domingo, 30 de junho de 2019

"Perseguição colectiva" a Assange deve cessar, afirma perito da ONU

– Um comunicado de imprensa que os media portugueses silenciaram


por Gabinete do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos

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GENEBRA (31/Maio/2019) – Um perito da ONU que visitou Julian Assange numa prisão em Londres afirma temer que os seus direitos humanos possam ser seriamente violados se ele for extraditado para os Estados Unidos e condena o deliberado e concertado abuso infligido durante anos ao co-fundador da Wikileaks.

"Minha mais urgente preocupação é que, nos Estados Unidos, o Sr. Assange seria exposto a um risco real de sérias violações dos seus direitos humanos, incluindo sua liberdade de expressão, seu direito a um julgamento justo e a proibição de tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes, bem como punições", afirmou Nils Melzer, o Relator Especial da ONU sobre tortura.

"Estou particularmente alarmado com o recente anúncio pelo Departamento de Justiça dos EUA de 17 novas acusações contra o Sr. Assange sob a Lei da Espionagem, a qual actualmente prevê até 175 anos de prisão. Isto pode resultar numa sentença de prisão perpétua sem liberdade condicional, ou possivelmente mesmo a pena de morte, se novas acusações forem acrescentadas no futuro", disse Melzer, o qual reiterou também preocupações quanto à saúde de Assange.

Embora Assange não seja mantido em confinamento solitário, o Relator Especial disse que está gravemente preocupado com a frequência e duração limitada das visitas de advogados e de que a sua falta de acesso aos ficheiros e documentos do processo tornem impossível para ele preparar adequadamente a sua defesa em qualquer dos complexos processos judiciais que se acumulam contra ele.

"Desde 2010, quando a Wikileaks começou a publicar provas de crimes de guerra e de tortura cometidos pelas forças dos EUA, temos assistido a um esforço sustentado e concertado de vários Estados para conseguir que o Sr. Assange seja extraditado para os Estados Unidos para processo, o que levanta preocupações sérias sobre a criminalização do jornalismo investigativo em violação tanto da Constituição dos EUA como da lei internacional dos direitos humanos", disse Melzer.

"Desde então, tem havido uma implacável e desenfreada campanha de assédio público, intimidação e difamação contra Assange, não só nos Estados Unidos como também no Reino Unido, Suécia e, mais recentemente, no Equador". Segundo o perito, isto incluiu um fluxo infindável de declarações humilhantes, degradantes e ameaçadoras na imprensa e nos medias sociais, assim como de figuras políticas importantes e até mesmo magistrados judiciais envolvidos em processos contra Assange.

"No decorrer dos últimos nove anos o Sr. Assange tem sido exposto a abuso persistente e cada vez mais severo que vai da perseguição judicial sistemática e arbitrária até o confinamento na embaixada equatoriana, ao seu isolamento opressivo, importunação e vigilância dentro da embaixada e de deliberado ridículo colectivo, insultos e humilhação, para dar azo a instigação de violência e mesmo apelos repetidos ao seu assassínio".

'. Durante a sua visita à prisão em 9 de Maio Melzer foi acompanhado por dois peritos médicos especializados no exame de vítimas potenciais de tortura e outros maus tratos.

A equipe pôde falar com Assange confidencialmente e efectuar uma avaliação médica completa.

"Era óbvio que a saúde do Sr. Assange fora seriamente afectada pelo ambiente extremamente hostil e arbitrário a que tem estado exposto durante muitos anos", disse o perito. "O mais importante, em acréscimo a sofrimentos físicos, o Sr. Assange mostrou todos os sintomas típicos de prolongada exposição à tortura psicológica, incluindo extrema tensão, ansiedade crónica e trauma psicológico intenso".

"A evidência é esmagadora e clara", afirmou o perito. "O Sr. Assange tem sido deliberadamente exposto, por um período de vários anos, a formas progressivamente severas de tratamento ou punição cruel, desumana ou degradante, cujos efeitos cumulativos só podem ser descritos como tortura psicológica.

"Condeno, nos mais fortes teremos, o abuso deliberado, concertado e de natureza constante infligidos ao Sr. Assange e deploro seriamente o fracasso constante de todos os governos envolvidos para tomar medidas a fim de proteger seus direitos humanos mais fundamentais e sua dignidade", declarou o perito. "Ao exibir uma atitude de complacência, na melhor das hipóteses, e de cumplicidade, na pior, estes governos criaram uma atmosfera de impunidade que encoraja o aviltamento e abuso sem limites do Sr. Assange".

Em cartas oficiais enviadas antes desta semana, Melzer instou os quatro governos envolvidos a coibirem-se de disseminar, instigar ou tolerar declarações ou outras actividades prejudiciais aos direitos humanos e dignidade do Sr. Assange e a tomarem medidas para proporcionar-lhe o adequado alívio e reabilitação pelo dano passado. Ele mais uma vez apelou ao Governo Britânico para não extraditar Assange para os Estados Unidos ou para qualquer outro Estado que falhe em proporcionar garantias confiáveis contra a sua adiantada transferência para os Estados Unidos. Ele também recordou ao Reino Unidos a sua obrigação de assegurar o acesso desimpedido de Assange a conselhos legais, documentação e preparação adequada proporcional à complexidade dos processos pendentes.

"Em 20 anos de trabalho com vítimas de guerra, violência e perseguição política nunca vi um grupo de Estados democráticos confabulados para deliberadamente isolar, demonizar e abusar de um indivíduo isolado por tão longo tempo e com tão pouco respeito pela dignidade humana e a regra da lei", afirmou Melzer. "A perseguição colectiva de Julian Assange deve acabar aqui e agora!"
O Sr. Nils Melzer, Special Rapporteur on torture and other cruel, inhuman or degrading treatment or punishment (Relator especial sobre tortura e outros tratamentos ou punições crueis, desumanos e degradantes); faz parte do que é conhecido como os Special Procedures do Conselho de Direitos Humanos. Special Procedures, o maior corpo de peritos independentes no sistema de Direitos Humanos das Nações Unidas, é o nome geral dos mecanismos de apuramento independente de factos e monitoração do Conselho que trata ou de situações específicas de país ou de questões temáticas em toda a parte do mundo. Os peritos do Special Procedures trabalham numa base voluntária; eles não são funcionários da ONU e não recebem um salário pelo seu trabalho. Eles são independentes de qualquer governo ou organização e actuam na sua capacidade individual.

  • Para mais informação e solicitações do media, favor contactar o Sr. Christophe Peschoux,
    +41 22 917 9381 / cpeschoux@ohchr.org ).
  • Para investigações do media relativas a outros peritos independentes da ONU contactar por favor Jeremy Laurence, UN Human Rights – Media Unit (+41 22 917 9383 /  jlaurence@ohchr.org ).



  • Démasquer la torture de Julian Assange , de Nils Melzer

    Este comunicado de imprensa do Gabinete do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos encontra-se em
    https://www.ohchr.org/EN/NewsEvents/Pages/DisplayNews.aspx?NewsID=24665&LangID=E


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • segunda-feira, 10 de junho de 2019

    No Ocidente, é só mentiras

    Por Thierry Meyssan

    Thierry Meyssan reage à comemoração do desembarque na Normandia, ao do massacre de Tiananmen e à campanha para a eleição do Parlamento Europeu. Ele salienta que os Ocidentais não cessam conscientemente de mentir e de se auto-congratular a propósito. Ora, só a Verdade liberta.


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    A propaganda, é um meio de propagar ideias, verdadeiras ou falsas. No entanto, mentir a si próprio é apenas não assumir os seus erros, tentar convencer-se a si mesmo de que se é perfeito, fugir para a frente.

    O paroxismo desta atitude é ilustrado pela Turquia. Ela persiste na negação de ter tentado fazer desaparecer as suas minorias não-muçulmanas, em várias vagas, durante uma geração, de 1894 a 1923. Os Israelitas (israelenses-br) também não são, de modo nenhum, maus. Eles, que pretendem ter criado o seu Estado para oferecer uma vida digna aos Judeus sobreviventes do extermínio pelos nazistas, quando, na realidade, Woodrow Wilson se havia já comprometido a fundar tal Estado em 1917 e quando, hoje em dia em Israel, mais de 50.000 sobreviventes dos campos da morte vivem miseravelmente abaixo do limiar da pobreza. Mas, os Ocidentais são os únicos a estabelecer consensos acerca das suas mentiras, a professá-las como verdades reveladas.

     

    O desembarque na Normandia


    Por estes dias, celebramos o 75º aniversário do desembarque na Normandia. Segundo os média (mídia-br), quase unânimes, os Aliados lançaram então a libertação da Europa do jugo nazista.

    Ora, todos nós sabemos que é falso.

    - O desembarque não foi obra dos Aliados, mas quase exclusivamente do Império Britânico e da Força Expedicionária norte-americana.

    - Não visava «libertar a Europa», mas correr para Berlim», a fim de arrebanhar os despojos do III Reich que poderiam ser apanhados pelos vitoriosos exércitos soviéticos.

    - Ele não foi acolhido com alegria pelos Franceses, mas, pelo contrário, com horror: Robert Jospin (o pai do antigo Primeiro-ministro Lionel Jospin) denunciou no cabeçalho do seu jornal a importação pelos Anglo-Saxões da guerra para França. Nessa altura, os Franceses enterravam os seus 20. 000 mortos, vitimados sob os bombardeamentos anglo-saxónicos, feitos unicamente como manobra de diversão do ataque. Ao mesmo tempo, uma enorme manifestação acontecia em Lyon em torno do «chefe de Estado», o ex-Marechal Philippe Pétain, para recusar o domínio anglo-saxónico. E, jamais, nunca absolutamente, o chefe da França livre, o General Charles De Gaulle, aceitou participar na mínima comemoração deste sinistro desembarque.

    A História é mais complicada que os filmes de westerns. Não há os «bons» e os «maus», mas, sim homens que tentam salvar os seus próximos com mais ou menos humanidade. No máximo, evitamos as burrices de Tony Blair, o qual, aquando das comemorações do 60º aniversário, fez chiar a imprensa britânica ao pretender, no seu discurso, que o Reino Unido havia entrado na guerra para salvar os judeus da «Shoá» —mas não os ciganos do mesmo massacre, claro—. Quando a destruição dos judeus da Europa só começou, pois, após a conferência de Wansee, em 1942.

     

    O massacre de Tiananmen


    Estamos a celebrar o triste aniversário do massacre de Tiananmen. Continuamos a ler que o cruel regime imperial chinês massacrou milhares dos seus cidadãos, pacificamente reunidos na praça principal de Pequim, unicamente porque reclamavam um pouco de liberdade.

    Ora, todos nós sabemos que isso é falso.

    - O "sit-in" (protesto sentado- ndT) na Praça da Paz Celestial (Tienanmen) não foi uma coisa de Chineses comuns, mas de uma tentativa de golpe de Estado pelos partidários do antigo Primeiro-ministro Zhao Ziyang.

    - Dezenas de soldados foram linchados, ou queimados vivos na praça, pelos «pacíficos manifestantes» e centenas de veículos militares foram destruídos, antes de qualquer intervenção dos homens de Den Xiaoping contra eles.

    - Os especialistas dos EUA em «revoluções coloridas», entre os quais Gene Sharp, estavam presentes na praça para organizar os homens de Zhao Ziyang.

     

    A União Europeia


    Acabámos de votar para designar os deputados ao Parlamento Europeu. Durante semanas, fomos inundados de slogans que nos asseguravam que «A Europa, é a paz e a prosperidade», e que a União Europeia é o culminar do sonho europeu.

    Ora, todos nós sabemos que isso é falso.

    - A Europa, é um continente —«de Brest a Vladivostok», segundo a fórmula de Charles De Gaulle— e é uma cultura de abertura e de cooperação, não a União Europeia, que não passa de uma administração anti-russa, na continuidade da corrida para Berlim iniciada com o desembarque na Normandia.

    - A União Europeia, não é a paz em Chipre, mas a covardia face à ocupação militar turca. Não é a prosperidade, mas, sim, a estagnação económica quando o resto do mundo se desenvolve a toda velocidade.

    - A União Europeia não tem nenhuma relação com o sonho europeu do período de entre as duas guerras. Os nossos ancestrais ambicionavam unir os regimes políticos que servem o interesse geral —as Repúblicas, no sentido etimológico—, conforme à cultura europeia, situados quer no continente ou fora do continente. Aristide Briand defendia que a Argentina (um país de cultura europeia na América Latina) fizesse parte dela, mas não o Reino Unido (uma sociedade de classes).

    Et cetera, etc ...

     

    Os Europeus caminham como cegos


    Os Europeus devem distinguir o verdadeiro do falso. Podemos alegrar-nos com a queda do Hitlerismo, sem, no entanto, nos convencermos de que os Anglo-Saxões nos salvaram. Podemos denunciar a brutalidade de Den Xiaoping sem negar que, desse modo sangrento, ele salvou o seu país do regresso ao colonialismo. Podemos felicitar-nos por não ter sido dominados pela União Soviética sem, portanto, nos orgulharmos de ser os lacaios dos Anglo-Saxões.

    No Ocidente, continuamos a mentir a nós próprios para mascarar os nossos actos de covardia e os nossos crimes. Depois, ficamos espantados por não conseguir resolver nenhum problema humano.
     
    Tradução
    Alva
     
    aqui:https://www.voltairenet.org/article206701.html

    As mãos desmedidas do grupo Bilderberg

    por  Manlio Dinucci

    Durante muitos anos, muitas falsidades foram escritas sobre o Grupo Bilderberg. No entanto, a partir de documentos, é possível ter uma visão fidedigna. Muitos pesquisadores asseguraram-no através de um trabalho longo e difícil. Não é um governo global, mas uma rede de influência, composta pela CIA e pelo MI6 para apoiar a NATO.


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    As chegadas de Henry Kissinger e Mike Pompeo ao Montreux Palace para a concretização da 67ª Reunião Anual do Grupo de Bilderberg

    Três italianos foram convidados este ano para a reunião do grupo Bilderberg, realizada em Montreux, na Suíça, de 30 de Maio a 2 de Junho. Ao lado de Lilli Gruber, a apresentadora televisiva do La7, agora convidada permanente do Bilderberg, foi convidado outro jornalista: Stefano Feltri, Vice-Director do ‘Fatto Quotidiano’, dirigido por Marco Travaglio. O "terceiro homem" escolhido pelo Bilderberg é Matteo Renzi, senador do Partido Democrata, antigo Presidente do Conselho.

    O grupo Bilderberg, constituído formalmente em 1954, por iniciativa de “cidadãos eminentes” europeus e americanos, foi na verdade criado pela CIA e pelo serviço secreto britânico MI6 para apoiar a NATO contra a URSS [1]. Após a Guerra Fria, manteve a mesma função de apoio à estratégia USA/NATO.

    Às suas reuniões são convidados a participar todos os anos, quase exclusivamente da Europa Ocidental e dos Estados Unidos, cerca de 130 representantes do mundo político, económico e militar, dos meios de comunicação mediática de destaque e dos serviços secretos, que participam formalmente a título pessoal. Reúnem-se à porta fechada, cada ano num país diferente, em hotéis de luxo blindados por sólidos sistemas de segurança militar. Não é admitido nenhum jornalista ou observador, nem é publicado qualquer comunicado. Os participantes estão sujeitos à regra do silêncio: não podem sequer revelar a identidade dos oradores que lhes forneceram certas informações (perante a proclamada “transparência”).Só sabemos que este ano falaram principalmente da Rússia e da China, de sistemas espaciais, de uma ordem estratégica estável, do futuro do capitalismo. As presenças mais destacadas eram, como de costume, as dos Estados Unidos:


    - Henry Kissinger, "figura histórica" do grupo ao lado do banqueiro David Rockfeller (fundador de Bilderberg e da Trilateral, falecido em 2017);
    - Mike Pompeo, antigo Director da CIA e actual Secretário de Estado [2];
    - Jared Kushner, Conselheiro (e genro) do Presidente Trump para o Médio Oriente e amigo íntimo do Primeiro Ministro israelita Netanyahu.
    - A estes segue-se Jens Stoltenberg, Secretário Geral da NATO, que recebeu um segundo mandato pelos serviços aos EUA.

    Durante quatro dias, em reuniões secretas multilaterais e bilaterais, esses e outros representantes das grandes potências (abertas e ocultas) do Ocidente, fortaleceram e expandiram a rede de contactos que lhes permite influenciar as políticas governamentais e a opinião pública.

    Os resultados são visíveis. No “Fatto Quotidiano”, Stefano Feltri defende o grupo Bilderberg explicando que as suas reuniões são realizadas à porta fechada “para criar um contexto de debate franco e aberto, precisamente porque não é institucional”, e expõe “os múltiplos teóricos da conspiração” que espalham “lendas” sobre o grupo Bilderberg e também sobre a Comissão Trilateral [3].

    Não diz que, entre “os múltiplos teóricos da conspiração", está o Magistrado Ferdinando Imposimato, Presidente Honorário do Supremo Tribunal de Cassação (falecido em 2018), que resumiu, assim, o resultado das investigações realizadas: “O grupo Bilderberg é um dos responsáveis da estratégia de tensão e, portanto, também dos massacres” a partir do sucedido na Piazza Fontana, em concerto com a CIA e com os serviços secretos italianos, com a Gladio e com os grupos neofascistas, com a P2 e com as lojas maçónicas USA, nas bases da NATO [4].”

    Neste prestigiado clube também foi admitido Matteo Renzi. Excluindo que o convidaram pelos seus dotes de analista, resta a hipótese de que os poderosos de Bilderberg estão a preparar, de maneira oculta, algumas operações políticas em Itália. Pedimos desculpa a Feltri de nos juntarmos também aos “múltiplos teóricos da conspiração”.
    [1] “Aquilo que você não sabe sobre o Grupo Bilderberg”, Thierry Meyssan, Tradução David Lopes, Komsomolskaïa Pravda (Rússia) , Rede Voltaire, 29 de Abril de 2011.
    [2] Não figura na lista official. A sua presença foi revelada pelo quotidiano L’Écho : « Mike Pompeo est à la réunion du groupe Bilderberg];
    - David Petraeus, Antigo General da CIA [[“Milhares de milhões de dólares de armas contra a Síria”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Julho de 2017.
    [3] “Sì, il gruppo Bilderberg mi ha invitato alla sua riunione. Vi spiego perché mi interessa partecipare”, Stefano Feltri, 28 Maggio 2019; «Stefano Feltri al Bilderberg, per me è un errore e le spiego perché», Angelo Cannatà, 1 Giugno 2019; «Dentro il Bilderberg: ecco di cosa si discute davvero», Stefano Feltri, 4 Giugno 2019, Il Fatto Quotidiano.
    [4] “Terrorismo: o juiz italiano Imposimato acusa o Grupo de Bilderberg”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 30 de Janeiro de 2013.

    aqui:https://www.voltairenet.org/article206673.html

    quarta-feira, 29 de maio de 2019

    A nova religião do suposto aquecimento global de origem humana

    – Cientistas defendem uma agenda climática baseada em evidências e nos interesses reais da sociedade
    – Pingos no "i"s quanto às falácias pseudo-científicas propaladas pelo IPCC e pela UE
    – Carta aberta ao ministro brasileiro do Meio Ambiente

    pelos signatários [*]
    Exmo. Sr. Ministro Ricardo de Aquino Salles:

    As posições manifestadas por V.Exa. em diversas entrevistas, antes e depois de assumir o Ministério do Meio Ambiente (MMA), reforçam a expectativa de que a sua gestão possa representar uma guinada determinante na orientação da política ambiental brasileira, visando ao enfrentamento dos problemas reais do País e à atuação do MMA como um catalisador de ações sinérgicas junto aos demais órgãos da administração pública, além de promover uma visão objetiva, pragmática e não ideológica das questões ambientais na sociedade em geral.

    Neste contexto, os signatários da presente reiteram que as discussões e a formulação das políticas públicas sobre as questões climáticas têm sido pautadas, predominantemente, por equivocadas e restritas motivações ideológicas, políticas, econômicas e acadêmicas, afastando-as não apenas dos princípios basilares da prática científica, mas também dos interesses maiores da sociedade.

    É perceptível que a extensão de tais interesses e dos compromissos internacionais assumidos pelo País com a agenda da "descarbonização" da economia mundial faz com que qualquer tentativa brusca de reorientação da pauta climática nacional, para fora do cenário "antropogênico" das mudanças climáticas, tenda a gerar oposição dos setores articulados em torno desse cenário, aí incluídos o poderoso movimento ambientalista internacional e grande parcela da mídia, dotados de considerável influência sobre a opinião pública interna e externa.

    Não obstante, algumas necessárias correções de rumo são factíveis, no sentido de se atribuir uma prioridade maior a certas iniciativas de importância fundamental, tanto na alçada do MMA como na de outros ministérios, para proporcionar uma melhora efetiva do conhecimento da dinâmica climática e um aumento da capacidade geral da sociedade para fazer frente aos mais diversos fenômenos meteorológicos e climáticos, que sempre ocorreram no passado e continuarão a ocorrer no futuro. Estamos convencidos de que tais iniciativas representariam aplicações melhores para grande parte dos recursos humanos e financeiros que têm sido equivocadamente orientados para a agenda da "descarbonização" – e desperdiçados com ela –, particularmente, o Fundo Nacional sobre Mudança Climática.

    Por conseguinte, oferecemos-lhe as considerações a seguir, com a expectativa de que possam aportar subsídios relevantes para a atuação do MMA, aproveitando o ensejo para formular votos de sucesso na sua gestão.

    1) Não há evidências físicas da influência humana no clima global

    Em termos estritamente científicos, a questão climática pode ser sintetizada em um único parágrafo:

    As mudanças constituem a característica fundamental do clima, como demonstram as evidências referentes a toda a história geológica da Terra – ou seja, o clima está sempre em mudança (pelo que a expressão "mudança climática"se torna um pleonasmo). Quanto à alegada influência humana no clima global, supostamente atribuída às emissões de compostos de carbono das atividades humanas, ela teria forçosamente que amplificar as taxas de variação (gradientes) das temperaturas atmosféricas e oceânicas e dos níveis do mar, registradas desde a Revolução Industrial do século XVIII. Como não há qualquer evidência física observada de que estas últimas variações sejam anômalas, em relação às registradas anteriormente, no passado histórico e geológico, simplesmente, a hipótese da influência humana não pode ser comprovada, a despeito de todo o alarido neste sentido.

    Todos os prognósticos que indicam elevações exageradas das temperaturas e dos níveis do mar nas décadas vindouras, além de outros impactos negativos atribuídos ao lançamento de carbono "antropogênico" na atmosfera, baseiam-se em projeções de modelos matemáticos, que constituem apenas simplificações bastante limitadas do sistema climático global. Portanto, tais cenários alarmistas não devem ser usados para fundamentar políticas públicas e estratégias de longo alcance, com grandes impactos socioeconômicos, tanto em âmbito nacional como global.

    A influência humana no clima se restringe às áreas urbanas e seus entornos (o conhecido efeito das "ilhas de calor"), sendo esses impactos muito localizados e sem influência na escala planetária.

    Segundo o quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (AR5/IPCC), divulgado em 2014, as temperaturas médias globais aumentaram 0,85 C no período 1880-2012, enquanto o nível médio do mar subiu 0,19 m entre 1901 e 2010.

    Ora, mesmo dentro do período de existência da humanidade, há registros de números bem mais acentuados. Ao longo do Holoceno, a época geológica correspondente aos últimos 11.700 anos em que a civilização humana tem se desenvolvido, houve diversos períodos com temperaturas mais altas que as atuais. No Holoceno Médio, há 6.000-8.000 anos, as temperaturas médias chegaram a ser 2°C a 3°C superiores às atuais, enquanto os níveis do mar atingiram até 3 metros acima dos atuais. Igualmente, nos períodos quentes conhecidos como Minoano (1500-1200 a.C.), Romano (séc. III a.C.-V d.C.) e Medieval (séc. X-XIII d.C.), as temperaturas médias do planeta foram entre 1-2 °C superiores às atuais. E dados paleoclimáticos (cilindros de gelo da estação de Vostok, Antártica) sugerem que as temperaturas da Terra já estiveram 6°C a 10°C mais elevadas que as atuais, nos últimos três interglaciais, há cerca de 150 mil, 240 mil e 320 mil anos atrás.

    Entre 12.900 e 11.600 anos atrás, no período frio denominado Dryas Recente, as temperaturas atmosféricas caíram cerca de 8°C em menos de 50 anos e, ao término dele, voltaram a subir na mesma proporção em pouco mais de meio século.

    Quanto ao nível do mar, ele subiu cerca de 120 metros, entre 18.000 e 6.000 anos atrás, o que equivale a uma taxa média de 1 metro por século, suficientemente rápida para impactar visualmente as gerações sucessivas das populações que habitavam as margens continentais. No período entre 14.650 e 14.300 anos atrás, há registros de uma elevação ainda mais acelerada, atingindo cerca de 14 metros em apenas 350 anos, média de 4 metros por século.

    Em outras palavras, tais variações representam valores superiores em uma ordem de grandeza às observações feitas desde o século XIX. Por conseguinte, essas últimas se enquadram com muita folga dentro da faixa de oscilações naturais dos parâmetros climáticos e, portanto, não podem ser atribuídas ao uso dos combustíveis fósseis ou a qualquer outro tipo de atividade vinculada ao desenvolvimento humano.

    Embora evidências como essas possam ser encontradas em, literalmente, milhares de estudos realizados em todos os continentes por cientistas de dezenas de países, devidamente publicados na literatura científica internacional (vide, p.ex., o excelente sítio http://www.co2science.org ), é raro que algum desses estudos ganhe repercussão na mídia, quase sempre mais inclinada à promoção de um alarmismo sensacionalista e desorientador.

    2) A hipótese do aquecimento "antropogênico" é um desserviço para a Ciência e um risco para as políticas públicas

    A boa prática científica pressupõe uma correspondência entre hipóteses de trabalho e dados observados que as comprovem. A hipótese das mudanças climáticas "antropogênicas" não se fundamenta em evidências físicas observadas no mundo real, já que, no passado, ocorreram temperaturas altas com baixas concentrações de dióxido de carbono (CO2) e vice-versa. Em adição, de acordo com dados de satélites, a temperatura média global (se é que existe uma) tem estado estável nos últimos 20 anos, apesar de as emissões de CO2 terem aumentado em mais de 11% nesse mesmo período. Por conseguinte, apesar de agregar um certo número de cientistas, a sua construção passa ao largo da metodologia científica e a insistência na sua preservação representa um grande desserviço à Ciência e à sua necessária colocação a serviço do bem-estar da humanidade.

    A História registra numerosos exemplos dos efeitos nefastos do atrelamento da Ciência a ideologias e outros interesses restritos. O empenho prevalecente na imposição da hipótese "antropogênica" sem as evidências correspondentes tem custado caro à humanidade, em recursos humanos, técnicos e econômicos desperdiçados com um problema inexistente. O Brasil não está alheio a essa situação. Ao contrário, manifesta-se no País um despropositado empenho em colocá-lo em uma questionável posição de "liderança" nas negociações internacionais sobre o clima.

    Vale lembrar que vários países de peso têm manifestado posições contestatórias das diretrizes políticas baseadas em tal hipótese infundada, de forma a mitigar os seus impactos nas respectivas economias nacionais.

    Ademais, ao conferir ao CO2 e outros gases produzidos pelas atividades humanas o papel de protagonistas da dinâmica climática, a hipótese "antropogênica" simplifica e distorce processos naturais extremamente complexos, nos quais interagem fatores astrofísicos, atmosféricos, oceânicos, geológicos, geomorfológicos e biológicos, que a Ciência apenas começa a entender em sua abrangência e ainda está muito distante de poder representá-los em modelos matemáticos confiáveis.

    A propósito, o alegado limite de 2°C para a elevação das temperaturas sobre os níveis pré-industriais, que, supostamente, não poderia ser superado e tem justificado todas as restrições propostas para os combustíveis fósseis, em âmbito internacional, não tem qualquer base científica. Trata-se de uma criação "política" do físico Hans-Joachim Schellnhuber, diretor do Instituto Potsdam para a Pesquisa de Impactos Climáticos (PIK) e assessor científico do governo alemão, como admitido por ele próprio, em uma entrevista à revista Der Spiegel, publicada em 17/10/2010.

    Um exemplo dos riscos dessa simplificação para a formulação das políticas públicas relevantes é a possibilidade real de que o período até a década de 2030 experimente um considerável resfriamento da atmosfera, em vez de aquecimento, devido ao efeito combinado de um ciclo de baixa atividade solar (Ciclo 25), à fase de resfriamento do Oceano Pacífico (Oscilação Decadal do Pacífico-ODP), em um cenário semelhante ao observado entre 1947 e 1976,e da tendência de aumento da cobertura de nuvens global nos últimos 16 anos. Vale observar que, naquele período, o Brasil experimentou uma redução de 10-30% nas chuvas, o que acarretou problemas de abastecimento de água e geração elétrica, além de um aumento das geadas fortes, que muito contribuíram, por exemplo, para erradicar o cultivo do café no oeste do Paraná. Se tais condições se repetirem, no futuro imediato, o País poderá ter sérios problemas, inclusive nas áreas de expansão da fronteira agrícola das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, e na geração hidrelétrica (particularmente, considerando a proliferação de reservatórios "a fio d'água", impostos pelas restrições ambientais das últimas décadas).

    3) A obsessão com o CO2 desvia atenções e recursos das emergências reais

    O Sol, a água e o CO2 são essenciais para a fotossíntese e para a vida como a conhecemos no planeta Terra. Ou seja, o CO2 não é um poluente, mas o gás da vida!

    Ademais, a obsessão com a redução das emissões de CO2 tem ensejado um indesejável desvio de atenções e recursos humanos e financeiros dos problemas ambientais reais que afetam a sociedade hoje, cujas soluções requerem iniciativas e investimentos públicos e a conscientização de amplos setores sociais. Para não alongar, citam-se alguns dos principais:

    – A falta de acesso a redes de saneamento básico para mais de 100 milhões de brasileiros; cerca de 34 milhões não têm acesso à água tratada e apenas 45% do esgoto recolhido tem algum tipo de tratamento, o que gera prejuízos estimados em R$ 56 bilhões por ano, segundo o Instituto Trata Brasil.
    – Apesar de pouco mais de 91% do lixo gerado no País ser recolhido regularmente, 41% dos resíduos sólidos recolhidos são destinados a lixões e aterros inadequados, gerando grandes impactos de saúde pública, poluição de aqüíferos e cursos d'água e outros problemas (seg. Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2017).
    – De acordo com o IBGE, 8,27 milhões de pessoas em 872 municípios vivem em áreas de risco – encostas, várzeas de rios e outros terrenos inadequados para moradias (População em áreas de risco no Brasil, 2018).

    Infelizmente, a despeito da sua seriedade e urgência de enfrentamento, tais problemas não costumam ser percebidos como "ambientais" por uma considerável parcela da sociedade e, consequentemente, não recebem sequer uma fração das atenções e da publicidade geralmente dedicadas às questões climáticas.

    4) Melhor conhecimento e maior resiliência

    Em lugar do alarmismo sobre o aquecimento global e da pseudo-panaceia do "baixo carbono", a agenda climática teria muito a ganhar com uma reorientação de prioridades, que favoreça: a) um melhor conhecimento da dinâmica do clima, com ênfase nos estudos paleoclimáticos do território brasileiro; e b) um aumento da resiliência da sociedade para fazer frente aos eventos meteorológicos extremos e a quaisquer tendências climáticas que se manifestem no futuro.

    O estudo das mudanças climáticas do passado histórico e geológico (paleoclimas) constitui a base mais sólida para o entendimento da dinâmica climática e as suas projeções para o futuro. Uma atenção especial deve ser dada ao período Quaternário (os últimos 2,6 milhões de anos), no qual o gênero Homo surgiu e tem evoluído. Dentro do Quaternário, os últimos 800 mil anos têm sido marcados por uma sucessão de ciclos glaciais (mais frios), com duração média de 90-100 mil anos, e interglaciais (mais quentes), com duração média de 10-12 mil anos. Atualmente, o planeta se encontra em uma fase interglacial, que teve início há cerca de 11.700 anos, dentro da qual toda a civilização humana tem se desenvolvido. De forma significativa, pelo menos os três interglaciais anteriores foram mais quentes que o atual, e não há qualquer evidência de que o presente interglacial possa deixar de ser sucedido por uma nova glaciação. A explicação mais aceita sobre os fatores causadores dessa dinâmica se baseia em alterações de parâmetros orbitais terrestres que variam ciclicamente, como mudanças na inclinação do eixo de rotação e na forma da órbita terrestre ao redor do Sol. Portanto, é evidente que o homem é incapaz de causar qualquer ínfima influência nos fatores e forças cósmicas que a regem.

    No Brasil, os estudos do Quaternário, apesar de importantes e da existência de um número razoável de instituições de pesquisa e pesquisadores dedicados a eles, ainda são esparsos e insuficientes para permitir a configuração de um quadro paleoclimático do território nacional e do seu entorno continental, com a profundidade necessária para subsidiar um modelo consistente de mudanças climáticas a ser definido para o País, que possa proporcionar dados relevantes para subsidiar um modelo global mais condizente com a realidade. Portanto, esta é uma lacuna que precisa ser considerada na formulação de uma agenda climática realmente útil, em que o MMA poderia atuar em consonância com os órgãos específicos do MME e MCTIC. Além disso, manifesta-se uma necessidade de estudos locais e regionais, intermediários entre as escalas global/zonal e pontual dos microclimas, de grande relevância para o planejamento e ordenamento territorial e que deveriam receber atenção maior.

    Quanto à resiliência, esta pode ser entendida como a flexibilidade das condições físicas de sobrevivência e funcionamento da sociedade, além da sua capacidade de resposta às emergências, permitindo-lhe reduzir a sua vulnerabilidade aos fenômenos meteorológicos extremos, às oscilações climáticas e a outros fenômenos naturais potencialmente perigosos, que já ocorreram no passado e certamente ocorrerão no futuro.

    Neste aspecto, destacam-se dois conjuntos de fatores que contribuem para reduzir a vulnerabilidade da sociedade às adversidades meteorológicas e climáticas:
    a) um aprimoramento da capacidade de previsão meteorológica nacional;
    b) o estímulo de pesquisas referentes a novas fontes energéticas avançadas.

    No primeiro item, uma iniciativa primordial seria tirar do papel o projeto de um satélite meteorológico geoestacionário próprio, imprescindível para um país que ocupa a metade da América do Sul e tem a responsabilidade de distribuir informações meteorológicas sobre grande parte do Oceano Atlântico Sul (a chamada METAREA-V), nos termos da Convenção Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar (SOLAS).

    Outras iniciativas relevantes incluem:

    – a ampliação e melhor distribuição territorial da rede de estações meteorológicas, inferior aos padrões recomendados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) para um território com as dimensões do brasileiro, com ênfase especial no trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET);
    – o aumento do número de radares meteorológicos e a sua interligação aos sistemas de defesa civil;
    – a aceleração da consolidação da base nacional de dados meteorológicos, parte dos quais ainda não foi digitalizada;
    – o estabelecimento de uma rede mais eficiente de divulgação de dados meteorológicos e oceanográficos para a METAREA-V.

    No segundo item, destaca-se o estabelecimento de linhas de pesquisa de novas fontes energéticas, como o uso de tório em reatores nucleares, fusão nuclear (com conceitos que deverão estar disponíveis comercialmente ao longo da próxima década) e fontes baseadas em novos princípios físicos, como as reações nucleares quimicamente assistidas (a chamada "fusão a frio"), energia do vácuo quântico (ou "ponto zero") e outras, objetos de pesquisas e desenvolvimento em vários países, mas praticamente ignoradas no País, que não pode dar-se ao luxo de ficar alheio a elas. Para tais pesquisas, o Brasil dispõe dos necessários recursos humanos qualificados, distribuídos entre centros de pesquisa acadêmicos, de empresas estatais (Cenpes, Cepel etc.), militares (IME, CTA, CTEx, IPqM) e algumas empresas de tecnologia privadas. Com relação às fontes renováveis, a energia solar pode ser explorada, particularmente no Centro Oeste e Nordeste, porém não com sistemas fotovoltáicos, de ineficiência comprovada, e sim com sistemas heliotérmicos ( concentrated solar power, CSP), em particular, os de calhas parabólicas, além da produção de combustível líquidos a partir de algas e hidrogênio a partir de hidrogenase (enzima catalisadora da oxidação reversível de hidrogênio molecular).

    Todas essas iniciativas poderiam se beneficiar com a disponibilidade de parte dos recursos financeiros que têm sido alocados a programas vinculados às mudanças climáticas, segundo o enfoque equivocado da redução das emissões de carbono.

    Um grupo adicional de iniciativas relevantes para a "resiliência climática" envolve a infraestrutura física, em especial, a capacidade de armazenamento de alimentos, infraestrutura de transportes, energia e comunicações, além de outros tópicos, não diretamente na alçada do MMA, mas potencialmente influenciados pelas diretrizes e programas do Ministério.

    Em síntese, o caminho mais racional e eficiente para aumentar a resiliência da sociedade, diante das mudanças climáticas inevitáveis – aquecimento ou resfriamento –, é a elevação geral dos seus níveis de desenvolvimento humano e progresso aos patamares permitidos pela Ciência e pelo avanço do conhecimento e o processo de inovação.

    5) A "descarbonização" é desnecessária e deletéria

    Uma vez que as emissões "antropogênicas" de carbono não provocam impactos verificáveis no clima global, toda a agenda da "descarbonização" ou "economia de baixo carbono" se torna desnecessária e contraproducente – sendo, na verdade, uma pseudo-solução para um problema inexistente, pelo menos no tocante ao clima (programas de incentivo à mobilidade urbana, inclusos no Fundo Clima, por exemplo, se justificam por si próprios). A insistência na sua preservação, por força da inércia do status quo, não implicará em qualquer efeito sobre o clima, mas tenderá a aprofundar os numerosos impactos negativos de tais diretrizes.

    O principal deles é o encarecimento desnecessário de uma série de atividades econômicas, em razão de:

    – subsídios concedidos à exploração de fontes energéticas de baixa eficiência, como a eólica e solar fotovoltáica, já em retração na União Europeia (UE), que investiu fortemente nelas;
    – imposição de cotas e taxas vinculadas às emissões de carbono, como fizeram a UE para viabilizar o seu mercado de créditos de carbono, e países como a Austrália e a França, onde a grande rejeição popular forçou a sua retirada;
    – imposição a várias atividades econômicas de medidas de captura e sequestro de carbono (CCS), totalmente inúteis sob o ponto de vista climático e de saúde pública, uma vez que o CO2 não é um gás tóxico e poluente; vale insistir, trata-se do gás da vida. Os principais beneficiários de tais medidas têm sido os especuladores, fornecedores de equipamentos e serviços de CCS e participantes dos intrinsecamente inúteis mercados de carbono, que não têm qualquer fundamento econômico real e se sustentam tão-somente em uma demanda artificial criada a partir de uma necessidade inexistente.

    6) Mirando o futuro

    Pela primeira vez na História, a humanidade detém um acervo de conhecimentos e recursos físicos, técnicos e humanos, para prover a virtual totalidade das necessidades materiais de uma população ainda maior que a atual. Esta perspectiva viabiliza a possibilidade de se universalizar – de uma forma inteiramente sustentável – os níveis gerais de bem-estar usufruídos pelos países mais avançados, em termos de infraestrutura de água, saneamento, energia, transportes, comunicações, serviços de saúde e educação e outras conquistas da vida civilizada moderna. A despeito dos falaciosos argumentos contrários a tal perspectiva, os principais obstáculos à sua concretização, em menos de duas gerações, são mentais e políticos, e não físicos e ambientais. Definitivamente, a política ambiental brasileira (aí incluída a agenda climática) precisa enquadrar-se nessa perspectiva. 

    Luiz Carlos Baldicero Molion
    Físico, doutor em Meteorologia e pós-doutor em Hidrologia de Florestas, pesquisador sênior (aposentado) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor associado (aposentado) da Universidade Federal de Alagoas (UFAL)

    José Carlos Parente de Oliveira
    Físico, doutor em Física e pós-doutor em Física da Atmosfera, professor associado (aposentado) da Universidade Federal do Ceará (UFC), professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE)

    José Bueno Conti
    Geógrafo, doutor em Geografia Física e Livre-docente em Climatologia, professor titular do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP)

    Fernando de Mello Gomide
    Físico, professor titular (aposentado) do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA)

    Ricardo Augusto Felício
    Meteorologista, mestre e doutor em Climatologia, professor do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), membro do conselho deliberativo da Sociedade Brasileira de Meteorologia (SBMET)

    Fúlvio Cupolillo
    Geógrafo, mestre em Meteorologia Aplicada e doutor em Geografia, professor titular do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais (IFMG)

    Daniela de Souza Onça
    Geógrafa, mestre e doutora em Climatologia, professora do Departamento de Geografia da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC)

    Carlos Henrique Jardim
    Geógrafo, mestre, doutor e pós-doutor em Geografia, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

    Wellington Lopes Assis
    Geógrafo, mestre e doutor em Geografia, professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

    João Bosco A. de Morais
    Geólogo, mestre em Hidrogeologia e doutor em Vulnerabilidade de Aquíferos, consultor privado e assessor para Meio Ambiente do Governo do Estado do Ceará

    Danilo Ericksen Costa Cabral
    Meteorologista, mestre em Meteorologia, Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA)

    Rômulo da Silveira Paz
    Meteorologista, mestre em Meteorologia, doutor em Engenharia Mecânica, professor associado da Universidade Federal da Paraíba (UFPB)

    Paulo Cesar Martins Pereira de Azevedo Branco
    Geólogo, pesquisador sênior em Geociências (aposentado) do Serviço Geológico do Brasil (CPRM)

    Gildo Magalhães dos Santos Filho
    Engenheiro eletrônico, doutor em História Social e Livre-docente em História da Ciência e Tecnologia, professor titular do Departamento de História da Universidade de São Paulo (USP)

    Thiago Maia
    Físico, mestre e doutor em Física Nuclear e doutor em Astrofísica, engenheiro de petróleo e consultor privado

    Guilherme Polli Rodrigues
    Geógrafo, mestre em Climatologia, consultor ambiental

    Igor Vaz Maquieira
    Biólogo, especialista em Gestão Ambiental

    Mario de Carvalho Fontes Neto
    Engenheiro agrônomo, editor do blog A Grande Farsa do Aquecimento Global

    Richard Jakubazsko
    Jornalista, editor-executivo da revista Agro DBO e coautor do livro CO2 aquecimento e mudanças climáticas: estão nos enganando? (com Luiz Carlos Baldicero Molion e José Carlos Parente de Oliveira, DBO Editores Associados, 2015)

    Geraldo Luís Saraiva Lino
    Geólogo, autor do livro A fraude do aquecimento global: como um fenômeno natural foi convertido numa falsa emergência mundial (Capax Dei, 2009; 4ª ed., 2015)

    Ver também:
  • Mitos climáticos
  • Aquecimento global: uma impostura científica
  • Acerca da impostura global

    O original encontra-se em agfdag.wordpress.com/...


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .


  • terça-feira, 28 de maio de 2019

    Carta do cárcere


    por Julian Assange

    Nos primeiros comentários públicos após a sua prisão, Julian Assange, fundador e editor da WikiLeaks, pormenorizou as condições repressivas que enfrenta na prisão britânica de Belmarsh e apelou a uma campanha contra a ameaça da sua extradição para os Estados Unidos.

    Os comentários de Assange foram formulados em carta dirigida ao jornalista britânico independente Gordon Dimmack, o qual decidiu torná-la pública na sequência do anúncio feito quinta-feira passada pelo Ministério da Justiça dos EUA de novas acusações contra Assange com base numa antiga lei sobre espionagem.

    Eis o texto completo da carta e Assange a Gordon Dimmack:
    Fui isolado de toda capacidade para preparar a minha defesa, nem laptop, nem internet, nem computador, nem biblioteca até agora, mas mesmo que eu obtenha acesso [à biblioteca] será apenas por meia hora junto com toda a gente uma vez por semana. Apenas duas visitas por mês e leva semanas para conseguir [inserir] alguém na lista de entrada. É uma situação sem saída (Catch-22) conseguir que os seus pormenores sejam examinados pela segurança. Assim, todas as chamadas excepto com o advogado são gravadas e são num máximo de 10 minutos e num [período] limitado de 30 minutos em cada dia no qual todos os prisioneiros competem pelo telefone. E o crédito? Apenas algumas libras por semana e ninguém pode ligar.

    [Estou diante de] uma superpotência que tem estado a preparar-se durante nove anos com centenas de pessoas e incontáveis milhões gastos no caso. Estou indefeso e conto consigo e outros de bom carácter para salvar minha vida.

    Estou intacto embora literalmente cercado de assassinos. Mas os dias em que eu podia ler, falar e organizar para defender a mim próprio, os meus ideais e o meu povo estão acabados até eu estar livre. Todos os demais devem tomar o meu lugar.

    O governo dos EUA, ou melhor, aqueles elementos lamentáveis que odeiam a verdade, a liberdade e a justiça querem trapacear a fim de obter minha extradição e morte ao invés de permitir ao público que ouça a verdade pela qual ganhei os maiores prémios de jornalismo e ter sido nomeado sete vezes para o Prémio Nobel da Paz.

    Em última análise, a verdade é tudo o que temos.
    25/Maio/2019

    O original encontra-se em https://www.wsws.org/en/articles/2019/05/25/assa-m25.html
    e a versão em francês em https://www.legrandsoir.info/j-ai-recu-une-lettre-de-julian-assange.html


    Esta carta encontra-se em http://resistir.info/ .


    domingo, 26 de maio de 2019

    A guerra dos metais raros

    – A face oculta da transição energética e da digitalização
    por José Ferrer [*]
    O livro La guerre des métaux rares: La face cachée de la transition énergétique et numérique [1] , de Guillaume Pitron, jornalista francês colaborador de Le Monde Diplomatique, é de leitura fácil e revela uma grande contradição dos nossos dias:

    a) Proclama-se, com o aval de numerosos Chefes de Estado e de Governo que, por causa do chamado aquecimento global, temos de abandonar rapidamente os combustíveis fósseis, substituindo-os por tecnologias energéticas verdes, também ditas renováveis ou limpas.

    Estas hão-de ser crescentemente conseguidas e bem aproveitadas com o aprofundamento da digitalização nos mais variados campos da economia, mas isto só se consegue actualmente com o indispensável concurso dos chamados metais raros. "A cada aplicação verde o seu metal raro" (p. 36).

    b) A contradição reside em que os metais raros são relativamente escassos na crosta terrestre, dando-se a triste circunstância adicional de a sua extracção e refinação serem processos duplamente problemáticos do ponto de vista energético e ambiental.

    A inferência é inevitável e G. Pitron não se inibe de a expor: a mutação tecnológica que se pretende impor não resolve a questão ambiental em causa. Esta passa sobretudo pela alteração dos locais de ocorrência da poluição.

    Compreender-se-á assim o apelo que o autor insere no epílogo do livro: paremos para pensar, uma vez que a revolução industrial, técnica e social que é preciso realizar há-de passar pela revolução das consciências.

    Ou seja, digamos que, para o autor, o ambientalismo ainda não se livrou do seu estádio infantil, já que proclama objectivos, vias e políticas nem sempre coerentes entre si e, portanto, não sustentáveis a vários títulos.

    É interessante notar que esta tese fundamental do livro é formulada por um autor que
    i) Aparentemente, aceitou (e parece continuar a aceitar a maioria de) os mandamentos da cartilha ambientalista,
    ii) Em particular, não mostra qualquer dúvida acerca da teoria do alegado aquecimento global gerado pela emissão antropogénica dos gases com efeito de estufa,
    iii) Parece acreditar em que a questão ambiental irá ter solução no quadro do capitalismo (chega a usar a expressão "capitalisme vert", (p. 17),
    iv) A sua França há-de recuperar posições perdidas no cotejo internacional, incluindo na segurança militar.

    Assim se perceberá porque sequer tem uma palavra de questionamento sobre a legitimidade de se impor a países economicamente atrasados caminhos diferentes dos seguidos pelos países desenvolvidos, como manda a Agenda Ambiental dominante, vide o Acordo de Paris, de 2015.

    Terras raras. G. Pitron foi construindo a sua tese a partir do que se foi apercebendo acerca das limitações na disponibilidade de metais raros [2] e, em particular, dos metais chamados terras raras (sobretudo lantanídeos).

    A exemplo de milhões de pessoas, Pitron não terá estudado a ciência química senão a nível muito elementar [3] . Em particular, jamais terá tido, antes de trabalhar para este livro, a possibilidade de se aproximar da série de problemas que a extracção mineira e as metalurgias colocam do ponto de vista de economia da produção industrial, da poluição [4] e da demanda energética [5] .

    Tópicos que, manifestamente, lhe criaram um certo espanto à medida que foi viajando pelo mundo, visitando minas e outras instalações industriais, tendo pesquisado durante "seis anos" sobre o assunto "em doze países" (p. 23). Assim foi descobrindo que, diversamente do que teria antes pensado, aquelas agudas questões são descuradas no discurso ambientalista bem como por parte de dirigentes políticos os mais variados, incluindo da sua aparentemente venerada União Europeia.

    Não se pense que G. Pitron se tornou num engenheiro, mas seria injusto não enfatizar o esforço que empreendeu, em relato que pode ser muito útil a quem também tenha a curiosidade sobre muitas das especificidades técnicas e económicas em causa na obtenção, refinação e aplicação dos metais, e suas reciclagens.

    O autor não enjeita a utilidade dos metais há muito usados – ferro, ouro, prata, cobre, chumbo, alumínio – mas, justamente, chama a atenção para as "fabulosas propriedades magnéticas e químicas" (p.15) dos metais raros, crescentemente usados desde a década de 70 do século passado. Procura que tenderá ainda a crescer, a verificar-se a intensificação das suas aplicações.

    As torres eólicas, os painéis solares, as novas baterias eléctricas, os telemóveis, os computadores (cada vez mais usados em crescentes aplicações), etc, dependem da utilização de metais raros. A lista das afectações é enorme: "Robótica, inteligência artificial, hospital digital, segurança cibernética, biotecnologias médicas, objectos conectados, nanoelectrónica, viaturas sem condutor..." (p. 26). Ou seja, o "mundo novo" de que se tem falado afunda-nos numa "nova dependência, ainda mais forte" do que a de energias fósseis (p.26).

    Há razões para lhes chamar raros: enquanto tem sido fácil encontrar minérios de ferro com teores metálicos da ordem de 60% (ou seja, 1,67kg de minério contém 1kg de ferro), o autor sublinha, por exemplo, serem precisas "oito toneladas e meia (cerca de 8500kg) de minério para produzir um quilograma de vanádio ... e mil e duzentas toneladas (cerca de 1 200 000 kg) por um infeliz quilograma dum metal ainda mais raro, o lutécio (terra rara)" (p.16).

    O autor debruça-se sobre o balanço ecológico de vários sectores (painéis solares, veículos eléctricos, redes eléctricas "inteligentes"), sobre as tremendas dificuldades ainda existentes na reciclagem de metais raros, para concluir que as tecnologias verdes, em geral, não são mais vantajosas do que as tradicionais em termos ambientais e energéticos. Até o são menos em certos aspectos (pp. 57-85), embora nesse balanço inclua a emissão de dióxido de carbono, como se este não fosse o gás da vida.

    Mas G. Pitron não se interessa apenas por esse tipo de questões. Pelo contrário, não esconde o seu grande incómodo quando observa o papel ímpar que cabe à República Popular da China (que recorrentemente trata por "Império do Meio") na questão dos metais raros, em particular quanto às terras raras. Cinco capítulos do livro são, em especial, dedicados a esta problemática, incluindo uma particular atenção à questão dos mísseis inteligentes, área em que "o Ocidente" se encontra vulnerável.

    Observação que contrasta com a perspectiva que terá antes partilhado de que a adopção das energias renováveis e da digitalização permitiria reforçar a "soberania energética" dos Estados membros da União Europeia ao tornar esta "menos dependente dos hidrocarbonetos russos, qatares e sauditas" (p.20).

    Pitron enfatiza o facto de a China estar a tirar crescente partido de dispor da maior parte das reservas e de vir subindo na cadeia de valor da utilização das terras raras. Para a mesma potência, os ímanes de terras raras são muito mais pequenos que os ímanes de ferrite, lembra (p. 144).

    Alarma-o facto, confronta-o com os correlativos erros estratégicos que tanto a França como os EUA cometeram quando permitiram o encerramento de unidades industriais do sector, em alerta que lhe parecerá importante para apelar a um repensar da guerra pelos metais raros que se desenha no mundo.

    O autor enfatiza as questões económica e industrial, a ecológica, mas também a de segurança militar e geopolítica com este afunilamento que as chamadas novas tecnologias verdes encerram com a dependência da China.

    Os "... equipamentos mais sofisticados dos exércitos ocidentais (robôs, armas cibernéticas, aviões de combate, como o caça americano... F35)" também dependem , "em parte, da boa vontade da China". Daí a previsão de "uma guerra entre os EUA e a China no mar da China meridional" (p.25).

    Aqui chegado, o autor, sem se afastar da confusão corrente entre ambiente e clima, distancia-se não obstante do ambientalismo no que respeita a esta produção material. Lembra que em França se passou já do lamentável "NIMBY" [6] ao incrível "BANANA" [7] , propondo, por isso, a abertura de minas e a produção em França e no Ocidente.

    Nesta linha, embora em nota de rodapé (p. 23), o autor comenta que o Acordo de Paris sobre as alterações climáticas não contém uma única vez as palavras "metais", "minérios" e "matérias-primas". Eloquente, sem dúvida.

    A obra de G. Pitron, como já se terá entendido, não esgota todas as questões fulcrais dos problemas, e das suas diversas facetas, que se colocam – em particular, quanto à energia. Não esquecer que já se esgotaram muitas reservas dos combustíveis fósseis (a UE não se esquece disso, embora passe o tempo a falar do dióxido de carbono). Entretanto, o livro ilustra muitos dos problemas que o ambientalismo em voga desconhece ou minimiza. 

    [1] Guillaume Pitron, La guerre des métaux rares: La face cachée de la transition energétique et numérique , Éditions Les Liens Qui Libèrent, 2018, 295 p., ISBN 9791020905741.
    [2] Além das terras raras, como metais raros o autor cita os metais pesados (ou de densidade muito superior à densidade da água): vanádio, germânio, grupo da platina – ruténio, ródio, paládio, ósmio, irídio e platina –, tungsténio, antimónio, rénio e, como metal leve, o berílio (p.16). Inclui erradamente também o espato-flúor, que é um mineral de flúor, um não metal, importante para a separação de isótopos de urânio.
    [3] Ver nota de rodapé anterior.
    [4] Inerente, por exemplo, à utilização de reagentes ácidos indispensáveis em certos processos metalúrgicos, mas venenosos para os humanos e muitas outras formas de vida.
    [5] Não se pense que estas actividades se têm mantido indiferentes à inovação tecnológica, pelo contrário. A natureza das ligações químicas, por exemplo, impõe limites inultrapassáveis no consumo energético. Isso se verifica quando destruímos certas ligações químicas a fim de isolarmos um dado metal presente na natureza sob a forma de um composto químico.
    [6] NIMBY: Not In My BackYard.
    [7] BANANA: Build Absolutely Nothing Anywhere Near Anything.


    Ver também:
  • pt.wikipedia.org/wiki/Terra-rara

    [*] Engenheiro químico.


    Esta resenha encontra-se em http://resistir.info/ .
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