quinta-feira, 29 de agosto de 2013
Morrer em vão
por VIRIATO SOROMENHO-MARQUES
No distante dia 27 de Abril de 1971 subia à tribuna da Assembleia Nacional um deputado de 44 anos, integrado na chamada Ala Liberal da Primavera marcelista, de seu nome José Correia da Cunha. Licenciado em Agronomia (1949) e Geografia (1963), colaborador de Orlando Ribeiro, Correia da Cunha não saberia que ao ler o seu discurso intitulado "O Ordenamento do Território, Base de uma Política de Desenvolvimento Económico e Social", estava a inaugurar a política pública de ambiente, tentando transformar Portugal num país mais civilizado. Recordo Correia da Cunha, felizmente ainda entre nós, como homenagem aos corajosos bombeiros caídos na luta contra os incêndios que atingem o país. Como visionário e homem de acção, Correia da Cunha sabia que Portugal iria ficar desequilibrado demograficamente nas décadas seguintes. Milhões de portugueses sairiam das zonas rurais em direcção ao litoral. Era de interesse nacional ordenar o território, proteger a paisagem, a capacidade produtiva dos solos, preservar o capital natural para as gerações futuras. Nada disso aconteceu. Os interesses particulares prevaleceram sobre o interesse geral. Os incêndios que devastaram 426 000 e 256 000 hectares, respectivamente, em 2003 e 2005, fazendo de Portugal o campeão europeu de áreas ardidas, são o sinal de um país doente. Um país que ao fugir das chamas foge de si próprio. Uma das causas principais reside no desordenamento florestal. As reportagens televisivas mostram-nos, sistematicamente, bombeiros e populações cercados por eucaliptos em chamas. Chegado a Portugal em 1829, esta espécie exótica ocupa agora 26% do espaço florestal, e é o grande combustível dos incêndios florestais. Quando vejo ministros, com ar pesaroso, lamentarem a morte dos bombeiros, apetece-me perguntar-lhes: "Onde estavam os senhores no dia 19 de Julho de 2013?". Nesse dia foi aprovado, em Conselho de Ministros, o ignóbil Decreto-Lei n.º96/2013, que, debaixo da habitual linguagem tabeliónica usada para disfarce, estimula ainda mais a expansão caótica da plantação de eucaliptos, aumentando o risco de incêndio, e fazendo dos bombeiros vítimas duma política de terra queimada ao serviço dos poderosos.
daqui:http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3392419&seccao=Viriato%20Soromenho%20Marques&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco
No distante dia 27 de Abril de 1971 subia à tribuna da Assembleia Nacional um deputado de 44 anos, integrado na chamada Ala Liberal da Primavera marcelista, de seu nome José Correia da Cunha. Licenciado em Agronomia (1949) e Geografia (1963), colaborador de Orlando Ribeiro, Correia da Cunha não saberia que ao ler o seu discurso intitulado "O Ordenamento do Território, Base de uma Política de Desenvolvimento Económico e Social", estava a inaugurar a política pública de ambiente, tentando transformar Portugal num país mais civilizado. Recordo Correia da Cunha, felizmente ainda entre nós, como homenagem aos corajosos bombeiros caídos na luta contra os incêndios que atingem o país. Como visionário e homem de acção, Correia da Cunha sabia que Portugal iria ficar desequilibrado demograficamente nas décadas seguintes. Milhões de portugueses sairiam das zonas rurais em direcção ao litoral. Era de interesse nacional ordenar o território, proteger a paisagem, a capacidade produtiva dos solos, preservar o capital natural para as gerações futuras. Nada disso aconteceu. Os interesses particulares prevaleceram sobre o interesse geral. Os incêndios que devastaram 426 000 e 256 000 hectares, respectivamente, em 2003 e 2005, fazendo de Portugal o campeão europeu de áreas ardidas, são o sinal de um país doente. Um país que ao fugir das chamas foge de si próprio. Uma das causas principais reside no desordenamento florestal. As reportagens televisivas mostram-nos, sistematicamente, bombeiros e populações cercados por eucaliptos em chamas. Chegado a Portugal em 1829, esta espécie exótica ocupa agora 26% do espaço florestal, e é o grande combustível dos incêndios florestais. Quando vejo ministros, com ar pesaroso, lamentarem a morte dos bombeiros, apetece-me perguntar-lhes: "Onde estavam os senhores no dia 19 de Julho de 2013?". Nesse dia foi aprovado, em Conselho de Ministros, o ignóbil Decreto-Lei n.º96/2013, que, debaixo da habitual linguagem tabeliónica usada para disfarce, estimula ainda mais a expansão caótica da plantação de eucaliptos, aumentando o risco de incêndio, e fazendo dos bombeiros vítimas duma política de terra queimada ao serviço dos poderosos.
daqui:http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3392419&seccao=Viriato%20Soromenho%20Marques&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco
Fim da agressão dos EUA contra a Síria!
Workers World (Editorial)
Antes de falar dos pormenores da última grande mentira, Mundo Operário [Workers World] denuncia qualquer ataque aéreo ou com misseis contra a Síria como um crime de guerra internacional. Fazemos um apelo a todas as forças dos Estados Unidos contrárias à guerra para fazerem frente e dizer «não» a este acto de agressão.
O imperialismo estadunidense está prestes a lançar uma nova guerra. Esta, a última de uma longa série de guerras de agressão, é dirigida contra a Síria. Enquanto escrevemos, quatro destroyers estadunidenses, cada um com 90 misseis cruzeiro, navegam no Mediterrâneo oriental para poder lançar estas cargas mortíferas contra o povo sírio.
Como nas anteriores agressões dos Estados Unidos contra a Jugoslávia, Iraque e Líbia, Washington apresentou uma enorme mentira para justificar uma agressão injustificada e ilegal contra o povo sírio.
Na Jugoslávia, o pretexto, que se provou mais tarde ser falso, foi que o governo sérvio estava a cometer um «genocídio» contra a etnia albanesa de Kosovo. Na Líbia, o governo de Moammar Gadhafi foi acusado de estar prestes a cometer um massacre em Bengasi – outra grande mentira inventada pelas forças dos Estados Unidos e daNato. E já todos sabemos que não se encontraram «armas de destruição massiva» no Iraque.
É verdade que há uma terrível guerra civil na Síria. Mas as forças que participam na luta armada contra o governo sírio foram armadas e financiadas pela Arábia Saudita e outras monarquias do Golfo, Turquia e outras potências da NATO – todas aliadas do imperialismo estadunidense. São responsáveis pelas 100.000 mortes e milhões de refugiados deste conflito.
O governo sírio negou categoricamente o uso de gás venenoso. Não temos problema algum de nos unirmos a milhões, se não milhares de milhões de pessoas que em todo o mundo acreditam em Damasco, em vez dos compulsivos mentirosos do campo imperialista. O imperialismo estadunidense tem um historial de inventar qualquer pretexto para justificar as suas agressões. As suas mentiras têm por fim dar cobertura à sua trajectória de gastar biliões de dólares na maquinaria de destruição mais massiva da história, enquanto nada faz pelas massas em todo o mundo.
Em todo o mundo foram exibidos vídeos que mostram muitos civis mortos. Os meios de comunicação imperialistas difundem-nos na esperança de justificar uma intervenção imperialista em nome dos bandos criminosos que lutam contra o governo sírio.
Mostrarão realmente estes vídeos as vítimas do gás sarin? Não há peritos que confirmem esta acusação. E mesmo que sejam verdadeiros, provam que o governo sírio seja o responsável? O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia sustenta que a verdadeira fonte destes assassínios são os próprios «rebeldes» - forças ultra reacionárias contrárias ao governo que são conhecidas por matar civis sírios que pertencem a uma religião ou seita diferente. Atribuem-se aos rebeldes a utilização de gás sarin numa tentativa de culpar o governo de Bashar al-Assad e provocar a intervenção directa do imperialismo.
O próprio momento em que se verificou esta crise também é muito suspeito. Os «rebeldes» tiveram uma série de derrotas militares e conflitos armados entre eles. Não conseguiram criar um comando central. Além disso, uma equipa de inpecção das Nações Unidas acabava de chegar a Damasco. Por que teria o governo sírio escolhido este momento para fazer o que os Estados disseram que originaria uma intervenção?
Só os «rebeldes», ou como Damasco diz, os «terroristas», poderiam beneficiar com isto.
O governo de Washington afirma que «relutante» em intervir directamente. Mas os factos no terreno – e nos marés próximos – apontam para a possibilidade de outra guerra feita pelos EUA na região. Qualquer pessoa que deseje deter este assalto contra o povo sírio – e isto também é um assalto às condições de vida dos trabalhadores e de todas as pessoas pobres nos próprios Estados Unidos – deve estar preparada para fazer frente a esta nova agressão.
Para quem lhe interessar os argumentos contra a versão oficial dos EUA, chamamos a sua atenção para um vídeo preparado por Press TV. Pode ser visto tinyurl.com/mfdcsgu.
Este texto foi publicado em:
http://www.workers.org/articles/2013/08/25/stop-u-s-aggression-syria/
daqui:http://www.odiario.info/?p=2998
Antes de falar dos pormenores da última grande mentira, Mundo Operário [Workers World] denuncia qualquer ataque aéreo ou com misseis contra a Síria como um crime de guerra internacional. Fazemos um apelo a todas as forças dos Estados Unidos contrárias à guerra para fazerem frente e dizer «não» a este acto de agressão.
O imperialismo estadunidense está prestes a lançar uma nova guerra. Esta, a última de uma longa série de guerras de agressão, é dirigida contra a Síria. Enquanto escrevemos, quatro destroyers estadunidenses, cada um com 90 misseis cruzeiro, navegam no Mediterrâneo oriental para poder lançar estas cargas mortíferas contra o povo sírio.
Como nas anteriores agressões dos Estados Unidos contra a Jugoslávia, Iraque e Líbia, Washington apresentou uma enorme mentira para justificar uma agressão injustificada e ilegal contra o povo sírio.
Na Jugoslávia, o pretexto, que se provou mais tarde ser falso, foi que o governo sérvio estava a cometer um «genocídio» contra a etnia albanesa de Kosovo. Na Líbia, o governo de Moammar Gadhafi foi acusado de estar prestes a cometer um massacre em Bengasi – outra grande mentira inventada pelas forças dos Estados Unidos e daNato. E já todos sabemos que não se encontraram «armas de destruição massiva» no Iraque.
É verdade que há uma terrível guerra civil na Síria. Mas as forças que participam na luta armada contra o governo sírio foram armadas e financiadas pela Arábia Saudita e outras monarquias do Golfo, Turquia e outras potências da NATO – todas aliadas do imperialismo estadunidense. São responsáveis pelas 100.000 mortes e milhões de refugiados deste conflito.
O governo sírio negou categoricamente o uso de gás venenoso. Não temos problema algum de nos unirmos a milhões, se não milhares de milhões de pessoas que em todo o mundo acreditam em Damasco, em vez dos compulsivos mentirosos do campo imperialista. O imperialismo estadunidense tem um historial de inventar qualquer pretexto para justificar as suas agressões. As suas mentiras têm por fim dar cobertura à sua trajectória de gastar biliões de dólares na maquinaria de destruição mais massiva da história, enquanto nada faz pelas massas em todo o mundo.
Em todo o mundo foram exibidos vídeos que mostram muitos civis mortos. Os meios de comunicação imperialistas difundem-nos na esperança de justificar uma intervenção imperialista em nome dos bandos criminosos que lutam contra o governo sírio.
Mostrarão realmente estes vídeos as vítimas do gás sarin? Não há peritos que confirmem esta acusação. E mesmo que sejam verdadeiros, provam que o governo sírio seja o responsável? O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia sustenta que a verdadeira fonte destes assassínios são os próprios «rebeldes» - forças ultra reacionárias contrárias ao governo que são conhecidas por matar civis sírios que pertencem a uma religião ou seita diferente. Atribuem-se aos rebeldes a utilização de gás sarin numa tentativa de culpar o governo de Bashar al-Assad e provocar a intervenção directa do imperialismo.
O próprio momento em que se verificou esta crise também é muito suspeito. Os «rebeldes» tiveram uma série de derrotas militares e conflitos armados entre eles. Não conseguiram criar um comando central. Além disso, uma equipa de inpecção das Nações Unidas acabava de chegar a Damasco. Por que teria o governo sírio escolhido este momento para fazer o que os Estados disseram que originaria uma intervenção?
Só os «rebeldes», ou como Damasco diz, os «terroristas», poderiam beneficiar com isto.
O governo de Washington afirma que «relutante» em intervir directamente. Mas os factos no terreno – e nos marés próximos – apontam para a possibilidade de outra guerra feita pelos EUA na região. Qualquer pessoa que deseje deter este assalto contra o povo sírio – e isto também é um assalto às condições de vida dos trabalhadores e de todas as pessoas pobres nos próprios Estados Unidos – deve estar preparada para fazer frente a esta nova agressão.
Para quem lhe interessar os argumentos contra a versão oficial dos EUA, chamamos a sua atenção para um vídeo preparado por Press TV. Pode ser visto tinyurl.com/mfdcsgu.
Este texto foi publicado em:
http://www.workers.org/articles/2013/08/25/stop-u-s-aggression-syria/
daqui:http://www.odiario.info/?p=2998
terça-feira, 27 de agosto de 2013
EUA utilizam crimes passados para legalizar crimes futuros
por Diana Johnstone
[*]
Os falcões da guerra estão a tactear em busca de um pretexto a que possam chamar "legal" para travar guerra contra a Síria e têm sugerido a "Guerra do Kosovo" de 1999.
Isto não é surpreendente na medida em que um objectivo primário daquela orgia de 78 dias de bombardeamento dos EUA/NATO sempre foi estabelecer um precedente para mais guerras assim. O pretexto de "salvar os kosovares" de um imaginário "genocídio" era tão falso como o pretexto das "armas de destruição maciça" para a guerra contra o Iraque, mas a falsificação teve muito mais êxito entre o público geral. Portanto o Kosovo mantém sua utilidade no arsenal de propaganda.
Em 24 de Agosto, o New York Times informou que ajudantes de segurança nacional do presidente Obama estão "estudando a guerra aérea da NATO no Kosovo como um possível plano para actuar sem um mandato das Nações Unidas". (A propósito, a "guerra aérea" não foi "no Kosovo", mas atingiu a totalidade do que era então a Jugoslávia, destruindo principalmente infraestrutura civil da Sérvia e expandindo também a destruição ao Montenegro.)
Na sexta-feira, Obama admitiu que entrar e atacar outro país "sem um mandato da ONU e sem prova clara" levantava questões em termos de direito internacional.
Segundo o New York Times, "o Kosovo é um precedente óbvio para o sr. Obama porque, como na Síria, foram mortos civis e a Rússia tinha laços antigos com as autoridades governamentais acusadas dos abusos. Em 1999, o presidente Bill Clinton utilizou o endosso da NATO e a racionalização de proteger uma população vulnerável para justificar 78 dias de ataques aéreos".
"É um passo demasiado grande dizer que estamos a formular justificações legais para uma acção, uma vez que o presidente não tomou uma decisão", disse um alto responsável da administração, o qual falou na condição de anonimato a discutir as deliberações. "Mas o Kosovo, naturalmente, é um precedente de alguma coisa que talvez seja semelhante".
Ivo H. Daalder, um antigo embaixador dos Estados Unidos na NATO, sugere que a administração podia argumentar que a utilização de armas químicas na Síria equivale a uma grave emergência humanitária, assim como a administração Clinton argumentou em 1999 que "uma grave emergência humanitária" apresentava à "comunidade internacional" a "responsabilidade de actuar".
Isto equivale à legalidade criativa digna do Estado Canalha (Rogue State) número um do planeta.
Uma guerra ilegal como precedente para mais guerra
A guerra dos EUA/NATO contra a Jugoslávia, a qual utilizou força unilateral para fragmentar um estado soberano, destacando a histórica província sérvia do Kosovo e transformando-a num satélite dos EUA, foi claramente em violação do direito internacional.
Em Maio de 2000, a eminente autoridade britânica em direitos internacional, sir Ian Brownlie (1936-2010), apresentou um Memorando de 16 mil palavras , avaliando o status legal da guerra para o Comité sobre Negócios Estrangeiros do Parlamento Britânico.
Brownlie recordou que disposições chave da Carta das Nações Unidas declaram bastante claramente que "Todos os Membros abster-se-ão nas suas relações internacionais da ameaça ou da utilização da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado, ou em qualquer outra maneira inconsistente com os Propósitos das Nações Unidas".
Brownlie acrescentou que o alegado direito à utilização da força para propósitos humanitários não era compatível com a Carta da ONU.
Durante a década passada, as potências ocidentais inventaram e promoveram um teórico "direito a proteger" ("right to protect", R2P) num esforço para contornar a Carta da ONU a fim de abrir o caminho para guerras cujo propósito final é mudança de regime. A utilização do R2P para derrubar Kadafi na Líbia mostrou o jogo, assegurando a oposição russa e chinesa a qualquer outra de tais manobras no Conselho de Segurança da ONU.
Em relação à guerra do Kosovo, no seu Memorando o professor Brownlie chegou às seguintes conclusões principais:
- A justificação primária para o bombardeamento da Jugoslávia foi sempre a imposição dos planos da NATO para o futuro do Kosovo. Foi neste contexto que a campanha de bombardeamento foi planeada em Agosto de 1998.
- As ameaças de ataques aéreos maciços foram feitas no mesmo contexto e foram tornadas públicas pela primeira vez em Outubro de 1998. Nem o propósito dos ataques aéreos planeados nem a sua implementação relacionaram-se com eventos sobre o terreno no Kosovo em Março de 1999.
- A razão dos ataques aéreos era bastante simples: uma vez que a Jugoslávia não havia cedido às ameaças, as ameaças tinham de ser executadas.
- A base legal da acção, tal como apresentada pelo Reino Unido e outros Estados da NATO, não foi em nenhuma etapa adequadamente articulada.
- Intervenção humanitária, a justificação tardiamente avançada pelos Estados da NATO, não tinha lugar nem na Carta das Nações Unidas nem no direito internacional convencional.
- Se tivesse sido mantida a visão de que os Membros Permanentes do Conselho de Segurança reconheceriam a necessidade de acção humanitária, então sem dúvida uma resolução teria sido exigida.
- As intenções dos Estados Unidos e do Reino Unido incluíam a remoção do Governo da Jugoslávia. É impossível reconciliar tais propósitos com intervenção humanitária.
- A afirmação de estar a actuar em bases humanitárias parece difícil de reconciliar a desproporcionada quantidade de violência envolvida na utilização de munição pesada e mísseis. As armas tinham efeitos explosivos extensos e os mísseis tinham um elemento incendiário. Uma alta proporção de alvos estava em cidades. Muitas das vítimas foram mulheres e crianças. Após sete semanas de bombardeamento pelo menos 1.200 civis foram mortos e 4.500 feridos.
- Apesar das referências à necessidade de uma solução pacífica ser encontrada em Resoluções do Conselho de Segurança, as declarações públicas da sra. Albright, do sr. Cook, do sr. Holbrooke e outros e as ameaças reiteradas de ataques aéreos maciços, tornam muito claro que nenhuma diplomacia comum foi encarada.
O "tratamento Kosovo"
Como sinopse final, Brownlie escreveu uma nota profética sobre a utilização futura do "tratamento Kosovo":
Como sinopse final, Brownlie escreveu uma nota profética sobre a utilização futura do "tratamento Kosovo":
"O autor tem contactos com um grande número de diplomatas e juristas de diferentes nacionalidades. A reacção à campanha de bombardeamento da NATO fora da Europa e da América do Norte geralmente foi hostil. A maior parte dos Estados tem problemas de separatismo e podiam, numa base selectiva, serem os objectos da "gestão de crise" ocidental. A selecção de crises para o "tratamento Kosovo" dependerá da geopolítica e da agenda colateral. É nesta base, e não numa agenda humanitária, que a Jugoslávia está destinada à fragmentação numa base racial, ao passo que a Rússia e a Indonésia não estão".
Ele acrescentou: "Intervenção coerciva para servir
objectivos humanitários é uma pretensão possível
apenas para Estados poderosos contra os menos poderosos. O destino da
Jugoslávia terá provocado dano considerável à causa
da não proliferação de armas de destruição
em massa".
O Memorando Brownlie para o Parlamento Britânico é a mais completa avaliação do status legal da Guerra do Kosovo. É bastante notável que o falcões da guerra liberais em torno de Obama falem em utilizar aquela guerra como um "precedente legal" para uma nova guerra contra a Síria.
Isto equivale a dizer que um crime cometido uma vez torna-se um "precedente" para justificar o crime a ser cometido na vez seguinte.
Quantas vezes pode você enganar a maior parte do povo?
Se entendida correctamente, a guerra do Kosovo foi na verdade um precedente que deveria actuar como um sinal de advertência.
Quantas vezes podem os Estados Unidos utilizar um alarme falso para começar uma guerra agressiva? "Genocídio" não existente no Kosovo e na Líbia, armas de destruição maciça não existentes no Iraque e agora aquilo que parece para grande parte do mundo como uma "falsa bandeira" de armas químicas no ataque à Síria.
Os Estados Unidos habitualmente anunciam a presença de um casus belli desejado ignorando pedidos de prova concreta.
No Kosovo, os Estados Unidos obtiveram a retirada de observadores internacionais que poderiam ter testemunhado se sim ou não havia evidência de "genocídio" de kosovares. As acusações escalaram durante a guerra e quando, posteriormente, nenhuma evidência de tal assassínio em massa foi encontrada, o assunto foi esquecido.
No Iraque, nunca houve qualquer prova de ADM, mas os EUA foram em frente e invadiram.
Na Líbia, o pretexto para a guerra foi uma declaração citada erroneamente de Kadafi a ameaçar um "massacre de civis" em Bengazi. Isto foi denunciado como uma falsificação mas, mais uma vez, a NATO bombardeou, o regime foi derrubado e o pretexto caiu no esquecimento.
Domingo, assim que o governo sírio anunciou estar pronto a permitir a inspectores internacionais investigarem alegações de utilização de armas químicas, a Casa Branca respondeu: "demasiado tarde!"
Um alto responsável da administração Obama, pedindo anonimato (pode-se razoavelmente admitir que o responsável era a falcoa Conselheira de Segurança Nacional de Obama, Susan Rice) emitiu uma declaração afirmando que havia "muito pouca dúvida" de que forças militares do presidente Bashar al-Assad haviam utilizado armas químicas contra civis e que uma promessa de permitir a inspectores das Nações Unidas terem acesso ao sítio era "demasiado tardia para ser crível".
No mundo para além das grandes auto-estradas, há uma grande dúvida – especialmente acerca da credibilidade do governo dos Estados Unidos quando se trata de encontrar pretextos para ir à guerra. Além disso, estabelecer "armas químicas" como um "limite" ("red line") que obriga os EUA a irem à guerra é totalmente arbitrário. Hás muitas maneiras de matar pessoas numa guerra civil. Seleccionar uma delas como um disparador para intervenção estado-unidense serve primariamente para dar aos rebeldes uma excelente razão para executarem uma operação de "falsa bandeira" que introduzirá a NATO na guerra que eles estão a perder.
Quem realmente quer ou precisa da intervenção dos EUA? O povo americano? Que bem lhe fará ficar envolvido em ainda outra interminável guerra no Médio Oriente?
Mas quem tem influência sobre Obama? O povo americano? Ou é ao invés "nosso mais firme aliado", o qual é o mais preocupado em reconfigurar a vizinhança no Médio Oriente?
"Não se deve permitir que esta situação continue", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, exprimindo notável preocupação por civis sírios "que eram tão brutalmente atacados por armas de destruição em massa".
"Aos regimes mais perigosos do mundo não se deve permitir possuírem as mais perigosas armas do mundo", acrescentou Netanyahu.
Incidentalmente, inquéritos efectuados mostram que para grande parte do mundo, o regime mais perigoso do mundo é Israel, ao qual é permitido possuir as armas mais poderosas do mundo – as armas nucleares. Mas não há probabilidade de que Israel alguma vez obtenha "o tratamento Kosovo".
O Memorando Brownlie para o Parlamento Britânico é a mais completa avaliação do status legal da Guerra do Kosovo. É bastante notável que o falcões da guerra liberais em torno de Obama falem em utilizar aquela guerra como um "precedente legal" para uma nova guerra contra a Síria.
Isto equivale a dizer que um crime cometido uma vez torna-se um "precedente" para justificar o crime a ser cometido na vez seguinte.
Quantas vezes pode você enganar a maior parte do povo?
Se entendida correctamente, a guerra do Kosovo foi na verdade um precedente que deveria actuar como um sinal de advertência.
Quantas vezes podem os Estados Unidos utilizar um alarme falso para começar uma guerra agressiva? "Genocídio" não existente no Kosovo e na Líbia, armas de destruição maciça não existentes no Iraque e agora aquilo que parece para grande parte do mundo como uma "falsa bandeira" de armas químicas no ataque à Síria.
Os Estados Unidos habitualmente anunciam a presença de um casus belli desejado ignorando pedidos de prova concreta.
No Kosovo, os Estados Unidos obtiveram a retirada de observadores internacionais que poderiam ter testemunhado se sim ou não havia evidência de "genocídio" de kosovares. As acusações escalaram durante a guerra e quando, posteriormente, nenhuma evidência de tal assassínio em massa foi encontrada, o assunto foi esquecido.
No Iraque, nunca houve qualquer prova de ADM, mas os EUA foram em frente e invadiram.
Na Líbia, o pretexto para a guerra foi uma declaração citada erroneamente de Kadafi a ameaçar um "massacre de civis" em Bengazi. Isto foi denunciado como uma falsificação mas, mais uma vez, a NATO bombardeou, o regime foi derrubado e o pretexto caiu no esquecimento.
Domingo, assim que o governo sírio anunciou estar pronto a permitir a inspectores internacionais investigarem alegações de utilização de armas químicas, a Casa Branca respondeu: "demasiado tarde!"
Um alto responsável da administração Obama, pedindo anonimato (pode-se razoavelmente admitir que o responsável era a falcoa Conselheira de Segurança Nacional de Obama, Susan Rice) emitiu uma declaração afirmando que havia "muito pouca dúvida" de que forças militares do presidente Bashar al-Assad haviam utilizado armas químicas contra civis e que uma promessa de permitir a inspectores das Nações Unidas terem acesso ao sítio era "demasiado tardia para ser crível".
No mundo para além das grandes auto-estradas, há uma grande dúvida – especialmente acerca da credibilidade do governo dos Estados Unidos quando se trata de encontrar pretextos para ir à guerra. Além disso, estabelecer "armas químicas" como um "limite" ("red line") que obriga os EUA a irem à guerra é totalmente arbitrário. Hás muitas maneiras de matar pessoas numa guerra civil. Seleccionar uma delas como um disparador para intervenção estado-unidense serve primariamente para dar aos rebeldes uma excelente razão para executarem uma operação de "falsa bandeira" que introduzirá a NATO na guerra que eles estão a perder.
Quem realmente quer ou precisa da intervenção dos EUA? O povo americano? Que bem lhe fará ficar envolvido em ainda outra interminável guerra no Médio Oriente?
Mas quem tem influência sobre Obama? O povo americano? Ou é ao invés "nosso mais firme aliado", o qual é o mais preocupado em reconfigurar a vizinhança no Médio Oriente?
"Não se deve permitir que esta situação continue", disse o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, exprimindo notável preocupação por civis sírios "que eram tão brutalmente atacados por armas de destruição em massa".
"Aos regimes mais perigosos do mundo não se deve permitir possuírem as mais perigosas armas do mundo", acrescentou Netanyahu.
Incidentalmente, inquéritos efectuados mostram que para grande parte do mundo, o regime mais perigoso do mundo é Israel, ao qual é permitido possuir as armas mais poderosas do mundo – as armas nucleares. Mas não há probabilidade de que Israel alguma vez obtenha "o tratamento Kosovo".
26/Agosto/2013
Ver também:
(A verdade proibida: Os EUA estão a canalizar armas químicas para a Al Qaeda na Síria, Obama é um mentiroso e um terrorista)
(Ataque de armas químicas sob falsa bandeira na Síria. Pretexto para guerra total?)
(Ministro russo dos negócios estrangeiros: Materiais que implicam governo sírio em ataque químico foram preparados antes do incidente)
(Peritos lançam dúvida sobre filmagem de armas químicas na Síria)
(Carla del Ponte: "Evidentemente rebeldes sírios utilizaram Sarin")
(Evidência preliminar indica que o governo sírio NÃO lançou um ataque com arma química contra o seu povo)
(Rebeldes sírios utilizam produtos químicos tóxicos contra tropas governamentais perto de Damasco)
(O alarde dos media acerca de "armas químicas" na Síria: pressionando pela intervenção militar)
[*] Autora de Fools Crusade: Yugoslavia, NATO and Western Delusions , diana.josto@yahoo.fr O original encontra-se em www.counterpunch.org/2013/08/26/us-uses-past-crimes-to-legalize-future-ones/ Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ . |
segunda-feira, 26 de agosto de 2013
As organizações de trabalhadores falharam na organização dos trabalhadores. Começar por reconhecê-lo é necessário para mudá-lo
por Raquel Varela
A taxa de sindicalismo no sector privado é de 9%, no público de 18%. Tem vindo sempre a cair. Metade da força de trabalho, desempregada e precária, está fora de qualquer tipo de organização sindical. Os partidos que deveriam representar os trabalhadores têm, apesar da crise da direita e da crise da social democracia, uma escassa representação. Têm mais representação eleitoral do que social, mas mesmo a nível eleitoral pífia face ao desgaste dos partidos do chamado centrão. O mesmo se passa nos partidos políticos - a maioria dos quadros, não falo de figuras públicas, mas quadros com real capacidade de liderança, está perto dos 60 anos. Há poucos sindicatos, embora haja excepções, com quadros jovens à sua frente, capazes de dirigir . Das duas uma: ou achamos que o povo é estúpido e então propomos como Brecht, trocar o povo e deitar este fora, ou temos que reflectir sobre o porquê de tanta debilidade organizativa.
Creio que uma das explicações, uma, haverá outras, está no pacto social – esta ideia de que o capitalismo português pós 25 de abril permitiria um modo de produção em que os trabalhadores eram, digamos assim, «matizadamente» explorados não assumindo por isso um confronto directo com o Estado – salários razoáveis, direito a não ser despedido, subsídio de férias,numa palavra, relações de trabalho-padrão. Mas, a maioria da população, sobretudo jovem não sabe nem o que isso é, o que é ter um contrato de trabalho, nem conseguem ganhar o suficiente para sair de casa dos pais com 35 anos. E por isso não se revêm nas propostas mediadoras deste pacto social ao qual não pertencem. Há um desencontro histórico, ainda, entre as direcções dos sindicatos e partidos e a maioria da população. Pode-se esconder a cabeça na areia e dizer que não é verdade mas então não conseguimos explicar porque há força social para fazer as maiores manifestações da história do país, 3 greves gerais, e o resultado organizativo disso é zero. E, claro, como o resultado organizativo não é nenhum (as manifestações acabam mas as pessoas vão para casa não vão organizar-se como força social num partido, sindicato ou movimento real permanente) , o impacto político é escasso e o governo mais contestado de sempre da história pós 1974 continua de pé.
Deixo aqui parte da entrevista que dei ao Sindicato dos Enfermeiros portugueses, e o link para as outras partes da entrevista sobre o SNS, a produtividade da força de trabalho e, aquele que acho que é o maior processo de proletarização de Portugal. Maior do que aquele que se verifica no século XIX com a privatização da propriedade, maior do que aquele que se dá nos anos 60 do século XX com a mecanização agrícola.
Entrevista completa aqui ou aqui
daqui:http://5dias.wordpress.com/2013/08/26/as-organizacoes-de-trabalhadores-falharam-na-organizacao-dos-trabalhadores-comecar-por-reconhece-lo-e-necessario-para-muda-lo/
A taxa de sindicalismo no sector privado é de 9%, no público de 18%. Tem vindo sempre a cair. Metade da força de trabalho, desempregada e precária, está fora de qualquer tipo de organização sindical. Os partidos que deveriam representar os trabalhadores têm, apesar da crise da direita e da crise da social democracia, uma escassa representação. Têm mais representação eleitoral do que social, mas mesmo a nível eleitoral pífia face ao desgaste dos partidos do chamado centrão. O mesmo se passa nos partidos políticos - a maioria dos quadros, não falo de figuras públicas, mas quadros com real capacidade de liderança, está perto dos 60 anos. Há poucos sindicatos, embora haja excepções, com quadros jovens à sua frente, capazes de dirigir . Das duas uma: ou achamos que o povo é estúpido e então propomos como Brecht, trocar o povo e deitar este fora, ou temos que reflectir sobre o porquê de tanta debilidade organizativa.
Creio que uma das explicações, uma, haverá outras, está no pacto social – esta ideia de que o capitalismo português pós 25 de abril permitiria um modo de produção em que os trabalhadores eram, digamos assim, «matizadamente» explorados não assumindo por isso um confronto directo com o Estado – salários razoáveis, direito a não ser despedido, subsídio de férias,numa palavra, relações de trabalho-padrão. Mas, a maioria da população, sobretudo jovem não sabe nem o que isso é, o que é ter um contrato de trabalho, nem conseguem ganhar o suficiente para sair de casa dos pais com 35 anos. E por isso não se revêm nas propostas mediadoras deste pacto social ao qual não pertencem. Há um desencontro histórico, ainda, entre as direcções dos sindicatos e partidos e a maioria da população. Pode-se esconder a cabeça na areia e dizer que não é verdade mas então não conseguimos explicar porque há força social para fazer as maiores manifestações da história do país, 3 greves gerais, e o resultado organizativo disso é zero. E, claro, como o resultado organizativo não é nenhum (as manifestações acabam mas as pessoas vão para casa não vão organizar-se como força social num partido, sindicato ou movimento real permanente) , o impacto político é escasso e o governo mais contestado de sempre da história pós 1974 continua de pé.
Deixo aqui parte da entrevista que dei ao Sindicato dos Enfermeiros portugueses, e o link para as outras partes da entrevista sobre o SNS, a produtividade da força de trabalho e, aquele que acho que é o maior processo de proletarização de Portugal. Maior do que aquele que se verifica no século XIX com a privatização da propriedade, maior do que aquele que se dá nos anos 60 do século XX com a mecanização agrícola.
Entrevista completa aqui ou aqui
daqui:http://5dias.wordpress.com/2013/08/26/as-organizacoes-de-trabalhadores-falharam-na-organizacao-dos-trabalhadores-comecar-por-reconhece-lo-e-necessario-para-muda-lo/
Futuro hipotecado
por VIRIATO SOROMENHO MARQUES
Thomas Jefferson, o pai da Declaração de Independência dos EUA, manteve até ao fim da sua vida uma hostilidade incondicional para com a especulação bancária. Ele sabia, pela sua experiência de empresário agrícola, que o crédito se tornava facilmente o veículo de uma escravatura perpétua. Por isso, Jefferson, como estadista, formulou o saudável princípio de que uma dívida pública não deve ser prolongada para além de 19 anos, sob pena de uma geração esmagar a geração seguinte com os custos das suas dívidas. Ficámos a saber que entre 1999 e 2013 as empresas públicas contrataram 1777 swaps com a banca de investimento, sobretudo internacional (onde se encontrava até o Lehman Brothers...). Esses contratos, muitos deles especulativos, atingem o valor astronómico de 335 mil milhões de euros (mais do que quatro resgates da troika). Desde 1992, os governos já tinham alienado uma parte da riqueza nacional futura às grandes famílias económicas que controlam os cordelinhos das parcerias público-privadas (implicando dezenas de milhares de milhões de euros dos contribuintes para as próximas décadas). Agora, através das swaps, constatamos que algumas dezenas de gestores públicos, através de atos que só podem ser considerados como venais ou incompetentes, amarraram os portugueses a uma dívida potencialmente infinita. Sem controlo político nem supervisão técnica. Portugal terá de escolher entre voltar a ser um Estado ou aceitar ser um ativo tóxico da banca especulativa instalada na praça de Londres. É por essa decisão que passa a "reforma do Estado". E não pelo confisco de mais alguns milhões de euros aos que menos têm, como se prepara para acontecer no Orçamento que os regedores de São Bento preparam para 2014.
daqui:http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3387256&seccao=Viriato%20Soromenho%20Marques&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco
Thomas Jefferson, o pai da Declaração de Independência dos EUA, manteve até ao fim da sua vida uma hostilidade incondicional para com a especulação bancária. Ele sabia, pela sua experiência de empresário agrícola, que o crédito se tornava facilmente o veículo de uma escravatura perpétua. Por isso, Jefferson, como estadista, formulou o saudável princípio de que uma dívida pública não deve ser prolongada para além de 19 anos, sob pena de uma geração esmagar a geração seguinte com os custos das suas dívidas. Ficámos a saber que entre 1999 e 2013 as empresas públicas contrataram 1777 swaps com a banca de investimento, sobretudo internacional (onde se encontrava até o Lehman Brothers...). Esses contratos, muitos deles especulativos, atingem o valor astronómico de 335 mil milhões de euros (mais do que quatro resgates da troika). Desde 1992, os governos já tinham alienado uma parte da riqueza nacional futura às grandes famílias económicas que controlam os cordelinhos das parcerias público-privadas (implicando dezenas de milhares de milhões de euros dos contribuintes para as próximas décadas). Agora, através das swaps, constatamos que algumas dezenas de gestores públicos, através de atos que só podem ser considerados como venais ou incompetentes, amarraram os portugueses a uma dívida potencialmente infinita. Sem controlo político nem supervisão técnica. Portugal terá de escolher entre voltar a ser um Estado ou aceitar ser um ativo tóxico da banca especulativa instalada na praça de Londres. É por essa decisão que passa a "reforma do Estado". E não pelo confisco de mais alguns milhões de euros aos que menos têm, como se prepara para acontecer no Orçamento que os regedores de São Bento preparam para 2014.
daqui:http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=3387256&seccao=Viriato%20Soromenho%20Marques&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco
domingo, 25 de agosto de 2013
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