quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Justiça, educação... Avariar o Estado

por Sandra Monteiro

Antes fosse só incompetência, mas não é. A incompetência resolve-se substituindo pessoas impreparadas por pessoas capazes de fazer um trabalho bem feito. Não seria um grande drama: mesmo com a emigração, o país ainda está cheio de pessoas competentes. Mas o que está a acontecer ultrapassa em muito a incompetência. O actual disfuncionamento da sociedade é uma consequência previsível, saudada por uns e criticada por outros, da transformação estrutural imposta pela austeridade, pela dívida, pela arquitectura europeia e monetária. E avariar o Estado é um elemento central deste empreendimento.

O Estado deixa de funcionar através dos cortes de financiamento e das transferências de recursos, isto é, com políticas de desinvestimento público, degradação do Estado social (sistemas de educação, saúde e segurança social), ataque ao mundo do trabalho (salários, contratação, despedimentos) e canalização dos recursos aí gerados para o sistema financeiro. Chamam-lhe «disfuncionamento» os que discordam do tipo de sociedade que ela engendra; para os outros, os adeptos do neoliberalismo, tudo corre como projectado.
Por vezes as trapalhadas são demasiado notórias, obrigando até a pedir desculpas, mas isso só significa que vão procurar uma forma mais eficaz de nos fazer engolir o seu modelo de sociedade, e nunca que desistiram dele. As desigualdades e as injustiças continuam a funcionar.

Na justiça, mergulhada há muito numa crise profunda, parecia não ser fácil piorar a situação. Mas o governo conseguiu fazê-lo. A reforma judiciária fechou tribunais funcionais para abrir outros sem as mínimas condições. Obriga funcionários a grandes deslocações (várias horas por dia e de táxi) e processos a serem transportados sem garantias da sua integridade física (em camiões de caixa aberta) e pelo exército. Ao mesmo tempo, o programa informático CITIUS entrou em colapso total, deixando o sistema parado há mais de um mês, com todos os prejuízos que daí advêm para os trabalhadores judiciais e para os cidadãos que recorrem à justiça. Esta já tinha problemas de ineficiência e inigualitarismo, agora a sua paralisação potencia o regresso de todas as aberrações justicialistas (a que não faltará quem chame «justiça popular» ou «populismo», certamente de geração espontânea).

É difícil imaginar que esteja a preparar-se uma privatização em grande escala do sistema judiciário em Portugal (depois pensa-se nas primeiras privatizações das prisões nos Estados Unidos…). Mas a flexibilidade do projecto neoliberal não admite apenas privatizações, sendo exímio em concessões, parcerias público-privadas, etc. Antes destas engenharias tende a disseminar-se um mito, o de que os privados seriam melhores gestores do que o público, e uma experiência marcante, a do mau funcionamento dos serviços públicos, ou até a de «ser bem tratado no privado». O caos na justiça cria o terreno para esta construção.

Na educação reina um outro caos. O início do ano lectivo arrancou sem professores e sem aulas em muitas escolas, com muitas carências ao nível do pessoal auxiliar, com erros inadmissíveis, e repetidos, nos concursos de colocação de professores, cujas consequências são prejuízos materiais e morais para muitas famílias de norte a sul do país. Poderia até ser uma boa piada a sugestão feita aos professores prejudicados de que recorressem aos tribunais, quando a justiça se encontra paralisada. Mas o problema é que isso foi dito, sem graça, pelo Ministério da Educação e, ainda por cima, com o ar de quem não tenciona gastar um cêntimo com pessoas que, pasme-se, insistem em ser mais do que só números.

O problema tem efeitos desiguais: há escolas onde existe mais instabilidade, há regiões onde o caos tem mais condições de beneficiar o ensino privado, há professores mais precarizados, há famílias como mais possibilidades de encontrar ajudas educativas e de guarda para os filhos. Avariar as escolas faz-se com subfinanciamento; com a canalização de recursos para fora do público; com a colocação de pais, professores e estudantes em situações tão degradadas no público que os põe a pensar em alternativas. As trapalhadas e as incompetências criam, também aqui, má experiência dos sistemas públicos. O resto – a escola democrática, igualitária, base da igualdade de oportunidades –, são danos colaterais aceitáveis para os neoliberais.

No campo do trabalho, o mais recente escândalo decorre dos contornos da revisão do salário mínimo nacional (ver, nesta edição, o artigo de Fernando Marques). É evidente que qualquer aumento, mesmo que seja pouco superior a 15 euros por mês, conta muito em orçamentos de miséria – falamos de quase 500 mil trabalhadores. Mas não pode deixar de chocar que um aumento que estava congelado, mas acordado, tenha implicado novas cedências no montante e que a revisão seja feita à custa da segurança social (cuja falta de sustentabilidade o governo a seguir apregoará). Escandaloso é também que as instâncias europeias se tenham apressado a avisar que o aumento é provisório e exagerado (se calhar 500 euros passou a limiar de riqueza…).

O que tudo isto significa é que prossegue a desvalorização interna, a aposta num país com salários tão baixos que possa competir com todas as indignidades laborais que outros consigam impor aos seus trabalhadores. Prossegue a preparação do caos que, nas suas mentes, há-de levar ao fim do modelo actual de segurança social e ao alargamento do mercado dos seguros privados. Também no sector do trabalho se verifica que os neoliberais cuidam muito do Estado, mas apenas para que ele seja o instrumento da corrosão do público, da destruição do sentido de comunidade e do benefício de interesses e sectores privados.

O que tem acontecido na área da saúde, onde alguns dizem nada estar a acontecer e que os piores cortes já teriam surtido efeito, é a este título bem ilustrativo. As mais eficazes avarias do Estado, ou os melhores arranjos pessoais e negócios privados, fazem-se discretamente. De alguns temos notícia passados anos, como acontece com o que se vem sabendo do chamado «caso Tecnoforma» e da actuação de Pedro Passos Coelho; de outros, enquanto decorrem. No meio das notícias das perdas e falências do «caso BES», o mercado financeiro anima-se, arreganha os dentes. As peripécias em torno da valorização da Espírito Santo Saúde, cuja venda promete ser lucrativa, coincidiram com as greves de médicos e enfermeiros. Nos comentários do Ministério da Saúde repetiu-se o refrão: «o pior é que quem fica prejudicado com estas greves são os utentes do serviço público que não podem recorrer a outra alternativa». Fez lembrar aqueles cartazes do tempo das obras, mas desta vez para dizer: «desculpem o incómodo, mas estamos a trabalhar para que tenha acesso a serviços de saúde privados e concessionados».

Avariar o funcionamento de um Estado é fácil: corta-se, transfere-se, destrói-se e desrespeita-se a vida da maioria dos cidadãos. Pô-lo novamente a funcionar é que é um duro combate. Não exige só competência; exige sentido de serviço público, convicção das vantagens de uma sociedade igualitária, e coragem para assumir os confrontos, com escala europeia, de que dependerá ter meios materiais para solucionar a avaria.

sexta-feira 10 de Outubro de 2014

aqui:http://pt.mondediplo.com/spip.php?article1019

Os perigos de consumir a imprensa corporativa

Os principais meios de comunicação deveriam se sentir envergonhados por sua clara orientação Ocidental na cobertura de notícias e em seus editoriais.


Jonathan Cook, um ex-repórter do Guardian do Reino Unido, disse que os jornalistas de altos cargos nos meios de comunicação Ocidentais são "pagos pelas corporações midiáticas para limitar nossos horizontes intelectuais". Também é muito provável que eles mesmos se limitem, isolando-se, não só de sua audiência, mas de fatos e argumentos que enfraqueçam uma visão imperial do mundo. Leia somente a imprensa corporativa e estará muito bem isolado. A impressão geral transmitida pelos cabos do Governo dos Estados Unidos é que a elite governante aceita muitas das falsidades e suposições arrogantes, tão necessárias para poder realizar seu trabalho com uma consciência limpa – ainda que mentiras descaradas também tenham lugar. Algo muito similar se pode dizer dos jornalistas e editores corporativos, especialmente dos mais exitosos.

Por exemplo, o conselho editorial do New York Times reagiu da seguinte maneira à provável conquista de um assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas por parte da Venezuela:
"Isto daria ao governo de Maduro uma posição importante e prestigiosa em um corpo que se espera que faça frente aos problemas críticos, incluindo a resposta mundial contra os combatentes do Estado Islâmico; Colômbia, Brasil e outros países da América Latina deveriam encabeçar um esforço para evitar que Caracas represente a região no que se está convertendo em uma vergonha para o continente."

Por onde começar?

Pelo menos desde a década de 1990 o governo colombiano tem o pior histórico de direitos humanos na América Latina. Nos documentos revelados pelo Wikileaks, funcionários estadunidenses apontaram em segredo que os paramilitares de direita assassinaram centenas de milhares de pessoas e levaram quase à extinção muitos povos indígenas. Inclusive grupos muito próximos ao governo dos Estados Unidos como o Human Rights Watch, disseram durante anos que os paramilitares trabalhavam muito próximos com os militares colombianos. Se os Estados Unidos tivessem uma "imprensa livre", este tipo de revelação teria causado um grande escândalo. Os EUA proporcionam um generoso apoio militar e politico para a Colômbia há décadas. Os militares e seus aliados paramilitares da Colômbia são a causa principal para que em 2012 o país tivesse a população mais alta do mundo de refugiados internos. O que se pode pensar dos meios de comunicação estadunidenses, como os editores do NYT, que dizem que o governo da Colômbia deveria encabeçar algum tipo de esforço regional? É bem possível que os editores estejam plenamente conscientes do terrível histórico do governo colombiano, é também provável que decidiram ignorar os fatos ao confiar na cobertura midiática Ocidental da América Latina. Nenhum jornal corporativo ridiculariza o NYT por chamar de respeitável o governo da Colômbia ou por chamar de uma vergonha o governo da Venezuela.

O que faria falta para que os editores do NYT se sentissem profundamente envergonhados do histórico de Direitos Humanos de seu próprio governo? O número de países que a administração Obama bombardeou em violação flagrante do direito internacional agora se aproxima de dois dígitos. Isso claramente não é uma vergonha para o NYT. Não lhes ocorre chamar a uma "resposta global" para terminar essa corrida sem fim com a qual os Estados Unidos e seus aliados vão à guerra. Que quase não descansam desde quando bombardearam o Iraque há quase vinte e quatro anos (causando a morte de 1 a 2 milhões de iraquianos desde 1990) [1]. Gente racional chamaria ao Grande Estado Imperial, não ao "Estado Islmâmico", uma ameaça que requer uma "resposta global". Mas aponta a um conselho editorial de um dos meios corporativos que se atreva a publicar isso, e estará apontando a um ex-conselho editorial.

E qualquer tipo de vergonha que os editores do NYT sentiram por aplaudir o golpe de Estado de 2002 na Venezuela, que brevemente instalou uma ditadura sob Pedro Carmona, se evaporou há anos.

O editorial do NYT mostra o caso do governo de Maduro contra Leopoldo López, líder da oposição preso sob sua suposta participação nos violentos protestos deste ano, como uma "farsa". Completamente ignorado é o fato de que López foi o autor, não só um partidário, como os editores do NYT, do golpe de 2002.
Existem vídeos que demonstram que ele (e o governador de Miranda, Henrique Capriles) lideraram a "prisão" (na verdade foi um sequestro já que não tinham autoridade legal para prender ninguém) de um ministro do Governo de Chávez durante o golpe. O ministro é golpeado enquanto é arrastado por uma multidão. Este vídeo mostra Lópes, horas mais tarde, ostentando-se na televisão venezuelano sobre a "detenção", como um policial orgulhoso. Isso não prova que López é culpado de conduta criminosa em 2014, mas mostra o quanto ingênuo que é supor que o governo venezuelano não tenha um caso real contra ele. O NYT também afirma que o sistema legal da Venezuela é totalmente orientado contra López apesar de que nunca passou um dia na prisão por seu papel no golpe de 2002. De fato, os causadores da morte de centenas de pessoas pró-governo (chavistas) camponeses, evadiram a justiça durante anos, em parte devido à influência que os opositores do governo seguem tendo sobre o poder juducial.

Duas correções sobre a Venezuela, feitas pelo NYT este ano, deveriam ter feito também que os editores deixem de tachar como "inspirador" a um movimento liderado por gente como López. Desafortunadamente essas correções são interradas sob o material muito mais proeminente, como o editorial do New York Times, que só imitam a postura do governo dos Estados Unidos contra a Venezuela. Talvez os editoriais do NYT ignoraram essas correções ou, mais preocupante ainda, estão adoutrinados demais para captar seu significado.

Depois de serem bombardeados pelas queixas de leitores com conhecimentos (que obviamente veem mais além dos meios corporativos de informação) o NYT admitiu que as redes de televisão da Venezuela "regularmente têm convidado críticos do governo". Em outra correção, o New York Times reconheceu que o número de pessoas que morreram durante os protestos no começo deste ano (estima-se que são quarenta) "incluem as forças de segurança e civis, não só manifestantes". Cerca da metade das mortes relacionadas com o protesto foram provavelmente causadas por manifestantes violentos.

Tente imaginar, se puder, os editores do NYT aclamando um movimento de protesto que assassina "forças de segurança" nos EUA e que é dirigido por alguém que sequestrou funcionários do governo. Imagine os líderes do movimento recebendo, como o fazem na Venezuela, oportunidades regulares para atacar o governo tanto na televisão como nos principais meios impressos.

De acordo com uma pesquisa de Lexis Nexis, o Miami Herald e o Washington Post também publicaram editoriais sobre o posto na Venezuela no Conselho de Segurança. Eram apenas diferentes do editorial do NYT. Uma diferença é que os editores do Washington Post deixam claro seu fanatismo chamando Maduro de um "analfabeto econômico e ex-motorista de ônibus". Esse é o tipo de diversidade política que a "imprensa livre" oferece. Jornalistas corporativos deveriam se sentir envergonhados por isso, mas muitos, especialmente os que estão nos cargos mais altos, são provavelmente incapazes disso.

Nota:
[1] Estudos Científicos das mortes no Iraque support figures of 500,000 to 1, 000,000 since 2003.

Hans Von Sponeck e Denis Halliday, funcionários da ONU que dirigem o programa de petróleo por alimentos no Iraque, disseram que as sanções e os bombardeios liderados pelos EUA durante a década de 1990 assassinaram 5 mil crianças iraquianas por mês, o que equivale a meio milhão de mortes apenas entre as crianças.

aqui:http://www.diarioliberdade.org/america-latina/comunicacom/51853-os-perigos-de-consumir-a-imprensa-corporativa.html

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Consequências da medicina neoliberal - As origens da crise do ébola


por Tariq Ali e Allyson Pollock [*]
Cena em Monróvia, capital da Libéria. Tariq Ali. Hoje vamos discutir medicina e o que está acontecer em África e não só ali, também em outras partes do mundo, e como a medicina privatizada está agora a dominar o campo excepto nuns poucos oásis que ainda restam como Cuba, Venezuela, etc. Comigo está o Professor Allyson Pollock, um bem conhecido cientista e perito em saúde pública. Quais são as origens do Ébola e como se propagou tão rapidamente em três países africanos e está agora a causar pânico por toda a parte?

Allyson Pollock: Bem, o Ébola é um vírus, ninguém sabe com certeza das suas origens, alguns pensam que pode vir do morcego e é propagado através de fluidos corporais, o que é um importante mecanismo. Nas situações mais normais deveria ser facilmente contido através da quarentena e pelo isolamento mas o grande problema nos países onde é mais prevalecente, os quais são Serra Leoa, Libéria e Guiné, é que são países muito, muito pobres, onde a infraestrutura tem sido cada vez mais liquidada, especialmente em termos de sistemas de saúde e o vírus está agora em áreas urbanas onde há estreito contacto humano, de modo que se torna muito difícil controlar e conter especialmente em áreas onde há um bocado de super-aglomeração, pobreza e fraco saneamento.

T. Ali. E a comunidade de saúde do ocidente, por assim dizer, a Organização Mundial de Saúde, foi vagarosa para reagir, sinto, em termos do que podia ter sido feito na etapa inicial desta doença.

A. Pollock: Bem, suponho que a OMS tinha a esperança, como no anterior grande surto na década de 1970, que seria contida de modo razoavelmente fácil. Talvez o que tenha acontecido é que eles não consideraram o facto de que estes países onde está a emergir estão realmente entre os mais pobres dos pobres. A Libéria e Serra Leoa tem atravessado longos períodos de guerra civil, conflitos com refugiados deslocados onde o produto interno bruto e a economia sofreram extremamente e o que temos visto em todos estes países é um esvaziamento real de todas as espécies de serviços públicos, mas especialmente sistemas de saúde. Assim, é muitíssimo difícil contê-la e temos questões reais de pobreza. Assim, suponho que a primeira esperança era que a doença seria facilmente contida mas realmente, é claro, é um vírus que tem uma taxa de fatalidade muito alta, eles falam em cerca de 55% de probabilidade de morte se se contrair o vírus. De modo que isto é muito grave mas um dos grandes problemas é que o mundo ocidental, especialmente o governo dos EUA, está a retornar com soluções de armas e soluções mágicas, o anúncio de Obama de que está a enviar 3000 soldados e o anúncio paralelo de que estão a centrar-se na produção rápida da vacina. E isto é uma remoção completa da determinância social e estrutural da saúde pública porque as origens de toda a saúde pública estão em soluções muito simples e básicas. Trata-se de água limpa, saneamento, boa nutrição – os males da pobreza. E, acima de tudo, são precisos muito bons sistemas de saúde com médicos e enfermeiros adequados e instalações em que se possa isolar pessoas e também fazer o que se chama "rastreio de contactos" de modo a que se possa voltar à comunidade para descobrir com quem os indivíduos afectados estiveram em contacto e assim poder por em quarentena e isolar aqueles indivíduos para assegurar que realmente não contraíram a doença e não transmiti-la durante o período de incubação. E tudo isso foi destruído.

É disto que estes países precisam. Eles tiveram uma erosão total e um colapso dos seus sistemas de cuidados de saúde pública e isto é a tragédia. De modo que a população tem muitíssimo poucos médicos e enfermeiros. Eles simplesmente não podem aguentar e naturalmente as instalações públicas ali estão superlotadas, estão em terríveis condições e estão com completa e absoluta carência de pessoal. De modo que este problema de uma epidemia estava em vias de atingi-los, podia ter sido o Ébola, podia ter isso alguma outra coisa – podia ser a cólera ou o que fosse. Estava realmente para acontecer que estes países fossem duramente atingidos. Era inteiramente previsível e foi previsto durante mais de 20 anos e é o que o lobby da saúde pública e os seus advogados tem estado a falar. A solução para estas epidemias não são poções mágicas de vacinas nem é através do envio de tropas. É estrutural, é social, é económica, é ambiental e é investido em medidas de saúde pública.

T. Ali. Mas o sistema, como funciona em todo o mundo capitalista, é basicamente não a favor de serviços de saúde pública, eles são favoráveis a soluções privatizadas, instalações privatizadas, o que significa que na maior parte países cada vez mais tem-se um sistema de duas ou três camadas. Há hospitais de muito boa qualidade para os ricos e pessoas que podem pagá-los, há uma segunda camada mais para pessoas da classe média que também podem pagar mas não tanto e suas instalações não são tão boas e a seguir há hospitais públicos, não só na África mas em países como a Índia, Paquistão e Sri Lanka, os quais estão numa desgraça total e nada é feito acerca disto a um nível global porque não é uma prioridade. Entendo que isto é ultrajante. Uma vez que o sistema de saúde funciona como disse, pensa que a solução óbvia, a médio e longo prazo, é criar uma infraestrutura social forte nestes países? Mas que o Fundo Monetário Internacional durante as últimas quatro décadas pediu-lhes para não gastarem dinheiro, então o que pensa que eles podem fazer?

A. Pollock: Penso que está a levantar uma questão importante. Qual é o papel do FMI, do Banco Mundial, do Banco Africano de Desenvolvimento? Porque se olharmos para a Libéria, Serra Leoa e Libéria, o quais têm realmente um bocado de recursos naturais, o que está a acontecer quanto às suas economias é que as terras estão a ser cada vez mais privatizadas e a serem ocupados por investidores estrangeiros que estão a chegar e eles são simplesmente despojados dos seus recursos e activos. A Libéria em um PIB de um par de milhares de milhões de dólares e uma população de cinco ou seis milhões de habitantes. Assim, como é que vão reconstruir quando realmente há directores estrangeiros a chegarem e parceiras público-privadas e granes fluxos de dinheiro a saírem e não há qualquer mecanismo de redistribuição porque redistribuição significa que se está a tentar construir uma sociedade mais justa e a tentar colocar os recursos outra vez no país.

Assim, isto começa com a economia, começa com o que está a acontecer à terra, começa com o facto de o óleo de palma, o cacau e a borracha serem importantes culturas para a obtenção de dinheiro e a terra, a sua propriedade, ter sido transferida. Tudo isto foi muito bem documentado por organizações importantes como a Global Witness e também a Oakland Foundation dos EUA, as quais realmente caracterizaram o que esta a acontecer à terra. É de recordar que muitos dos agricultores, na Libéria por exemplo são 70%, vivem em áreas rurais. Eles são agricultores de subsistência de modo que isto é um problema quando se tem uma população a gastar 80% do seu dinheiro em alimentos e se tem todos estes cordões de isolamento em torno. Aí é claro que há um problema real porque a pobreza está realmente a ser acelerada nestes países devido ao vírus Ébola, uma vez que as fronteiras estão a fechar e já não há sequer mais fluxo económico. Assim, penso que precisamos começar com a análise económica porque é a causa dos problemas estruturais e aí chegamos à Organização Mundial de Saúde, a qual é a autoridade internacional sobre saúde. Ela tem poderes para fazer a lei mas sistematicamente, durante mais de 20 anos, tem sido completamente exaurida de financiamentos e tais financiamentos quando são obtidos estão ligados a toda espécie de condições e estas condições são estabelecidas por grandes ONGs globais tais como a Bill & Melinda Gates Foundation, as quais não têm uma base democrática, nem nenhuma responsabilidade e que por sua vez estão a fazer um dano tremendo através dos seus programas verticais de doenças porque eles não estão enraizados na saúde pública e nos sistema de saúde pública. E um bom exemplo de um programa vertical de doença é quando se toma o Ébola e faz com a sua operação cuidar dele e ignora todas as outras causas da doença, tais como tuberculoso ou malária, ou pobreza, desnutrição e ao mesmo tempo centra todos os esforços da indústria no desenvolvimento da vacina.

Mas vacinas não são realmente o que estes países precisam. Precisam de redistribuição adequada e de medidas de saúde pública e nós nada aprendemos da história, o que é chocante. Todas as grandes reformas, todos os grandes colapsos de doenças infecciosas epidémicas não foram realmente debelados com drogas e vacinas, foram-no através de medidas redistributivas, as quais incluíam saneamento, nutrição, boa habitação e na verdade, acima de tudo, uma democratização real. E com isto chega-se à educação e todas as outras medidas de que precisamos. Não estou a dizer que não precisamos de vacinas, mas um dos grandes problemas é que o próprio desenvolvimento de vacinas agora está nas mãos destas fundações ONGs grandes e muito poderosas, como a GAVI – Global Alliance for Vaccine Initiative, a qual em conjunto com grandes companhias como a GSK e Merck, estão determinadas a conseguir patentes e a razão porque elas gostam de vacinas é porque elas são um meio de imunização em massa, isto significa números e números significam dinheiro. E naturalmente estão a ser pagas pelo ocidente e governos ocidentais quando este dinheiro podia muito mais facilmente fluir para os próprios governos [africanos] para reconstruírem suas sistemas de saúde porque estamos a falar acerca da reconstrução da infraestrutura de saúde pública e isso inclui investir em cuidados de saúde primária, sistemas de saúde comunitários, unidades de controle de infecção ao nível de comunidade, investir em hospitais e treino de enfermeiros e médicos. E o outro grande problema em todos estes países é não só a drenagem de cérebros, porque os poucos médicos e enfermeiros que estão ali querem abandoná-los, e é o que está a acontecer na Nigéria, ou querem trabalhar no sector privado ou querem trabalhar para estas ONGs porque o dinheiro é muito melhor e assim todo o sistema de saúde público é completamente esburacado. E isto é um problema real porque a Fundação Gates, Bill & Melinda Gates, não acreditam no sector público, eles não acreditam num sistema democrático, de propriedade pública, publicamente responsável.

T. Ali: Assim, a OMS de facto, devido a políticas governamentais e às prioridades do consenso de Washington, isto é, neoliberalismo, privatização da medicina, incapacidade para controlar a Big Pharma, efectivamente abandonou o que se costumava fazer? No sentido de que não pode fazer o que precisa ser feito, escorar, fortalecer, construir se necessário, sistemas de saúde pública em alguns destes países?

A. Pollock: Bem, há um documento recente e muito importante no British Medical Journal, penso que de David Legg, o qual realmente mostra o que tem estado a acontecer à OMS ao longo das duas década em que os EUA se recusam a dar o financiamento que deveriam ter dado e, assim, o que acontece quando governos ocidentais, os EUA inclusive, ligam-no a condicionalidades, as quais são habitualmente em torno das prioridades de Bill & Melinda Gates e não em torno de prioridades essenciais para a saúde pública e porque a OMS tem as mãos atadas. E ela é realmente a organização mundial da saúde, ela tem poderes para fazer leis e ainda assim nunca exerceu estas funções de que estamos a falar quanto aos défices democráticos que se estão a verificar quando grandes fundos globais como o Fundo Gates ou o Fundo Buffett podem realmente determinar quais são as prioridades do mundo e assim distorcer que prioridades deveria haver para a saúde pública porque isto está amarrado à análise económica, eles precisam industrializar, precisam medicalizar e precisam farmaceuticalizar. Mas há um grande retrocesso em andamento, um grande retrocesso no mundo ocidental, muito mais crítico acerca da ética, da segurança e da adequação das drogas, vacinas e medicamentos e este grupo começa a ser cada vez mais articulado e cada vez mais preocupado. Mas um dos grandes problemas é que, devido a esta enorme quantidade de dinheiro que tem o Bill & Melinda Gates Fund, os técnicos, como eu próprio, os grupos da saúde pública, foram capturados devido ao seu êxito baseado na obtenção de empregos, ou de investigação, ligada aos interesses do Fundo Global. Assim, os pensamento crítico está a ser esvaziado e ao mesmo tempo as funções essenciais da saúde pública porque a saúde pública está ali, como diria Ibsen, como que o inimigo do povo, mas ele realmente está ali para ser crítico, para avaliar e pensar racionalmente e para recordar a toda a gente acerca o que são as determinâncias sociais da saúde e que não é nada de transcendente.

T. Ali: Contraste isto, o que está a acontecer na maior parte do mundo, com um minúsculo país como Cuba, o qual conseguiu construir um sistema de saúde pública, que é precisamente em grande parte o que advoga. É muito orientado para medicina preventivas as quais impedem que uma doença se propague e tem agora os melhores registos de serviços de saúde pública e isto influencia em termos do que os cidadãos de Cuba e cada vez mais os da Venezuela, devido à ajuda que eles têm dado aos cidadãos venezuelanos e de outros países da América do Sul que não dispunham e agora estão em melhor condição do que muitos povos, como por exemplo os da Europa do Leste os quais empenharam-se na grande privatização, sem falar na África e grandes partes da Ásia. Tem estudado o sistema?

A. Polock: Bem, penso que o sistema de Cuba é muito inspirador e qualquer um que tenha estado em Cuba não pode deixar de sentir os benefícios da saúde pública ali. Quero dizer que são um país que realmente experimentou o significado da austeridade com um PIB que equivale ao de muitos destes países pobres. Mas eles não têm estas desigualdades extraordinárias porque a sua visão e suas campanhas têm sido em torno da saúde pública e de cuidados para todos. De modo que têm actuado bem de modo extraordinário e notável. Quero dizer que o problema real decorre do que está a acontecer agora, eles estão à margem de políticas neoliberais e precisam obter drogas para o mercado, e a necessidade de vender drogas; é um momento importante para Cuba pensar acerca disso. Mas realmente eles precisam a todo momento recordar do que é o seu PIB e o que têm alcançado com o seu produto bruto em comparação com alguns destes países mais pobres do mundo como Serra Leoa e Libéria – Libéria especialmente.

T. Ali: O outro aspecto é que os cubanos enviaram muitos dos seus médicos para partes da África, América do Sul, onde havia desastres. Recordo que durante inundações no Paquistão, realmente más, uma equipe inteira de médicos cubanos chegou e foram levados para as partes mais remotas do país onde às mulheres não era permitido verem médicos porque a maior parte deles eram homens. E quando viram que na equipe cubana havia 60% de mulheres, os homens naquelas comunidades disseram: ah, vocês têm mulheres médicas, ok, podem ver as mulheres que quiserem. Assim desenvolveu-se uma relação admirável entre eles e as mulheres ficaram tão satisfeitas, assim como seus filhos, e uma médica cubana contou-me que lhe perguntaram: "de onde vem o seu pessoal?" Ela respondeu: "viemos de Cuba". "Onde é isso?" E ela disse: "É uma pequena ilha no Caribe". E eles disseram: "Quem é o seu líder? Quem ou o que é o governo". Assim, eles eram muito cuidadosos porque estavam numa missão médica, mas disseram: "quer ver uma foto de Fidel Castro que é o nosso líder?" Eles disseram que sim e mostraram-lhe uma foto de Castro e as mulheres disseram: "meu deus, ele tem uma barba como a que têm naquela aldeia a 20 milhas daqui, vá lá e veja aquelas barbas". [risos] Mas estavam incrivelmente impressionados e todos os media do Paquistão falavam do que haviam feito. Disseram que não queriam ajuda do governo, chegaram com tendas, equipamento, com receptáculos para ferver água potável e tudo o resto, trouxeram os medicamentos. E o outro ponto a destacar é que ao contrário dos serviços de saúde construídos na Europa Ocidental após a II Guerra Mundial, incluindo o Serviço Nacional de Saúde, os governos nestes países nunca realmente estabeleceram indústrias farmacêuticas para complementar os serviços de saúde. Nem tão pouco consideraram seriamente nacionalizá-las, porque isso teriam trazido os preços dos medicamentos para baixo e nunca precisariam cobrar pelas receitas. Assim, vamos por um minuto para um assunto que conhece muito bem – o serviço de saúde na Grã-Bretanha nos países da União Europeia. O que está a acontecer com isso? Uma coisa é falar acerca da África, mas o que está a acontecer aos serviços de saúde na Europa?

A. Pollock: O que está a acontecer na Europa é que adoptámos políticas neoliberais provenientes dos EUA na indústria dos cuidados de saúde, políticas que exauriram os fundos da América porque os cuidados de saúde ali chegam a 18% do PIB, em comparação com 9% ou 10% na Europa. Assim, os investidores em cuidados de saúde na Europa precisam descobrir novos mercados e ocupam-se em tentar penetrar e abrir os sistemas da Europa. E naturalmente o maior troféu para eles é o SNS do Reino Unidos porque durante um longo tempo foi o mais socializado de todos os sistemas de cuidados de saúde. Assim, tivemos uma transferência; de modo que a Escócia, Gales e Inglaterra têm todos o seus próprios serviços de cuidados de saúde e na Escócia em Gales, que são muito pequenos, não cobrem mais do que 8 ou 9 milhões de pessoas, mantiveram um serviço nacional de saúde mas não na Inglaterra, algo que muitas pessoas não percebem. A Inglaterra aboliu seu serviço nacional de saúde em 2012 com o Health and Social Care Act. O que permanece do SNS é um fluxo de financiamento, ou um apoio do governo, e o SNS agora foi reduzido a um logotipo e o que o governo agora está a fazer é acelerar uma ruptura do que resta do SNS sob propriedade pública, encerrando hospitais, encerrando serviços e privatizando ou contratando foram. De mesmo modo como o que ouvimos na Libéria e Guiné acerca de terras públicas serem transferidas como confinamentos (enclosures) para proprietários privados do estrangeiro, a mesma coisa está a acontecer com nossos serviços públicos, nossos hospitais públicos, nossas instalações públicas também estão a ser tomadas de certa maneira e dadas a investidores privados em busca de lucro e isto está a acontecer a uma velocidade extraordinária na Inglaterra. Mais rapidamente do que em qualquer outro lugar da Europa. E isto é um importante projecto neoliberal global.

T. Ali: Para privatizar a saúde.

A. Pollock: Bem, para privatizar não só o sistema de cuidados de saúde mas também em última análise o financiamento. Agora nos EUA, pouco menos da metade daqueles 18% do PIB é realmente pago pelo governo mas o governo é com efeito um contribuinte e canaliza o dinheiro para corporações privadas em busca de lucro. O governo na Inglaterra aboliu a lei dos cuidados de saúde e sociais porque queria abrir novos fluxos de financiamento. Assim, quer reduzir o nível de serviços que estão publicamente disponíveis, criar um clima de descontentamento com o SNS, forçar pessoas que estão nas classes médias que, como eu e você, a irem para o privado e pagarem do seu bolso ou com seguros de saúde, de modo que nós desertamos, saímos do que resta mas ao mesmo tempo o governo está a reduzir todos os nossos direitos porque já não há um dever de proporcionar cuidados universais de saúde. Aquele dever que tinha estado em vigor desde 1948 foi abolido em 2012. Assim, aquele dever foi-se e agora o governo pode reduzir todos os direitos, reduzir tudo o que está disponível e cada vez mais vamos ter de pagar do nosso bolso ou através de seguros de saúde. E a indústria privada da saúde está aqui, eles estão aqui na forma dos EUA e estão a aumentar de velocidade com as novas estruturas que o governo pôs em prática para mudarmos para os seguros de saúde privados em busca de lucro, que é o que estamos a assistir.

O novo sistema que o governo está a por em prática é modelado nos EUA e ele virá com enormes perdas e também será uma catástrofe para a saúde pública porque significará que muitos, muitos milhões, cada vez mais ficarão sem cuidados e naturalmente os mercados tornarão estas pessoas invisíveis, elas não são vistas. Ninguém sabe. O médico à sua frente apenas vê o paciente que vem a ele; ele não vê as muitas dezenas de milhares aos quais esta a ser negado acesso a cuidados de saúde, razão pela qual nos EUA os médicos não vão à rua em campanhas. Mas no Reino Unidos os médicos saem à rua em campanha, eles defendem agora o National Health Alliance Party, estão a apresentar candidatos para posicionarem contra os partidos convencionais. E assim se vê que os médicos ainda estão preparados para combater por cuidados de saúde universais mas uma vez que o nosso SNS tenha acabado completamente, tenha sido abolido, quando todos os remanescentes tiverem ido, você terá de utilizar o paralelo do carvalho, árvore que parece brotar e florescer mas cujas raízes foram cortadas e pode levar muitos meses ou anos para acabar completamente. Mas quando se tiver ido os médicos já não estarão ali. Eles serão como os médicos nos EUA interessados em si próprios, interessados nos seus próprios bolsos e não interessados no acesso a cuidados universais de saúde. E isto é o crime do século, o modo como a coligação inglesa, tanto de conservadores como de liberal-democratas, realmente aboliu o SNS – mas com um bocado de ajuda do governo trabalhista antes deles.

T. Ali: Os trabalhistas mais ou menos lançaram a base para isto quando estiveram no poder.

A. Pollock: Absolutamente. Alan Milburn, o secretário da Saúde, fez isto em 2000. Em 1997 o governo trabalhista teve oportunidade para reverter as políticas de privatização e mercantilização, livrar-se da iniciativa financeira privada e eles tiveram um secretário de Estado muito bom que estava bastante determinado a algo assim...

T. Ali: Frank Dobson?

A. Pollock: Frank Dobson. Mas eles livraram-se dele super rapidamente e no seu lugar puseram Alan Milburn e seus plano de dez anos e agora ele juntou-se às próprias companhias de cuidados de saúde que ajudar a construir. E penso que é trágico pois quando a lei para abolir o SNS estava a tramitar no parlamento muitos dos colegas, e muitos dos deputados, tinham conflitos de interesse porque eles realmente tinham interesse nas companhias de cuidados de saúde que eles estavam a estabelecer.

T. Ali: É realmente ultrajante. E o próprio Milburn é um deles.

A. Pollock: Bem, isto é um travesti de democracia, realmente é uma absoluta catástrofe porque neste momento, como sabemos, pessoas de todas as idades, com graves doenças mentais que não podem obter acesso a cuidados de saúde, pessoas com derrames, pessoas com doenças crónicas às quais estão cada vez mais a serem negados cuidados de saúde e eles clamam no deserto, não são ouvidos porque não há mecanismo colectivos para serem ouvidos. E os médicos e enfermeiros estão absolutamente em desespero. Agora temo solução; meus colegas redigiram uma lei de reinstauração do SNS pela qual esperamos que seja qual for o partido que vá ao poder eles realmente andarão na sua companhia para reinstaurar o SNS. De modo que há uma solução, a qual está redigida, escrita e pronta, que restauraria e reinstauraria o SNS.

T. Ali: Será perfeitamente legítimo fazer enormes lucros a partir das necessidades básicas de pessoas comuns?

A. Pollock: Sim, das doenças e males das pessoas. Isto começou com uma indústria farmacêutica e da produção de vacinas, é perfeitamente aceitável fazer lucros com elas, então porque agora não deveríamos fazer lucros com a doenças e os cuidados? Mas naturalmente o SNS na Inglaterra foi estabelecido para ser redistributivo. É financiado através da tributação, a qual deve ser progressiva e o dinheiro deve fluir de acordo com o necessário. Mas o que estamos a começar a ver agora é que o dinheiro fluirá de acordo com as necessidades dos accionistas e não dos pacientes, e isso é uma preocupação muito real. Naturalmente, isto é tudo questão de vontade política. Tudo pode ser revertido mas é basicamente político, para a democracia e o povo fazerem com que suas vozes sejam ouvidas.

T. Ali: É consensual.
10/Outubro/2014 
 
[*] Allyson Pollock: professor de saúde pública na Queen Mary University de Londres.    Tariq Ali: autor de The Obama Syndrome.

O original encontra-se em www.counterpunch.org/2014/10/10/the-origins-of-the-ebola-crisis/


Este artigo encontra-se em http://resistir.info/


aqui:http://resistir.info/varios/ebola_10out14.html 

domingo, 12 de outubro de 2014

Privatizações: a Distopia do Capital (2014)

O novo filme de Silvio Tendler ilumina e esclarece a lógica da política em tempos marcados pelo crescente desmonte do Estado brasileiro. A visão do Estado mínimo; a venda de ativos públicos ao setor privado; o ônus decorrente das políticas de desestatização traduzidos em fatos e imagens que emocionam e se constituem em uma verdadeira aula sobre a história recente do Brasil. Assim é Privatizações: a Distopia do Capital. Realização do Sindicato dos Engenheiros no Estado do Rio de Janeiro (Senge-RJ) e da Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge), com o apoio da CUT Nacional, o filme traz a assinatura da produtora Caliban e a força da filmografia de um dos mais respeitados nomes do cinema brasileiro.

Em 56 minutos de projeção, intelectuais, políticos, técnicos e educadores traçam, desde a era Vargas, o percurso de sentimentos e momentos dramáticos da vida nacional. A perspectiva da produtora e dos realizadores é promover o debate em todas as regiões do país como forma de avançar “na construção da consciência política e denunciar as verdades que se escondem por trás dos discursos hegemônicos”, afirma Silvio Tendler.

Vale registrar, ainda, o fato dos patrocinadores deste trabalho, fruto de ampla pesquisa, serem as entidades de classe dos engenheiros. Movido pelo permanente combate à perda da soberania em espaços estratégicos da economia, o movimento sindical tem a clareza de que “o processo de privatizações da década de 90 é a negação das premissas do projeto de desenvolvimento que sempre defendemos”.

Non Televised Truth

sábado, 11 de outubro de 2014

De Pol Pot ao ISIS: "Qualquer coisa que voe sobre tudo o que se mova"


por John Pilger
 
'. Ao transmitir ordens do presidente Richard Nixon para um bombardeamento "maciço" do Cambodja em 1969, Henry Kissinger disse: "Qualquer coisa que voe sobre tudo o que se mova". Quando Barack Obama desencadeia sua sétima guerra contra o mundo muçulmano desde que recebeu o Prémio Nobel da Paz, a histeria orquestrada nos torna quase nostálgicos da honestidade assassina de Kissinger.

Como testemunha das consequências humanas da selvajaria aérea – incluindo a decapitação de vítimas, com suas partes a adornarem árvores e campos – não estou surpreendido pelo desprezo para com a memória e a história, mais uma vez. Um exemplo marcante é a ascensão ao poder de Pol Pot e seu Khmer Rouge, que tinha muito em comum com o actual Estado Islâmico no Iraque e na Síria (ISIS, na sigla em inglês). Eles, também, eram feudais implacáveis que começaram como uma pequena seita. Eles eram também o produto de um apocalipse de fabrico americano, desta vez na Ásia.

Segundo Pol Pot, seu movimento consistira em "pouco menos do que uma guerrilha de 5000 homens fracamente armado e incertos acerca da sua estratégia, táctica, lealdade e líderes". Uma vez que os bombardeiros B52 de Nixon e Kissinger começaram a trabalhar como parte da "Operação Menu", o demónio supremo do ocidente mal podia acreditar na sua sorte.

Os americanos despejaram o equivalente a cinco Hiroshimas no Cambodja rural durante o período 1969-73. Eles arrasaram aldeia após aldeia, retornando para bombardear o entulho e os cadáveres. As crateras deixaram monstruosos colares de carnificina, ainda visíveis a partir do ar. O terror foi inimaginável. Um antigo oficial Khmer Rouge descreveu como os sobreviventes "incapazes de pensar e dizer qualquer coisa perambulavam mudos por três ou quatro dias. Aterrorizados e meio louco, o povo estava pronto a acreditar no que lhes era contado... Foi isso que tornou tão fácil para o Khmer Rouge ganhar poder sobre o povo".

Uma Comissão de Inquérito do Governo Finlandês estimou que 600 mil cambodjianos morreram na resultante guerra civil e descreveu o bombardeamento como a "primeira etapa numa década de genocídio". O que Nixon e Kissinger começaram, Pol Pot, seu beneficiário, completou. Sob as suas bombas, o Khmer Rouge cresceu chegando a um formidável exército de 200 mil homens.

O ISIS tem passado e presente semelhante. De acordo com a maior parte das mensurações académicas, a invasão do Iraque por Bush e Blair levou à morte de umas 700 mil pessoas – num país que não tinha história de jihadismo. Os curdos fizeram acordos territoriais e políticos, os sunitas e xiítas tinham diferenças de classe e sectárias, mas estavam em paz, casamentos mistos eram comuns. Três anos antes da invasão, conduzi extensamente e sem medo através do Iraque. Pelo caminho encontrei pessoas orgulhosas, acima de tudo, de serem iraquianos, os herdeiros de uma civilização que para eles parecia presente.

Bush e Blair explodiram tudo isto. O Iraque é agora um ninho de jihadismo. A al-Qaeda – tal como os "jihadistas" de Pol Pot – agarrou a oportunidade proporcionada pela carnificina do Pavor e Choque e da guerra civil que se seguiu. A Síria "rebelde" apresentava ainda maiores recompensas, com a CIA e estados do Golfo a abastecerem de armas, logística e dinheiro que passavam rapidamente através da Turquia. A chegada de recrutas estrangeiros era inevitável. Um antigo embaixador britânico, Oliver Miles, escreveu recentemente: "O governo [Cameron] parecia estar a seguir o exemplo de Tony Blair, o qual ignorou o conselho constante do Foreign Office, do MI5 e do MI6 de que a nossa politica no Médio Oriente – e em particular nossas guerras no Médio Oriente – haviam sido o principal impulsionador no recrutamento de muçulmanos na Grã-Bretanha para o terrorismo aqui".

O ISIS é o rebento daqueles em Washington e Londres que, ao destruir o Iraque tanto como estado como como sociedade, conspiraram para cometer um crime monstruoso contra a humanidade. Tal como Pol Pot e o Khmer Rouge, o ISIS são as mutações de um terrorismo de estado ocidental administrado por uma elite imperial venal que não recua diante das consequências de acções tomadas com grande distanciamento em termos de cultura. Sua culpabilidade não pode ser mencionada nas "nossas" sociedades.

Passaram-se 23 anos desde que este holocausto envolveu o Iraque, imediatamente após a primeira Guerra do Golfo, quando os EUA e a Grã-Bretanha sequestram o Conselho de Segurança das Nações Unidas e impuseram "sanções" punitivas sobre a população iraquiana – reforçando, ironicamente, a autoridade interna de Saddam Hussein. Foi como um sítio medieval. Quase tudo o que sustentava um estado moderno estava, no jargão, "bloqueado" – desde o cloro para tornar a água potável até lápis para escolas, peças para máquinas de raios X, analgésicos comuns e drogas para combater tipos de cancro anteriormente desconhecidos transportados na poeira dos campos de batalha do Sul contaminados com Urânio Empobrecido.

Pouco antes do Natal de 1999, o Departamento do Comércio e Indústria em Londres restringiu a exportação de vacinas destinadas a proteger crianças iraquianas contra difteria e febre-amarela. Kim Howells, um médico doutorado e parlamentar, subsecretário de Estado no governo Blair, explicou porque: "As vacinas das crianças", disse ele, "poderiam ser utilizadas em armas de destruição em massa". O governo britânico podia escapar impune a um tal ultraje porque os media que informavam do Iraque – grande parte deles manipulados pelo Foreign Office – culpavam Saddam Hussein por tudo.

Sob o falso programa "humanitário" Petróleo por Alimentos, US$100 foram concedidos a cada iraquiano para viver durante um ano. Este quantitativo tinha de pagar todas a infraestrutura da sociedade e serviços essenciais, tais como energia e água. "Imagine", contou-me o Assistente do Secretário-Geral da ONU Hans Von Sponeck, "estabelecer essa ninharia contra a falta de água limpa e o facto de que a maioria das pessoas doentes não tem meios para tratamento e o trauma absoluto de receber dia a dia, e você tem um vislumbre do pesadelo. E não se engane, isto é deliberado. No passado eu não quis utilizar a palavra genocídio, mas agora é inevitável".

Desgostoso, Von Sponeck demitiu-se do cargo de Coordenador Humanitário da ONU no Iraque. Seu antecessor, Denis Halliday, um igualmente distinto alto responsável da ONU, também se havia demitido. "Fui instruído", disse Halliday, "a implementar uma política que satisfizesse a definição de genocídio: uma política deliberada que matou efectivamente bem mais de um milhão de indivíduos, crianças e adultos".

Um estudo do Fundo das Nações Unidas para as Crianças, Unicef, descobriu que entre 1991 e 1998, na altura do bloqueio, houve um "excesso" de 500 mil mortes de crianças iraquianas com idade inferior a cinco anos. Um repórter da TV americana colocou isto a Madeleine Albright, embaixadora junto às Nações Unidas, perguntando-lhe: "Valeu a penas pagar este preço?" Albrigth respondeu: "Nós pensamos que valeu a pena".

Em 2007, o alto responsável britânico pelas sanções, Carne Ross, conhecido como "Mr. Iraque", disse a um comité parlamentar: "[Os governos dos EUA e Reino Unidos] efectivamente negaram a toda a população meios para viver". Quando entrevistei Carne Ross três anos depois, ele estava consumido pelo arrependimento e contrição. "Sinto-me envergonhado", disse ele. Hoje é um dos raros que diz a verdade sobre como governos enganam e como os media complacentes desempenham um papel crítico na disseminação e manutenção do engano. "Nós alimentávamos [os jornalistas] com factóides de inteligência expurgada", disse ele, "ou os congelávamos do lado de fora".

Em 25 de Setembro, numa manchete do Guardian, lia-se: "Confrontados com o horror do Isis nós devemos actuar". O "nós devemos actuar" é um fantasma em ascensão, uma advertência da supressão da memória informada, de factos, de lições aprendidas e de lamentos ou vergonha. O autor do artigo era Peter Hain, o antigo ministro do Foreign Office responsável pelo Iraque sob o governo Blair. Em 1998, quando Denis Halliday revelou a extensão do sofrimento no Iraque pelo qual o governo Blair partilhava a responsabilidade primária, Hain insultou a Newnight da BBC como uma "apologista de Saddam". Em 2003, Hain apoiou a invasão de Blair do Iraque ferido com base em mentiras transparentes. Numa conferência subsequente do Partido Trabalhista ele descartou a invasão como uma "questão marginal".

Agora Hain está a exigir "ataques aéreos, drones, equipamento militar e outros apoios" para aqueles "que enfrentam o genocídio" no Iraque e na Síria. Isto promoverá "o imperativo de uma solução política". Obama tem o mesmo em mente quando levanta o que chama de "restrições" a bombardeamentos e ataques americanos com drones. Isto significa que mísseis e bombas de 500 libras [226,5 kg] podem esmagar os lares de camponeses, como estão a fazer sem restrição no Iémen, Paquistão, Afeganistão e Somália – tal como fizeram no Cambodja, Vietname e Laos. Em 23 de Setembro, um míssil de cruzeiro Tomahawk atingiu uma aldeia na Província Idlib, na Síria, matando até uma dúzia de civis, incluindo mulheres e crianças. Nenhuma agitava uma bandeira negra.

No dia em que o artigo de Hain apareceu, Danis Halliday e Hans Von Sponeck por acaso estavam em Londres e vieram visitar-me. Eles não estavam chocados pela hipocrisia letal de um político, mas lamentaram a duradoura, quase inexplicável, ausência de diplomacia inteligente a negociar um simulacro de trégua. Por todo o mundo, da Irlanda do Norte ao Nepal, aqueles que encaravam um ao outro como terroristas e heréticos haviam-se defrontado um ao outro numa mesa. Por que não agora no Iraque e na Síria.

Tal como o Ébola da África Ocidental, uma bactéria chamada "guerra perpétua" atravessou o Atlântico. Lord Richards, até recentemente à testa dos militares britânicos, quis "botas sobre o terreno" agora. Há um tedioso, quase sociopático, palavreado de Cameron, Obama e sua "coligação da vontade" – nomeadamente o estranho Tony Abbott da Austrália – quando prescrevem mais violência despejada de 30 mil pés [9,1 km] sobre lugares onde o sangue de aventuras anteriores nunca secou. Eles nunca viram bombardeamentos e aparentemente amam-no tanto que querem derrubar seu único potencialmente aliado válido, a Síria. Isto não tem nada de novo, como ilustra o seguinte dossier que escapou da inteligência do Reino Unido-EUA:
"A fim de facilitar a acção das forças liberativas [sic]... deveria ser feito um esforço especial para eliminar certos indivíduos chave [e] prosseguir com perturbações internas na Síria. A CIA está preparada e o SIS (MI6) tentará montar sabotagens menores e incidentes de coup de main [sic] dentro da Síria, trabalhando através de contactos com indivíduos... um necessário grau de medo... fronteira e choques de fronteira [encenados] proporcionarão um pretexto para intervenção... a CIA e o SIS deveriam utilizar... capacidades tanto nos campos psicológico como de acção para aumentara a tensão".
Isto foi escrito em 1957, embora pudesse ter sido escrito ontem. No mundo imperial, nada muda no essencial. No ano passado, o antigo ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Roland Dumas, revelou que "dois anos antes da Primavera Árabe", lhe disseram em Londres que estava planeada uma guerra à Síria. "Vou contar-lhe algo", disse ele numa entrevista com o canal LPC da TV francesa, "Eu estava na Inglaterra dois anos antes da violência na Síria devido a outros negócios. Encontrei responsáveis britânicos de topo, os quais confessaram-me que estavam a preparar algo na Síria... A Grã-Bretanha estava a organizar uma invasão de rebeldes dentro da Síria. Eles perguntaram-me mesmo, embora eu já não fosse ministro dos Negócios Estrangeiros, se gostaria de participar... Esta operação vem de trás. Ela foi preparada, pré concebida e planeada".

Os únicos oponentes efectivos do ISIS são demónios certificados do ocidente – Síria, Irão, Hezbollah. O obstáculo é a Turquia, um "aliado" e membro da NATO, a qual conspirou com a CIA, o MI6 e os Estados medievais do Golfo para canalizar apoio aos "rebeldes" sírios, incluindo aqueles que agora se chamam a si próprios de ISIS. Apoiar a Turquia na sua antiga ambição pela dominância regional através do derrube do governo Assad provocou uma grande guerra convencional e o horrífico desmembramento do Estado mais etnicamente diversificado do Médio Oriente.

Uma trégua – ainda que difícil de alcançar – é o único meio de sair deste labirinto imperial; do contrário, as decapitações continuarão. Que negociações genuínas com a Síria fossem vistas como "moralmente questionáveis" (The Guardian) sugere que as suposições de superioridade moral entre aqueles que apoiaram a guerra criminosa continuam a ser não só absurdas como também perigosas.

Juntamente com uma trégua, deveria haver uma cessão imediata de todos os despachos de materiais de guerra para Israel e o reconhecimento do Estado da Palestina. A questão da Palestina é a mais supurada ferida aberta da região e a frequentemente declarada justificação para o crescimento do extremismo islâmico. Osama bin Laden tornou isto claro. A Palestina também dá esperança. Ao dar justiça aos palestinos começa-se a mudar o mundo em torno deles.

Mais de 40 anos atrás, o bombardeamento de Nixon-Kissinger do Cambodja desencadeou uma torrente de sofrimentos dos quais aquele país nunca se recuperou. O mesmo é verdadeiro em relação ao crime de Blair-Bush no Iraque. Com cronologia impecável, o mais recente livro em causa própria de Henry Kissinger acaba de ser divulgado com o título satírico, "Ordem mundial" ("World Order"). Numa resenha adulatória, Kissinger é descrito como um "perfilador chave de uma ordem mundial que permaneceu estável durante um quarto de século". Diga isso ao povo do Cambodja, Vietname, Laos, Chile, Timor-Leste e todas as outras vítimas da sua "arte de governar". Só quando "nós" reconhecermos os criminosos de guerra em nosso meio é que o sangue começará a secar.
 
10/Outubro/2014
O original encontra-se em johnpilger.com/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/


aqui:http://resistir.info/pilger/pilger_08out14.html 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A magnitude impressionante da crise

por Juan Torres López [*]


Segundo dados do Federal Reserve Bank of St. Louis, dos Estados Unidos, que podem ser verificados aqui , em um só ano (2008) foi criado mais dinheiro (817.904 milhões de dólares) do que o que se criou nos sessenta e três anos anteriores (desde 1945 a 2008 foram criados 821.686 milhões de dólares) e nos seis anos de crise que vão de Janeiro de 2008 a Setembro de 2014 foi criado quatro vezes mais dinheiro (exactamente 3,91 vezes) do que de 1945 a 2008.

Considerando que não se pode dizer que nem os Estados Unidos nem os seus bancos já saíram da crise, desses dados pode-se deduzir claramente a magnitude que teve o "rombo" que as entidades financeiras fizeram na economia.

A quantidade refere-se à Base Monetária, também chamada "dinheiro de alta potência" que é constituída pelo efectivo em circulação mais as reservas ou depósitos dos bancos no Banco Central). E deixo um gráfico que mostra mais claramente a vertiginosa criação de dinheiro que foi necessária para tentar escorar a banca norte-americana e, por extensão, a de todo o mundo.


08/Outubro/2014

 [NR] Os agregados monetários, ou indicadores da oferta monetária, são habitualmente classificados em três grupos: O M1 é basicamente o dinheiro e quase dinheiro em circulação mais o dinheiro depositado em contas à ordem. O M2 é o M1 mais o que está depositado em contas a prazo e em pequenos instrumentos de poupança. O M3 é o M2 mais grandes instrumentos de poupança (inclui os eurodólares no caso do EUA). Em 23 de Março de 2006 o banco central dos EUA (Federal Reserve) cessou de divulgar as suas estatísticas do M3 , ou seja, passou deliberadamente a ocultar este indicador.


Ver também:

Já é matematicamente impossível liquidar a dívida nacional dos EUA
Hyperinflation 2014 — The End Game Begins

[*] Professor catedrático da Universidade de Sevilha.

O original encontra-se em juantorreslopez.com/impertinencias/la-magnitud-impresionante-de-la-crisis/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .


aqui:http://resistir.info/crise/magnitude_crise_08out14.html

Publicação em destaque

Marionetas russas

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