escândalo de aumento semanal e simultâneo por parte de todas as empresas dos preços dos combustíveis – que desmente o que defendem e andam a fazer – mantêm-se coniventemente silenciosos. E a chamada Autoridade da Concorrência (AdC) que devia investigar a situação nada faz, mostrando que está totalmente refém das grandes petrolíferas. E quando o faz algo é para branquear o comportamento destes grupos económicos, pois conclui sempre que tudo está bem, e que não há combinação de preços entre elas. No entanto, recusa-se a investigar o que devia: POR QUE RAZÃO OS PREÇOS DOS COMBUSTIVEIS SEM IMPOSTOS EM PORTUGAL SÃO SISTEMÁTICAMENTE SUPERIORES AOS PREÇOS MÉDIOS DA UNIÃO EUROPEIA. Assim, a AdC mostra, objectivamente, que dá cobertura a esta política de preços dos grupos económicos deste sector permitindo a obtenção de sobrelucros, ou lucros excessivos.
Em Junho de 2012, que é o último mês cujos dados foram divulgados pela Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, o preço sem impostos , que é aquele que reverte na sua totalidade para as empresas, do gasóleo em Portugal era superior ao preço médio praticado na União Europeia em +6,6%, e o da gasolina era superior em +5%; mas o preço com impostos do gasóleo em Portugal era já inferior em -2,5% ao preço médio praticado na União Europeia, e o da gasolina era superior em apenas 1,8%, ou seja, quase três vezes menos que a diferença do preço sem impostos. Fica assim claro que a diferença de preços médios dos combustíveis entre Portugal e a União Europeia se deve aos preços que revertem na totalidade para as empresas (os preços sem impostos), e não aos impostos como estes grupos económicos e os seus defensores nos media afirmam e pretendem fazer crer . È esta diferença para mais em Portugal que tem permitido às petrolíferas arrecadar elevados sobrelucros. Nos 27 países da UE, em 23 o preço do gasóleo e da gasolina é inferior ao de Portugal. Até na Alemanha, na França e na Suécia, países em que os rendimentos da população e os salários são muito mais elevados do que os dos portugueses, os preços da gasolina e gasóleo sem impostos, são inferiores aos pagos pelos portugueses. Apesar desta situação ser fortemente lesiva para os consumidores portugueses, nem o governo, nem a "troika", que falam com insistência em moderação dos salários e na necessidade de baixar os custos do trabalho, nem a Autoridade da Concorrência dizem qualquer palavra, mantendo um silêncio comprometedor e conivente, mostrando que interesses defendem.
AS PETROLIFERRAS AUMENTAM SEMANALMENTE OS PREÇOS DOS COMBUSTIVEIS PARA OBTER SOBRE LUCROS.
OS LUCROS DA GALP SUBIRAM 56,7% NO 1º SEMESTRE DE 2012
Contrariamente ao que afirmam os principais media, nomeadamente a TV, que veiculam, sem qualquer analise objectiva e sem contraditório, apenas as justificações dos grupos económicos dominantes neste sector, as petrolíferas estão aumentar praticamente todas as semanas os preços dos combustíveis com o objectivo de manter, e se possível aumentar, os lucros extraordinários (sobrelucros) que obtêm por vender os combustíveis em Portugal sistematicamente a um preço superior ao preço médio praticado na União Europeia.
Em todos os meses de 2012 (Jan/Jun), os preços sem impostos do gasolina e do gasóleo em Portugal foram sempre superiores aos preços médios da União Europeia: da gasolina entre +3,7% e +5%; e o do gasóleo entre +4,2% e + 6,3%. Mas já nos preços com impostos a diferença é menor no caso da gasolina (entre +1,8% e +2,3%), ou então no caso do gasóleo o preço em Portugal tem sido mesmo inferior ao preço médio praticado na UE (entre -1,7% e -3,1%). A diferença para mais dos preços sem impostos em Portugal, que nem as petrolíferas, nem o governo, nem a "troika", nem a Autoridade da Concorrência alguma vez esclareceram e tentaram por cobro (e a desculpa do preço do petróleo não colhe porque a quase a totalidade dos países da União da Europeia têm também, como Portugal, de importar o petróleo que consomem), deu as petrolíferas em Portugal, só no 1º semestre de 2012, um lucro extraordinário injustificado (sobrelucro) que estimamos, pelo menos, em 126,5 milhões € pagos pelos consumidores portugueses. A gravidade desta situação ainda se torna mais clara e chocante, quando analisamos o aumento escandaloso em plena crise dos lucros da GALP, que é o grupo económico dominante neste mercado. Como consta dos " Resultados – 1º semestre de 2012 " divulgados pela GALP, " No primeiro semestre de 2012, o resultado líquido RCA foi de 178 milhões €, mais 64 milhões € do que no primeiro semestre de 2011 ", o que corresponde a um aumento de +56,7% .
Existe ainda um outro aspecto na formação dos preços dos combustíveis, cujos efeitos quer o governo quer a Autoridade da Concorrência também nunca esclareceram. A GALP tem stocks de petróleo suficientes para a produção de três meses, por isso, contrariamente à ideia que os media têm procurado fazer passar junto da opinião, o combustível vendido em cada semana não foi produzido com o petróleo adquirido nessa semana. A GALP participa também na extracção de petróleo em Angola e no Brasil e, para além disso, tem contratos com fornecedores a médio prazo que garante um mínimo de estabilidade nos preços do petróleo que adquire. Tudo isto é sistematicamente esquecido nas justificações apresentadas pela empresa que os media transmitem sem qualquer investigação e sem contraditório contribuindo assim, objectivamente, para o engano e manipulação da opinião pública pelos grupos económicos que dominam este mercado.
19/Agosto/2012
[*] edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
http://resistir.info/e_rosa/combustiveis_19ago12.html
- Conivência do governo, da troika e da AdC
- Lucros da GALP sobem 56,7% em 2012
por Eugénio Rosa Os grupos económicos que dominam o mercado dos combustíveis (GALP, REPSOL, CEPSA e BP) preparam-se para aumentar esta semana novamente os preços agravando ainda mais a situação que é analisada neste artigo. E de tal forma sentem-se impunes que anunciaram antecipadamente, sem que a AdC dissesse uma palavra. A justificação umas vezes é o aumento do preço do petróleo, outras vezes é a desvalorização do euro em relação ao dólar. Tudo serve. E os principais media repetem, sem fazer qualquer investigação e sem contraditório, as justificações das petrolíferas criando, junto da opinião pública, a falsa ideia que elas são verdadeiras e únicas.
Por outro lado, o governo e a "troika" têm procurado fazer passar também junto da opinião pública a ideia que a liberalização dos preços, que agora estão a procurar impor no mercado da electricidade e do gás, traria mais concorrência e redução dos preços para os consumidores. Mas perante este escândalo de aumento semanal e simultâneo por parte de todas as empresas dos preços dos combustíveis – que desmente o que defendem e andam a fazer – mantêm-se coniventemente silenciosos. E a chamada Autoridade da Concorrência (AdC) que devia investigar a situação nada faz, mostrando que está totalmente refém das grandes petrolíferas. E quando o faz algo é para branquear o comportamento destes grupos económicos, pois conclui sempre que tudo está bem, e que não há combinação de preços entre elas. No entanto, recusa-se a investigar o que devia: POR QUE RAZÃO OS PREÇOS DOS COMBUSTIVEIS SEM IMPOSTOS EM PORTUGAL SÃO SISTEMÁTICAMENTE SUPERIORES AOS PREÇOS MÉDIOS DA UNIÃO EUROPEIA. Assim, a AdC mostra, objectivamente, que dá cobertura a esta política de preços dos grupos económicos deste sector permitindo a obtenção de sobrelucros, ou lucros excessivos.
Em Junho de 2012, que é o último mês cujos dados foram divulgados pela Direcção Geral de Energia do Ministério da Economia, o preço sem impostos , que é aquele que reverte na sua totalidade para as empresas, do gasóleo em Portugal era superior ao preço médio praticado na União Europeia em +6,6%, e o da gasolina era superior em +5%; mas o preço com impostos do gasóleo em Portugal era já inferior em -2,5% ao preço médio praticado na União Europeia, e o da gasolina era superior em apenas 1,8%, ou seja, quase três vezes menos que a diferença do preço sem impostos. Fica assim claro que a diferença de preços médios dos combustíveis entre Portugal e a União Europeia se deve aos preços que revertem na totalidade para as empresas (os preços sem impostos), e não aos impostos como estes grupos económicos e os seus defensores nos media afirmam e pretendem fazer crer . È esta diferença para mais em Portugal que tem permitido às petrolíferas arrecadar elevados sobrelucros. Nos 27 países da UE, em 23 o preço do gasóleo e da gasolina é inferior ao de Portugal. Até na Alemanha, na França e na Suécia, países em que os rendimentos da população e os salários são muito mais elevados do que os dos portugueses, os preços da gasolina e gasóleo sem impostos, são inferiores aos pagos pelos portugueses. Apesar desta situação ser fortemente lesiva para os consumidores portugueses, nem o governo, nem a "troika", que falam com insistência em moderação dos salários e na necessidade de baixar os custos do trabalho, nem a Autoridade da Concorrência dizem qualquer palavra, mantendo um silêncio comprometedor e conivente, mostrando que interesses defendem.
AS PETROLIFERRAS AUMENTAM SEMANALMENTE OS PREÇOS DOS COMBUSTIVEIS PARA OBTER SOBRE LUCROS.
OS LUCROS DA GALP SUBIRAM 56,7% NO 1º SEMESTRE DE 2012
Contrariamente ao que afirmam os principais media, nomeadamente a TV, que veiculam, sem qualquer analise objectiva e sem contraditório, apenas as justificações dos grupos económicos dominantes neste sector, as petrolíferas estão aumentar praticamente todas as semanas os preços dos combustíveis com o objectivo de manter, e se possível aumentar, os lucros extraordinários (sobrelucros) que obtêm por vender os combustíveis em Portugal sistematicamente a um preço superior ao preço médio praticado na União Europeia.
Em todos os meses de 2012 (Jan/Jun), os preços sem impostos do gasolina e do gasóleo em Portugal foram sempre superiores aos preços médios da União Europeia: da gasolina entre +3,7% e +5%; e o do gasóleo entre +4,2% e + 6,3%. Mas já nos preços com impostos a diferença é menor no caso da gasolina (entre +1,8% e +2,3%), ou então no caso do gasóleo o preço em Portugal tem sido mesmo inferior ao preço médio praticado na UE (entre -1,7% e -3,1%). A diferença para mais dos preços sem impostos em Portugal, que nem as petrolíferas, nem o governo, nem a "troika", nem a Autoridade da Concorrência alguma vez esclareceram e tentaram por cobro (e a desculpa do preço do petróleo não colhe porque a quase a totalidade dos países da União da Europeia têm também, como Portugal, de importar o petróleo que consomem), deu as petrolíferas em Portugal, só no 1º semestre de 2012, um lucro extraordinário injustificado (sobrelucro) que estimamos, pelo menos, em 126,5 milhões € pagos pelos consumidores portugueses. A gravidade desta situação ainda se torna mais clara e chocante, quando analisamos o aumento escandaloso em plena crise dos lucros da GALP, que é o grupo económico dominante neste mercado. Como consta dos " Resultados – 1º semestre de 2012 " divulgados pela GALP, " No primeiro semestre de 2012, o resultado líquido RCA foi de 178 milhões €, mais 64 milhões € do que no primeiro semestre de 2011 ", o que corresponde a um aumento de +56,7% .
Existe ainda um outro aspecto na formação dos preços dos combustíveis, cujos efeitos quer o governo quer a Autoridade da Concorrência também nunca esclareceram. A GALP tem stocks de petróleo suficientes para a produção de três meses, por isso, contrariamente à ideia que os media têm procurado fazer passar junto da opinião, o combustível vendido em cada semana não foi produzido com o petróleo adquirido nessa semana. A GALP participa também na extracção de petróleo em Angola e no Brasil e, para além disso, tem contratos com fornecedores a médio prazo que garante um mínimo de estabilidade nos preços do petróleo que adquire. Tudo isto é sistematicamente esquecido nas justificações apresentadas pela empresa que os media transmitem sem qualquer investigação e sem contraditório contribuindo assim, objectivamente, para o engano e manipulação da opinião pública pelos grupos económicos que dominam este mercado.
19/Agosto/2012
[*] edr2@netcabo.pt
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
http://resistir.info/e_rosa/combustiveis_19ago12.html
sexta-feira, 17 de agosto de 2012
Presidente do Equador enfrenta a brutal Gestapo britânica
O outrora orgulhoso governo britânico, agora reduzido a uma puta servil de Washington, envergou as suas botas de Gestapo e declarou que se a Embaixada equatoriana em Londres não entregasse Julian Assange, da WikiLeaks, tropas de assalto britânicas invadiriam a embaixada pela força militar e arrastariam Assange para fora. O Equador manteve-se erecto. "Queremos ser muito claros, não somos uma colónia britânica", declarou o seu ministro das Relações Exteriores. Longe de se deixar intimidar, o presidente do Equador, Rafael Correa, replicou à ameaça pela concessão de asilo político a Assange. www.nytimes.com/2012/08/17/...
O governo britânico, outrora respeitador da lei, não teve vergonha de anunciar que violaria a Convenção de Viena e assaltaria a Embaixada Equatoriana, tal como os estudantes islâmicos, na Revolução de Khomeini no Irão em 1979, tomaram a Embaixada dos EUA e mantiveram cativa a equipe diplomática. Pressionados pelos seus senhores de Washington, os britânicos recorreram a tácticas de um estado pária. Talvez devêssemos preocupar-nos acerca das armas nucleares britânicas.
Deixe-me ser claro: Assange não é um fugitivo da justiça. Ele não foi acusado de qualquer crime em qualquer país. Ele não violou nenhuma mulher. Não tem processos pendentes em qualquer tribunal e nenhumas acusações foram produzidas contra ele, não há validade no pedido sueco de extradição. Não é normal que pessoas sejam extraditadas para interrogatório, especialmente quando, como no caso de Assange, ele exprimiu sua total cooperação para ser interrogado uma segunda vez por responsáveis suecos em Londres.
O que é tudo isto? Primeiro, segundo noticiários, Assange foi cativado por duas mulheres suecas caçadoras de celebridades que o levaram para as camas das suas casas. Depois, por razões desconhecidas, uma delas queixou-se de que ele não havia usado um preservativo, e a outra queixou-se de que ela havia oferecido um mas que ele havia tomado dois. Um promotor público sueco examinou o caso, descobriu que não havia nada e descartou-o.
Assange foi para a Inglaterra. Então outro promotor sueco, uma mulher, alegando uma autoridade que desconheço, reabriu o caso e emitiu uma ordem de extradição para Assange. Isto é um procedimento inabitual que tramitou através de todo o sistema judicial britânico até o Tribunal Supremo e a seguir retornou ao Tribunal Supremo em recurso. No fim a "justiça" britânica fez o que o senhor de Washington ordenou e aceitou o estranho pedido de extradição.
Assange, percebendo que o governo sueco se preparava para entregá-lo a Washington para ser mantido em detenção indefinida, torturado e enquadrado como espião, pediu a protecção da Embaixada do Equador em Londres. Por mais corruptos que sejam as autoridades britânicas, o governo do Reino Unido não desejava entregar Assange directamente a Washington. Ao transferi-lo para a Suécia, os britânicos poderiam achar que as suas mãos estavam limpas.
A Suécia, antigamente um país honrado como o Canadá foi outrora quando resistentes americanos à guerra ali podiam procurar asilo, foi subornada e submetida ao polegar de Washington. Recentemente, diplomatas suecos foram expulsos da Bielorússia onde tudo indica terem estado envolvidos em ajudar Washington a orquestrar uma "revolução colorida" pois governo dos EUA continua a tentar estender as suas bases e estados fantoches mais profundamente junto à Rússia tradicional.
O mundo inteiro, incluindo os servis estados fantoches de Washington, entendeu que quando Assange estivesse nas mãos dos suecos Washington apresentaria uma ordem de extradição, a qual a Suécia, ao contrário dos britânicos, cumpriria. O Equador entende isto. O ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, anunciou que o Equador concedeu asilo a Assange porque "há indicações para presumir que pode tratar-se de perseguição política". Nos EUA, reconheceu Patiño, Assange não obteria um julgamento justo e enfrentaria a pena de morte num processo fabricado.
O Estado Fantoche estado-unidense da Grã (sic) Bretanha anunciou que não permitiria que Assange deixasse o país. Já chega quanto à defesa da lei e dos direitos humanos por parte do governo britânico. Se os britânicos não invadirem a Embaixada Equatoriana e arrastarem Assange para fora, morto ou em grilhões, a posição britânica é que Assange viverá o resto da sua vida dentro da Embaixada do Equador em Londres. Segundo o New York Times, o asilo de Assange deixa-o "com protecção à prisão só no território equatoriano (o que inclui a embaixada). Para deixar a embaixada rumo ao Equador, ele precisaria da cooperação que a Grã-Bretanha disse não proporcionar". Quando se trata do dinheiro de Washington ou de se comportar honradamente de acordo com o direito internacional, o governo britânico inclina-se para o lado do dinheiro.
O mundo anglo-americano, que pretende ser a face moral da humanidade, agora revelou para todos verem que sob esta máscara está a cara da Gestapo.
16/Agosto/2012
por Paul Craig Roberts
Ver também:
Declaração do Governo da República do Equador sobre a solicitação de asilo de Julian Assange
http://www.mmrree.gob.ec/2012/com042.asp
O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/2012/08/16/...
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
O governo britânico, outrora respeitador da lei, não teve vergonha de anunciar que violaria a Convenção de Viena e assaltaria a Embaixada Equatoriana, tal como os estudantes islâmicos, na Revolução de Khomeini no Irão em 1979, tomaram a Embaixada dos EUA e mantiveram cativa a equipe diplomática. Pressionados pelos seus senhores de Washington, os britânicos recorreram a tácticas de um estado pária. Talvez devêssemos preocupar-nos acerca das armas nucleares britânicas.
Deixe-me ser claro: Assange não é um fugitivo da justiça. Ele não foi acusado de qualquer crime em qualquer país. Ele não violou nenhuma mulher. Não tem processos pendentes em qualquer tribunal e nenhumas acusações foram produzidas contra ele, não há validade no pedido sueco de extradição. Não é normal que pessoas sejam extraditadas para interrogatório, especialmente quando, como no caso de Assange, ele exprimiu sua total cooperação para ser interrogado uma segunda vez por responsáveis suecos em Londres.
O que é tudo isto? Primeiro, segundo noticiários, Assange foi cativado por duas mulheres suecas caçadoras de celebridades que o levaram para as camas das suas casas. Depois, por razões desconhecidas, uma delas queixou-se de que ele não havia usado um preservativo, e a outra queixou-se de que ela havia oferecido um mas que ele havia tomado dois. Um promotor público sueco examinou o caso, descobriu que não havia nada e descartou-o.
Assange foi para a Inglaterra. Então outro promotor sueco, uma mulher, alegando uma autoridade que desconheço, reabriu o caso e emitiu uma ordem de extradição para Assange. Isto é um procedimento inabitual que tramitou através de todo o sistema judicial britânico até o Tribunal Supremo e a seguir retornou ao Tribunal Supremo em recurso. No fim a "justiça" britânica fez o que o senhor de Washington ordenou e aceitou o estranho pedido de extradição.
Assange, percebendo que o governo sueco se preparava para entregá-lo a Washington para ser mantido em detenção indefinida, torturado e enquadrado como espião, pediu a protecção da Embaixada do Equador em Londres. Por mais corruptos que sejam as autoridades britânicas, o governo do Reino Unido não desejava entregar Assange directamente a Washington. Ao transferi-lo para a Suécia, os britânicos poderiam achar que as suas mãos estavam limpas.
A Suécia, antigamente um país honrado como o Canadá foi outrora quando resistentes americanos à guerra ali podiam procurar asilo, foi subornada e submetida ao polegar de Washington. Recentemente, diplomatas suecos foram expulsos da Bielorússia onde tudo indica terem estado envolvidos em ajudar Washington a orquestrar uma "revolução colorida" pois governo dos EUA continua a tentar estender as suas bases e estados fantoches mais profundamente junto à Rússia tradicional.
O mundo inteiro, incluindo os servis estados fantoches de Washington, entendeu que quando Assange estivesse nas mãos dos suecos Washington apresentaria uma ordem de extradição, a qual a Suécia, ao contrário dos britânicos, cumpriria. O Equador entende isto. O ministro das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, anunciou que o Equador concedeu asilo a Assange porque "há indicações para presumir que pode tratar-se de perseguição política". Nos EUA, reconheceu Patiño, Assange não obteria um julgamento justo e enfrentaria a pena de morte num processo fabricado.
O Estado Fantoche estado-unidense da Grã (sic) Bretanha anunciou que não permitiria que Assange deixasse o país. Já chega quanto à defesa da lei e dos direitos humanos por parte do governo britânico. Se os britânicos não invadirem a Embaixada Equatoriana e arrastarem Assange para fora, morto ou em grilhões, a posição britânica é que Assange viverá o resto da sua vida dentro da Embaixada do Equador em Londres. Segundo o New York Times, o asilo de Assange deixa-o "com protecção à prisão só no território equatoriano (o que inclui a embaixada). Para deixar a embaixada rumo ao Equador, ele precisaria da cooperação que a Grã-Bretanha disse não proporcionar". Quando se trata do dinheiro de Washington ou de se comportar honradamente de acordo com o direito internacional, o governo britânico inclina-se para o lado do dinheiro.
O mundo anglo-americano, que pretende ser a face moral da humanidade, agora revelou para todos verem que sob esta máscara está a cara da Gestapo.
16/Agosto/2012
por Paul Craig Roberts
Ver também:
Declaração do Governo da República do Equador sobre a solicitação de asilo de Julian Assange
http://www.mmrree.gob.ec/2012/com042.asp
O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/2012/08/16/...
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
Aquecimento global " a farsa".
Palestra Dr Prof. Ricardo Augusto Felicio 2011 - USP.
VOCÊ VERÁ QUE O BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO É UMA GRANDE MENTIRA E QUE TODOS OS DADOS DO AQUECIMENTO GLOBAL FORAM MANIPULADOS, QUE O BRASIL PERTENCE AOS SENHORES DO MUNDO OS DONOS DA MAÇONARIA
QUE A POPULAÇÃO MUNDIAL CABE COM MUITA MAIS MUITA FOLGA NO TERRITÓRIO BRASILEIRO E QUE ESSA ESTÓRIA DE MATAR 90% DA POPULAÇÃO MUNDIAL PARA SOBREVIVÊNCIA DO PLANETA ,SÓ EXISTE NA CABEÇA DOS ILLUMINATIS,OS QUAIS ADORAM O DIABO E FREQUENTAM A MÁ-ÇONARIA.
O QUE REALMENTE ELES QUEREM É GANHAR MAIS DINHEIRO DO GADO ,QUE SOMOS NÓS...
http://youtu.be/oJTNJBZxX6E
VOCÊ VERÁ QUE O BURACO NA CAMADA DE OZÔNIO É UMA GRANDE MENTIRA E QUE TODOS OS DADOS DO AQUECIMENTO GLOBAL FORAM MANIPULADOS, QUE O BRASIL PERTENCE AOS SENHORES DO MUNDO OS DONOS DA MAÇONARIA
QUE A POPULAÇÃO MUNDIAL CABE COM MUITA MAIS MUITA FOLGA NO TERRITÓRIO BRASILEIRO E QUE ESSA ESTÓRIA DE MATAR 90% DA POPULAÇÃO MUNDIAL PARA SOBREVIVÊNCIA DO PLANETA ,SÓ EXISTE NA CABEÇA DOS ILLUMINATIS,OS QUAIS ADORAM O DIABO E FREQUENTAM A MÁ-ÇONARIA.
O QUE REALMENTE ELES QUEREM É GANHAR MAIS DINHEIRO DO GADO ,QUE SOMOS NÓS...
http://youtu.be/oJTNJBZxX6E
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Publicação em destaque
Marionetas russas
por Serge Halimi A 9 de Fevereiro de 1950, no auge da Guerra Fria, um senador republicano ainda desconhecido exclama o seguinte: «Tenh...
-
The Saker [*] O título deste artigo é uma citação do famoso general chinês, estratega, filósofo e escritor Sun Tzu, que viveu há 2500 ano...
-
por Serge Halimi A 9 de Fevereiro de 1950, no auge da Guerra Fria, um senador republicano ainda desconhecido exclama o seguinte: «Tenh...
-
O novo filme de Silvio Tendler ilumina e esclarece a lógica da política em tempos marcados pelo crescente desmonte do Estado brasileiro. A...