segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Pilatos e Cavaco Silva!

Semelhança entre os "dois" Cavacos? Nenhuma, a não ser a ânsia desmedida pelo poder e o comportamento típico de Pilatos.


Eu não sou presidente da República. Não fui eu quem chamou a Belém os "partidos da oposição" para viabilizarem um Orçamento com cortes injustos nos salários dos funcionários públicos. Não fui eu quem convocou o Conselho de Estado para mostrar ao País que era urgente aprovar um Orçamento que dispensa os mais ricos de pagarem a factura da crise. Que fique, pois, bem claro: não sou nem presidente nem candidato a presidente da República, não apadrinhei nem assinei esse Orçamento injusto para funcionários públicos e reformados. Pelo contrário: votei contra o dito, denunciei todas essas injustiças e até apontei alternativas.

Nem sou Pilatos nem suporto os que se comportam como tal, sacudindo as mãos das suas próprias responsabilidades. Cavaco, presidente da República, apadrinhou e promulgou os cortes nos salários dos funcionários públicos, patrocinou e subscreveu as propostas do PS que isentavam os mais ricos e poderosos de pagarem a factura da crise. O mesmo Cavaco, candidato a presidente, disse, porém, num acto de caça ao voto que afinal "há injustiça nos cortes dos salários dos funcionários públicos" e verberou os que, com "muito maiores rendimentos, não foram chamados a dar o seu contributo" (...).

Semelhança entre os "dois" Cavacos? Nenhuma, a não ser a ânsia desmedida pelo poder e o comportamento típico de Pilatos. Eu não gosto de quem não assume a responsabilidade pelos seus actos. Eu não suporto "os pilatos" dos tempos modernos. Por isso, não voto Cavaco.

Para quem quer ter uma razão para votar em alguém sem atender ao foguetório nem às manipulações mediáticas da campanha, pergunte a si próprio qual dos candidatos denunciou claramente e votou contra o que Cavaco diz agora terem sido os injustos cortes dos salários dos funcionários públicos? Na resposta terá a razão do seu voto.


por Honorio Novo, JN, Jan 2011

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Estas duas notícias são daquelas que, isoladamente, já nos fazem pensar; mas, lidas em conjunto...




Caixa já empregou 23 ex-governantes na administração - Especiais - DN

Caixa já empregou 23 ex-governantes na administração - Especiais - DN

Ex-ministros são os que têm melhores cargos profissionais

São vários os ministros que depois de abandonarem as pastas, conseguem empregos em tempo recorde, alguns em áreas que tutelaram durante o período de governação, outros em sectores completamente diferentes. O trabalho de investigação do Diário de Notícias avança ainda que as empresas do Estado servem de acolhimento para antigos chefes de gabinete e operacionais políticos dos dois maiores partidos do país. Os salários situam-se entre os três mil euros e os 20 mil euros.


A Caixa Geral de Depósitos, por exemplo, já empregou 23 ex-ministros e secretários de Estado. A Galp, PT ou EDP e fazem o mesmo.

Na maior parte dos casos, os ex-ministros não têm grandes conhecimentos nas áreas para onde vão trabalhar, mas entram com salários muito mais elevados do que aqueles que ganhavam quando estavam nos ministérios. Rodolfo Lavrador e Norberto Rosa são exemplos que o DN apresenta, mas existem muitos outros casos.


Jornal i, Jan 2011

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Dois homens detidos pelo roubo de 70 pães

A PSP de Lisboa deteve dois homens por terem roubado dois sacos com cerca de 70 pães de uma padaria na zona de Marvila e depois de um deles ter sido baleado por um agente quando tentava fugir.


Em comunicado, a PSP avança que o assalto ocorreu às 4.30 horas da madrugada de hoje, quarta-feira, e que a detenção foi feita depois de um telefonema para a esquadra policial da zona a dar conta do assalto.

Os dois detidos, de 28 e 33 anos, roubaram dois sacos com cerca de 70 pães, num valor de cerca de 15 euros. Os pães foram recuperados e entregues de novo à padaria, após a detenção dos indivíduos.

Depois do assalto, os dois homens iniciaram uma fuga a pé, tendo sido um deles "imediatamente manietado".

O outro suspeito, que detinha uma arma de fogo, "prosseguiu a fuga apeada, sempre seguido pelo elemento policial, que lhe ordenou por diversas vezes que parasse e largasse a arma", refere o comunicado.

"A dada altura o suspeito apontou a arma na direcção do agente, pelo que este, face ao perigo iminente, efectuou um disparo com a arma de serviço, atingindo o suspeito na perna direita", adianta a PSP.

O detido necessitou de tratamento hospitalar mas não ficou internado.

Quando foi interceptado pela PSP, o mesmo suspeito "arremessou a arma de fogo para o interior de um poço", contudo a pistola de alarme foi recuperada pela polícia com o auxílio dos Bombeiros Sapadores de Lisboa.

Os detidos que já tinham antecedentes criminais vão ser presentes na quinta-feira no Tribunal de Instrução Criminal para primeiro interrogatório judicial e aplicação das respectivas medidas de coação.


JN, Jan 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Islândia: Como sair da crise sem ajudar os bancos.

A Islândia é um país do tamanho de Portugal com uma população de apenas 400 000 pessoas.



Como os restantes países europeus também conheceu uma grave crise financeira em 2008, mas está a sair dessa crise devido a dois importantes factores: deixou os seus bancos irem à falência e não estão na zona euro.

O Estado não tem de salvar bancos privados


O presidente da Islândia, Olafur Grimsson, revela que "a diferença do seu país em relação à Irlanda é que na Islândia deixámos os bancos ir à falência. Eram bancos privados e não temos de injectar dinheiro neles para os salvar; o estado não tem de assumir essa responsabilidade. Como podemos nós pedir a gente comum, agricultores, pescadores, professores, médicos ou enfermeiras, assumir a responsabilidade de bancos privados? Esta questão foi debatida no caso do banco islandês Icesave e vai ser uma questão premente em numerosos países europeus."

Perante a falência do banco Icesave, que trabalhava sobretudo com a Inglaterra, e sob a pressão da Comissão Europeia, o governo submeteu um projecto-lei ao parlamento islandês que previa o pagamento de 3,8 mil milhões de euros até 2024, ou seja o equivalente a 40% do PIB da Islândia.

Mas uma petição assinado por um quarto dos islandeses circulou no país a pedir a revogação desse projecto. O presidente Olafur Grimsson recusou então promulgar o diploma e decidiu que essa escolha deveria ser submetida a um referendo. Resultado: 93% dos islandeses recusaram o texto.

Saída da crise

Pela primeira vez, desde a crise do sistema financeiro mundial em 2008, a Islândia começa a sair da recessão com aumento do seu PIB de 1,2%, entre julho e outubro de 2010, o que deverá dar um aumento de 4% no ano, quando tinha perdido 11% do seu PIB nos dois anos anteriores. A inflação que tinha atingido os 18%, estabilizou nos 3%. A sua moeda, a coroa islandesa, que tinha perdido perto de metade do seu valor voltou a subir.

Apesar da redução das despesas com os investimentos de 5,6% e uma ligeira diminuição das despesas públicas de 0,6%, o crescimento deve-se sobretudo ao aumento do consumo interno que cresceu 3,8%. E isto apesar da intervenção do FMI.

Vantagens de não estar na zona euro


Mas esta história de deixar falir os seus bancos não chega só por si para explicar como é que a Islândia conseguiu sair da crise. Paul Krugman, prémio Nobel da economia explica que o facto da Islândia não ter aderido ao euro, permitiu a desvalorização da sua moeda e impor o controlo dos capitais. Assim apesar de ter sofrido a maior crise financeira da sua história, a Islândia conseguiu ser bem menos atingida que os países da zona euro.

No dia 27 de novembro de 2010 foi eleita, na Islândia, uma Assembleia Constituinte que se reuniu em fevereiro de 2011. Propostas: reafirmação da separação entre a igreja e o estado, nacionalização de todos os recursos naturais e separação clara dos poderes executivo e legislativo. Trata-se no fundo da constituição de um novo contrato social.

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