quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Genocidio Social-Memoria del saqueo

Fernando "Pino" Solanas é um dos grandes nomes do cinedocumentário argentino, com forte militância frente as causas políticas e sociais. Sua cinebiografia é extensa e marcada por filmes corajosos, ousados e bem montados. Memória do saqueio, também conhecido como Genocídio social, doc de 2004, relembra e contextualiza os anos que antecederam a maior crise socioeconômica que nossos hermanos atravessaram. Lembra daqueles panelaços pelas ruas de Buenos Aires?


Afundada em dívidas e repleta de credores internacionais, a Argentina de terras outrora ricas, se via arrasada por políticas ditas democráticas, mas que cada vez mais se afastavam de vínculos sociais. A contração de uma dívida externa de cifras astronômicas e o controle do capital por meio de acordos escusos entre o governo e as corporações permitiu o alastramento da corrupção. Resultado: desemprego, fuga de capitais e enfraquecimento do estado. Para Pino, Carlos Menem foi o grande vilão da história, aquele que afundou de vez o seu país num mar de lama.

Alçado ao poder pelo partido neoperonista, Menem prometeu um programa de governo voltado para as causas sociais. Porém, pouco tempo depois, leiloava a preço de banana estatais argentinas lucrativas, como a YPF. Inclusive, meses após a privatização, abriram um posto de gasolina com bandeira da YPF aqui perto de casa. Um ano depois da inauguração, o que restava era apenas o esqueleto do que foi um posto, com mato alto e instalações depredadas e abandonadas.

Memória do saqueio é muito bem produzido. Enquanto a câmera passeia livremente pelos suntuosos palácios do executivo, do legislativo e do judiciário argentino, Pino vai narrando os fatos. Há um excelente e rico material de arquivo, com imagens de manifestações, confrontos e até mesmo as gafes dos estadistas envolvidos nos escândalos. Pino mostra que o estrago, desde o período ditatorial, foi grande. A cicatriz ainda está aberta.

Prova disso é a notícia que ganhou as manchetes dos principais noticiários internacionais na semana passada. O então presidente do BC argentino se afastou do cargo em meio à polêmica decisão de não usar os recursos do governo para pagar a enorme dívida interna do país - fruto, obviamente, das constantes políticas de achatamento.

Um belíssimo documento para entender como o neoliberalismo promove, a seu modo, um genocídio social.
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